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Congresso internacional de bioagrotecnologia projeta Brasil como sede da edição de 2027
Participação em Valência reforça protagonismo do país e articulação com mercados da Europa, África e Américas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou do 7º Congresso e Exposição Mundial de Biotecnologia Agrícola (BioAgTech World Congress & Expo/BAW Congress), realizado na última semana no Palácio de Congressos de Valência, na Espanha. O BAW Congress é uma das principais plataformas internacionais dedicadas a produtos biológicos, agricultura regenerativa e inovação em bioagtecnologia, reunindo lideranças de governo, indústria, academia e associações setoriais de diversos países e continentes, incluindo Europa, Américas, Ásia-Pacífico e África, para discutir os caminhos da transição para uma agricultura mais sustentável e biológica.
Além disso, o congresso se posiciona como um espaço estratégico de diálogo entre o Sul Global e a Europa, com ênfase na harmonização de marcos regulatórios para bioinsumos e na construção de rotas de comercialização que conectem América Latina, África e o mercado europeu. Nesta edição, o evento buscou refletir sobre a convergência regulatória entre mercados.

Foto: Divulgação/BioAgTech BAW Congress
A participação do Mapa e das demais representações brasileiras reafirma o protagonismo do país no ecossistema global de bioagtecnologia. Nesse contexto, o Ministério levou ao debate temas centrais da inovação agropecuária brasileira, como o Plano Nacional de Bioinsumos e a Política Nacional de Recursos Genéticos. “A participação brasileira foi altamente relevante, sobretudo por gerar oportunidades concretas de parceria e qualificar o debate sobre o principal tema do evento, os bioinsumos. Esse protagonismo ganha ainda mais importância considerando que o Brasil sediará o congresso em 2027. Nesse contexto, a aproximação da área técnica nacional com a organização contribuirá para o melhor desempenho do país na realização do evento”, destacou o diretor de Inovação para a Agropecuária da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcos Avelar.
No primeiro dia de congresso, durante o workshop 4, “Gestão de Espécies Invasoras: Integração de Soluções Escaláveis”, apresentado pelo Fórum de Agricultores e Cadeia Alimentar da GBA, o coordenador de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Mapa, Luis Pacheco, conduziu a abertura e contextualizou o problema das espécies invasoras para a agricultura, a biodiversidade e os sistemas alimentares.
No segundo dia, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, participou de forma virtual para abordar a regulamentação da Lei de Bioinsumos, ainda em andamento no Brasil.
Já no terceiro dia, o diretor Marcos Avelar apresentou, na sessão 6, “Liderança em BioAgTech e Guia de Engajamento de Stakeholders Diversos”, o programa Mapa Conecta, plataforma criada para facilitar e promover a conexão entre os atores da inovação, como startups, investidores e ambientes de inovação, com foco na geração de tecnologias para as cadeias produtivas agropecuárias.
A apresentação ocorreu em um espaço dedicado à liderança e à superação de barreiras de comercialização, escala e adoção de mercado em bioagrotecnologia, com a

Foto: Divulgação/BioAgTech BAW Congress
presença de executivos de multinacionais, investidores, varejistas e formuladores de políticas públicas de diversos países.
Os técnicos participaram, ainda, do Conclave da Aliança Global de BioAg, que reúne lideranças globais do ecossistema de bioagtecnologia para diálogos estratégicos reservados.
Brasil sediará congresso em 2027
O BAW Congress é um evento itinerante que, a cada edição, é realizado em um continente diferente, levando o diálogo global sobre bioagtecnologia diretamente aos principais polos agrícolas do mundo.
Após edições na Ásia, nas Américas e, agora, na Europa, o congresso retorna ao Brasil em 2027 para sua 8ª edição, que será realizada em Campinas (SP). A escolha do Brasil como sede reafirma o reconhecimento internacional do país como protagonista no ecossistema de bioinsumos e da agricultura sustentável, além de tornar a participação institucional brasileira nesta edição de Valência ainda mais estratégica, como preparação e fortalecimento de relações para o evento que o país sediará no ano seguinte.

