Avicultura
Conheça benefícios da Arginina, Creatina e Glutamina nas fases iniciais de frangos de corte
A suplementação com os aminoácidos funcionais Arginina, Creatina e Glutamina é uma ferramenta capaz de melhorar os índices zootécnicos e a saúde intestinal das aves nos primeiros dias de vida.

Para falar sobre o assunto, o Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) convidou o professor Arele Calderano, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa, para fazer palestra durante a Reunião Anual da entidade, que aconteceu de maneira online, dias 10 e 11 de novembro.

Professor Arele Calderano, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa: “Os aminoácidos atuam de várias formas, seja no epitélio ou nas funções do epitélio”
“O intestino tem duas principais funções, a digestão e absorção de nutrientes, bem como função de proteção contra agentes nocivos. Para suportar essas funções, o epitélio intestinal é muito complexo. Ele comunica-se com o sistema imune, além de permitir ao hospedeiro ter uma relação simbiótica com a microbiota intestinal. Esse complexo é importante para a saúde dos animais. E os aminoácidos atuam de várias formas, seja no epitélio ou nas funções do epitélio”, iniciou o professor Calderano.
Sua palestra se concentrou na Arginina, Creatina e Glutamina, que são essenciais não somente em momentos de desafios, mas em todos os primeiros dias das aves.
Treonina
“A Treonina é essencial para as aves, as aves não fazem síntese endógena. A Treonia é importante principalmente em desafios de comprometimento da saúde intestinal. Ela tem participação na formação de imunoglobulinas”, evidenciou. Calderano destacou que trabalhos tem demonstrado a importância da Treonia para condições de desafio de E. Coli, com “resposta significativa na melhora da conversão alimentar e recuperação da altura das vilosidades do intestino, melhorou a ingestão de alimento”, entre outros benefícios. Em outro trabalho, frangos desafiados tiveram menos E. coli e Salmonela nas fezes, além de aumento da quantidade de Lactobacillus.
Glutamina
Calderano também destacou benefícios da glutamina, que é sintetizada pelas aves, mas tem demonstrado ser eficaz especialmente em desafios sanitários. “A glutamina é sintetizada, mas é importante em momentos de estresse e desafios entéricos, importante para o desenvolvimento e manutenção da barreira epitelial, aumenta as vilosidades. Por isso é importante em períodos após desafios”, destacou o professor.
Em sua apresentação frisou ainda o papel da Glutamina “como importante precursor de uma molécula que regula o estresse oxidativo”. Em trabalho realizado exposto por Calderano, frangos suplementados tiveram aumento das vilosidades do intestino, melhorando a saúde intestinal.
Arginina
Outro aminoácido funcional de destaque para Calderano é a Arginina, que se torna ainda mais importante porque a ave não produz depois que nasceu. “A Arginina é extremamente importante para as aves, principalmente porque elas não têm síntese endógena”, frisou. “Entre suas funções, ela ajuda na síntese de poliaminas, que têm efeito trófico sobre a saúde intestinal. Esse efeito garante melhor condição intestinal na primeira semana”, pontuou.
A produção de creatina que está presente também nos músculos das aves também é melhor com a suplementação com Arginina, sustenta Calderano. “Outro papel importante da Arginina é a síntese de creatina, ligada ao metabolismo energético. A suplementação de Arginina tem mostrado um aumento linear na concentração de creatina no músculo, além de síntese do óxido nítrico, relacionado ao sistema imune”, destacou, frisando que uma das melhoras nos índices zootécnicos é a conversão alimentar.

Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.



