Suínos
Conheça a biosseguridade de última geração: do dia zero à granja livre de doenças
Nas últimas décadas, a suinocultura tem aprimorado a implementação de programas voltados à eliminação e erradicação de patógenos que comprometem a integridade sanitária e produtiva das granjas

Nas últimas décadas, a suinocultura tem aprimorado a implementação de programas voltados à eliminação e erradicação de patógenos que comprometem a integridade sanitária e produtiva das granjas. Esses programas, cada vez mais padronizados, se concentram em agentes com alto impacto sanitário, capazes de afetar não apenas a saúde dos animais, mas também seu transporte e movimentação para fins de melhoramento genético ou comercialização para a cadeia de consumo.
Para o sucesso desses programas, o médico-veterinário e mestre em Saúde e Produção Suína, Eduardo Fano, ressalta que é essencial que o setor esteja alicerçado em conhecimentos sólidos sobre os agentes envolvidos. “É fundamental compreender a etiologia e a patologia do patógeno, além de dominar técnicas de diagnóstico, interpretação de resultados e a epidemiologia do agente, incluindo sua dinâmica de infecção”, expôs durante sua participação na PorkExpo 2024, realizada em outubro em Foz do Iguaçu (PR), quando apresentou o conceito de biosseguridade de última geração. “A divulgação de programas de erradicação e eliminação em revistas científicas e conferências também desempenha um papel importante, uma vez que permite que as melhores práticas sejam compartilhadas e replicadas em diferentes contextos”, introduziu durante sua palestra a profissionais do setor.

Além dos fundamentos científicos, Fano também reforça que a aplicação prática desses programas de biosseguridade de última geração exige uma abordagem estruturada e adaptada à realidade regional. Isso inclui a compreensão dos riscos e tendências locais, a adoção de uma cultura de gerenciamento de projetos e o controle rigoroso de processos. “A definição de metas claras e o desenho de programas baseados em fundamentos teóricos, mas com flexibilidade para considerar as limitações regionais, são passos essenciais para garantir resultados satisfatórios”, afirma, ampliando: “É importante que o trabalho seja realizado por uma equipe multidisciplinar, que envolva a coordenação entre profissionais de diferentes áreas. Um coordenador de execução e um coordenador técnico são figuras-chave para garantir que o programa seja implementado de forma eficiente. Reuniões quinzenais e revisões detalhadas dos pontos críticos do programa ajudam a manter o foco e a ajustar estratégias conforme necessário”, salienta.
De acordo com o especialista, entre os patógenos considerados erradicáveis estão a sarna, Mycoplasma hyopneumoniae, os vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), do Seneca Valley, da Influenza Suína (SIV), da Gastroenterite Transmissível (TGE), da Diarreia Epidêmica Suína (PED), do coronavírus respiratório suíno, do coronavírus Delta e da Actinobacillus pleuropneumoniae.
Primeiros passos

