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Consumo global de proteína animal deve crescer 14% até 2033

Expansão da população e busca por proteínas acessíveis sustentam crescimento do setor.

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Foto: Divulgação/Pixabay

O crescimento da demanda por proteína animal no mundo deve aumentar 14% até 2033, abrindo oportunidades para o setor de ovos e carnes tanto no mercado interno quanto nas exportações, conforme projeções sobre o perfil de consumo feita pela Rabobank.

O estudo revela que, em três décadas, a demanda mundial avançou de forma contínua, acumulando altas expressivas: 36% entre 1993 e 2003, 25% de 2003 a 2013 e 16% de 2013 a 2023. “Embora o ritmo tenha diminuído, a curva segue em expansão e sustenta as perspectivas de valorização das proteínas, entre elas o ovo. Mesmo com uma desaceleração no ritmo de crescimento, a trajetória permanece sólida”, frisa o administrador, especialista em Finanças e diretor comercial do Instituto Ovos Brasil, Anderson Müller Herbert.

De acordo com ele, fatores como expansão populacional, aumento de renda em países emergentes e mudanças nas preferências dos consumidores contribuem para essa tendência, consolidando o ovo como uma proteína acessível, nutritiva e versátil. “Há um movimento claro em direção a proteínas de melhor custo-benefício e com apelo de saudabilidade. O ovo cumpre bem esse papel, e por isso deve continuar se valorizando no cenário global”, pontua.

Frango e ovo cresce mais

Fotos: Shutterstock

De acordo com as estimativas sobre o perfil de consumo nos próximos anos, a carne de frango lidera o avanço, com crescimento estimado em 22%, seguida pelos ovos, com previsão de aumento de 21%, reforçando seu papel como alternativa econômica e nutritiva. O pescado também deve registrar expansão, com alta de 12%. Já as carnes bovina e suína apresentam perspectivas mais modestas, com crescimento previsto de 9% e 7%, respectivamente. A carne ovina, por sua vez, deve permanecer praticamente estável, mantendo participação menor na cesta global. “Esses dados evidenciam que o mundo vai continuar demandando mais proteína animal, mas a composição do consumo está mudando. As proteínas mais acessíveis e percebidas como saudáveis – aves e ovos – ganharão maior espaço, enquanto carnes de maior custo crescerão em ritmo mais lento. Essa mudança reflete um cenário de consumidores mais conscientes e pressionados por renda, especialmente em países em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que a urbanização e a conveniência favorecem alimentos práticos, como ovos e carne de frango”, evidencia Herbert.

Segundo o especialista, até 2033 o ovo deve se consolidar como protagonista na cesta global de proteínas, acompanhando a ascensão das aves. “O setor avícola terá papel estratégico para atender a essa demanda crescente, sobretudo em países exportadores como o Brasil”, enaltece.

Preços dos ovos

Ao mesmo tempo, a disparada nos preços dos ovos aponta um cenário de forte volatilidade, marcado por oscilações que vão muito além do custo de produção. Herbert explica que fatores externos, como sanidade avícola, consumo interno e exportações, têm sido determinantes na formação dos preços. “O custo de produção praticamente não mudou na última década, mas os preços passaram a registrar picos históricos a partir de 2020, sobretudo em função de choques de oferta e demanda”, destaca.

Nos Estados Unidos (EUA), dados do Centro da Indústria de Ovos mostram que entre 2015 e 2019 os preços variavam entre US$ 100 e US$ 150 cents por dúzia, com custos estáveis em torno de US$ 80 a US$ 100 cents. A partir de 2020, os valores ultrapassaram US$ US$ 400 cents/dúzia e chegaram a quase US$ 650 cents/dúzia em 2025, seis vezes acima do custo de produção. “Essa disparidade mostra que os preços têm sido fortemente influenciados por eventos externos, como a Influenza aviária e oscilações na demanda global”, menciona Herbert.

No Brasil, o comportamento do mercado também mudou a partir de 2020. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que, entre 2016 e 2019, os preços se mantinham entre R$ 50 e R$ 100 por caixa (30 dúzias). A pandemia elevou os valores para mais de R$ 100, e entre 2022 e 2023 a cotação chegou a quase R$ 200 por caixa. Após uma retração, os preços voltaram a subir em 2025, ultrapassando R$ 200 e atingindo o maior patamar da série histórica. “Diferente dos EUA, não temos dados oficiais sobre o custo de produção no mesmo período, mas sabemos que milho e soja tiveram forte alta, o que pressionou as margens”, pontua Herbert.

