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Avicultura Inovação no controle de salmoneloses

Conheça os benefícios do derivado de extrato de pimenta

Em frangos de corte, devido ao efeito antioxidante e anti-inflamatório, causa o fortalecimento da integridade intestinal.

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Foto: Divulgação/AXiphen

Salmonella enterica subsp. enterica é o agente mais associado a surtos de doenças de transmissão alimentar (DTA) e representa a zoonose mais difundida do mundo. A carne de frango e os ovos de galinha são os alimentos mais vinculados a essas DTA, causadas pelos sorovares Enteritidis e Typhimurium.

No Brasil, a contaminação por Salmonella em carcaças de frangos e derivados varia de 9,15 a 86,7%, evidenciando a presença do patógeno na cadeia produtiva. Os custos relacionados bactéria envolvem um maior período de vazio sanitário, quando detectada na granja, o que reduz a quantidade de lotes produzidos ao ano. No abatedouro, a contaminação por Salmonella implica em aproveitamento condicional da carne, reduzindo a remuneração ao produtor.

FotoS: Shutterstock

As salmonelas não zoonóticas, por sua vez, não afetam os humanos, mas causam redução na produtividade, aumento da mortalidade e da condenação de órgãos e carcaças no abatedouro.

As fezes dos animais contaminados são a principal fonte de disseminação dentro da granja e de contaminação das carcaças nos abatedouros, sendo fundamental reduzir a carga bacteriana no trato intestinal das aves.

Salmonella spp. e resistência bacteriana

As salmonelas presentes no intestino das aves são frequentemente expostas a antimicrobianos promotores de crescimento, podendo contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana das salmonelas é monitorada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em apenas três anos, detectou-se um aumento significativo de resistência a cefalosporinas de 3ª geração, utilizadas como último recurso em muitas infecções humanas, que passou de 12% para quase 20%.

Isso ressalta a necessidade de utilizar composto alternativos ao aditivos convencionais, em soluções que não ocasionem o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Extrato de pimenta: uma alternativa natural para a saúde intestinal das aves

O principal componente ativo do extrato de pimenta é a capsaicina, responsável pela característica pungente desse alimento. Porém, ao

contrário dos mamíferos, as aves não sofrem com efeitos irritantes da capsaicina.

Sua conexão com o receptor inespecífico TRPV1 ativa processos fisiológicos como regulação da pressão sanguínea, inflamação, liberação de neurotransmissores e neuropeptídeos, além da percepção de dor e calor.

Em frangos de corte, devido ao efeito antioxidante e anti-inflamatório, causa o fortalecimento da integridade intestinal. Além disso, estimula o apetite, estimulando a atividade de enzimas pancreáticas e intestinais e aumentando a secreção de bile.

O uso da capsaicina tem apresentado diversos resultados positivos na avicultura: melhora na conversão alimentar, aumento do ganho de peso diário, aumento do peso ao abate, redução do estresse térmico pelo calor, redução da mortalidade, melhora na performance em aves de postura e a redução dos custos de produção.

Fenilcapsaicina: o derivado sintético com ação potencializada

A fenilcapsaicina é o derivado sintético da capsaicina, com tecnologias que potencializam os benefícios da molécula natural. Apresenta maior biodisponibilidade, alcançando concentração plasmática até oito vezes superior com o fornecimento de uma dose menor. Além disso, chega mais rapidamente à corrente sanguínea, acelerando os efeitos sobre o intestino da ave. A liberação específica no intestino, devido ao encapsulamento da molécula, faz da fenilcapsaicina uma solução segura e sem toxicidade.

O uso da fenilcapsaicina para o controle de Salmonella

A fenilcapsaicina apresenta benefícios que não são observados com o uso da capsaicina. Como aditivo alimentar para as aves, pode ter ação sobre bactérias causadoras de infecções intestinais, como Escherichia coli, Clostridium spp. e Salmonella spp.

O efeito antimicrobiano sobre a Salmonella spp. ocorre com o bloqueio de dois mecanismos de patogenicidade dessas bactérias no trato intestinal. O primeiro deles é o quorum sensing (QS), um mecanismo de comunicação entre as salmonelas que facilita a expressão de genes que levarão à formação de biofilme, que favorece a multiplicação do agente e o escape ao sistema imune. A fenilcapsaicina possui a capacidade de interromper a comunicação do tipo QS, prevenindo a formação do biofilme e reduzindo a capacidade de causar doença.

O outro mecanismo é uma condição inflamatória intestinal denominada leaky gut, ou “intestino permeável”. Quando há disbiose intestinal, há um aumento significativo dos níveis de zonulina, molécula que aumenta a permeabilidade do epitélio. Isso favorece a entrada das bactérias nas células intestinais, o que aumenta a inflamação e novamente a permeabilidade, em um ciclo vicioso de destruição da integridade digestiva. A fenilcapsaicina reduz os níveis de zonulina intestinal, quebrando o ciclo de permeabilidade e fortalecendo a barreira da mucosa contra o patógeno.

Os efeitos sobre a comunicação QS de Salmonella spp. e sobre a zonulina não ocorrem com a utilização da molécula natural, sendo observados exclusivamente com o uso da fenilcapsaicina.

A fenilcapsaicina também possui ação indireta sobre a viabilidade da Salmonella, devido à melhora na saúde digestiva decorrente da menor inflamação. Com a saúde intestinal equilibrada e a interrupção dos mecanismos de patogenicidade, a Salmonella spp. permanece dormente e não se multiplica no organismo da ave.

A fenilcapsaicina apresentou resultados positivos, comprovados cientificamente, em diversos estudos. Em um deles, que incluiu 18

granjas e quase 1,7 milhões de frangos, comprovou-se a redução dos efeitos negativos das salmoneloses com a inclusão de fenilcapsaicina na dieta das aves, com 68% da redução da prevalência de Salmonella spp. nas granjas testadas. Em outro estudo, seu uso como promotor de crescimento reduziu em 40% a mortalidade em frangos. Uma terceira pesquisa demonstrou um aumento de 14% na eficiência produtiva das aves.

A fenilcapsaicina é uma estratégia eficaz baseada em um composto natural para o controle de Salmonella, sem toxicidade para aves e suínos, sem resíduos, sem alteração das características organolépticas e, principalmente, contribuindo para o uso de antimicrobianos. Com possibilidades de aplicação tanto nas criações convencionais quanto na produção de frango orgânico, apresentam grande potencial para garantir uma saúde intestinal mais robusta nas aves e diminuir o risco à saúde pública pelo consumo de produtos da avicultura. A composição sintética possibilita alcançar seu alto grau de pureza (98%), uniformidade e eficiência em produção industrial em larga escala, garantindo disponibilidade para o atendimento a diferentes demandas.

As referências estão com o autor. Contato: lucas.altepost@axichem.com.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de avicultura acesse a versão digital de avicultura de corte e postura, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Lucas Altepost, VP de Vendas e Marketing da aXichem AB.

Avicultura

Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária

Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

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Foto: Indea MT

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.

A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.

Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.

“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.

Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.

Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: Assessoria Seapi
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Avicultura

Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango

Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

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Foto: Shutterstock

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias

O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.

No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Avicultura

Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura

Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

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Foto: Shutterstock

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.

Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.

A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.

Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural

Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.

Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.

Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada

A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.

A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.

Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”

Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.

E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.

Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.

Sanidade de precisão

Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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