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Congresso Mundial Brangus começa com visitas técnicas e reúne criadores de 11 países no Brasil
Primeiras giras em fazendas de referência mostram na prática o potencial produtivo da raça e antecedem a programação técnica que ocorre na próxima semana em Londrina (PR).

O Congresso Mundial Brangus iniciou sua primeira etapa com visitas técnicas a propriedades rurais, apresentando na prática ao público internacional o potencial produtivo da raça. No primeiro dia de atividades em Uruguaiana (RS), o evento reuniu quase 500 participantes entre criadores, técnicos, representantes estrangeiros e lideranças da pecuária de corte.
As primeiras agendas ocorreram em duas propriedades de referência na seleção genética da raça: a cabanha Tellechea e Associados e a GAP Genética. As giras técnicas fazem parte da programação prévia do congresso e têm como objetivo aproximar os participantes da realidade produtiva da pecuária brasileira.
Na abertura oficial, o presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, destacou a dimensão do encontro e a representatividade internacional da iniciativa. Segundo ele, o evento reúne participantes de 11 países, mais de 600 animais inscritos e representantes de oito estados brasileiros, que se encontrarão na próxima semana em Londrina (PR), para a programação central do congresso.
Lancsarics também ressaltou o trabalho coletivo que possibilitou a realização do encontro. Em sua fala, enfatizou a força da raça Brangus e o envolvimento de colaboradores, diretores e empresas parceiras na organização do evento.

Foto: Douglas Salgueiro
A primeira visita ocorreu na Fazenda Santa Zélia, propriedade de João Carlos Pinheiro, conhecido como Toco. Após as boas-vindas, os participantes acompanharam a apresentação dos animais e dos sistemas de produção adotados na propriedade. Durante a atividade, foram discutidos diferentes objetivos de seleção genética, alinhados às demandas de mercado observadas nas diversas regiões do Brasil, além de características importantes para atender países vizinhos, como a Argentina.
Na sequência, a comitiva seguiu para a GAP Genética, onde os participantes foram recepcionados para um almoço com carne Brangus produzida dentro do próprio sistema da fazenda, com abate realizado em parceria com o Frigorífico Coqueiro.
Durante a visita, a equipe da GAP apresentou o modelo de seleção genética desenvolvido pela empresa e os resultados obtidos ao longo dos anos no trabalho voltado à pecuária comercial. Atualmente, a propriedade comercializa mais de 500 touros por ano e possui mais de 50 reprodutores em centrais de inseminação.
Com mais de um século de história, a GAP Genética mantém operações no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso. A propriedade é liderada por João Paulo Schneider Silva, conhecido como Kaju, atual presidente da associação da raça.
As apresentações despertaram grande interesse dos visitantes, que participaram ativamente com perguntas sobre diferenças entre linhagens, adaptabilidade dos animais e indicadores de rentabilidade. Os questionamentos foram respondidos pelos criadores com base em números produtivos e rotinas práticas adotadas nas propriedades.
As giras técnicas do Congresso Mundial Brangus seguem percorrendo propriedades que integram a programação oficial do evento. Na última sexta-feira (13), a comitiva esteve na Sigma Brangus; no sábado (14), na Brangus La Estancia; e nesta segunda-feira (16), na Brangus Guapiara. A agenda continua na terça-feira (17), com visita à Brangus HP.

Foto: Grafaels
A proposta das visitas é ampliar a troca de conhecimento entre criadores de diferentes países e apresentar, na prática, a genética Brangus adaptada a distintas realidades produtivas.
A programação central do Congresso Mundial Brangus será realizada de 18 a 21 de março, em Londrina (PR), no Parque de Exposições Governador Ney Braga. O evento contará com uma extensa agenda técnica, incluindo palestras de especialistas como Antonio Chaker e Alcides Torres Scot.
Entre as atividades previstas estão o julgamento de animais rústicos, nos dias 19 e 20, e o julgamento de animais de argola, no dia 21. A programação inclui ainda eventos gastronômicos e leilões entre os dias 19 e 21 de março.
Após o congresso, as visitas técnicas serão retomadas entre os dias 22 e 25 de março em propriedades localizadas no Paraná e no Mato Grosso do Sul. O roteiro inclui a Agropecuária Laffranchi no dia 22; além das fazendas Indaiá e Paraíso das Águas no dia 24; e a Fazenda Bandeirante no dia 25.
Inscrições
A inscrição para o Congresso Mundial Brangus é gratuita e pode ser realizada no site oficial do evento. Já a participação nas giras técnicas, tanto antes quanto após o congresso, é paga separadamente, com informações e valores disponíveis no momento da inscrição.
Mais informações, dúvidas e a programação detalhada podem ser consultadas também no perfil da Associação Brasileira de Brangus nas redes sociais.

