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Consumo de fibra pelos ruminantes impacta eficiência alimentar e desempenho produtivo dos animais
Especialista recomenda estratégias de manejo nutricional que priorizem a qualidade e quantidade adequada do nutriente para maximizar os resultados de produção

O consumo de fibra para a saúde e eficiência alimentar de ruminantes é crucial na regulação da alimentação, impactando diretamente a digestibilidade, saúde ruminal e desempenho produtivos dos animais.
Além de atender às demandas energéticas, a fibra promove a estimulação física necessária para o funcionamento saudável do rúmen, influenciando positivamente a taxa de passagem de alimentos e a absorção de nutrientes – elementos essenciais para a eficiência alimentar dos ruminantes.

Antonio Santos, supervisor comercial da Connan
A análise é do supervisor comercial da Connan, Antônio Santos. O especialista pondera a complexidade em definir níveis de fibra na dieta dos ruminantes. “Para se determinar o nível ótimo das fibras, não é tarefa fácil. Requer a análise de vários elementos que interagem positivamente, afetando o consumo de energia e o desempenho dos animais”, explica.
Fatores como quantidade de forragem disponível, morfologia, valor nutritivo, estado fisiológico e sanitário do animal, topografia e temperatura do ambiente exercem influência sobre o consumo do animal a pasto.
Desta forma, de acordo com Santos, estes atributos devem ser considerados para o fornecimento do nível de fibras na dieta dos animais, para que seja possível atender a manutenção da saúde ruminal, otimizar a digestibilidade e melhorar o bem-estar do animal, além de suas funções tradicionalmente reconhecidas.
“Por isso, há sempre a necessidade de estratégias de manejo nutricional que priorizem a qualidade e a quantidade adequada de fibra para maximizar a saúde ruminal e a eficiência produtiva”, finaliza.

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Brasil amplia peso no comércio global de alimentos e pode exportar mais tecnologia, aponta presidente da ABAG
País integra cadeia completa da produção animal, defende Ingo Plöger. Entidade cita potencial da agricultura tropical e da Embrapa para expansão em países da África e outros mercados.

Em meio a tensões geopolíticas, aumento de barreiras comerciais e preocupações com segurança alimentar, o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional de alimentos e proteínas e vê espaço para ampliar sua participação com base em competitividade e tecnologia. A avaliação é de Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG): “O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente” – Foto: Divulgação
Segundo ele, a estrutura produtiva brasileira permite integração completa da cadeia de produção animal, o que facilita o atendimento a diferentes exigências de mercado. “Somos um dos poucos países com capacidade de integrar toda a cadeia de produção animal e atender mercados internacionais com produtos alinhados às preferências dos mais variados consumidores”, ressaltou.
De acordo com o dirigente, a expansão do agro brasileiro passa menos por aumento de volume e mais pela agregação de conhecimento. Ele cita a internacionalização da Embrapa como um vetor estratégico para levar tecnologia tropical desenvolvida no país a outras regiões. “Acredito que um dos próximos passos estratégicos do país será a internacionalização da Embrapa, levando a experiência brasileira em agricultura tropical para outras regiões do mundo. A África, pelas suas características e potencial produtivo, deve ser um dos principais destinos dessa expansão do conhecimento e da cooperação tecnológica brasileira”, destacou.
O executivo também destacou a integração entre produção de alimentos e biocombustíveis como uma característica do modelo brasileiro. No caso do milho, ele afirma que o sistema permite múltiplos usos da produção agrícola. “Temos defendido na Europa que, quanto mais combustível renovável produzimos, mais alimentos também geramos. O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, salientou.
Plöger relaciona ainda o desempenho do setor ao dinamismo de municípios de médio e pequeno porte, onde cadeias do agronegócio sustentam renda e atividade econômica. Segundo ele, cerca de metade da população brasileira vive em cidades com até 400 mil habitantes, muitas delas fortemente vinculadas ao agro. “O agronegócio é uma questão de Estado. Quando pensamos no Brasil dos próximos 20 ou 30 anos, é impossível dissociar o desenvolvimento econômico e social do papel desempenhado pelo agro”, afirmou.
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Qual o potencial bloqueado pela morosidade na regulamentação da Lei dos Bioinsumos?
Falta de decreto e portarias mantém em aberto regulamentação prevista na Lei de Bioinsumos de 2024 e trava decisões de investimento no setor.

