Avicultura
Consequências produtivas do banimento dos antibióticos promotores de crescimento da dieta de frangos de corte
A pressão para reduzir o uso de APC na pecuária é um processo crescente, e vários países estão aderindo às restrições e proibição do uso de APC. O Brasil, como um dos principais produtores e exportadores, terá que se adequar as novas exigências e formas de produção.

Antibiótico é definido pela Organização Mundial de Saúde como toda substância de origem natural, sintética ou semissintética, que em baixas concentrações destrói ou inibe o crescimento de microrganismos, causando pequeno ou nenhum dano ao organismo hospedeiro. Já os antibióticos promotores de crescimento (APC) são definidos como agentes antibióticos utilizados com o propósito de aumentar o ganho de peso diário ou a eficiência alimentar em animais produtores de alimentos. Estes últimos aditivos vêm sendo utilizados desde a década de 50, sendo uma alternativa importante para permitir uma produtividade adequada a animais criados sob condições cada vez mais intensivas. Atualmente, os antibióticos promotores de crescimento são os principais aditivos usados na alimentação animal e estão conectados a melhorias na produtividade animal.
Os promotores de crescimento são administrados em concentrações relativamente baixas, variando de 2,5 mg/kg a 125 mg/kg (ppm), dependendo do tipo de droga e da espécie animal. Em 2015, pesquisadores estimaram que o consumo anual médio global de antimicrobianos por quilograma de frango produzido foi de 148 mg/kg. O maior efeito dos APC é atribuído à melhoria da conversão alimentar, e essa resposta é muito boa em animais geneticamente melhorados, de crescimento rápido e criados em sistemas de produção intensiva. Outros efeitos observados com o uso do APC são taxa de crescimento mais rápida, redução da mortalidade, alta resistência ao desafio promovido por doenças, melhor desempenho reprodutivo e melhor qualidade das fezes e da cama.
Frangos de corte aos 42 dias de idade que não são expostos a desafios sanitários apresentam resultados de ganho de peso contraditórios quanto à retirada de APC da dieta. Nessa situação muitos estudos demonstraram não ocorrer diferença no ganho de peso entre animais recebendo ou não APC, porém também foram encontrados resultados relatando a eficiência do antibiótico como promotor de crescimento, com efeitos positivos no ganho de peso. Da mesma forma, resultados contraditórios também são observados nas variáveis de consumo de ração e conversão alimentar. Por outro lado, quando há algum tipo de desafio parece ser inequívoca a eficiência dos APC na melhoria da conversão alimentar e do ganho de peso.
A indústria de alimentação animal tem passado por mudanças significativas, no sentido de adequar-se às novas exigências do mercado. Por parte dos consumidores há o desejo que frangos sejam criados sem o uso de aditivos químicos nas rações, e a classe mais pressionada pela opinião pública é a dos APC. A crescente pressão para proibir o uso destes aditivos como promotores de crescimento em rações animais é baseada na possibilidade de indução de resistência cruzada de cepas bacterianas patogênicas ao homem, além da idéia persistente, principalmente dos consumidores, que a carcaça esteja contaminada. Países como os da União Européia especificaram legislações que proíbem o uso de antibióticos como aditivos promotores de crescimento. No Brasil, as tetraciclinas, penicilinas, cloranfenicol, sulfonamidas sistêmicas, furazolidona, nitrofurazona e avorpacina já foram proibidas como aditivos de ração. O Ministério da Agricultura normatizou a proibição do uso do sulfato de colistina como promotor de crescimento para aves, suínos e bovinos, e existe a possibilidade de novos banimentos em um futuro próximo. Deste modo, um estudo utilizando meta-análise e modelagem foi conduzido no Laboratório de Ensino Zootécnico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul com o objetivo de estimar o impacto econômico e de desempenho da retirada dos APC das dietas de frangos de corte que não são expostos a desafios sanitários.
