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Consórcio milho/braquiária ganha cada vez mais adeptos

Vantagens vão do aumento da fertilidade do solo à alimentação de animais; empresas de pesquisa estão incentivando a implantação do capim junto com o cereal

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O capim braquiária, planta invasora das mais competitivas, tem sido cada vez mais usado consorciado com o milho nas propriedades rurais em todas as regiões do Brasil. O que outrora era sinônimo de dor de cabeça para o produtor é hoje comprovadamente importante ferramenta para melhorar a fertilidade do solo, evitar erosões, manter a umidade da terra e até alimentar o gado. Semeado a lanço ou em linha, a um custo baixo, o plantio da braquiária tem sido estimulado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolve vários tipos do pasto para interagir amigavelmente na lavoura, sem comprometer a produtividade do cereal.

As inúmeras vantagens apontadas pelo consórcio milho/braquiária estimularam o interesse do engenheiro agrônomo e produtor rural Renan Felipe Bellé, de Marechal Cândido Rondon (PR). Os 15 hectares de milho cultivados após a colheita da soja, no início do ano, receberam sementes do capim como alternativa para aumentar a palhada na terra. “Temos o milho de silagem, que deixa pouca palhada no solo. Por isso, buscamos uma alternativa para ter mais palhada, que garante a manutenção de micronutrientes para o solo. A braquiária foi a ideia que surgiu como boa alternativa”, explica. “Percebemos melhor sustentabilidade, já que evita problemas como erosão, o custo é bem baixo, então a declividade é um pouco maior. No fim das contas vai fornecer hidrogênio e potássio para o solo, sem contar que devemos ter em torno de dez toneladas de matéria seca por hectare que vai sobrar no solo”, justifica.

Por ser a primeira vez, ainda não conheceu a olhos vistos os benefícios, mas espera bons resultados e já pensa em usar a tecnologia futuramente. “O que a maioria dos produtores faz é plantar soja no verão e milho safrinha. Então, usar a braquiária é um meio de rotacionar a cultura, mas sem tirar o milho e sem tirar a soja. (O capim) ajuda muito no solo, recupera nutrientes físicos e químicos. Espero que tenha um bom resultado porque vai diminuir um pouco a produtividade do milho, mas, em compensação, deve aumentar a produtividade da soja. É a primeira vez que fazemos o consórcio. Fizemos a semeadura a lanço, mas da próxima vez pretendo semear em linha”, conta o produtor.

O capim é também uma excelente fonte de alimentos para o rebanho leiteiro. “Não é o nosso intuito a produção para posterior alimentação do gado leiteiro, mas se produzir bastante matéria seca eu quero tentar fazer um pouco de feno dela. Corta o milho, dai a braquiária desenvolve bem e depois tentamos fazer feno”, diz.

O pesquisador da Embrapa, Walter Fernandes Meirelles, corrobora os benefícios apontados pelo produtor paranaense, e amplia, explicando que a braquiária auxilia o produtor em situações climáticas extremas. “A braquiária mantém a umidade do solo quando o clima está mais seco e evita o encharcamento quando há muita chuva”. Meirelles conta que a braquiária não afeta o desenvolvimento do milho, ao contrário do que muitos agricultores pensam. “Temos vários tipos de braquiárias que não atrapalham a cultura do milho. A produtividade não cai”, argumenta o pesquisador.

Enraizada

Adalberto Telesca Barbosa, engenheiro agrônomo e coordenador de Meio Ambiente do Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), diz que a braquiária vem ganhando a atenção cada vez maior dos produtores. “Temos um problema no Paraná que é o período de safra que sucede o milho safrinha. Então, a cobertura de solo naquele período é uma ótima técnica de sustentabilidade da cultura de soja no verão. O consórcio do milho com a braquiária é uma alternativa que está sendo entendida como adaptada a esse processo”, comenta.

“Esta é uma técnica que já está bem difundida. Há várias vantagens. A braquiária inclusive faz com que haja uma descompactação do solo e isso faz com que o sistema radicular da cultura de verão aprofunde. Com isso, a cultura vai buscar água mais profunda e não tem tanto problema de falta de umidade, mesmo que o clima não esteja totalmente favorável à cultura. Consegue suprir a demanda de água na medida em que a planta aprofunda a raiz”, expõe Barbosa.

Ele sugere semear a planta em linha, entre as carreiras de milho, ao mesmo tempo. “São várias formas de implantação, mas uma das que está sendo preconizada é plantar junto com o milho. Se for necessário e a braquiária estiver muito bem desenvolvida a ideia é fazer um manejo com herbicida para que tenha um crescimento mais lento e não venha a competir com a cultura do milho. Depois que é colhido o milho, a braquiária que estava sufocada pelo milho acaba tendo um desenvolvimento pleno”, conta. 

 

Mais Informações você pode conferir no jornal impresso de O Presente Rural, na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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