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Bovinos / Grãos / Máquinas Nova DEP para facilidade de parto

Conheça tecnologia inédita para combater aumento dos partos distócicos em novilhas de raças zebuínas

A ênfase no crescimento foi justificada pelo retorno produtivo e econômico, mas os desafios relacionados a essa abordagem começaram a surgir, trazendo à tona a necessidade de um equilíbrio entre crescimento e bem-estar animal.

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Nos últimos anos, o foco da seleção genética nas raças zebuínas, tradicionalmente voltado para características de crescimento, tem passado por uma grande transformação. A preocupação com os impactos a longo prazo dessa estratégia, especialmente no que se refere ao crescimento em idades jovens e seus reflexos no tamanho adulto, composição da carcaça, fertilidade e produtividade dos rebanhos, está em alta. Historicamente, a ênfase no crescimento foi justificada pelo retorno produtivo e econômico, mas os desafios relacionados a essa abordagem começaram a surgir, trazendo à tona a necessidade de um equilíbrio entre crescimento e bem-estar animal.

À medida que a pecuária de corte avança, a precocidade sexual e a fertilidade têm ganhado posição de destaque no melhoramento genético das raças zebuínas. A antecipação da prenhez, por exemplo, é uma característica que se mostra promissora, devido à alta variabilidade genética aditiva que apresenta, justificando sua adoção como critério de seleção. No entanto, a seleção para maiores taxas de crescimento e precocidade sexual não é isenta de desafios.

Pesquisadores e pecuaristas observaram ao longo dos últimos anos um aumento na incidência de distocia (dificuldade de parto) em novilhas precoces, associada ao maior peso ao nascer do bezerro e à menor idade ao primeiro parto, fatores que impactam negativamente a fertilidade e aumentam a mortalidade dos bezerros.

Atualmente, o peso ao nascer (PN) é a principal característica utilizada como indicativo de dificuldade de parto nas raças zebuínas. As estratégias de acasalamento baseadas em DEPs (Diferença Esperada na Progênie) moderadas a baixas para PN são comuns, com o objetivo de reduzir a incidência de distocia. No entanto, há indícios de que a seleção para baixo PN pode prejudicar o desenvolvimento animal, impactando negativamente o ganho de peso e o peso vivo em idades mais avançadas, o que levanta a necessidade de explorar alternativas genéticas.

Enquanto a facilidade de parto (FP) é uma característica bem estabelecida nas raças taurinas, nas zebuínas os estudos ainda são poucos. Contudo, a seleção direta para FP, associada à seleção para PN, pode ser uma estratégia promissora, com potencial para proporcionar ganhos genéticos a longo prazo, sem comprometer o desempenho dos rebanhos zebuínos. “Este novo enfoque reflete um equilíbrio necessário entre crescimento, fertilidade e bem-estar animal, buscando soluções que sustentem a eficiência reprodutiva e produtiva dos zebuínos no futuro”, enaltece o  PhD em Melhoramento Animal e pesquisador sênior da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), Fernando Sebastián Baldi Rey.

Presidente do Conselho Deliberativo da ANCP, João Carlos Guimarães Giffoni Filho: “Tecnologia veio para ficar e com certeza se tornará o foco dos principais criatórios de seleção” – Foto: Fernando Samura

DEP para Facilidade de Parto de Primíparas

A Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), em parceria com a USP, Unesp e Embrapa Cerrados, realizou um estudo para analisar a importância da adoção da FP como critério de seleção, resultando na criação da nova DEP para Facilidade de Parto de Primíparas. Essa ferramenta foi lançada durante o 28º Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores, realizado em agosto dentro da ExpoGenética 2024, em Uberaba (MG).

O presidente do Conselho Deliberativo da ANCP, João Carlos Guimarães Giffoni Filho expressou seu orgulho em liderar uma gestão que deu um grande passo no melhoramento genético com o lançamento da nova ferramenta. Ele destacou que, com os avanços obtidos em desempenho, qualidade de carcaça e redução da idade ao primeiro parto, era necessário ir além da tradicional DEP para peso ao nascimento. “A tecnologia veio para ficar, para auxiliar os criadores, e com certeza se tornará o foco dos principais criatórios de seleção, integrando o objetivo de seleção dos melhores rebanhos”, frisou.