A resposta à pergunta que trago no título deste artigo é: o potencial é enorme. A substituição dos agrotóxicos e fertilizantes químicos por bioinsumos, naquilo que é possível substituir, pode ser considerado o principal tema da política agrícola brasileira atual. A ampliação do uso dos bioinsumos nas lavouras brasileiras provoca impactos positivos de vários aspectos e de longo prazo.

Artigo escrito por Reginaldo Minaré, advogado, mestre em Direito e diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS).
O primeiro deles é a redução da dependência de insumos químicos importados. Temos uma dependência histórica e progressiva da importação de aproximadamente 90% dos fertilizantes químicos e agrotóxicos utilizados em nossas lavouras. Ao contrário dos insumos químicos, que provocam acidificação, salinização e perda de organismos vivos benéficos, os bioinsumos não degradam o solo ao longo do tempo. Restauram a saúde do solo, preservam e aumentam a diversidade da biota, melhoram a fertilidade ao longo do tempo, a retenção de água e a resiliência às mudanças climáticas.
Além disso, os bioinsumos são mais objetivos com relação à praga-alvo, preservando polinizadores, predadores naturais e a biologia do solo, e apresentam menor toxicidade para agricultores, trabalhadores rurais, consumidores e meio ambiente.
No plano econômico, a produção de bioinsumos para uso próprio é uma poderosa ferramenta de administração e redução dos custos de produção que o agricultor possui, além de criar empregos especializados espalhados pelo Brasil. Aliás, seu uso fomenta o surgimento de pequenas e médias indústrias, inclusive com caráter regional, pois a produção perto ou no local de uso reduz o custo com transporte, promove o trabalho de bioprospecção e valoriza a nossa biodiversidade.

Foto: Divulgação/Grupo GIROAgro
No entanto, todos esses benefícios estão parcialmente bloqueados pelo fato de que nosso cenário regulatório atual para os bioinsumos é o de “estrutura normativa incompleta”. Temos uma excelente Lei de Bioinsumos que foi publicada em 2024, mas faltam ainda, um decreto regulamentador e as portarias que irão detalhar e garantir a fiel aplicação da lei vigente.
O prazo previsto na lei para publicação do decreto regulamentador se esgotou em dezembro de 2025 e, até o momento, o Ministério da Agricultura não enviou uma proposta de decreto à Casa Civil da Presidência da República para avaliar o texto e, posteriormente, colher nele a assinatura do Presidente da República.
Ter uma estrutura normativa incompleta é pior do que o cenário de ausência total de regramento, pois levanta a dúvida a respeito de como o tema será regulado e isso afugenta investimentos. A questão que se instalou no Brasil é se teremos uma regulamentação objetiva e funcional ou se receberemos um emaranhado burocrático destinado a criar reservas de mercado para um ou outro segmento.

Foto: Freepik
Enquanto a regulamentação não se apresenta, o potencial de aumento de adoção dos bioinsumos segue parcialmente bloqueado, pois muitos ficam em compasso de espera. A instalação da dúvida também prejudica o setor agrícola em um nível mais profundo, pois a insegurança provoca o fechamento da abertura intelectual para o desapego das antigas formas de pensar e fazer agricultura.
O uso de bioinsumos exige um manejo diferente do praticado com os insumos químicos, e a insegurança jurídica pode ser uma ótima justificativa para o agricultor ficar na zona de conforto cultivando o apego total aos agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso é péssimo, pois pode distanciar o Brasil da agricultura do século XXI, que já indica um movimento forte em direção à agricultura regenerativa, onde os bioinsumos são fundamentais.
Nós, na Associação Brasileira de Bioinsumos, trabalhamos com o cenário de que a agricultura regenerativa será a agricultura convencional do amanhã.
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Estratégia do produtor pode reduzir perdas por frio e geadas no trigo no Sul
Com El Niño em curso e maior instabilidade no inverno, fertilizantes foliares, bioestimulantes e biológicos ganham espaço em estratégias para fortalecer lavouras e preservar o potencial produtivo.

