Suínos
Consumo de água em frigoríficos de pescado pode cair até quase 50%
Em uma das indústrias destinada ao processamento da tilápia, o consumo hídrico caiu quase pela metade
Pesquisa da Embrapa em parceria com instituições públicas e privadas mediu o uso de água em diferentes indústrias de processamento de pescado do País. O trabalho mostrou que é possível reduzir significativamente a quantidade de água utilizada. Isso depois de mudanças físicas e da adoção de medidas de minimização desse consumo. Em uma das indústrias destinada ao processamento da tilápia, o consumo hídrico caiu quase pela metade.
“Nos entrepostos que apresentam a etapa de depuração previamente ao processamento, é possível a redução do uso de água fresca em grande percentual”, explica Danielle de Bem Luiz, engenheira de alimentos da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e coordenadora da pesquisa. A especialista ressalta, no entanto, que esse resultado não ocorre em todas as empresas, como é o caso das que processam peixes oriundos da pesca, por exemplo. “Nesses casos, mesmo que em menor proporção, a redução ainda pode ser significativa de, no mínimo, 10%”, informa.
No caso da indústria que processa tilápia, antes do processamento há uma fase de depuração, quando se usa água potável para eliminação de odores ou sabores desagradáveis. A empresa analisada apresenta produção diária média de filé de peixe fresco ou congelado de 7,6 toneladas, representando um rendimento de cerca de 30% do peso total dos peixes, considerado dentro dos padrões. Os números referem-se ao período de junho a novembro de 2014.
Após o pré-processamento e depois da depuração, seguem-se as fases de insensibilização com gelo, sangria, lavagem, descamação, descabeçamento / evisceração, filetagem, remoção da pele, embalagem e expedição. Foram propostas intervenções de ordem física nas estruturas de processamento e sugeridas possibilidades de minimização do uso de água em diferentes fases. Várias dessas recomendações foram adotadas. Um exemplo empregado na fase de sangria foi a troca do fluxo contínuo de água pelo uso por determinado período, sistema conhecido por batelada. Outra medida implementada foi a instalação de bicos dosadores de pressão no salão de processamento e limpeza interna.
O consumo hídrico diário da indústria de pescado estudada caiu de 457 m³ para 386 m³, após as intervenções físicas, e poderia chegar a 235 m³, caso fossem empregadas outras possibilidades de minimização sugeridas. Em porcentagem, são 15,5% de economia com a execução das intervenções e 48,6% menos gastos com a adoção das demais recomendações dos pesquisadores.
Um dado que chama atenção refere-se à fase de depuração. Está em andamento uma tese de doutoramento na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em que se estuda a possibilidade de tratar 100% do efluente dessa fase, o que levaria a seu total reúso, eliminando-se, assim, gastos com água na depuração.
Danielle relaciona uso de água à geração de resíduos, citando práticas da chamada “produção mais limpa” como importantes na redução de impactos ambientais nas indústrias processadoras de pescado. “Como efluente é um resíduo que deve ter sua emissão reduzida, devem-se aplicar práticas para minimizar o uso de água no processamento sem comprometer a qualidade do produto final”, recomenda a especialista. Entre essas boas práticas, a engenheira de alimentos enumera as de manipulação, de fabricação e de higiene do ambiente, o reúso e a reciclagem de água e mudanças no processo produtivo, buscando usar menos água ou mesmo eliminar seu uso, como no caso da evisceração a vácuo.
Processamento industrial
A professora Elisa Ponsano, da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, campus de Araçatuba, que participou da pesquisa frisa a importância do trabalho. “Qualquer processo só pode ser melhorado se for conhecido. Por isso, este primeiro estudo com tilápias feito no Brasil tem uma importância fundamental, pois permitiu caracterizar o processamento industrial dessa espécie no que se refere aos pontos de geração de efluentes, às quantidades geradas e à sua composição. A partir daí, será possível o estudo de formas de minimização da geração dos efluentes, que poderão ser alcançadas a partir de práticas de otimização do processamento e de reutilização das águas residuárias”, ressalta.
A equipe da Unesp ficou responsável pela caracterização do efluente gerado por um dos frigoríficos participantes, localizado na cidade de Promissão (SP) e processa tilápia. “A quantificação do efluente produzido nas atividades de abate e processamento foi realizada no estabelecimento e a caracterização do material foi feita no Laboratório de Análise de Alimentos da faculdade”, conta Elisa. Além da professora, participaram alunas de iniciação científica e doutorado.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) também participou do trabalho. Na Unidade fluminense, sob a coordenação de Angela Furtado, pesquisadora da área de processamento térmico de alimentos, foram feitos estudos em um entreposto comercial de pescado situado naquele estado. Normalmente, não há caracterização dos efluentes gerados em cada etapa do processamento; nessa pesquisa, porém, foram estudados os efluentes em todas elas. “Destaque pode ser dado aos efluentes da filetagem do salmão eviscerado fresco para obtenção de filé. Por conterem elevados teores de nitrogênio, demanda biológica de oxigênio e sólidos voláteis, indicativos de alta carga proteica, esses efluentes são uma potencial fonte para aproveitamento”, relata Angela.
Outra ação promovida no Rio de Janeiro foi a coleta de dados quantitativos referentes a resíduos sólidos gerados no processamento de duas espécies: a Salmo salar L. (salmão do Atlântico) e a Coryphaena hippurus (dourado-do-mar). Características físico-químicas e nutricionais passaram por análise buscando uma possível futura aplicação. Angela explica que, “no caso da utilização dos resíduos sólidos do processamento de pescados como coprodutos, as empresas interessadas devem estar conscientes da necessidade da implantação de linhas específicas para o seu processamento e de um rigoroso programa de boas práticas de fabricação, de rastreabilidade e de análise de perigos e pontos críticos de controle de forma que seja garantida a segurança no seu consumo”.
Fonte: Embrapa

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