À frente das pesquisas desde 2018, o PhD em Melhoramento Animal e pesquisador sênior da ANCP, Fernando Sebastián Baldi Rey, destacou os benefícios dessa nova DEP. “Utilizando dados fenotípicos fornecidos pelo programa de melhoramento genético Nelore Brasil da ANCP, o estudo classificou partos de primíparas quanto à necessidade de assistência, constatando que 88% dos partos ocorreram sem assistência, enquanto 12% necessitaram de auxílio”, afirmou.

Os resultados do estudo, segundo o pesquisador, indicam que a correlação genética entre FP e características indicadoras de precocidade sexual das fêmeas é moderada, sugerindo que a seleção para antecipação do parto em novilhas pode aumentar a incidência de distocia, trazendo consequências negativas para a fertilidade.

Por sua vez, Baldi explica que entre peso ao nascer e FP, as estimativas de correlação genética foram moderadas, indicando que a seleção para menor peso ao nascer poderia reduzir a incidência de distocias. “Apesar da correlação genética moderada com FP, a estimativa não é alta o suficiente para afirmar que a característica PN possa servir como indicador direto de FP. Além disso, a seleção para baixo PN pode potencialmente retardar o crescimento animal, dada a sólida e favorável correlação genética entre PN com peso ao desmame e sobreano. Assim, é possível concluir que a FP é um componente que deve ser considerado em primíparas da raça Nelore”, analisa o PhD em Melhoramento Animal.

Neste contexto, a nova DEP para Facilidade de Parto de Primíparas surge como uma ferramenta inovadora para auxiliar os criadores na redução da frequência de partos assistidos, especialmente em novilhas precoces. “Essa nova DEP disponibiliza ao mercado uma ferramenta expressada em probabilidade de parto com sucesso, ou seja, parto com sucesso é parto não assistido”, ressalta, dizendo que embora o peso ao nascimento tenha sido tradicionalmente utilizado como uma ferramenta para controlar problemas no parto, especialmente em relação à duração da gestação, as pesquisas demonstram que ele explica apenas 40% da variabilidade genética associada à facilidade de parto. “Em outras palavras, 60% dos fatores que influenciam a facilidade de parto não estão relacionados ao peso ao nascimento. É nesse contexto que a nova ferramenta desenvolvida será decisiva para auxiliar os criadores a reduzir a incidência desses problemas”, enfatizou.

Durante o 28º Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores, a ANCP também lançou a DEP Maternal para Facilidade de Parto, que considera fatores como a largura da anca e cistos ovarianos, que influenciam na facilidade de parto. “Associada à genômica que, assim como as outras características, tem uma contribuição muito importante para o melhoramento destas DEPs. Através da genômica podemos identificar e selecionar reprodutores ou selecionar fêmeas com menor incidência de partos distócicos e, desta forma, em um animal jovem conseguir saber de antemão se como reprodutor vai trazer ou não problemas ao parto”, salienta Baldi.

O que motivou o estudo

O pesquisador explica que, apesar da melhoria genética da precocidade sexual de fêmeas em rebanhos zebuínos, a incidência de problemas de parto aumentou nos últimos anos, provavelmente devido ao maior peso ao nascimento das progênies e à menor idade ao primeiro parto das novilhas sexualmente precoces, como consequência da seleção para maiores taxas de crescimento e precocidade sexual.

Segundo Baldi, a maioria das raças zebuínas são reconhecidas por uma baixa frequência de problemas de parto (distocia), mas sua incidência aumentou na raça Nelore, podendo chegar a 20% de partos assistidos em alguns rebanhos. “Geralmente, uma menor facilidade de parto está associada a maiores pesos ao nascer, pois os bezerros com alto peso ao nascer são mais suscetíveis à distocia que os bezerros com peso ao nascer baixo ou moderado”, evidencia o PhD em Melhoramento Animal.

“O uso do peso ao nascer do bezerro para indicar dificuldade no parto em novilhas sexualmente precoces compreende até hoje estratégias de seleção e acasalamento que adotam DEPs moderadas a baixas para o peso ao nascer”, complementa o pesquisador, ressaltando que os estudos têm demonstrado uma associação genética de moderada a alta entre o peso ao nascer e os problemas ao parto.