Meta-análise
Na meta-análise para avaliar alterações na performance dos frangos foram compilados 174 artigos científicos, contendo um total de 183 estudos. A maioria dos artigos selecionados (98%) foi publicado entre 1998 e 2018, e estudos foram desenvolvidos no Brasil (14%), Coreia do Sul (12%), Canadá (9%), EUA (9%) e outros países (56%), como África do Sul, Egito, China, França e Israel. As linhagens mais utilizadas foram Ross (52% dos tratamentos), Cobb (28%) e Arbor Acres (10%). E os antibióticos mais frequentes no banco de dados foram Avilamicina (41%), Flavomicina (19%), Virginiamicina (16%) e Bacitracina (14%). Como resultados de desempenho, o consumo de ração apresentou melhor resultado para frangos recebendo dietas contendo APC na fase inicial (1 a 21 dias), mas nenhum efeito foi observado na fase final (22 a 42 dias) e total (1 a 42 dias) (Tabela 1). O ganho de peso apresentou resultado superior quando as dietas contendo APC foram utilizadas nas fases inicial e total, mas não foi observada diferença entre a utilização de dietas com ou sem APC na fase final. A conversão alimentar apresentou melhores resultados nos frangos recebendo dietas com APC nas fases inicial e total, e, novamente, não houve diferença na fase final.
Tabela 1. Desempenho – obtido por meta-análise- de frangos de corte recebendo dietas contendo (APC+) ou não (APC -) antibiótico promotor de crescimento
Variáveis Tratamentos P %
APC+ APC-
Inicial (1-21 dias)
Consumo de ração, g/d 55 56 0.005 1.78
Ganho de peso, g/d 38 37 <0.001 2.70
Conversão alimentar, g/g 1.47 1.51 <0.001 2.64
Final (22-42 dias)
Consumo de ração, g/d 161 162 0.111 0.61
Ganho de peso, g/d 82 82 0.561 0.00
Conversão alimentar, g/g 1.96 1.99 0.128 1.50
Total (1-42 dias)
Consumo de ração, g/d 90 91 0.127 1.09
Ganho de peso, g/d 54 52 0.040 3.84
Conversão alimentar, g/g 1.66 1.72 <0.001 3.48
*Tabela adaptada de Cardinal et al. (2019)
P: Probabilidade estatística onde P < 0.05 refere-se a diferença entre os tratamentos APC+ e APC-.
%: Percentual de variação entre os tratamentos APC+ e APC-
Fatores que influenciam
Os resultados mostraram uma clara conexão entre suplementação de APC e o desempenho dos frangos de corte, o que foi particularmente evidente na conversão alimentar e ganho de peso nas fases inicial (1 – 21 dias) e total (1 – 42 dias) e consumo de ração na fase inicial. Uma infinidade de fatores pode influenciar os resultados de desempenho, incluindo o ambiente, o estresse e as características da dieta. Diferentes mecanismos de ação foram propostos para os APC para explicar o efeito promotor de crescimento no organismo dos frangos, como por exemplo, o APC estar associado à modificação de algumas características intestinais na primeira semana de vida dos frangos e que o uso de APC diminui os custos catabólicos de manter uma resposta imune frente a estresses, permitindo que mais recursos sejam dedicados aos processos de ganho de peso.
Custos
Os dados de performance dos frangos, obtidos na meta-análise, foram utilizados em uma modelagem que estimou a retirada do APC nos custos de produção, principalmente os custos de alimentação no cenário brasileiro. A simulação considerou a taxa anual de abate, relatada em 5,84 bilhões de frangos de corte em 2017, o ganho de peso alvo e a conversão alimentar para cada fase, a variação na conversão alimentar (obtida a partir da meta-análise), bem como como custos de alimentação e APC (informações fornecidas por uma fábrica de ração local). Como resultados da simulação de impacto econômico, a retirada do APC na fase inicial e no período total aumentariam o custo de produção em R$ 0,03 e R$ 0,11 por animal, totalizando um montante de R$ 14,6 bilhões na fase inicial e R$ 688 milhões na fase total, por ano no Brasil. Levando em consideração que esses cálculos foram realizados em 2017 e a base do cálculo está, principalmente, no custo da ração e na conversão alimentar, podemos esperar que a perda econômica seja ainda maior se refizermos os cálculos com os valores atualizados para 2024.
