Conectado com

Suínos

Conheça as metas ambiciosas da Frimesa ​para tornar suas operações mais sustentáveis até 2040

Foco está na redução das emissões diretas nas operações, com a adoção de fontes de energia limpa, como solar, biogás e biomassa.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Frimesa

Maior empresa de abate e processamento de suínos do Paraná e uma das principais cooperativas agropecuárias do Brasil, a Frimesa está avançando de forma decisiva rumo a uma operação cada vez mais sustentável. Com metas claras e compromissos bem estruturados para a próxima década, a cooperativa reforça seu comprometimento com a sustentabilidade no Roadmap Frimesa ESG 2040, documento que prevê todas as ações e áreas de atuação da empresa para reduzir o impacto socioambiental das suas atividades.

Entre as prioridades da Frimesa estão a gestão do uso da água e dos efluentes gerados, áreas sensíveis para a suinocultura. A cooperativa tem investido em tecnologias para garantir que os recursos hídricos sejam utilizados de maneira responsável e que os resíduos sejam tratados de acordo com as melhores práticas ambientais. A eficiência energética também é foco de atenção, com medidas que buscam a redução do consumo de energia e a adoção de fontes renováveis.

O compromisso com a sanidade e o bem-estar animal também está no centro das operações da Frimesa. Com uma suinocultura tecnificada e de alta qualidade, a cooperativa investe em rastreabilidade para garantir, além da saúde dos animais, a segurança dos alimentos oferecidos ao consumidor. “A rastreabilidade é fundamental para assegurar que todas as etapas da cadeia produtiva, desde a granja até a mesa do consumidor, estejam em conformidade com os mais altos padrões de qualidade”, salienta Elias José Zydek, presidente-executivo da Frimesa, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Além dos aspectos ambientais, a empresa também atua fortemente em questões sociais e de governança. A saúde e segurança do trabalho são tratadas com seriedade, garantindo condições dignas e seguras para os colaboradores. A diversidade, a inclusão e a equidade são princípios norteadores nas políticas de recursos humanos da cooperativa, com iniciativas para promover um ambiente de trabalho mais justo e acolhedor para todos.

Para coordenar e monitorar as iniciativas ESG (Ambiental, Social e Governança) foi criado em outubro o Comitê de Sustentabilidade da Frimesa, que será responsável por desenvolver e revisar políticas ESG, monitorar o cumprimento das metas e avaliar os riscos e oportunidades em áreas como mudanças climáticas, gestão de resíduos e segurança do consumidor.

Reúso de água

Presidente-executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “A rastreabilidade é fundamental para assegurar que todas as etapas da cadeia produtiva, desde a granja até a mesa do consumidor, estejam em conformidade com os mais altos padrões de qualidade”

Um dos compromissos sustentáveis da Frimesa é alcançar 10% de reutilização de água até 2025. Para atingir essa meta, a cooperativa tem implementado uma série de medidas em suas plantas industriais. Um dos principais focos é o tratamento avançado de efluentes por meio de Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs), nas quais a água utilizada no processo industrial passa por processos avançados de tratamento, tornando-a adequada para reutilização em atividades não potáveis, como limpeza de pisos e equipamentos externos, refrigeração e para irrigar jardins. “Não realizamos reúso de água nas indústrias, pois atuamos no setor alimentício e a legislação vigente não permite essa prática. Nosso compromisso é garantir o uso de água potável em todos os processos de industrialização, assegurando os mais altos padrões de segurança e qualidade”, salienta Zydek, acrescentando que as plantas industriais estão equipadas com sistemas de captação de água da chuva, que, após tratamento, é utilizada em diversas operações, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade.

Outra frente de atuação da cooperativa é o controle do consumo de água, com meta para reduzir em 10% o consumo nas indústrias até 2030. Para isso estão sendo feitos investimentos em tecnologias de monitoramento e automação, que permitem o acompanhamento em tempo real do uso de recursos hídricos. “A instalação de sensores e sistemas automatizados tem sido essencial para identificar e corrigir desperdícios, além de otimizar o uso em etapas como higienização das linhas de produção e processamento de carne”, menciona Zydek, destacando que essas iniciativas geram ganhos operacionais como a redução de custos, maior eficiência nos processos e uma gestão ambiental mais eficaz.

