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Consórcio de braquiária com feijão-caupi aumenta produção de carne e grãos na ILP

Parte da explicação pela maior eficiência nos resultados está na melhoria dos atributos químicos, físicos e microbiológicos do solo

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Pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (MT) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT – campus Rondonópolis) estão lançando o Sistema Gravataí, um consórcio de braquiárias com feijão-caupi destinado ao pastejo em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Este é o primeiro consórcio de gramíneas com leguminosas indicado para solos de textura média e argilosa na região de Cerrado.

Após três anos de pesquisas na Fazenda Gravataí, em Itiquira (MT), o uso do consórcio resultou em aumento no ganho de peso dos animais na safrinha e em melhor produtividade de soja na safra. No grão, a diferença ficou em torno de 20 sacas por hectare a mais no acumulado de três safras, quando comparado a uma área sem a utilização do Sistema Gravataí. Já na pecuária, o uso da tecnologia resultou em até 100 gramas a mais de ganho de peso por dia.

Melhora a qualidade do solo

Parte da explicação pela maior eficiência nos resultados está na melhoria dos atributos químicos, físicos e microbiológicos do solo. “Observamos que após três anos de implantação do Sistema Gravataí ocorreu um incremento na qualidade do solo, com aumento de matéria orgânica, principalmente carbono e nitrogênio total, e um incremento considerável na quantidade de microrganismos. A biomassa microbiana é cerca de três vezes maior do que em um pasto solteiro. Além disso, o incremento de atividade microbiana e o desenvolvimento das raízes promoveram uma descompactação do solo”, relata o professor da UFMT campus Rondonópolis Edicarlos Damacena de Souza.

Esse resultado condiz com o objetivo inicial do trabalho, que começou ainda em 2011, na Fazenda Dona Isabina, em Santa Carmem, na região médio-norte de Mato Grosso. Naquela época, o intuito era encontrar uma cultura que precedesse o arroz de terras altas.

“O objetivo era desenvolver um consórcio com produção elevada e com alto valor nutritivo de biomassa, que aportasse nitrogênio para o sistema e que ao mesmo tempo descompactasse o solo para a cultura do arroz, que fosse fácil de ser implantado, que envolvesse sementes acessíveis e a um custo bom para o produtor rural”, afirma o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio Jesus Wruck.

Braquiária + feijão-caupi

O Sistema Gravataí foi testado com resultados positivos com três tipos de braquiárias: a B. ruziziensis, e as B. brizantha BRS Piatã e BRS Paiaguás. Em todas elas, os resultados foram satisfatórios e demonstraram melhorias no incremento de proteína bruta na pastagem, aumento da quantidade de carbono orgânico e nitrogênio total no solo e aumento na produtividade da soja. A massa de forragem variou em algumas delas, assim como o índice de ganho de peso.

“Tivemos um resultado de 100 g de ganho médio diário por animal nesse consórcio. O caupi entrou no sistema para aumentar o valor proteico da pastagem, assim como as melhorias que ele traz para o solo também. Nós atingimos seis arrobas por hectare a mais no consórcio com caupi”, destaca a professora da UFMT Francine Damian da Silva.

Nas avaliações, o feijão-caupi utilizado foi a cultivar BRS Tumucumaque. Porém, pesquisadores já trabalham com outros materiais mais apropriados ao consórcio, como a BRS Gurgueia, por exemplo.

“É uma cultivar com características de grão menor. Então o produtor vai usar um volume menor de sementes por hectare, reduzindo os custos de implantação. Ela também tem um estabelecimento de campo muito bom, com uma massa vegetal maior”, explica o gerente do escritório de Rondonópolis da Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa, Valter Peters.

Implantação e condução

O Sistema Gravataí pode ser implantado de três formas distintas. Uma delas é de maneira simultânea, utilizando uma semeadeira com terceira caixa, onde são inseridas as sementes da forrageira. As outras opções são utilizando duas operações. Em uma delas faz-se a semeadura direta em linha do feijão-caupi e na sequência semeia-se também em linha o capim. Na outra alternativa, é feita a semeadura da braquiária a lanço e, em seguida, a semeadura direta do feijão-caupi em linha. Nesse caso o próprio revolvimento do solo da operação de plantio é suficiente para cobrir as sementes da forrageira, desde que não falte chuva no período.

Cerca de 45 a 50 dias após a implantação o consórcio já está pronto para pastejo dos animais. Com maior teor proteico e mais palatáveis, as folhas e vagens do feijão-caupi serão pastejadas em primeiro lugar. Com a redução das chuvas e o pastejo constante, sobrará apenas o capim na área. O gado deve permanecer nos pastos de consórcio entre 90 e 120 dias, sendo retirado a tempo de haver um crescimento do capim antes da dessecação para o plantio da soja na safra seguinte. 

Foco na vaquinha para não prejudicar o boi

No manejo do Sistema Gravataí, o produtor deve estar atento à ocorrência de pragas, como pulgões e, sobretudo, a vaquinha (Diabrotica speciosa). Comum em áreas com lavoura de soja, a vaquinha se alimenta das folhas do feijão-caupi, causando grandes danos para as plantas.

Dessa forma, para evitar que a vaquinha coma o alimento do gado, deve-se atentar para o monitoramento e manejo da área. “Deve ser feito logo no início, antes da semeadura do consórcio, na época da dessecação, a aplicação do inseticida para controlar essa população inicial. Depois, o tratamento da semente do caupi é recomendado com inseticida. E nas três primeiras semanas após a germinação, o monitoramento e o controle químico se necessário. Uma outra estratégia importante é entrar com animais na época certa”, orienta o pesquisador Flávio Wruck.

Testado e aprovado

A Fazenda Gravataí é uma das Unidades de Referência Tecnológica e Econômica (URTE) de ILPF acompanhadas pela Embrapa em Mato Grosso e foi parceira no desenvolvimento do consórcio de braquiária com feijão-caupi. Homenageada com o nome do sistema, a fazenda testou e aprovou a tecnologia a ponto de empregar atualmente o Sistema Gravataí em cerca de 100 hectares. A expectativa para o próximo ano é dobrar a área.

“A propriedade trabalha com animais de recria e engorda. Estamos trabalhando com animais de recria nesse consórcio. Mas acredito que até na parte de engorda a gente vai ter alguns lotes a partir do ano que vem para ver o retorno que o sistema pode dar. Mais uma opção que a gente vai ter para melhorar o desempenho e o ganho dentro da pecuária”, diz o gerente de pecuária da Gravataí Agro, Alexandre Carlos Barazetti.

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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