Alguns custos associados ao sistema de produção são difíceis de medir e não foram incluídos nos cálculos econômicos. Diferentes autores relatam que o impacto econômico afetará os produtores de maneira diferente, pois há uma variação nos fatores considerados na caracterização do cenário produtivo, como tamanho da fazenda, acordos de contratação e práticas de produção. Por outro lado, o custo da alimentação é estimado como sendo mais do que 70%, e o impacto produtivo considerado neste estudo foi focado na alimentação dos frangos de corte. Embora seja baseado em uma abordagem simples, o modelo e os resultados podem fornecer informações relevantes para nutricionistas e produtores, facilitando o processo de tomada de decisão.
Para complementar o estudo, uma análise de sensibilidade foi realizada usando as variáveis-chave “conversão alimentar” e “preço do APC”. Uma análise de sensibilidade indica se uma ou mais variáveis podem ter impacto nos resultados econômicos de um sistema de produção e influenciar sua lucratividade. Para definir os cenários em que a retirada do APC teria um impacto econômico negativo, a diferença entre a conversão alimentar nos tratamentos com e sem APC na dieta foram aumentados de 0,0% até 5,0%, e o preço do APC foi reduzido pela metade ou aumentado em até cinco vezes (Quadro 1).
Quadro 1. Análise de sensibilidade da retirada do antibiótico promotor de crescimento (APC) das dietas de frango de acordo com a variação do preço do aditivo e na diferença da conversão alimentar com ou sem APC.
Variação na conversão alimentar (%) Variação no preço do APC
X/2 X1 2X 3X 4X 5X
0 AVOID2 AVOID AVOID AVOID AVOID AVOID
0.15 USE3 AVOID AVOID AVOID AVOID AVOID
0.3 USE USE AVOID AVOID AVOID AVOID
0.5 USE USE USE AVOID AVOID AVOID
1 USE USE USE USE USE USE
2 USE USE USE USE USE USE
*Quadro adaptado de Cardinal et al.(2019)
1X: preço atual do promotor de crescimento de antibióticos.
2AVOID: situação em que é possível criar frangos sem APC sem perdas econômicas.
3USE: situação em que é indicado o uso de APC para não haver perdas econômicas.
É possível observar que com o “preço atual” do APC e os resultados de diferença na conversão alimentar encontrados na meta-análise (2,64% na fase Inicial, 1,50% na fase Final e 3,48% no período Total), haverá perdas econômicas na retirada da APC. No entanto, se forem utilizadas técnicas para reduzir para perto de zero a diferença na conversão alimentar de frangos recebendo ou não APC, será possível criar frangos sem APC, sem perdas econômicas.
Manejo
A pressão para reduzir o uso de APC na pecuária é um processo crescente, e vários países estão aderindo às restrições e proibição do uso de APC. O Brasil, como um dos principais produtores e exportadores, terá que se adequar as novas exigências e formas de produção. Para conseguir criar frangos de corte sem o uso de APC e com menor impacto no desempenho e, consequentemente, menor impacto econômico, será necessário implementar técnicas de manejo, usando a biossegurança como ferramenta para reduzir doenças e vacinação para melhorar o estado geral de saúde, reduzindo o risco de infecções secundárias. Além disso, a otimização da ambiência e das condições das instalações, assim como estratégias nutricionais serão necessárias para produzirmos frangos de corte sem o uso dos APC.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: [email protected].
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Avicultura
A nova régua da competitividade do frango brasileiro no exterior
Brasil tem vantagens produtivas, mas precisa ampliar indicadores e transparência para acompanhar mudanças nos mercados compradores.

O Brasil consolidou sua posição como maior exportador mundial de carne de frango, mas a manutenção dessa liderança passa a depender de critérios que vão além da capacidade produtiva e da eficiência industrial. Sustentabilidade, rastreabilidade, sanidade e bem-estar animal passaram a integrar as exigências de compradores internacionais, investidores e mercados consumidores.
A avaliação consta na terceira edição do Observatório do Frango, iniciativa da Alianima que analisou os principais movimentos que impactam a avicultura brasileira diante das mudanças no mercado global de alimentos.