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Pecuária brasileira aposta em produtividade, inclusão e transparência para responder às mudanças no consumo global de carne bovina
Recuperação de pastagens, reintegração de produtores à cadeia formal e avanço da rastreabilidade orientam estratégias voltadas à preservação da competitividade e à ampliação do acesso a mercados nacionais e internacionais mais exigentes.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Foto: Breno Lobato
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

Foto: Juliana Sussai
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade,

Foto: Divulgação
ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
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Biocompetitividade é resultado direto da integração do agro
Fórum em São Paulo destacou a integração entre lavoura, pecuária, floresta e indústria como caminho para ampliar a competitividade, a sustentabilidade e a eficiência do agronegócio brasileiro.

O Fórum Integração e Biocompetitividade: a solução brasileira, organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta), reuniu, em março, em São Paulo, autoridades, lideranças, empresários, engenheiros, técnicos, pesquisadores e profissionais do agronegócio para enfatizar como a biocompetitividade é resultado direto da integração entre o setor, as cadeias produtivas e os agentes.
“A biocompetitividade é a consequência natural de um sistema integrado, científico e bem estruturado”, disse Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag. Segundo ele, o agro brasileiro vive uma nova realidade que exige preparo técnico e inovação institucional. “Estamos diante de um novo cenário. Precisamos de capacidade técnica, de um sistema financeiro mais moderno e alinhado às demandas do campo e, principalmente, de integração”.
Por isso, para Carvalho, a conexão entre os elos produtivos é o caminho para consolidar esse novo ciclo. “A integração dos sistemas é fundamental para garantir escala, sustentabilidade e competitividade ao Brasil”.
Sistema ILPF ao produtor de pequeno porte