Para o desenvolvimento da nova DEP para Facilidade de Parto em novilhas precoces da raça Nelore foram coletadas desde 2018, com a colaboração de criadores associados, dados fenotípicos de FP de rebanhos zebuínos, totalizando 40 mil registros de FP e mais de 300 mil animais genotipados, dos quais aproximadamente 5% envolvem partos com assistência. “Esses dados incluem tantas vacas precoces, que conseguem parir antes dos 30 meses, quanto vacas não precoces. Entre as fêmeas jovens desafiadas precocemente, entre 12 e 15 meses, a incidência de partos distócicos chega a cerca de 7%, o que acende um alerta para os criadores. E nas vacas primíparas tradicionais, que parem com mais de 30 meses, a incidência de partos anormais é menor”, ressalta.

Estudos preliminares mostram que a nova ferramenta será particularmente útil em situações de animais com DEP para peso ao nascer maior que 1 kg. “A DEP Direta para Facilidade de Parto de Primíparas e a DEP Maternal deverão ser utilizadas de forma complementar junto com a DEP para peso ao nascer na hora de realizar a seleção e o acasalamento dos animais, utilizando os filtros genéticos que oferece o programa de acasalamentos MaxPag da ANCP”, aponta Baldi.

Seleção de touros

O pesquisador afirma que a nova DEP será também uma ferramenta para a seleção de touros destinados a novilhas precoces, especialmente quando utilizada em conjunto com outras DEPs, como Probabilidade de Permanência no Rebanho (Stayability – STAY %), Probabilidade de Parto Precoce (3P – %), Habilidade Maternal, precocidade no acabamento de carcaça e peso, características que contribuem para reduzir a incidência de distocia em novilhas precoces. “Além disso, a DEP Maternal para Facilidade de Parto também está sendo introduzida, uma vez que o parto distócico é influenciado não apenas pelo tamanho e peso do bezerro, condicionados tanto pelo pai quanto pela mãe, mas também por fatores maternos”, expõe.

PhD em Melhoramento Animal e pesquisador sênior da ANCP, Fernando Sebastián Baldi Rey: “A DEP Direta para Facilidade de Parto de Primíparas e a DEP Maternal deverão ser utilizadas de forma complementar junto com a DEP para peso ao nascer na hora de realizar a seleção e o acasalamento dos animais” – Foto: Fernando Samura

Riscos que aumentam incidência de parto distócico

A incidência de parto distócico, ou dificuldade no parto, pode ser influenciada por diversos fatores. Entre os principais riscos estão os fatores genéticos, como o peso elevado ao nascimento do bezerro e a seleção para características de crescimento rápido e precocidade sexual, que podem predispor as fêmeas a partos difíceis.

Fatores fisiológicos também desempenham um papel importante, como a idade das novilhas no primeiro parto, especialmente quando muito jovens, e a condição corporal das fêmeas, com excesso de gordura na pelve dificultando o parto.

O pesquisador frisa que a utilização de touros com alta capacidade de crescimento, comum em programas de engorda, também aumenta o risco de distocia. “A nova DEP para Facilidade de Parto, uma ferramenta inédita para raças zebuínas, foi desenvolvida em resposta ao aumento dos partos distócicos em novilhas, intensificado pelo progresso genético em precocidade sexual e pelo aumento do peso ao nascimento”, menciona Baldi.

Além disso, Baldi diz que o manejo e a nutrição inadequados durante a gestação, como dietas excessivamente energéticas ou deficientes, aumentam os riscos, assim como condições ambientais estressantes e a falta de monitoramento adequado.

Embora a nutrição, especialmente no último terço da gestação, possa ajudar a reduzir a incidência de distocia, estratégias como a redução da alimentação das novilhas nesse período podem comprometer a reconcepção. “É muito importante adotar estratégias nutricionais e de manejo que evitem o aumento excessivo do peso ao nascimento, além de selecionar touros e novilhas com alta facilidade de parto. Isso é fundamental para mitigar esse problema crescente nos rebanhos bovinos brasileiros, especialmente aqueles que utilizam seleção genética avançada e tecnologias de ponta”, enfatiza.

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Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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