O presidente da Frimesa adianta que também estão sendo realizados diversos estudos sobre a potabilização da água. “A ideia é realizar um tratamento adicional para tornar a água potável, em vez de descarregá-la nos rios. Além disso, o controle automático da vazão nos pontos de consumo e o monitoramento da pressão também contribuem para a redução de consumo”, evidencia.

Para alcançar essa meta, Zydek explica que A capacitação dos colaboradores também desempenha um papel fundamental nessa estratégia, ressalta o executivo. “Realizamos campanhas internas de conscientização e treinamentos contínuos para promover o uso responsável da água e fortalecer a cultura de economia de recursos entre os funcionários”, afirma.

Biosseguridade em 80% das granjas

Um dos principais pilares para garantir a sustentabilidade e a segurança em sua cadeia produtiva está na implantação da biosseguridade em 80% das granjas até 2025, uma medida importante para assegurar a sanidade dos plantéis e reduzir a necessidade de antimicrobianos. Entretanto, o caminho para alcançar essa meta não está isento de desafios. “A uniformização das práticas entre as diversas granjas, que variam em tamanho e infraestrutura, é uma barreira a ser superada. Além disso, a conscientização dos produtores sobre a importância da biosseguridade e a adaptação de suas operações exigem um esforço coordenado entre a Frimesa e seus parceiros”, ressalta Zydek.

Outro ponto central na estratégia da cooperativa é a gestão de riscos socioambientais e o cumprimento das práticas ESG, metas que a Frimesa também planeja alcançar até 2025. O uso de sistemas de monitoramento para rastrear emissões de gases, resíduos e o consumo de recursos também estão sendo adotados na empresa. “Estamos trabalhando para trazer ferramentas sistematizadas que possam fornecer o máximo de confiabilidade nas informações coletadas, junto a isso vamos adotar pontualmente auditorias in loco em nossos principais fornecedores. Hoje adotamos diversos controles para monitoramento para emissões de gases, resíduos sólidos e líquidos, consumos, destinos e gerações de prevenção”, detalha.

100% das unidades fabris certificadas em bem-estar animal até 2025

Com um olhar atento ao bem-estar animal, a Frimesa se compromete a certificar 100% das suas unidades fabris até o fim de 2025. Para cumprir essa meta, Zydek conta que nas indústrias mais antigas foram realizadas alterações estruturais para melhorar o manejo pré-abate, minimizando o estresse para os animais, contudo, segundo ele, o maior investimento realizado foi na educação de colaboradores que trabalham diretamente com os suínos. “É importante que todos os envolvidos entendam a importância do bem-estar animal e como o trabalho realizado de forma adequada pode contribuir para uma melhor qualidade de vida dos animais, bem como dos colaboradores envolvidos, uma vez que trabalhamos com o conceito de bem-estar único – conexão entre animal, humano e meio ambiente. Também adequamos o sistema de transporte dos animais e o controle dos percursos de forma a reduzir o estresse e o cansaço”, pontua.

Rastreabilidade na cadeia de abastecimento

Alcançar 100% de rastreabilidade na cadeia de abastecimento até 2030 é um dos objetivos mais audaciosos da cooperativa. Atualmente a Frimesa implementa sistemas manuais de rastreamento através de documentações que comprovam desde a origem até o abate dos animais, abrangendo a nutrição, medicação, vacinações, entre outros processos que fazem parte da cadeia produtiva.

Contudo, Zydek adianta que o próximo passo será sistematizar esse processo através de aplicativos que serão utilizados para coleta de dados nas propriedades rurais e posterior integração dos dados com os sistemas da cooperativa. “Essa integração de aplicativos e tecnologias que permitam o monitoramento em tempo real aumenta a transparência de toda a produção e oferece aos consumidores maior segurança e confiança nos produtos com a marca Frimesa, além de reforçar o nosso compromisso com uma produção sustentável e responsável”, enfatiza.

