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Conheça os sete hábitos das fazendas leiteiras altamente eficazes

Zootecnista Renato Palma Nogueira fez palestra sobre o tema durante 14º Simpósio do Leite, em Erechim, RS

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A cada 11 minutos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um produtor de leite desiste da atividade no Brasil. Apesar de a produtividade da proteína só crescer no Brasil, o número de pecuaristas tem diminuído nos últimos anos. As informações foram repassadas pelo zootecnista Renato Palma Nogueira, durante uma palestra em que ele abordou os sete hábitos das propriedades leiteiras altamente eficazes no Brasil. Nogueira foi um dos protagonistas do Simpósio do Leite, evento que reuniu pesquisadores, profissionais de campo e estudantes do agronegócio, no início de junho, em Erechim, RS. O Presente Rural participou do evento, promovido pela Amevau (Associação dos Médicos Veterinários do Alto Uruguai).

“Nos últimos 20 anos a pecuária leiteira vem crescendo 3% ao ano. No Sul, está crescendo o dobro disso. Mas muitos produtores estão encerrando a atividade leiteira porque não são eficientes em todas as disciplinas. De acordo com o IBGE, o Brasil perde uma propriedade leiteira a cada 11 minutos. Os Estados Unidos perderam 33% das fazendas leiteiras em dois anos. Mesmo assim, a produção também aumentou”, pontua.

Para se manter no mercado altamente competitivo e entregar um produto com as características que a indústria deseja, o produtor precisa estar atento, segundo Nogueira, a sete hábitos principais, comuns nas mais eficientes fazendas do país: “período de transição, sanidade, gado jovem, manejo, reprodução, alimentação e gestão”.

O período de transição em vacas leiteiras é definido como o intervalo compreendido entre as três semanas que antecedem o parto e as três semanas após. Nesse período o animal fica mais suscetível a doenças, por exemplo, como a mastite. De acordo com o zootecnista, essa etapa “representa a única disciplina que afeta todo o desempenho da vaca, como reprodução, longevidade, produtividade e lucratividade”. “Precisamos um plano de contingência para a transição. Cerca de 75% dos problemas que acometem vacas especializadas acontecem no primeiro mês pós-parto”, assegurou o profissional. De acordo com o profissional, entre 30 e 50% das vacas têm problemas, como doenças metabólicas ou infecciosas, no pós-parto imediato.

Para evitar esse tipo de problema, sugeriu o zootecnista, o produtor deve oferecer 15% de sobra de alimento após o parto imediato. “Nesse momento os animais precisam comer bem”, comentou. “É preciso oferecer saúde para essa vaca, no ambiente que vive e com a nutrição ideal”. Ainda segundo Nogueira, “uma em cada quatro vacas deixa o rebanho por causa da transição”.

Um período de transição adequado, segundo Nogueira, reflete em “parto saudável, mínimo de doenças metabólicas, produção de colostro de altíssima qualidade, reprodução adequada em 60 dias, mínimo de perda de peso, consumo adequado no pré-parto, manutenção do status de cálcio, alta produção de leite, fígado saudável, máximo conforto e aumento rápido de ingestão pós-parto”.

Saúde Animal

Manter o animal saudável é fundamental para ter eficiência. Nogueira relaciona o sucesso especialmente ao controle de células somáticas (CCS), de doenças reprodutivas e metabólicas e infecciosas. Ele destaca “os quatro P’s da saúde do bovino de leite: peito, pata, pé e prenhes”

De acordo com ele, o nível de CCS pode não só reduzir a qualidade, mas também a quantidade do leite produzido. “A cada cem mil partículas a mais de CCS, o produtor perde 2,5 quilos de leite”, comenta.

Para ele, o mais importante em uma propriedade leiteira é a prevenção. “A gente não pode tratar a vaca. Tem que prevenir. A prevenção é um dos pontos mais importantes da Medicina Veterinária”, destacou. Nogueira chamou a atenção para vários problemas que podem acontecer e que o produtor precisa estar vigilante, como claudicação (vaca mancando) e estresse térmico.

De acordo com ele, vacas doentes precisam ser descartadas para evitar problemas maiores em todo o rebanho. “Temos que descartar as vacas problemáticas. Não abra mão do plantel por causa de duas, três vacas. Nesses casos é preciso dar um passo para trás pra dar três pra frente”, sugeriu.

Além disso, Nogueira citou como determinante para o controle da sanidade na propriedade leiteira a correta vacinação, práticas de biosseguridade, controle agressivo do estresse térmico, casqueamento preventivo, conforto, plano dos sete pontos de ordenha, além de um profissional veterinário criterioso, realização de exames de rotina e quarentena na compra de animais.

