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Suínos / Peixes Acredita Turra

Consumo interno e exportações de carne suína devem crescer em 2019

“Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais”, afirma

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Arquivo/OP Rural

 As expectativas de melhora nas vendas da carne suína brasileiras são grandes para 2019. Mesmo tendo um 2018 um pouco mais recuado, para este ano a perspectiva de lideranças no setor suinícolas são positivas. O aumento de exportações, principalmente para a China e Rússia, é somente um dos motivos para o ânimo que paira sobre a suinocultura nacional. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, aposta em um 2019 melhor tanto no mercado interno quanto externo. “Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais”, afirma.

O Presente Rural (OP Rural) – Faça uma avaliação de como foi o ano de 2018 para a suinocultura brasileira.

Francisco Turra (FT) – Entre os fatores positivos ocorridos está a abertura dos mercados da Coreia do Sul e da Índia para a carne suína. A Rússia, após 11 meses de negociação, também reabriu seu mercado para o setor de suínos.

Outro ponto relevante de 2018, é a crise sanitária corrente na China. Uma vez que a mortandade histórica de animais no maior produtor de carne suína do mundo deverá incrementar a demanda de cárneos provenientes de países que hoje fornecem ao mercado chinês.

Também estão entre os fatores relevantes do ano os dez dias de paralisação nas estradas brasileiras, com a greve dos caminhoneiros. Milhões de aves morreram durante o período. Os impactos superaram os R$ 3,1 bilhões – sendo R$ 1,5 bilhão irrecuperável. Além dos prejuízos, a greve trouxe à pauta o tabelamento do frete. Por questões sanitárias, os setores de aves, ovos e suínos dependem dos denominados transportes dedicados, que são fidelizados e cumprem distâncias curtas.

OP Rural – As exportações foram menores que em 2017. Ao que atrela esta diminuição?

FT – A suspensão das exportações de carne suína para o mercado russo impactou o desempenho internacional da suinocultura do Brasil.  Em 2017, a Rússia representava cerca de 40% de nossas exportações. Ao mesmo tempo, as exportações para a China e para Hong Kong ajudaram a diminuir as perdas. Nossas vendas para Hong Kong cresceram no ano passado 3,5%. Para a China, o crescimento foi ainda maior: 215%. Outros mercados também ampliaram suas compras, como Singapura, Angola e outros.

OP Rural – O mercado brasileiro esteve menos aquecido no ano passado? Por que?

FT – A diferença é relativamente pequena entre 2018 e 2017 no critério consumo per capita.  A recuperação econômica deverá influenciar gradativamente a melhora do consumo.

OP Rural – Mesmo que 2018 não tenha apresentado os resultados esperados, foram bons os números. Para 2019, quais são as expectativas quanto ao mercado e as exportações?

FT – Em relação ao mercado interno, esperamos que a recuperação econômica influencie o incremento no consumo de carne suína no Brasil. Há grande expectativa quanto ao desempenho da economia com o início do novo governo.

Ao mesmo tempo, nas exportações, o mercado será influenciado pela expectativa de elevação da demanda internacional por carne suína, especialmente da China (com a redução dos planteis, diante dos focos de Peste Suína Africana) e da Rússia (recentemente reaberta para o Brasil). A produção deve se elevar entre 2 e 3%, voltando a superar o patamar de 3,7 milhões de toneladas.

OP Rural – Muitos tem falado que este será, também, o ano da retomada da suinocultura brasileira. O senhor acredita nisso? Por que?

FT – Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais. No caso das exportações, os focos de Peste Suína Africana (PSA) em território chinês têm causado grande impacto não apenas na China, como também no mercado internacional. Consultores internacionais apontam lacunas de produção em torno de 4 milhões de toneladas (a China produz anualmente mais de 50 milhões de toneladas, quase metade da produção mundial), devido ao abate de animais para o controle dos focos. Como maior consumidor de carne suína do mundo, a China precisará buscar no mercado internacional esta oferta, e o Brasil é um sólido parceiro. Vimos as exportações para o mercado chinês se elevarem em patamares superiores a 200%, o que deve perdurar ao longo deste ano.

Além da expectativa em torno da demanda chinesa, também é esperada a elevação das importações russas – agora, reaberto ao Brasil.

OP Rural – Há novos mercados que o Brasil ainda pode conquistar?

FT – Sim, as 26 novas habilitações de plantas frigoríficas de aves para exportações ao México mostram a confiança do México no sistema brasileiro, o que gera boas expectativas, também, acerca da abertura do mercado à carne suína do Brasil. Neste ano também esperamos a habilitação de novas plantas para a China Continental, o que deverá fazer com que a China se configure como a maior importadora de carne brasileira, superando Hong Kong. A Rússia deve habilitar novas plantas para importar carne do Brasil. Esperamos ainda a ampliação das exportações para a Coreia do Sul. Também está no radar de negociações do Brasil mercados como a União Europeia, com grande potencial de negócios.

OP Rural – Como foi a reabertura russa para a carne brasileira?