Ampliação das fontes de energia renovável

Daqui a seis anos, a Frimesa projeta atingir 95,7% de fontes de energia renovável em suas indústrias. A transição para fontes de energia mais sustentáveis está sendo conduzida por meio de uma mudança de combinação de estratégias que envolve biomassa, energia solar e biodigestores. Segundo Zydek, com a transição energética em andamento todas as caldeiras devem passar a ser movidas a biomassa. “Para garantir o abastecimento, estamos ampliando nossas áreas de reflorestamento, o que permitirá que 70% do consumo de biomassa nos setores seja atendido por esse recurso renovável”, frisa.

Outra frente é a expansão da sua capacidade de geração de energia solar, com a ampliação do atual sistema para atingir 12% de consumo de energia até 2030. No período também está previsto a ampliação do uso de biodigestores, fundamental para a substituição do GLP, especialmente em processos como a chamuscagem. “Estudos para a aplicação dessa tecnologia estão em andamento em outras áreas, incluindo o transporte”, antecipa Zydek.

Para aprimorar a eficiência energética em todas as unidades industriais está sendo implementada a Comissão Interna de Conservação de Energia (CICE), que ficará responsável por monitorar e implementar boas práticas, além de promover inovações para reduzir o consumo de energia e melhorar as operações.

Outro investimento estratégico da Frimesa é a aquisição de energia no mercado livre. “O próximo passo é garantir o uso de fontes renováveis por meio de contratos com lastro em energia limpa e certificação via IREC (Certificado Internacional de Energia Renovável)”, expõe Zydek.

Embalagens sustentáveis ​​até 2040

Com o propósito de alcançar 50% das embalagens recicláveis, reutilizáveis ou biodegradáveis até 2040, a cooperativa desenvolve e homologa fornecedores de embalagens que são auditadas e possuem certificações em normas reconhecidas pela GFSI (Iniciativa Global de Segurança Alimentar). Zydek ressalta que todas as embalagens da Frimesa passam por avaliações técnicas e testes em linha de produção. “Para verificar o atendimento da meta ESG, as embalagens estão sendo classificadas quanto aos critérios de recicláveis, reutilizáveis ou biodegradáveis, para juntamente com nossos fornecedores, avaliar as alternativas de desenvolvimento para atender a esses requisitos até 2040”, salienta o executivo.

Atualmente, a Frimesa está testando novas embalagens em produtos como salsichas, linha grill e filmes contratados que utilizam resina PCR (resina reciclada pós-consumo). Além de atender aos critérios de maquinabilidade, a cooperativa acompanha o prazo de validade dos produtos, garantindo que os padrões de qualidade não sejam comprometidos.

No entanto, a transição para embalagens sustentáveis ​​apresenta alguns desafios e o principal deles é a viabilidade econômica. “Em sua maioria possuem um custo mais elevado das resinas que atendam aos critérios ESG. Outro ponto a ser considerado está relacionado ao uso em nossos equipamentos, por necessitar de ajustes mais finos, essas embalagens podem apresentar uma maior dificuldade de utilização inicial por terem características diferentes das embalagens atuais”, avalia Zydek.

Meta de Carbono Neutro até 2040

Outro compromisso assumido pela Frimesa é se tornar carbono neutro no escopo 1 – relacionado ao CO2 decorrente das atividades diretas da empresa – até 2040, cujo medição do progresso da cooperativa é feita através do Inventário de Gases de Efeito Estufa, seguindo normas internacionais reconhecidas. O foco está na redução das emissões diretas nas operações, com a adoção de fontes de energia limpa, como solar, biogás e biomassa.

Zydek reforça que a eficiência energética envolve, além da redução do consumo de recursos, a sua otimização nos processos para gerar a mesma quantidade de energia com menos recursos naturais, o que é essencial para atingir a neutralidade de carbono no prazo previsto.

O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Tenha uma boa leitura!

Fonte: o Presente Rural

Suínos

Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
Continue Lendo

Suínos

Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo