Suínos
Consumo acima de 20 kg per capita e salto para 3º lugar nas exportações globais impulsionam otimismo da suinocultura para 2026
Números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças.

A suinocultura brasileira encerrou 2025 com desempenho acima das projeções iniciais e crescimento simultâneo em produção, exportação, consumo interno e rentabilidade. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes. “Antes do ano terminar já era possível afirmar que 2025, em relação a 2024, foi de crescimento em todas as áreas para o setor. Depois de uma crise prolongada, o setor consolida uma recuperação consistente”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Os números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças. Os volumes representam, respectivamente, alta de 5,26% e 6,07% frente ao mesmo período de 2024, ritmo mais que duas vezes superior ao observado no terceiro trimestre de 2024 em comparação a 2023.
No acumulado de janeiro a setembro, o avanço também surpreendeu o setor. O país abateu pouco mais de 1,5 milhão de cabeças adicionais em relação ao ano anterior, o que representa um aumento de 3,43%, correspondendo a quase 200 mil toneladas extras de carcaças.
Consumo interno ultrapassa marca histórica
O avanço da produção ocorreu em paralelo ao aumento do consumo interno de carne suína. A ABCS estima que, em 2025, o país deve superar a barreira dos 20 kg per capita ao ano, patamar considerado estratégico para consolidar a proteína como escolha cotidiana do brasileiro. “É um nível de consumo que coloca a carne suína como opção real e rotineira na mesa do consumidor”, afirmou Lopes.
A combinação entre preços estáveis ao produtor, oferta ajustada e maior competitividade frente às demais proteínas impulsionou o mercado ao longo do ano. O presidente reforça que, em 2026, a tendência é de espaço ainda maior para crescimento, especialmente diante da expectativa de alta na carne bovina.
O aumento da produção, somado ao forte ritmo das exportações, não impediu a ampliação da oferta doméstica e 2025 deve finalizar com crescimento superior a 2% na disponibilidade interna de carne suína. “Essa pequena sobreoferta certamente contribuiu para a estabilidade nas cotações do suíno na maioria das praças”, avaliou Lopes.
Exportações crescem e se diversificam
As exportações foram um dos pilares da sustentação do mercado em 2025. Além de registrar novos recordes, o setor ampliou a pulverização dos destinos, reduzindo a dependência da China.
Após o recorde observado em setembro, outubro encerrou o ano como o segundo melhor mês da história, com 125,6 mil toneladas de carne suína in natura exportada, alta de 8% frente a outubro de 2024. De janeiro a outubro, os embarques totalizaram 1.110.636 milhão toneladas, aumento de 13,53% ante o mesmo intervalo do ano anterior.
As Filipinas lideraram as compras ao longo de 2025, seguidas por China, Chile, Japão, Hong Kong, México, Singapura, Vietnã, Uruguai e Argentina. “Filipinas consolidou a liderança, mas mercados importantes como Japão, México e Chile tiveram crescimento significativo. Para 2026 esperamos um crescimento ainda concentrado no continente asiático, com participação proporcional da China cada vez menor”, relatou Lopes.
Oferta ajustada e margens positivas
Com crescimento de produção acima de 4% e exportações superiores 14%, o setor conseguiu manter um equilíbrio favorável entre oferta e demanda ao longo de 2025. Para Lopes, esse alinhamento foi essencial para sustentar a rentabilidade dos produtores. “O ano foi relativamente bem ajustado no quesito oferta e procura, com margem financeira positiva também em função da boa oferta de insumos”, expôs o presidente da ABCS.
Segundo ele, a combinação entre mais carne disponível, mercado interno aquecido e exportações firmes favoreceu a fluidez da cadeia e a formação de preços compatíveis com os custos. “O desempenho de 2025 consolida um ciclo de recuperação após anos de forte pressão econômica, abrindo espaço para perspectivas mais favoráveis em 2026, especialmente no consumo interno e na expansão da presença brasileira no mercado asiático”, avaliou.
Mão de obra pressiona margens ao produtor
Apesar do avanço da produção e da melhora no fluxo de mercado, 2025 não foi um ano livre de desafios, especialmente no que diz respeito aos custos operacionais. Lopes explica que os principais insumos da alimentação (milho e farelo de soja) tiveram comportamento favorável ao produtor ao longo do ano. “Os principais custos relacionados à alimentação dos suínos se mantiveram bastante estáveis ao longo do ano, com destaque para o farelo de soja, que apresentou cotações bastante baixas em relação aos anos anteriores, e o milho que voltou a um patamar mais acessível graças à safra recorde”, analisou.
O item que mais pressionou as contas das granjas brasileiras, segundo ele, foi a mão de obra. “A dificuldade de encontrar pessoas interessadas em trabalhar no setor ampliou os custos e reforçou um problema estrutural conhecido da cadeia. Energia, sanidade e manejo também continuaram compondo uma parcela significativa das despesas, mas sem grandes oscilações ao longo do ano”, evidenciou.
Sul registra recuperação consistente de margens