Gado Jovem

Durante o Simpósio do Leite em Erechim, Nogueira enfatizou a necessidade de manter o plantel com boa porcentagem de gado jovem. “Os melhores animais da propriedade estão nessa fase. O animal que está nascendo é cada vez mais refinado, mais sensível, menos caipira. Nós precisamos controlar melhor esse animal, fruto do melhoramento genético”, comentou. De acordo com ele, falhas na recria afetam o potencial produtivo dos animais.

Alimentação

De acordo com Nogueira, a quantidade de colostro ingerida logo nas primeiras horas de vida vai determinar o potencial produtivo daquele animal no futuro. Em uma pesquisa apresentada por ele, vacas que ingeriram menos colostro ao nascimento tiveram seus índices de desempenho menores em várias frentes. “Fizemos um estudo com vacas que tomaram dois e quatro litros de colostro nas primeiras 4 horas de vida. Quem consumiu mais, emprenhou mais cedo, teve menos taxa de descarte, o ganho de peso foi maior na fase de recria, assim como a sobrevivência foi maior na vida adulta, e a produção de leite foi maior”, cometa. De acordo com ele, vacas que consumiram mais colostro deram “1,5 litro a mais de leite por dia em duas lactações”. “É uma única decisão (ofertar o colostro) que muda tudo”, assinala.

De acordo com o profissional, via de regra a dieta de matéria seca deve ser composta por 55% de forragem, 30% de concentrado e 15% de outras matérias-primas. “Cerca de 90% da variação na produção de leite é explicada pelo que a vaca comeu”.

Reprodução

Na recria, Nogueira aponta dois pontos fundamentais para ter sucesso: peso certo na hora do parto e redução da mortalidade. “Importante não é o foco no peso na inseminação e sim o peso no parto. A novilha tem que ter 85% do peso adulto ao parto”, orientou. Além disso, “uma das metas da recria é minimizar a mortalidade”. De acordo com o profissional, cerca de 75% das mortes acontecem nas três primeiras semanas após o parto. Dessas, 65% estão ligadas à diarreia e outros 20% à pneumonia.

Conforme Nogueira, o ideal é que o animal dobre de peso em 60 dias e tenha 50% do peso adulto em 13 meses.

“A reprodução é o limiar entre viver e morrer na pecuária leiteira”, define Nogueira. Para ele, esse processo pode envolve mais de 300 variáveis, e precisa ser feito com rapidez para obter eficiência.  “A reprodução É multifatorial. São mais de 300 variáveis identificadas com problemas para a taxa de concepção ao primeiro serviço. As três primeiras são casqueamento (quando vai secar), cama para vacas secas e PVE (período voluntário de espera)”, comentou.

Ainda conforme o palestrante, outras 300 situações podem afetar a prenhes. “Mais de 300 variáveis foram identificadas com prenhes com 150 dias”. As principais, segundo Nogueira, são espaço de cocho e temperatura de cocho.

Para ele, o produtor precisa “estabelecer metas e ser rápido na reprodução”. Ente as metas, cita, está 100% das vacas inseminadas em 90 dias, taxa de prenhes acima de 20%, menos de 20% de vacas vazias com 150 dias, pouca perda de peso e menos de 6% de aborto.

Manejo

O manejo evolui constantemente e o produtor precisa estar atento às novas práticas. É no que acredita Nogueira, que observa esse ponto da produção como o mais importante. “O manejo é o seu trabalho. Manejo é toda decisão que o homem tem ao lidar com as vacas. Omundo evoluiu, as coisas mudaram, as vacas evoluíram, portanto nós temos que mudar. Se for para melhorar, tem que mudar. Discutir ponto de vista não é guerra. É preciso resolver para chagar aos índices desejáveis. Vamos evoluir para mandar leite para fora e não comprar leite (importar)”, comenta. “Se você (produtor) está fazendo uma coisa da mesma maneira há dez anos, provavelmente está fazendo errado”, cita. De acordo com ele, “80% do resultado da fazenda é manejo e 20% é o balanceamento da nutrição”.

De acordo com ele, o maior problema da pecuária é o estresse térmico. Para tanto, assegura que o produtor precisa fazer “um manejo consistente, com rotina, todo dia, no mesmo horário, a mesma coisa. Consistência é a coisa mais importante do manejo”, encara. Ele citou ainda a importância de uma equipe, dedicada, experiente, que saiba definir e cumprir protocolos”, salientou.

“Eu trabalho em seis estados com leite e sabe porque o Sul cresce mais. Porque lá os produtores dão vitamina i (de “i” morar com as cavas”, brincou Nogueira.

Gestão

A gestão é talvez a ferramenta que mais tenha profissionalizado o pecuarista de leite nos últimos anos. Segundo Nogueira, ter uma gestão eficiente é saber quais os processos que estão dando certo e quais podem ser melhorados, por meio de dados que a própria fazenda oferece. “O que não se mede, não se administra. Temos que gerenciar para ganhar dinheiro. Produzir leite é uma profissão nobre. Precisamos ganhar dinheiro tirando leite”, pontuou.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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