Risco sanitário

Um surto de Influenza aviária no Brasil poderia gerar impactos imediatos e severos para a indústria de ovos, afetando produção, preços e exportações. Herbert alerta que, dada a alta perecibilidade do produto, qualquer redução brusca na oferta repercute rapidamente no mercado interno. “Se houver uma contaminação em larga escala, a oferta doméstica pode cair de forma drástica. Isso pressiona os preços para cima, mas também representa risco para a confiança do consumidor e para a estabilidade do setor”, pontua.

Historicamente, mercados internacionais mostraram que surtos de Influenza aviária podem levar a picos de preço de até seis vezes acima do custo de produção, como ocorreu nos EUA em 2025. No Brasil, uma redução expressiva da produção afetaria não apenas o abastecimento interno, mas também a pequena fatia destinada à exportação, com potencial de reverberação em contratos comerciais e na imagem do país como fornecedor confiável de ovos.

Além do impacto econômico, Herbert aponta para os efeitos operacionais, envolvendo o isolamento de lotes, a destruição de aves e medidas sanitárias emergenciais, que poderiam gerar aumento de custos inesperados, afetando a rentabilidade do setor. “O controle sanitário é estratégico para garantir previsibilidade de produção e segurança alimentar. Um surto coloca em risco não só a margem dos produtores, mas toda a cadeia, desde granjas até o consumidor final”, reforça.

Exportações influenciam oferta interna

Com uma trajetória de expansão contínua, o Brasil deve alcançar a marca de 62 bilhões de ovos produzidos em 2025, crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior. Para 2026, a expectativa é de 65 bilhões de unidades.

Embora apenas 0,86% da produção seja destinada ao mercado externo, o volume exportado, que deve alcançar 533,2 milhões de ovos ao longo de 2025, tem peso relevante na formação dos preços. Isso equivale a uma média de 1,46 milhão de ovos embarcados por dia. “Mesmo uma variação de menos de 1% nas exportações impacta o mercado interno. Se a exportação aumenta, a oferta doméstica cai e os preços sobem. Se diminui, o mercado interno fica mais abastecido e os preços recuam”, detalha Herbert.

Produto perecível

Herbert destaca que a produção contínua e a alta perecibilidade do ovo tornam o setor extremamente sensível a mudanças no equilíbrio entre oferta e demanda. “Estamos diante de um produto que não pode ser estocado por longos períodos. Por isso, qualquer ajuste na destinação da produção, seja para exportação ou consumo interno, reflete rapidamente nos preços”, explica, reforçando a importância de monitoramento constante da cadeia produtiva e da adoção de estratégias que tragam maior previsibilidade ao setor.

Ovo na dieta do brasileiro

Administrador com especialização em Finanças e diretor comercial do Instituto Ovos Brasil, Anderson Müller Herbert: “Se houver uma contaminação em larga escala, a oferta doméstica pode cair de forma drástica. Isso pressiona os preços para cima, mas também representa risco para a confiança do consumidor e para a estabilidade do setor” – Foto: Divulgação/Conbrasul Ovos

No Brasil, estudos sobre hábitos alimentares mostram que o ovo é uma das principais fontes de proteína na mesa das famílias. A pesquisa revelou que o preço acessível é o principal fator de escolha para os consumidores, com destaque em Minas Gerais (25,3%), São Paulo (25,0%) e Pernambuco (23,3%).

Além do preço, a nutrição e a versatilidade dos ovos também influenciam a preferência, com índices de até 35% no Espírito Santo e 24,6% no Ceará. Mais de 19% dos entrevistados em São Paulo e Rio Grande do Sul mencionaram a facilidade de uso nas receitas como motivador de consumo.