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Preços ao produtor rural caem 9,79% no 1º trimestre
Queda foi puxada por grãos, leite, ovos e suínos, enquanto a arroba bovina registrou valorização no período.

Os preços pagos aos produtores agropecuários registraram queda no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo foi de 9,79%, segundo o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), calculado pelo Cepea/Esalq-USP.
A retração só não foi mais intensa devido à valorização da arroba bovina, que apresentou média superior à registrada no primeiro trimestre de 2025.
O movimento acompanha um cenário de recuo mais amplo nos preços, inclusive no mercado internacional. No mesmo período, o índice global de alimentos do FMI caiu 14,29% em reais. Já os preços industriais recuaram 2,55%, enquanto o real se valorizou 10,12% frente ao dólar.
Segundo o Cepea, a queda mais moderada dos preços no mercado interno, em relação ao cenário externo, indica maior resiliência doméstica. A valorização do câmbio também contribuiu para reduzir custos de insumos importados, enquanto a queda nos preços industriais ajudou a conter despesas de produção.
A retração do IPPA foi puxada principalmente pelos grupos de grãos, cana e café, hortifrutícolas e pecuária. O índice de grãos recuou 9,85%, o de cana e café caiu 16,61%, hortifrutícolas tiveram baixa de 14% e a pecuária registrou queda de 5,73%.
Entre os grãos, houve desvalorização generalizada no período. O arroz liderou as quedas, com recuo de 39,83%, seguido por trigo (-18,24%), milho (-15,35%), algodão (-14,59%) e soja (-4,15%).
Na pecuária, os preços também caíram para a maioria dos produtos, com destaque para leite (-22,97%), ovos (-22,2%), suíno (-13,10%) e frango (-10,68%). A exceção foi a arroba bovina, que apresentou alta de 5,9% no período.
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C.Vale assume unidade estratégica de grãos e insumos no Oeste do Paraná
Operação em Guaíra reforça estrutura de armazenagem e atendimento aos produtores da região.

A cooperativa C.Vale assumiu as operações da cerealista I.Riedi no município de Guaíra. O anúncio foi feito pelas duas empresas no dia 22 de abril.
Com o acordo, a C.Vale passa a operar o escritório localizado na entrada da cidade e a unidade de grãos e insumos na localidade de Maracaju dos Gaúchos, ambas às margens da BR-163. A mudança amplia a presença da cooperativa no município, onde já possui uma unidade na região de Bela Vista, e permitirá o recebimento de grãos e fornecimento de insumos aos produtores.
A estrutura da unidade adquirida conta com capacidade de armazenagem de 21.296 toneladas de grãos, além de secador com capacidade de 120 toneladas por hora, duas máquinas de limpeza, dois tombadores e duas balanças.
Em nota conjunta, as empresas informaram que a operação está alinhada às estratégias de crescimento e fortalecimento no agronegócio, com foco na ampliação da atuação e na geração de valor para clientes, cooperados e parceiros.
A transferência das operações passa a valer de forma imediata após o anúncio.
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Bem-estar animal passa a pesar na análise de risco e no valor da proteína brasileira
Fórum reúne especialistas em 07 de maio para debater como práticas no campo influenciam crédito, reputação e competitividade no mercado internacional.