Médica-veterinária, PhD em Ciências Veterinárias e especialista em bem-estar de aves na Alianima, Ana Paula Souza: “Não se trata apenas de uma discussão sobre bem-estar animal. Estamos falando de fatores que influenciam acesso a mercados, percepção de risco, reputação e competitividade ao longo de toda a cadeia produtiva”
O levantamento aponta que o bem-estar animal deixou de ser um tema restrito ao manejo nas granjas e passou a fazer parte de uma agenda mais ampla, relacionada à Saúde Única, resistência antimicrobiana, prevenção de doenças, sustentabilidade e acesso a mercados.
Com regras comerciais mais rigorosas e maior demanda por informações sobre a origem dos produtos, cresce a pressão para que empresas e produtores ampliem mecanismos de rastreabilidade e consigam comprovar práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva. “Não se trata apenas de uma discussão sobre bem-estar animal. Estamos falando de fatores que influenciam acesso a mercados, percepção de risco, reputação e competitividade ao longo de toda a cadeia produtiva”, enfatiza a médica-veterinária, PhD em Ciências Veterinárias e especialista em bem-estar de aves na Alianima, Ana Paula Souza.
Novas exigências comerciais
O tema ganhou espaço também nas discussões envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia, que trouxe novamente para o centro do debate os padrões de produção adotados pelos países exportadores de alimentos.

Em diferentes mercados, compradores passaram a exigir maior capacidade de comprovação sobre origem, processos produtivos e indicadores ambientais e sociais. A mudança altera a forma como cadeias agroalimentares apresentam seus produtos e como empresas estruturam suas estratégias comerciais.
Para a Alianima, o avanço dessas demandas coloca o setor avícola diante da necessidade de transformar iniciativas individuais em compromissos mais organizados e mensuráveis.
Brasil tem estrutura, mas precisa coordenar avanços
O Observatório do Frango utilizou a análise FOFA, ferramenta que avalia forças, oportunidades, fraquezas e ameaças, para identificar fatores que podem influenciar a competitividade da cadeia nos próximos anos.
Entre os pontos favoráveis ao Brasil estão o modelo de produção integrada, a experiência em gestão de qualidade e biossegurança, a capacidade técnica da cadeia produtiva e o potencial de adoção de novas tecnologias.
Por outro lado, o estudo aponta desafios relacionados à ampliação da transparência, maior coordenação entre os diferentes elos da cadeia e desenvolvimento de estratégias para acompanhar mudanças regulatórias e comerciais em mercados internacionais.
De acordo com a médica-veterinária, a ausência de compromissos estruturados em bem-estar animal pode deixar de ser vista como neutralidade e passar a representar um risco competitivo. “A não adoção de compromissos estruturados prejudica a transparência das empresas e deixa de ser uma posição neutra, passando a representar um fator de risco competitivo”, menciona.
Indicadores e metas de bem-estar animal
O levantamento também identificou que grandes empresas brasileiras passaram a incorporar indicadores de bem-estar animal em relatórios de sustentabilidade e comunicações corporativas.
Entre os exemplos citados estão BRF e Seara, que apresentam informações e metas relacionadas ao manejo e às condições de criação das aves, seguindo referências técnicas utilizadas pelo mercado.

Segundo o estudo, cerca de 1,5 bilhão de aves já são criadas no Brasil sob parâmetros de densidade de alojamento considerados compatíveis com práticas mais avançadas de bem-estar animal. O volume representa aproximadamente 27,7% da produção nacional.
Apesar do avanço, a análise aponta que ainda existe espaço para ampliar a definição de metas, indicadores e mecanismos de divulgação capazes de demonstrar os progressos realizados pela cadeia. “Apesar disso, ainda há espaço para ampliar a formalização de metas, indicadores e mecanismos de transparência capazes de demonstrar de forma mais consistente os avanços já existentes no setor e as intenções futuras”, ressalta Ana Paula.
Construção de uma estratégia coletiva
Para a especialista, a principal questão para a avicultura brasileira não está na capacidade produtiva, mas na construção de uma estratégia coletiva para transformar iniciativas já existentes em uma agenda de longo prazo. “A questão não é se haverá mudanças nas expectativas dos mercados internacionais, mas quem irá liderar esse processo. O Brasil reúne condições para participar da construção dessas soluções, e não apenas reagir a exigências externas no futuro”, afirma.