Fórum Integração e Biocompetitividade: a solução brasileira, organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta), reuniu, em março, em São Paulo – Foto: Gerardo Lazzari
De modo contrário ao senso comum, o Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) também apresenta viabilidade para o pequeno produtor rural, assinalou o professor da Unoeste, Neimar Nagano, no painel “Modelos Produtivos Integrados”, durante o fórum. “A ILPF é para todos, do pequeno produtor, passando pelo médio, até o grande”.
Na liderança do Projeto PPPS (Pequena Propriedade Produtiva Sustentável) da Unoeste, Nagano desenvolve na região do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, iniciativa de capacitação e de transferência de tecnologia para expansão do Sistema ILPF junto a produtores de pequeno porte na região. “Os sistemas integrados têm o potencial justamente para diversificar a renda do produtor de menor porte, com base nas atividades que ele já desenvolve”.
Moderado por Camila Leonelli, gerente de Sustentabilidade da Syngenta, o painel trouxe também o case da produtora Flávia Garcia, gestora da Fazenda Jacaratiá, como exemplo de integração produtiva com geração de valor agregado. “A origem da fazenda era a pecuária. Em determinado momento, enxergamos nas plantas medicinais uma oportunidade de integrar a lavoura a um novo sistema produtivo”. A partir dessa visão, nasceu uma microdestilaria para a produção de óleos essenciais.
João Brunelli Jr., assessor técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), falou sobre o trabalho realizado pela instituição para promover e consolidar a integração produtiva entre diferentes perfis de produtores no Estado de São Paulo e afirmou que cada propriedade é um projeto único, com seus próprios recursos, limitações e capacidades. “O papel da assistência técnica é justamente identificar essas características e construir um plano adequado.”
INDÚSTRIA NA ILPF
O painel Integração Agroindustrial aprofundou o debate sobre a incorporação da indústria aos sistemas produtivos integrados como estratégia para ampliar competitividade e sustentabilidade. O moderador Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag, defendeu a ampliação do conceito de ILPF com a inclusão direta da agroindústria no modelo. “Precisamos acrescentar a indústria ao sistema ILPF. Integrar a indústria ao processo produtivo é fundamental para fortalecer a biocompetitividade”.
Para Walmir Segatto, diretor-presidente executivo da Credicitrus, o modelo de crédito precisa estar integrado ao produtor. “A eficiência operacional nas operações financeiras é essencial para criar margens de receita capazes de sustentar as despesas.” Para Segato, o cooperativismo tem sido vetor desse ciclo virtuoso. “O crédito dentro do sistema cooperativista hoje gera um ciclo produtivo positivo para os associados, não apenas no Brasil, mas com conexão ao mercado global”.
No painel, Álvaro Duarte, diretor-presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) analisou que as organizações de pesquisa perceberam que é preciso combinar financiamento estruturado, participação de empresas e políticas públicas para acelerar o desenvolvimento científico. “Hoje vemos institutos acoplando unidades de pesquisa e desenvolvimento de empresas, criando ambientes colaborativos capazes de desenvolver tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária”.
Governança e sustentabilidade
Durante o painel “Escala, Sustentabilidade e Oportunidade”, Juliana Cibim, sócia da ERM Brasil, destacou a governança como eixo estruturante da integração produtiva, trazendo caminhos para o desenvolvimento da sustentabilidade do ponto de vista social, ambiental e econômico. “A gestão da sustentabilidade precisa estar fortalecida e consolidada dentro do negócio, especialmente em um mundo de incertezas”.
Sobre o papel estratégico do crédito, Victor Bachega, superintendente de Agronegócios no Banco Bradesco, reafirmou a importância de se financiar corretamente, com estratégia e sustentabilidade econômica e a capacidade do Brasil liderar a transformação da segurança alimentar global.
Moderado por Eduardo Bastos, da CCarbon/USP, o painel trouxe também as avaliações de Rui Rosa, diretor executivo da Rede ILPF, sobre a mobilização institucional que consolidou o programa. “A Rede ILPF mobilizou a Embrapa, grupos empresariais e centros de pesquisa para assumir um compromisso real de transformação no campo.” Para ele, a mobilização gera resultados concretos. “Integração significa redução de riscos econômicos, melhoria do IDH regional e múltiplas atividades na mesma área, o que muda a realidade do produtor”.
Para Eduardo Bastos, “o agronegócio brasileiro vai crescer, mas as emissões do setor não, exatamente pelo fato que soluções sustentáveis, que promovem aumento de matéria orgânica no solo e sequestram carbono, como, por exemplo, o Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) registram expansão no setor”.
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Fiscalização flagra descarte irregular de carcaças bovinas no Paraná
Polícia Civil e IAT identificaram carcaças a céu aberto e falhas no manejo de dejetos em propriedade de Carambeí. Responsáveis foram autuados por poluição ambiental e terão de regularizar a área.

Uma ação integrada da Polícia Civil do Paraná e do Instituto Água e Terra (IAT) identificou irregularidades ambientais em uma propriedade rural na região de Carambeí, nos Campos Gerais, na última quinta-feira (09). A operação foi motivada por denúncias de moradores de um condomínio em Ponta Grossa, que relataram forte odor vindo da área.

Foto: Divulgação/PCPR
No local, as equipes constataram o descarte de carcaças de bovinos a céu aberto, sem cobertura ou qualquer tipo de impermeabilização do solo, o que eleva o risco de contaminação ambiental. Também foi verificada a presença de uma lagoa de estrume sem tratamento adequado, indicando falhas no manejo de resíduos da propriedade.
A Polícia Científica do Paraná realizou perícia técnica para dimensionar a extensão dos danos. De acordo com a Polícia Civil, os responsáveis pela fazenda foram autuados por poluição ambiental na modalidade culposa, conforme previsto na legislação, em razão da negligência nos procedimentos sanitários.
Além das implicações criminais, os proprietários foram notificados pelo IAT para prestar esclarecimentos e adotar medidas imediatas de regularização. Também foi aplicada multa pelas irregularidades constatadas.