No entanto, o alto valor percebido ainda limita o aumento do consumo. Em estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, entre 36% e 42% dos entrevistados citaram o preço como barreira. Em Pernambuco, além do custo, 28,4% mencionaram preocupações com colesterol e saúde, mesmo diante de evidências de que o consumo de ovos é seguro dentro de uma dieta equilibrada. “Essa percepção reflete a sensibilidade do mercado diante de variações no valor do produto. Ao mesmo tempo, a combinação de acessibilidade, nutrição e praticidade reforça o potencial do ovo como proteína essencial para a dieta dos brasileiros”, afirma Herbert.

Confiança do consumidor

A confiança do público consumidor em relação a informações sobre alimentação saudável está concentrada em nutricionistas e médicos, citados por 34% e 24% dos entrevistados, respectivamente. Amigos e familiares aparecem em menor escala, com 15% e 14%, enquanto chefs, influenciadores digitais e apresentadores de TV ou rádio somam de 3% a 6%. “A participação dos profissionais de saúde em campanhas educativas e de marketing fortalece a confiança e amplia a aceitação das informações compartilhadas com a população”, enfatiza Herbert.

O levantamento reforça que, no Brasil, o ovo se mantém como proteína democrática, combinando acessibilidade, nutrição e praticidade. “Ao mesmo tempo, as percepções sobre preço e saúde indicam desafios para o setor, sobretudo em períodos de valorização do produto”, indica Herbert. Essa informações foram apresentadas durante sua participação na 5ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul Ovos), promovida em meados de junho, na serra gaúcha.

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Queda no preço dos ovos reduz poder de compra de avicultores em abril

Mesmo com insumos mais baratos, recuo mais intenso nas cotações dos ovos pressionou a relação de troca, segundo o Cepea.

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Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN

O poder de compra dos avicultores paulistas frente aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, recuou na parcial de abril (até o dia 22), após registrar avanço por dois meses consecutivos.

Segundo pesquisadores do Cepea, embora os preços dos insumos também tenham diminuído entre março e a parcial deste mês, a queda mais intensa dos ovos pressionou a relação de troca frente ao cereal e ao derivado da oleaginosa.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a combinação de oferta mais elevada e demanda retraída tem pressionado as cotações dos ovos nesta parcial de abril.

Neste contexto, consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão, à melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra e à forte queda do dólar, negociando apenas de forma pontual, quando há necessidade de recomposição de estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura

Salmonella expõe limites de coordenação da cadeia avícola

Persistência da bactéria revela falhas de integração entre áreas e reacende debate sobre gestão centralizada do problema dentro das agroindústrias.

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A avicultura brasileira construiu, ao longo das últimas décadas, um dos sistemas sanitários mais organizados entre os grandes produtores globais. Protocolos, monitoramentos e rotinas estão bem estabelecidos em praticamente todas as etapas. Ainda assim, um dado insiste em permanecer: a Salmonella segue presente. Não por ausência de controle, mas, cada vez mais, por limites na forma como esse controle se articula ao longo da cadeia.

Foi nesse ponto que o médico-veterinário Marcos Dai Pra concentrou sua análise durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR). Ao reunir dados de campo acumulados ao longo de anos dentro da agroindústria, ele trouxe uma leitura direta: o problema não está concentrado em um elo específico, mas está distribuído.

Médico-veterinário Marcos Dai Pra durante o Seminário Facta sobre Salmonelas – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

“Qual é a origem da Salmonella que aparece no frango de corte? A gente tem transmissão vertical, transmissão horizontal, mas a grande dificuldade está justamente em entender essa relação”, afirmou. Embora a transmissão vertical ainda exista, Dai Pra destacou que a maior pressão sanitária hoje vem da transmissão horizontal, que ocorre dentro da própria granja e no ambiente ao redor. “É contaminação lá na granja, que é o grande problema”, disse.

Segundo ele, o desafio não está apenas dentro dos galpões. Tudo o que circunda a produção interfere diretamente nos índices sanitários. “Tudo que está no entorno da granja acaba influenciando nos índices de Salmonella”, pontuou, citando presença de outros animais, lavouras e estruturas próximas como fatores de risco. De acordo com o palestrante, essa característica difusa da contaminação dificulta a rastreabilidade precisa das origens e reforça a necessidade de abordagem sistêmica.