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia” – Foto: Divulgação/ABCS
Com base nos custos calculados pela Embrapa e nas cotações do suíno vivo levantadas pelo Cepea, a suinocultura de ciclo completo nos três estados do Sul registrou uma recuperação expressiva de rentabilidade entre janeiro e outubro de 2025. “Embora os custos tenham avançado em relação a 2024, o movimento de alta nos preços pagos ao produtor foi ainda mais intenso, o que resultou em margens ampliadas e melhora consistente em todas as regiões”, apontou Lopes.
No Paraná, o custo médio subiu de R$ 5,74/kg em 2024 para R$ 6,02/kg em 2025. No mesmo intervalo, o preço de venda passou de R$ 7,39/kg para R$ 8,20/kg. O movimento elevou a margem de R$ 1,64/kg para R$ 2,19/kg, configurando o maior ganho absoluto entre os estados do Sul. “O resultado é reflexo da valorização do suíno vivo no mercado regional e interestadual”, ponderou o presidente da ABCS.
O Rio Grande do Sul também registrou avanço significativo. Os custos aumentaram de R$ 5,75/kg para R$ 6,29/kg, enquanto o preço subiu de R$ 7,17/kg para R$ 8,17/kg. A margem média passou de R$ 1,41/kg para R$ 1,89/kg. “Mesmo com pressão dos insumos, o produtor gaúcho operou com resultados positivos ao longo do ano, mantendo estabilidade financeira”, salientou Lopes.
Em Santa Catarina, principal polo nacional de produção e exportação, os custos foram de R$ 5,90/kg para R$ 6,31/kg. O preço médio avançou de R$ 7,22/kg para R$ 8,18/kg, elevando a margem de R$ 1,33/kg para R$ 1,87/kg. “A demanda externa, que sustentou boa parte da fluidez do mercado, teve papel decisivo nesse desempenho”, expôs o dirigente.
A média regional do Sul confirma o movimento de recuperação. O custo, que era de R$ 5,80/kg em 2024, chegou a R$ 6,21/kg em 2025, enquanto o preço ao produtor avançou de R$ 7,26/kg para R$ 8,19/kg. Com isso, a margem média subiu para R$ 1,98/kg, acima dos R$ 1,46/kg registrados no ano anterior. Na prática, os números mostram que a dinâmica de mercado em 2025, marcada por preços firmes, oferta ajustada e demanda aquecida, favoreceu de forma consistente o produtor.
Crédito caro e logística limitada
Apesar do bom desempenho do ano, a competitividade da cadeia enfrenta gargalos importantes. Para Lopes, o maior obstáculo atualmente é o acesso ao crédito. “Do ponto de vista do produtor, o grande gargalo hoje é acesso a crédito para investimento e custeio. Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, analisou.
A logística também aparece como um desafio permanente. A concentração da produção no Sul contrasta com a localização da maior parte da oferta de grãos no Centro-Oeste, ampliando custos de transporte. “Nossa malha ferroviária está muito mais voltada para atender as exportações do que a demanda interna, e ainda há o crescimento das usinas de etanol de milho, que acabam concorrendo com vantagens logísticas pelo cereal”, destacou Lopes.
Na área sanitária, a preocupação se intensificou em 2025. A biosseguridade tem ganhado peso nas estratégias de produção, especialmente diante do quadro descontrolado da Peste Suína Africana na Europa.
Brasil deve assumir terceira posição global nas exportações

A performance brasileira no mercado internacional segue em ascensão. Embora os números finais de 2025 ainda não tenham sido fechados, Lopes afirma que o país deve consolidar um avanço histórico. “É muito provável que o Brasil, em 2025, ultrapasse o Canadá e assuma a terceira posição nas exportações de carne suína, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia”, adiantou.
O presidente ressalta que, entre os grandes exportadores, o Brasil deve ser o que mais cresceu proporcionalmente no mercado internacional ao longo de 2025. A competitividade de custos e a qualidade do produto sustentam a expansão, e o principal limitador agora é a demanda global. “O que limita nossa expansão é uma maior demanda externa, pois já conseguimos acessar os mercados mais exigentes em termos de qualidade e sanidade”, explicou.
Exigências internacionais pressionam investimentos
Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, afirmou.
Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.
Projeções para 2026
Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, advertiu.
Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomendou.
As oportunidades para o próximo ano seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Lopes avalia que o Brasil entra em 2026 com posição fortalecida no comércio internacional e com potencial para novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estimou Lopes.
Crescimento moderado