Com a chegada do inverno, produtores de trigo no Sul do Brasil voltam a enfrentar um dos principais fatores de risco da cultura: a geada. Associada à queda acentuada de temperatura, o fenômeno não afeta apenas o desenvolvimento das plantas, mas também a qualidade tecnológica dos grãos, com impacto em indicadores como peso hectolítrico e rendimento industrial.
A preocupação se intensifica em um contexto de safra estimada em 6,38 milhões de toneladas em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com redução da área cultivada para cerca de 2,14 milhões de hectares. Com margens mais estreitas e maior exposição a riscos climáticos, decisões de manejo ganham peso direto sobre a rentabilidade.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
O engenheiro agrônomo e especialista em fitossanidade Gustavo Rubim avalia que a geada segue entre os principais riscos da cultura no país, especialmente pela capacidade de comprometer lavouras em estágios críticos de desenvolvimento. “A preparação para enfrentar eventos de frio intenso exige planejamento antecipado e manejo criterioso da lavoura. Mesmo em um inverno sob influência do El Niño, o produtor não deve descuidar do risco de geadas, sendo fundamental adotar estratégias de manejo bem definidas para reduzir possíveis impactos sobre o desenvolvimento e a produtividade das plantas”, afirmou.
Segundo ele, o frio extremo raramente atua de forma isolada. Excesso de umidade, maior pressão de doenças e limitações operacionais também fazem parte do cenário típico do inverno no Sul. “Por isso, manejo de solo, nutrição, sanidade, biológicos e monitoramento climático devem atuar de forma integrada. Aliados à escolha adequada da época de semeadura e de cultivares adaptadas à região, esses fatores ajudam a reduzir os riscos de que estágios críticos da cultura coincidam com períodos de maior ocorrência de geadas”, mencionou.
Os efeitos variam conforme o estágio fenológico. Na fase vegetativa, os danos tendem a ser reversíveis, com queima foliar e redução temporária do crescimento. Já no período reprodutivo – espigamento, florescimento e enchimento de grãos – o impacto pode ser mais severo, com esterilidade de espiguetas, falhas de formação e perda de produtividade e qualidade.

Foto: Divulgação
Nesse contexto, fertilizantes foliares e bioestimulantes têm sido incorporados ao manejo como ferramentas de suporte fisiológico. Nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes ajudam na manutenção da estrutura celular, enquanto aminoácidos e extratos vegetais contribuem para a resposta ao estresse térmico.
Os bioestimulantes também atuam na ativação de mecanismos naturais de defesa, com aumento da atividade antioxidante e redução de danos celulares, além de acelerar processos de recuperação após eventos de frio intenso.
Rubim destaca que essas tecnologias não substituem estratégias agronômicas estruturais, como escolha de cultivar e definição da época de semeadura, mas funcionam de forma complementar no manejo de risco. “Não é possível controlar o clima, mas contribuir para que a planta esteja mais equilibrada nutricionalmente antes do evento e tenha melhores condições de recuperação”, afirmou.

Foto: Divulgação/Unesp
Os insumos biológicos também ganham espaço dentro do manejo integrado. Inoculantes e microrganismos promotores de crescimento podem contribuir para o desenvolvimento radicular, eficiência no uso de nutrientes e maior estabilidade fisiológica das plantas.
O impacto econômico das geadas depende da intensidade e do estágio da lavoura, mas pode ser significativo quando ocorre em fases reprodutivas. Por isso, o foco do manejo está na construção de sistemas mais resilientes, combinando nutrição, biológicos e monitoramento climático ao longo do ciclo.
Mesmo em anos sob influência do El Niño, quando há maior nebulosidade e redução na frequência de massas de ar polar, episódios de geada ainda ocorrem. Nesse contexto, o planejamento passa a ser determinante para reduzir perdas e preservar produtividade.
Como reduzir riscos de perdas por geada no trigo
• Planejar a semeadura conforme o zoneamento agrícola
• Evitar coincidência entre espigamento/floração e períodos de geada tardia
• Escalonar o plantio e usar cultivares de ciclos distintos
• Garantir equilíbrio nutricional e desenvolvimento radicular adequado
• Integrar biológicos ao manejo, sem uso isolado
• Monitorar a lavoura após eventos de geada
• Integrar manejo climático, nutricional e sanitário ao longo do ciclo