Avicultura Da sala de aula para as granjas
Avicultura gaúcha busca na universidade soluções para reduzir custos e melhorar processos
Acordo entre Sipargs e EPR Consultoria aproxima indústrias do setor de projetos técnicos, capacitação e ferramentas de gestão desenvolvidas com apoio da UFRGS.

A avicultura do Rio Grande do Sul ampliou a conexão com o ambiente acadêmico a partir da assinatura de um Termo de Colaboração entre o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs) e a EPR Consultoria. O acordo foi formalizado em 14 de julho, na sede da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (OARS), entidade que reúne a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sipargs.
A parceria estabelece uma cooperação institucional entre as entidades, com foco na aproximação das empresas associadas ao Sipargs com soluções desenvolvidas a partir do conhecimento técnico e acadêmico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa busca ampliar o acesso a ferramentas de gestão, capacitação e projetos voltados à melhoria de processos dentro das empresas do setor.
A EPR Consultoria, empresa júnior formada por estudantes de Engenharia da UFRGS e apoiada por professores da universidade, possui 20 anos de atuação e já realizou mais de 300 projetos relacionados à otimização de processos, gestão de recursos e melhoria de desempenho organizacional.
Entre as ações previstas no termo estão a divulgação de oportunidades profissionais das empresas associadas ao Sipargs junto aos canais ligados à engenharia da UFRGS, a apresentação da EPR às indústrias avícolas e a participação conjunta em eventos promovidos pelas instituições.
O acordo também prevê a oferta de conteúdos técnicos e palestras conduzidas por professores do Departamento de Engenharia de Produção e Transportes da UFRGS (DEPROT), aproximando demandas práticas das empresas e conhecimento acadêmico.
Para o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a parceria amplia as possibilidades de integração entre universidade e setor produtivo. “A aproximação entre o setor produtivo e o ambiente acadêmico cria oportunidades importantes para a inovação, a qualificação e o desenvolvimento das empresas. Essa parceria permitirá ampliar o acesso a novas ferramentas de gestão e conhecimento técnico, contribuindo para fortalecer ainda mais a competitividade da avicultura gaúcha”, afirma Santos.
Segundo a diretora presidente da EPR Consultoria, Isabela Calgaro, a cooperação permite levar às empresas do setor avícola o conhecimento desenvolvido pelos estudantes e professores vinculados à universidade. “É uma satisfação para a EPR iniciar essa parceria com o SIPARGS. Queremos colocar o conhecimento e a capacidade técnica dos nossos consultores a serviço das empresas do setor, contribuindo para o desenvolvimento da avicultura gaúcha por meio de soluções inovadoras e de alto impacto”, comenta Isabela.
Consultorias e projetos técnicos
Como parte do acordo, a EPR Consultoria disponibilizará 12 projetos de consultoria em condições especiais para empresas associadas ao Sipargs. As iniciativas poderão ser avaliadas individualmente pelas indústrias interessadas, conforme suas necessidades.
Os projetos contemplam áreas como gestão de processos, planejamento e controle da produção (PCP), logística, análise de custos, gestão da qualidade, planejamento estratégico e assessoria empresarial.
A cooperação também prevê ações de divulgação institucional entre as organizações, permitindo que a EPR amplie o contato com empresas do setor avícola e que as indústrias tenham maior acesso a profissionais em formação na área de engenharia.
A expectativa das entidades é fortalecer a troca de conhecimento entre academia e empresas, criando oportunidades de qualificação, desenvolvimento de soluções aplicadas e formação de novos profissionais para a cadeia avícola gaúcha.
Avicultura Avicultura
Como a redução do uso de antibióticos pode aumentar o grau de bem-estar dos frangos de corte
Estratégias de manejo, biosseguridade e alternativas sanitárias ajudam a manter a saúde das aves e atender às novas exigências do mercado.

Observa-se uma crescente pressão, por parte de empresas e consumidores nacionais e internacionais, para redução do uso de antibióticos nas rações utilizadas na produção animal. Esta preocupação baseia-se na possibilidade de indução da resistência cruzada de cepas bacterianas patogênicas ou na possibilidade de o consumidor comprar uma carne de frango contaminada. Além de ser considerado um problema de Saúde Única, a presença de resíduos de antibióticos pode se tornar uma barreira no momento da exportação da carne de frango, que passa por análises sanitárias no país de destino que avalia se o alimento atende às normas exigidas em relação aos antibióticos.
