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Consumo em alta no Brasil e no mundo sustenta projeções ousadas da suinocultura verde e amarela

O crescimento da produção, consumo interno e exportações de carne suína é uma unanimidade entre grandes lideranças do setor. No entanto é preciso crescer com profissionalismo e eliminar algumas barreiras que ainda dificultam a produção de carne suína no Brasil.

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Da esquerda para a direita, consultor de Mercado da ABCS, Iuri Pinheiro Machado, presidente da ABCS, Marcelo Lopes, CEO da Frimesa, Elias José Zydek, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul e presidente da Alibem Alimentos, José Roberto Goulart, e o consultor de Mercado da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Alvimar Jalles, durante debate sobre as perspectivas do setor para os próximos anos - Floto: Giuliano De Luca/OP Rural

O crescimento da produção, consumo interno e exportações de carne suína é uma unanimidade entre grandes lideranças do setor. Em um painel promovido pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante a Por Expo, que aconteceu em outubro, em Foz do Iguaçu, PR, eles destacaram que o consumo de carne suína deve subir substancialmente, atingindo cerca de 25 quilos/per capita/ano dentro de quatro ou cinco anos.

Um dos entusiastas desse avanço é o CEO da Frimesa, Elias Zydek, que observa a suinocultura brasileira bastante competitiva, especialmente em relação à carne bovina, apesar dos altos custos de produção alavancados pela alta do milho e farelo de soja. “Na suinocultura conseguimos ser mais competitivos em relação à carne bovina e temos previsão que isso continuará acontecendo até 2028 ou 2030, quando o Brasil deva estar consumindo 25 quilos per capita de carne suína. Ao ano. São praticamente sete quilos a mais em relação a cerca de 18 quilos de hoje, isso dá 1,5 milhão de tonelada a mais de produção somente para o mercado interno”, destacou Zydek. A Frimesa, com sede no Paraná, inaugura em dezembro deste ano o maior frigorífico de suínos da América Latina, com capacidade de abater 15 mil cabeças por dia. O empreendimento deve iniciar processando cerca de quatro mil animais por dia, com aumento gradual até atingir sua capacidade total.

O CEO da Frimesa destacou ainda que o mundo está consumindo mais carne e países que antes eram protagonistas da produção estão diminuindo seus volumes, abrindo mais espaço para a participação da carne suína brasileira no mercado global. “Fatores pontuais sacudiram o mercado mundial de carnes e houve um rearranjo. A China vai continuar a ser protagonista, mas está havendo uma redução de produção na Europa e os países asiáticos estão aumentando consumo e a compra do Brasil. Nossa visão é que o mercado externo deve demandar 1,7 milhão de toneladas a mais em cerca de cinco anos. É um cenário otimista, sem guerras ou problemas sanitários, por exemplo”, destacou Zydek.

No entanto, ele mencionou que é preciso crescer com profissionalismo e eliminar algumas barreiras que ainda dificultam a produção de carne suína no Brasil. Ele mencionou Temos “dois grandes problemas”, que são a tributação diferenciada entre cada Estado produtor e item por item em portfólios das agroindústrias que chegam a 300 produtos, além da condenação nas plantas frigoríficas, que ele entende ser demasiada no Brasil. “É preciso revisar todos esses critérios. As vezes essas questões passam despercebidas, mas temos que trabalhar para corrigir esses pontos de desiquilíbrio. Existe espaço para crescimento, mas precisa ser consciente, responsável, organizado, com informações seguras, dados precisos, para controlar preventivamente a produção”, citou Zydek.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul e presidente da Alibem Alimentos, José Roberto Goulart, também concorda com o aumento do consumo interno nos próximos anos, mas alerta para a necessidade de regionalizar as campanhas para aumentar esse consumo onde hoje ele é mais baixo, como no Norte, Nordeste e Centro Oeste do Brasil. “O consumo na região Sul já é de 30 quilos por habitante por ano. E como ficam as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste? Precisamos desenvolver essa cultura (de consumir carne suína) lá onde o consumo é menor. Fizemos uma campanha para aumentar o consumo no Rio Grande do Sul, não aumentou um quilo. Isso porque o Rio Grande do Sul já consome bastante. Campanhas (de promoção do consumo) têm que ser levadas para outras regiões. O foco é importante nesse tipo de campanha”, destacou. “A carne suína está caminhando para ter uma participação maior, mas é vital termos ações em regiões que têm consumo baixo”, reforçou o presidente da Alibem.

Ele destacou, no entanto, que é a agroindústria precisa se planejar para superar as crises, como a recente, e evitar ficar reféns de alguns poucos mercados externos. “A suinocultura cresceu em cima de grandes mercados, como a Rússia, que foi a locomotiva que puxou o Brasil para exportação. Depois a China, com problemas da PSA, e todo mundo ganhou. Mas a China botou o pé no freio em 2021. Ficamos reféns da China. Todo mundo sabia que isso iria acontecer, só não sabia quando”, destacou.

Ele lembrou que a China recuperou rapidamente sua produção usando todas as fêmeas como matrizes. “A China começou a usar todas as fêmeas como matrizes. Isso justifica o crescimento chinês (nos últimos dois anos). A suinocultura brasileira tem que se preparar e saber passar as crises, ter caixa, planejar, ter estoque de milho, abrir mercados”, orientou.

Crescimento constante, mas preço e custos são desafios

Outras lideranças presentes no painel reforçaram que o Brasil vem crescendo constantemente nos últimos anos em consumo interno e vendas externas. “Tivemos um crescimento de 62% em dez anos, estamos crescendo todo ano, isso nos traz muitas responsabilidades”, apontou o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, que intermediou os debates.

O consultor de mercado da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Alvimar Jalles, um dos responsáveis pela criação da Bolsa de Suínos mineira, que ajuda a regular o preço no Estado, fazendo uma intermediação entre produtores e agroindústrias, afirmou que o mercado precisa entender que a formação de preços é uma questão lógica e não emocional. “O mercado não é justo. O capitalismo é justo? Não. A especulação existe. Muitas vezes a gente se acha no triangulo perverso, onde o salvador é o presidente de associação, o perseguidor é o frigorifico e vítima é o produtor. Isso não existe, preço é feito por analise, por entendimento das forças que estão em curso, preço é feito de luta, não se iludam”, destacou Jalles.

O consultor de mercado da ABCS, Iuri Pinheiro Machado destacou algumas lições que a suinocultura aprendeu nos últimos anos, como os reflexos da PSA em 2018, da pandemia em 2020 e da guerra na Ucrânia em 2022. “O Brasil vai continuar crescendo, nós temos capacidade para isso, com competitividade e custo. As importações da China recuaram a partir de 2021. Vai cair em 2022 e cair em 2023 também. Só em 2022 até setembro reduziu em 30%, mas aumentou para outros países, como Rússia, Uruguai, Argentina, Filipinas e Singapura”, frisou, lembrando que o mercado brasileiro “está absorvendo” o excesso de oferta de carne suína nos últimos dois anos. “Está projetado fechar em 19,05 quilos por habitante/ano em 2022. Vamos muito rápido chegar a 20 quilos/habitante/ano”, destacou, frisando que “a produção independente cresceu bastante” nos últimos meses no Brasil. “Mesmo com custos elevados, continuamos mundialmente competitivos”, apontou Pinheiro Machado.

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Fonte: O Presente Rural

Suínos

Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

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Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

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A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.

O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.

Resiliência

Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.

A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.

Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026

Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.

No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.

De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.

Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.

No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.

Fonte: Assessoria Cepea
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