Conforme o médico-veterinário, um dos primeiros passos para a erradicação de patógenos é o estabelecimento do dia zero (D0), no qual são realizadas ações como exposição controlada dos animais ao patógeno, vacinação e homogeneização do rebanho para garantir que todos os suínos estejam no mesmo estágio imunológico. Outro ponto destacado pelo profissional é a criação de um calendário de atividades detalhado, que inclui planos, estratégias e programas específicos para cada fase do processo. “Um dos componentes desse calendário é o programa de monitoramento de diagnóstico, que envolve a coleta e análise de um grande volume de amostras. Esse monitoramento contínuo permite a detecção precoce de falhas e a correção de rumos, se necessário”, pontua.
O especialista salienta que a biosseguridade interna também desempenha um papel central, com medidas rigorosas de controle de áreas e processos dentro da granja. Paralelamente, a biosseguridade externa é fundamental para evitar a reintrodução de patógenos, incluindo o controle de visitantes, veículos e materiais que entram na propriedade. “Quando chega o momento da abertura da granja, critérios claros e planos de contingência devem estar estabelecidos para garantir que o risco de reinfecção seja minimizado”, reforça.
Tipos de programas de eliminação de patógenos
Fano destaca que a eliminação de patógenos em fazendas suinícolas pode ser realizada por meio de diferentes abordagens, cada uma adaptada às necessidades e realidades específicas de cada propriedade. Entre os principais tipos de programas utilizados, ele aponta o despovoamento/repovoamento, que envolve a remoção completa dos animais, seguida de uma limpeza rigorosa, desinfecção e repovoamento com suínos livres do patógeno. Já o despovoamento parcial consiste na remoção de apenas uma parte dos rebanhos, geralmente os animais mais afetados, enquanto o restante é tratado e monitorado. Outra estratégia é o teste e remoção, em que os animais são testados individualmente e aqueles positivos para o patógeno são retirados da granja.
Além dessas abordagens, há programas mistos e híbridos, que combinam diferentes estratégias, como despovoamento parcial e medicação intensiva, para aumentar a eficácia da eliminação do patógeno. A medicação intensiva, por sua vez, é utilizada principalmente para o controle de sarna e algumas bactérias, com tratamentos massivos por meio de medicamentos específicos. Outra opção é o despovoamento/repovoamento com programa de serviço externo, em que uma empresa especializada é contratada para realizar o processo, garantindo maior controle e eficiência.
E a depender do grau de contaminação pode ser optado pelo fechamento da granja para interromper a entrada de novos animais por um período determinado, permitindo a homogeneização dos rebanhos e a eliminação total do patógeno. Durante esse tempo, a reposição dos suínos é feita de forma controlada e monitorada. “Cada uma dessas abordagens apresenta vantagens e desafios, sendo essencial a escolha do método mais adequado para garantir a sanidade e a produtividade da granja”, aponta Fano.
Implementação de programas para erradicação de doenças
A implementação bem-sucedida de um programa de eliminação de patógenos depende da aplicação rigorosa de princípios práticos e da documentação detalhada de todas as etapas. O especialista enfatiza a importância da criação de protocolos claros, da definição de responsabilidades e da realização de reuniões regulares para revisão do progresso. “A documentação da granja é essencial não apenas para garantir a transparência e a rastreabilidade, mas também para servir como base para futuros programas e ajustes”, frisa.
Além disso, a comunicação eficiente entre todos os envolvidos, desde os coordenadores técnicos até os operadores de granja, é fundamental para manter o alinhamento da equipe. “A aplicação de princípios práticos, como a definição de metas, a análise contínua de dados e a adaptação às condições regionais, garante que o programa seja eficaz e sustentável a longo prazo”, acentua Fano.
O mestre em Saúde e Produção Suína ressalta que a eliminação de patógenos em granjas de suínos é um desafio complexo, mas alcançável com planejamento, execução disciplinada e a integração de conhecimentos científicos e práticos. “Ao adotar estratégias como o estabelecimento do dia zero, programas robustos de monitoramento de diagnóstico e a aplicação de diferentes métodos de eliminação, o setor está pavimentando o caminho para uma suinocultura mais segura, produtiva e competitiva”, evidencia.
Sistema de classificação para elevar status sanitário
Fano afirma que começar com um rebanho livre de doenças ou negativo para os principais patógenos é uma estratégia que oferece vantagens competitivas, isso porque a saúde dos animais está diretamente ligada ao desempenho zootécnico, à eficiência alimentar e, consequentemente, aos resultados econômicos da produção.
O especialista ressalta a importância de os produtores monitorarem constantemente o status sanitário de suas granjas, garantindo a saúde e a produtividade dos suínos. Para facilitar essa avaliação, ele propõe uma classificação simplificada em três categorias: status verde para granjas livres de patógenos ou doenças; status amarelo para aquelas com presença de algum patógeno ou doença sob controle, em que a situação exige atenção, mas ainda mantém níveis aceitáveis de produtividade; e status vermelho para granjas com patógenos e doenças ativas, que necessitam de intervenções urgentes para evitar perdas significativas. “Essa categorização simplifica a caracterização do status sanitário e também serve como uma ‘estrela norte’ para médicos-veterinários, clientes e a indústria, estabelecendo prioridades claras e reforçando as expectativas em relação ao uso de antibióticos e aos custos sanitários. Além disso, permite correlacionar a saúde dos animais com a lucratividade das fases de creche e terminação, criando um vínculo direto entre sanidade e resultados financeiros”, explica Fano.
Biosseguridade de última geração
Para manter o status sanitário elevado, Fano ressalta que é essencial adotar práticas de biosseguridade de última geração, que inclui a escolha estratégica da localização das granjas, priorizando áreas com menor densidade de produção e menor risco de contaminação, além da gestão cuidadosa de leitoas de reposição, com fidelidade à fonte ou, quando possível, com a implementação de programas de multiplicação interna, que reduzem o risco de introdução de novos patógenos. “A combinação de medidas de biosseguridade de última geração com programas de eliminação de doenças e monitoramento contínuos permite que as granjas mantenham níveis elevados de sanidade, garantindo além da saúde dos animais, a sustentabilidade e a rentabilidade do negócio”, salienta.