Para enfrentar problemas associados ao uso indevido e da resistência geradas pelos antibióticos, diversos países e organizações passaram a implementar sistemas de monitoramento para supervisionar e regulamentar o uso desses medicamentos. Pesquisas em farmacologia veterinária ainda destacam a necessidade de transição para produtos considerados não antibióticos como alternativas mais seguras e sustentáveis.
Na produção de frangos de corte, problemas pré-existentes como o crescimento acelerado das aves, altas densidade e potencial de estresse aos frangos podem contribuir para o desequilíbrio de sua microbiota intestinal, redução do desempenho, diminuição da imunidade, aumento da mortalidade, levando a um baixo grau de bem-estar animal.
De maneira geral, problemas voltados à microbiota intestinal das aves têm interferência direta das células do sistema imunológico, consideradas parte integrante do intestino, as quais desempenham um importante papel em sua manutenção. Basicamente, as células de defesa se comunicam umas com as outras, por meio do contato célula-célula e/ou mediadores considerados solúveis, funcionando como uma barreira que previne a inflamação do intestino.
Assim, quando a saúde intestinal está comprometida, múltiplos processos são ativados através do eixo intestino-cérebro, afetando direta e indiretamente o estado emocional e o comportamento dos frangos de corte. Geralmente, nos protocolos de avaliação de bem-estar, são incluídos indicadores indiretos de comprometimento da saúde intestinal ou indicadores relacionados a um estágio muito avançado da doença. No entanto, para garantir o bem-estar animal e permitir a intervenção precoce por parte dos produtores, são necessários biomarcadores indicativos de estágios iniciais de doenças intestinais, especialmente de doenças altamente prevalentes.
O uso de antibióticos na produção animal tem sido avaliado desde o final da década de 1960. Países como a Suécia e a Dinamarca já proibiram o uso destes medicamentos na produção animal. Em 2006, toda a União Europeia adotou a proibição o uso de qualquer antibiótico. A medida baseou-se no “Princípio da Precaução”, o qual afirma que, quando a saúde humana e o meio 2 ambiente estão em risco, não é necessário aguardar por uma certeza científica para adoção de medidas de proteção.
A preocupação em relação ao uso inadequado de antibióticos também foi intensificada devido a era da informação, na qual os consumidores passaram a estar mais informados e a demandar maior transparência nos sistemas produtivos. É importante ressaltar que a legislação de alguns países, como os Estados Unidos e a União Europeia, exige monitoramento rigoroso dos produtos cárneos para garantir que não haja resíduos de antibióticos nos alimentos que chegam aos seus mercados.
Assim, observa-se crescente interesse pelo desenvolvimento e uso de produtos alternativos ao antibiótico na produção animal, tais como imunomoduladores, fitoquímicos, probióticos, prebióticos, extratos de levedura, entre outros. Embora os resultados variem e indiquem que as pesquisas devem ser contínuas, tais produtos vêm sendo utilizados, isoladamente ou, mais comumente, em combinações, por produtores em todo o mundo como parte de programas no manejo sanitário.
Dessa forma, faz-se necessário traçar estratégias para a adoção de melhores práticas na produção de frangos de corte para redução da utilização de antibióticos, tais como:
● Biosseguridade dos lotes
● Gestão geral do aviário como limpeza, desinfecção e manutenção da qualidade da cama
● Acompanhamento estratégico dos lotes como qualidade dos pintinhos, prevenção de doenças e boa nutrição

Édina de Fátima Aguiar – Foto: Divulgação

Elaine Cristina de Oliveira Sans – Foto: Divulgação
De maneira geral, na produção de frangos de corte, diversos aspectos devem ser considerados, além da substituição por produtos alternativos aos antibióticos para manter os animais saudáveis, sem comprometer seu bem-estar e ainda seguros para o consumo humano.
Referências bibliográficas com os autores: Édina de Fátima Aguiar – [email protected] e Elaine Cristina de Oliveira Sans – [email protected]