FT – Após 11 meses de negociações nas esferas técnica e política, envolvendo os Ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores, a Casa Civil e a Presidência da República, a Rússia reabriu seu mercado para a carne suína brasileira, para quatro plantas frigoríficas localizadas no Rio Grande do Sul. Principal destino dos produtos suinícolas do Brasil em 2017, a Rússia havia importado 250,9 mil toneladas nos 11 primeiros meses do ano passado e espera-se que retome gradativamente as importações neste ano.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Carcaça suína se mantém estável e ganha competitividade frente ao frango

Valores da carcaça especial suína têm se mantido estáveis na comparação entre março e esta parcial de abril

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Divulgação

Os valores da carcaça especial suína têm se mantido estáveis na comparação entre março e esta parcial de abril (até o dia 17), devido à oferta e demanda equilibradas, de acordo com pesquisadores do Cepea. Nesse cenário e com os preços do frango resfriado em forte alta, a competitividade da proteína suína frente à de frango tem aumentado.

No atacado da Grande São Paulo, de março para abril, a carcaça especial suína se valorizou 0,8%, negociada, em média, a R$ 6,40/kg na parcial deste mês. Quanto ao preço do frango resfriado, no mesmo comparativo, subiu 4%, a R$ 4,66/kg neste mês. Diante disso, a diferença entre os preços da carcaça especial suína e do frango resfriado passou de 1,87 Real/kg para 1,74 Real/kg.

Fonte: Cepea
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Suínos / Peixes Suinocultura

Congresso Nacional Abraves é lançado oficialmente em Toledo

Lançamento oficial do evento aconteceu nesta quarta-feira (17) em Toledo; inscrições para participação no evento e trabalhos científicos estão abertas

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Francine Trento/OP Rural

Os organizadores da 19ª edição do Congresso Nacional Abraves e 1° Congresso Internacional realizaram nesta quarta-feira (17) o lançamento oficial do evento. A atividade aconteceu em Toledo, PR, município que será sede do congresso. Participaram da ação os membros da Abraves Regional Paraná, representantes de empresas parceiras, de universidades e profissionais do setor. A Abraves Nacional acontece entre os dias 22 e 24 de outubro. 

O presidente da Abraves Regional Paraná, Ton Kramer, conta que a escolha por Toledo em ser sede deste que é um dos principais eventos da suinocultura nacional foi principalmente por conta de a cidade ser um grande polo de produção suinícola, sendo um dos principais do país. “Esta cidade conta com toda a estrutura necessária para um evento deste porte. Esperamos em torno de mil pessoas, entre brasileiros e participantes de outros países”, afirma.

Programação

O evento contará, especialmente nesta edição, com duas grandes novidades. A primeira delas é que será realizado pela primeira vez o Congresso Internacional junto com a Abraves. “O Brasil é um grande player da carne suína e nós devemos ocupar este espaço, porque temos um grande potencial para ser o maior produtor de carne suína”, diz o diretor técnico da Abraves PR, Everson Zotti.

Já a segunda novidade é quanto aos assuntos que serão trazidos para serem discutidos na Abraves Nacional. No primeiro dia de evento, um tema importante, segundo Zotti, e que será tratado são as pessoas. “Vamos falar sobre a importância das pessoas na suinocultura, a necessidade de formação, de dar as ferramentas para as pessoas que trabalham com pessoas”, informa. Outro painel será sobre a qualidade de vida – saúde e alimentação – das pessoas, tanto aquelas envolvidas na cadeia, quanto os consumidores. “Para tratar deste assunto, estamos trazendo profissionais do Brasil, e também dos Estados Unidos, Bélgica e Espanha”, conta Zotti.

Inscrições

Os profissionais e estudantes que quiserem participar, as inscrições já estão abertas no site do evento. O valor para profissionais é de R$ 631 e para estudantes R$ 316. Os interessados têm até o dia 31 de julho para efetuar a inscrição.

Para aqueles que gostariam de apresentar trabalhos científicos, as inscrições para esta etapa também já estão abertas. Os trabalhos deverão conter informações originais nas diversas áreas de estudo da suinocultura, não tendo sido publicados em outros congressos e eventos. Não serão aceitas revisões de literatura ou monografias. Casos clínicos/relato de caso serão aceitos, desde que tenham tema relevante para suinocultura. No caso de relato de caso, esta informação deverá constar no título da publicação. Cada autor pode enviar até dois trabalhos. O prazo de inscrições encerra no dia 17 de maio.

Sanidade

Uma grande preocupação de todos os envolvidos na cadeia quanto a realização de eventos internacionais é quanto ao status sanitário do país. A preocupação vem, principalmente, por conta dos surtos de peste suína africana que assolam a China e alguns países da Europa desde meados do ano passado.