As estimativas da ABCS indicam que 2026 tende a ser um ano de crescimento moderado, influenciado pelas condições de mercado e pela evolução dos custos. A entidade projeta uma expansão de até 5% na produção em relação a 2025, ritmo considerado saudável e capaz de evitar desequilíbrios mais significativos entre oferta e demanda. Também prevê avanço próximo de 3% nas exportações, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios. E no mercado interno, a disponibilidade deve aumentar pouco acima de 4%. “Isoladamente, esse movimento poderia pressionar os preços, mas a dinâmica da pecuária de corte tende a mitigar esse impacto”, prevê Lopes.
O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.
Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.
Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.
A suinocultura brasileira encerra 2025 renovada, mais resiliente e com perspectivas favoráveis. Contudo, o avanço em 2026 vai depender da capacidade do setor de equilibrar crescimento, investimento e prudência. A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exaltou Lopes.
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Suínos
Acompanhe AO VIVO 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento reúne os principais elos da cadeia para debater os rumos da atividade dentro e fora da porteira.

A suinocultura paranaense enfrenta desafios cada vez maiores dentro e fora da granja. Biosseguridade, mão de obra, sucessão familiar, eficiência produtiva, mercado e exportações estarão no centro das discussões do Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece nesta terça-feira (09), a partir das 09 horas, em Marechal Cândido Rondon (PR).
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
• Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
• Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
• Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
• Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
• Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
• Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
• Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
14h40 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
• Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h20 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
• Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
• Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento tem ainda o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Clique aqui e ative o lembrete da live.
Suínos
Pesquisa sobre javalis tem prazo ampliado até o fim de junho
Baixa adesão no Paraná leva à prorrogação do levantamento nacional que busca mapear a presença de javalis e javaporcos e os prejuízos causados ao agro.

Produtores rurais paranaenses ganharam mais tempo para participar do levantamento nacional que busca dimensionar a presença de javalis e javaporcos no campo brasileiro. O prazo da pesquisa “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)” foi estendido até 30 de junho, diante da necessidade de ampliar a adesão ao questionário, especialmente no Paraná, onde a participação ainda é considerada baixa.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT
A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com articulação do Sistema Faep, busca reunir informações diretamente das propriedades rurais para compreender a dimensão do avanço desses animais no país, os prejuízos registrados e os impactos ambientais, sanitários e econômicos relacionados à espécie. O levantamento também deverá subsidiar estratégias mais efetivas de controle e manejo.
“É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente. A participação é essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
A extensão do prazo reforça a importância da participação dos produtores que convivem com a presença dos animais ou já sofreram prejuízos. O questionário permite mapear ocorrências de javalis e javaporcos (resultado do cruzamento entre javalis e suínos domésticos), espécies que têm avançado rapidamente em diferentes regiões devido à ausência de predadores naturais e à elevada capacidade reprodutiva.
A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano, permitindo um retrato mais preciso da presença dos animais no país e contribuindo para a formulação de políticas públicas e medidas de enfrentamento mais eficazes. Além da pesquisa, o Sistema Faep também disponibiliza uma cartilha com orientações e informações sobre os riscos associados aos javalis e javaporcos.
Prejuízos

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente”
No Paraná, a preocupação com o tema não é recente. A mobilização teve origem na Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, que articulou diferentes instituições em torno do problema. O movimento culminou, em 2020, na criação do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, formado por órgãos como o Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Exército Brasileiro, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e representantes do setor produtivo.
Os prejuízos atribuídos aos suínos asselvajados vão desde a destruição de lavouras e ataques a rebanhos até danos à vegetação nativa, degradação de nascentes e impactos sobre ecossistemas locais. Também há preocupação com a segurança sanitária, já que esses animais podem atuar como vetores de enfermidades como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa, representando risco para a cadeia produtiva da suinocultura.
Suínos
Setor suinícola exporta US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026
Desempenho acumulado é impulsionado pelo recorde de 129,4 mil toneladas embarcadas em maio e pela ampliação dos mercados compradores.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

Foto: José Fernando Ogura
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor” – Foto: Mario Castello
embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.