Controle existe, mas dados ainda são fragmentados

Um dos pontos mais críticos levantados na palestra foi a fragmentação das informações ao longo da cadeia produtiva. Cada área, como fábrica de ração, granja, transporte e abatedouro, realiza seus próprios monitoramentos. No entanto, essas informações nem sempre convergem de forma estruturada. “Com esse conjunto de informação, a gente consegue trabalhar muito bem o programa de controle”, afirmou, ao apresentar resultados internos. Ainda assim, a fala revela um ponto implícito: os dados existem, mas nem sempre estão conectados.

Para ele, essa desconexão limita a eficiência das ações e ajuda a explicar por que a Salmonella persiste mesmo em sistemas altamente tecnificados.

Biosseguridade vai além do galpão

Dai Pra detalhou a estrutura operacional das granjas em três níveis: interior do aviário, zona de segurança (dentro do cercado) e área externa. Todos, sem exceção, influenciam os resultados sanitários. “Tudo isso tem uma grande interferência”, ressaltou.

Ele reforçou que medidas básicas continuam sendo decisivas: controle de acesso, troca de calçados, barreiras sanitárias e manutenção de áreas limpas, sem abrigo para pragas. “Tem que ter uma barreira sanitária, tem que ter uma cerca, não pode passar nada direto de fora para dentro”, destacou.

Intervalo sanitário curto aumenta risco

Entre os pontos mais sensíveis da palestra está o intervalo sanitário — período entre a saída de um lote e a entrada do próximo. “Na minha opinião, o desejável seria 18 dias”, afirmou. Na prática, no entanto, esse tempo raramente é alcançado. O próprio palestrante reconheceu a limitação estrutural do setor. “Nas condições de hoje é praticamente impossível conseguir 18 dias.”

Ele alertou que trabalhar com menos de 12 dias já compromete o controle adequado e que ciclos ainda mais curtos elevam significativamente o risco sanitário. “Com oito dias é crítico. Não tem como fazer um controle adequado.”

Cama, ambiência e manejo

Outro eixo importante da apresentação foi o papel da cama e da ambiência dentro do aviário. O frango passa praticamente toda sua vida em contato direto com esse ambiente, o que transforma a qualidade da cama em um fator central. “Se a cama tem boa qualidade, o frango vai ter boa qualidade. E o contrário também é verdadeiro”, explicou. Ventilação, umidade e execução dos procedimentos completam esse conjunto de fatores que impactam diretamente o status sanitário.

Cascudinho e roedores

Entre os vetores, o cascudinho aparece como um dos principais desafios. Dados apresentados por Dai Pra indicam alta taxa de positividade para Salmonella nesse inseto. “O cascudinho, disparadamente, é o elemento que tem mais problema”, afirmou.

O controle de pragas, segundo ele, precisa seguir etapas bem definidas – da inspeção à avaliação – e não pode ser tratado como ação isolada.

Mudança de prática reduziu índices

Um dos pontos mais relevantes da palestra foi a revisão de um procedimento tradicional: o uso de água no intervalo sanitário. “A gente só conseguiu reduzir os índices de Salmonella quando abandonou o uso de água no intervalo sanitário”, afirmou. A mudança, segundo ele, não foi simples dentro da agroindústria, mas trouxe resultados consistentes.

Dia zero

Dai Pra também apresentou o conceito de “dia zero” – etapa inicial do processo, quando o aviário é fechado, baseada em diagnóstico, definição de ações e avaliação de resultados. “É diagnóstico, ação e resultado”, resumiu. O uso de mapeamentos epidemiológicos permite identificar pontos críticos dentro da granja e direcionar intervenções com maior precisão.

Problema exige coordenação

Ao longo da palestra, ficou evidente que o controle da Salmonella já é tecnicamente conhecido. O que está em jogo agora é a capacidade de coordenar essas ações dentro de um sistema complexo. A dispersão do problema entre ambiente, manejo, nutrição, pragas e logística indica que soluções isoladas tendem a perder eficiência.

Por isso, ganha força dentro do setor a discussão sobre a necessidade de uma gestão mais integrada, capaz de conectar dados e decisões ao longo de toda a cadeia produtiva. Mais do que novos protocolos, na opinião de Dai Pra, o desafio passa a ser articulação.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO

Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

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A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.

A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.

Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.

A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.

Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.

Fonte: O Presente Rural
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