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Conservação do solo garante segurança alimentar e sustentabilidade da agropecuária
Solo é muito mais do que apenas o substrato para crescimento dos vegetais. É um sistema complexo vivo que para garantir o sucesso da agricultura, deve ser compreendido e trabalhado da melhor maneira.

Nas últimas décadas, o mundo tem passado por grandes desafios, como as emergências climáticas e a necessidade de garantir a segurança alimentar, a produção de fibras e energia com o menor impacto ambiental. Nesse cenário, manter os solos saudáveis e com qualidade passa a ser uma grande responsabilidade. Sem a aplicação dos conhecimentos para o bom manejo dos solos, sérios problemas ambientais podem surgir, como a sua degradação e dos recursos hídricos.
O solo é muito mais do que apenas o substrato para crescimento dos vegetais. É um sistema complexo vivo que para garantir o sucesso da agricultura, deve ser compreendido e trabalhado da melhor maneira. A ciência do solo mostra que não é simplesmente um material, mas um corpo natural em camadas, com uma organização física de minerais e matéria orgânica, que resultou de processos químicos e biológicos. E que o solo é um componente fundamental dos ecossistemas terrestres, exercendo um papel crítico em seu funcionamento e na sustentabilidade da vida humana. Sua localização, composição e processos que acontecem ali têm um influenciam o funcionamento dos ecossistemas e para a existência humana.

Fotos: Shutterstock
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) estima que um terço dos solos do mundo estão degradados pelo uso inadequado. Entre os principais problemas estão a erosão, compactação, acidificação, salinização e contaminação.
A erosão hídrica é considerada como o maior problema de degradação do solo no ambiente tropical. Esse processo inicia-se com o impacto direto das gotas de chuva sobre a superfície não protegida por vegetação ou cobertura morta. O impacto da gota desencadeia uma série de eventos de desagregação, remoção e transporte de partículas, nutrientes e matéria orgânica. É considerada uma das principais causas de degradação dos solos agrícolas no Brasil. A intensidade da chuva, o tipo de solo e a cobertura vegetal influenciam esse processo. A cobertura vegetal é um elemento chave para sua prevenção, pois protege o solo reduzindo a energia erosiva das gotas de chuva ao minimizar o processo de desagregação e de selamento superficial, além de contribuir para o aumento da infiltração de água. Lembrando que a biomassa que cresce e protege o solo age na superfície, com a cobertura e na subsuperfície com o crescimento das raízes.
As consequências da erosão hídrica vão desde a perda de recursos essenciais como solo, água e nutrientes, resultando em custos significativos. A erosão representa um desafio global e urgente, comprometendo a produção de alimentos, fibras e energia, a disponibilidade de terras agrícolas e a qualidade e disponibilidade da água.
Um solo degradado é incapaz de sustentar ecossistemas complexos, compromete a regulação climática, interrompe os fluxos hídricos e inviabiliza a produção de alimentos. Em contrapartida, um solo saudável é o alicerce da segurança alimentar e da sustentabilidade agropecuária, garantindo a vitalidade dos sistemas produtivos e a perenidade dos recursos naturais. Solo saudável e de qualidade tem maior estoque de carbono, reduz a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera e os efeitos do aquecimento global, aumenta da infiltração e retenção de água, regula a temperatura, estimula da atividade biológica e aumenta da ciclagem de nutrientes.
A perda das camadas superficiais no processo erosivo pode tornar os solos improdutivos. E os efeitos da erosão vão além da perda de terras férteis, podendo levar ao aumento da sedimentação, eutrofização e assoreamento em cursos d’água, rios e reservatórios, obstruindo vias navegáveis, causando declínios na vida aquática e reduzindo a disponibilidade de água. As terras degradadas frequentemente têm menor capacidade de retenção de água, o que pode piorar as inundações e a recarga dos aquíferos. Além da perda de nutrientes, perde-se carbono, a estrutura do solo e a biodiversidade.
Há também perdas econômicas com a aplicação de insumos em uma safra e que podem ser carregados pela chuva. São perdas significativas e impactam a receita dos agricultores, já que os gastos com fertilizantes podem representar até 40% dos custos de produção das culturas como soja, milho, cana-de-açúcar ou café. Além disso, há despesas com o replantio das lavouras e a manutenção de terraços demandando mais horas de trabalho e de máquinas.
Ainda, há o desequilíbrio ambiental causado pelas perdas de carbono. O solo armazena esse elemento como matéria orgânica. O reservatório de carbono orgânico do solo é o dobro do carbono presente na atmosfera e cerca de duas a três vezes maior do que o carbono acumulado em organismos vivos em todos os ecossistemas terrestres da Terra. Em virtude de seu potencial de sequestro de C, a agricultura e os solos agrícolas, a partir do Acordo de Paris (2015), ganharam mais destaque e passaram a integrar a agenda global de C para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
No dia 15 de abril celebra-se o Dia Nacional da Conservação do Solo. A data é importante para mostrar à sociedade que a conservação do solo é essencial para a manutenção da vida e alertar para a ameaça do uso irracional.
O solo não é apenas um recurso natural, é um legado que foi confiado à humanidade. A maneira como ele é gerenciado hoje definirá o que caberá às futuras gerações.
Há algumas décadas, preservar e produzir eram vistas como atividades conflitantes, sendo impossível acontecer ao mesmo tempo na agropecuária brasileira. Com o avanço da ciência e da boa agricultura, essa ideia foi deixada de lado. Hoje, agricultores e técnicos sabem que preservar e produzir é possível, como também pode ser muito vantajoso e fundamental para garantir a sustentabilidade do setor agropecuário, a segurança alimentar e a preservação do meio ambiente para as futuras gerações. É uma mudança de paradigma na forma de produzir, buscando um equilíbrio entre a produtividade, a rentabilidade, a responsabilidade social e a conservação ambiental.
Contribuição para ODS
A conservação do solo e seu manejo correto contribuem diretamente com três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU): ODS 2 (Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável), ODS 13 (Adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos) e ODS 15 (Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade).

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
Notícias
Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
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Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