Quanto a isto, o presidente da Abraves Paraná garante que medidas estão sendo tomadas para participação no evento. Segundo ele, orientações estão sendo dadas aos profissionais estrangeiros que estarão no Brasil e também aos brasileiros que viajaram ou estarão no exterior antes do evento. “As orientações estão em nosso site e reiteramos a importância de serem seguidas. Especialmente quanto ao período de quarentena que é fundamental para evitar qualquer contaminação”, assegura.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Piscicultura

Cientistas identificam fase da diferenciação sexual de tambaquis

Informação sobre a diferenciação sexual é importante para a obtenção de avanços com os quais cultivo dessa espécie ainda não conta

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Siglia Souza

Pesquisadores da Embrapa identificaram em que fase ocorre a diferenciação sexual do tambaqui (Colossoma macropomum), principal peixe nativo cultivado no Brasil. A descoberta contribui para o desenvolvimento de tecnologias para impulsionar a produção.

A informação sobre a diferenciação sexual é importante para a obtenção de avanços com os quais cultivo dessa espécie ainda não conta, como a formação de população monossexo e a sexagem precoce de tambaqui, que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa visando ao aumento da produção.

A população monossexo de tambaqui representaria maior ganho econômico para os piscicultores. A fêmea apresenta, aproximadamente, 20% a mais de peso em relação ao macho em estágio final de abate, por volta de três quilos.

O peixe nasce com uma gônada bipotencial que pode se tornar ovário ou testículo. “Todo peixe nasce sem sexo definido, nossos estudos revelaram que o sexo do tambaqui se define na idade de um a dois meses quando o animal chega aos quatro centímetros e então começa a formar ovário ou testículo”, informa a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) Fernanda Loureiro Almeida O’Sullivan que lidera o projeto “Caracterização dos processos de determinação e diferenciação sexual de peixes nativos de importância econômica no Brasil”. Esse é um dos estudos realizados na Embrapa que buscam a formação de lotes monossexo de tambaqui.

Sexo se forma de um a dois meses de idade

Também estão sendo estudados fatores que influenciam na diferenciação sexual do tambaqui, não apenas genéticos, mas também ambientais. “Se nós quisermos produzir lotes monossexo sem o uso de hormônios, é fundamental conhecer o sistema de determinação sexual da espécie”, explica a pesquisadora.

A cientista acrescenta que conhecer esse sistema também é importante para estudos sobre evolução das espécies, para a biologia comparada e para a mitigação de efeitos de mudanças climáticas.

Sexagem precoce agrega valor

Além disso, descobrir o sistema de determinação sexual abre a possibilidade de sexar formas jovens de peixes, ou seja, identificar o sexo de cada peixe ainda pequeno, o que facilitaria os processos de seleção para melhoramento genético do tambaqui, formação de plantéis e comercialização de lotes específicos de cada sexo.

A pesquisadora explica que a identificação do sexo do peixe ainda na fase juvenil ajuda a agregar valor à produção. “Com um pedacinho de nadadeira você mandaria para o laboratório e saberia no dia seguinte se é macho ou fêmea e poderia vender formas jovens sexadas, que agregam muito valor”, informa Fernanda.

Atualmente, para formar um plantel, um grupo de animais selecionados de boa qualidade para a reprodução, é necessário esperar os peixes crescerem para identificar o número de machos ou fêmeas. Em criações de tambaqui, isso representa uma espera de quase três anos, gerando perdas econômicas, além de atraso no melhoramento genético.

Avanço na criação de peixes nativos

A sexagem precoce de peixes é uma técnica relativamente nova e utilizada em espécies de alto valor e rendimento zootécnico como, por exemplo, em peixes componentes de programas de melhoramento genético, principalmente na formação e reposição de plantéis. Fernanda explica que devido à dificuldade de identificar o sistema de determinação sexual em peixes (que varia de espécie para espécie), ainda não existe essa técnica de sexagem precoce para nenhuma espécie nativa brasileira.

A pesquisadora da Embrapa considera que o baixo conhecimento científico sobre a biologia das espécies nativas brasileiras e a falta de tecnologias específicas para elas contribui para o pouco aproveitamento dos peixes nativos nas criações.

A espécie mais cultivada pela piscicultura nacional é a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), de origem africana e uma das mais presentes nas criações em todo o mundo. Em segundo lugar em produção vem o tambaqui, da Bacia Amazônica, liderando entre as espécies nativas cultivadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a produção nacional de tambaqui alcançou mais de 88,5 mil toneladas.

Apesar de muitos peixes nativos serem de excelente qualidade, fácil cultivo e alto valor de mercado e apresentarem aceitação pelo consumidor, a participação das espécies nativas não chega a 50% da produção brasileira de pescado. Em comparação, a pesquisadora cita que no continente asiático, maior produtor de pescado do mundo, a participação de espécies nativas de lá em cultivos chega a 95%.

Outras espécies nativas na mira da pesquisa

No mesmo projeto de pesquisa da Embrapa estão sendo estudadas quatro espécies. Além do tambaqui e seus principais híbridos produzidos no Brasil (a tambatinga e o tambacu), o projeto também estuda o pirarucu e bagres de importância econômica no País, como o jundiá (Rhamdia quelen), a cachara (Pseudoplatystoma fasciatum) e seus híbridos. Nesse trabalho, os cientistas procuram gerar informações técnicas para o avanço da piscicultura brasileira com peixes nativos.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental
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