Médico-veterinário e mestre em Saúde e Produção Suína, Eduardo Fano: “A combinação de medidas de biosseguridade de última geração com programas de eliminação de doenças e monitoramento contínuos permite que as granjas mantenham níveis elevados de sanidade, garantindo além da saúde dos animais, a sustentabilidade e a rentabilidade do negócio” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Para melhorar os padrões de saúde e biosseguridade na suinocultura, o especialista apresentou o Sistema de Última Geração de Saúde. Este programa, desenvolvido ao longo de décadas, combina avanços científicos, práticas inovadoras e um rigoroso controle de processos para garantir a eliminação e prevenção de doenças, com foco especial no vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRSV).
Fano explica que o projeto foi desenvolvido em três locais de produção, utilizando o modelo MMEW (Multiplicação, Maternidade, Engorda e Terminação), que integra práticas de biosseguridade interna e externa em larga escala. O especialista detalhou a evolução do sistema, resumida em um cronograma que destaca as principais descobertas e avanços.
Antes de 2000 as rotas diretas de transmissão do PRRSV eram limitadas a fatores de risco conhecidos como animais infectados e sêmen contaminado. Em 2000, a disponibilidade de matrizes e sêmen negativo para PRRSV incluía a definição de áreas de distribuição controladas. Entre 2001 e 2005, foram identificadas rotas mecânicas de transmissão, como transporte, pessoas e suprimentos, levando à validação de protocolos de biosseguridade. No período de 2004 a 2010, a transmissão por aerossol foi comprovada, e a filtragem de ar foi validada como uma medida eficaz de controle.
Já entre 2014 e 2022, a transmissão por alimentação foi identificada, resultando na validação de mitigantes como o tempo de armazenamento da ração. Entre 2023 e 2024, o conceito de biosseguridade de última geração foi desenvolvido e testado, posicionando-se como um novo padrão para a indústria. “A biosseguridade de última geração se baseia no controle rigoroso de quatro principais rotas de transmissão de patógenos. As ações diretas ocorrem pelo contato entre animais infectados e suscetíveis (rota direta). As rotas mecânicas envolvem o transporte de patógenos por meio de pessoas, veículos e suprimentos. A rota de alimentação se refere à contaminação da ração por patógenos virais, enquanto a rota de aerossol se dá pela disseminação de agentes infecciosos pelo ar”, detalha Fano.
Para mitigar esses riscos, o especialista menciona que o sistema aplica protocolos de biosseguridade padronizados e baseados em evidências científicas, que inclui auditorias mensais sem aviso prévio, realizadas por profissionais capacitados, e treinamento contínuo da equipe da granja para alcançar alto desempenho. “Além disso, práticas como o sistema ‘todos dentro, todos fora’ e o afastamento das fêmeas reprodutoras dos animais de creche e terminação são adotadas para minimizar a propagação de doenças”, informa, acrescentando: “O Sistema de Última Geração de Saúde representa um marco na suinocultura, demonstrando que a eliminação e a prevenção de doenças são alcançáveis com conhecimento, tecnologia e comprometimento. Este é o caminho para uma suinocultura mais segura, eficiente e preparada para os desafios do futuro”.
O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui.

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