As perspectivas e os desafios da cadeia de produção de proteína animal no Brasil serão tema do Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance. O evento inédito trará debates em torno da dinâmica de mercado e da cadeia, credibilidade, agregação de valor ao produto e o olhar dos agentes financeiros sobre o tópico em seus painéis.
Organizado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) e por sua idealizadora, a Produtor do Bem Certificação, o evento ocorre no dia 07 de maio no Radisson Blue, em São Paulo (SP). As inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Bruno Bernardo, analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital: “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável” – Fotos: Divulgação/COBEA
A abertura do Fórum terá como tema “Estratégia, política e o papel do agro na nova ordem econômica”, apresentado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua. Em seguida, ele participa do painel “Mercados em movimento: Bem-estar e sustentabilidade na agregação de valor à proteína brasileira”, mediado pela diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sullivan Alves. Participam também o consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado, e a diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara. “O evento vai tratar de um tema extremamente contemporâneo e eu diria hoje real. Ao longo do tempo a gente vem falando em bem-estar animal, vem tratando o bem-estar animal e hoje estamos vivendo na realidade o bem-estar animal. Esse é um evento preparado para tratarmos dos assuntos referentes ao tema e que estamos vivendo na prática”, menciona Delgado.
De acordo com Sheila, eventos e discussões do setor são importantes para avançar no bem-estar animal de forma inclusiva, garantindo que produtores de diferentes portes acompanhem a evolução técnica. “Meu foco na discussão será mostrar como a integração entre eficiência produtiva, bem-estar animal e inovação tecnológica vem se consolidando como um diferencial competitivo na agregação de valor à proteína brasileira. Diante da crescente demanda global, com a população projetada para 10 bilhões até 2050, a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, diretamente ligada à sustentabilidade e à segurança alimentar”, comenta.
A diretora de Sustentabilidade da Seara ressalta que práticas de bem-estar animal são fundamentais para garantir que a produção acompanhe a demanda global de forma resiliente e sustentável. “Para produtores e consumidores, o impacto é direto: quem cumpre metas de bem-estar tende a ser melhor remunerado, mostrando que ser sustentável também é rentável”, destaca.
Agenda ESG crescente

Celso Funcia Lemme, doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da UFRJ:
O segundo painel será “Capital e competitividade: O olhar do mercado financeiro sobre o futuro da proteína animal”, que terá mediação do doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Celso Funcia Lemme. Completam o debate o consultor e sócio-líder da ABC Associados, Aron Belinky; a head de Riscos Socioambientais do Santander, Maria Silvia Chicarino; e o analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital, Bruno Bernardo.
Para o moderador do painel, a agenda ESG pode ajudar o mercado de investimentos a entender e valorizar melhor o bem-estar animal nos setores que envolvem o manejo de animais. “O analista de mercado precisa acompanhar essa mudança em curso. Nem sempre é evidente como as práticas de bem-estar animal impactam o valor de uma empresa, mas a agenda ESG ajuda a tornar isso mais claro, mostrando o tema como um fator de inovação, geração de valor e adaptação às novas demandas da sociedade”, pontua.
Avaliação de risco e gestão

Maria Silvia Chicarino, head de Riscos Socioambientais do Santander: “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco”
Segundo Maria Silvia, do Banco Santander, um marco importante para a agenda ESG no mercado financeiro foi a Resolução CMN nº 4.327, de 2014, que definiu diretrizes para a gestão de riscos socioambientais. Desde então, o tema passou a ser cada vez mais incorporado à análise de risco e às decisões de crédito. “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco. Nesse contexto, o bem-estar animal ganha relevância, especialmente na cadeia de proteína animal, por estar ligado a riscos reputacionais, operacionais e de mercado. No Santander, esse tema já faz parte da análise socioambiental e influencia diretamente a concessão de crédito”, explica Maria.
Ela acrescenta que empresas com boa gestão socioambiental tendem a ter desempenho mais consistente no longo prazo, com maior previsibilidade e resiliência, fatores valorizados pelo mercado financeiro. Também destaca que fóruns como este ampliam a visibilidade do bem-estar animal, promovem o diálogo, alinham expectativas e ajudam a posicionar o Brasil no cenário internacional.
Para Bruno Bernardo, da Régia Capital, o mercado financeiro está caminhando e adotar os protocolos e certificações de bem-estar animal pode ser um divisor de águas para viabilizar o financiamento de produtores rurais. “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável”, pontua.
Ele observa que atrelar boas práticas de bem-estar animal pode contribuir com ganhos financeiros, uma vez que aumenta a eficiência da produção, pode aumentar o valor agregado do produto final e pode vir a reduzir emissões de gases de efeito estufa. “Para os investidores, esse evento reforça uma movimentação do mercado e um amadurecimento do tema no mercado brasileiro”, complementa.
Responsabilidade compartilhada

Fabricio Delgado, consultor em agronegócio e sustentabilidade
Conforme o sócio fundador da Produtor do Bem e cocriador da COBEA, Leonardo Thielo de La Vega, a escolha dos nomes e temas para o evento demonstra e visão estratégica da organização em abranger os vários aspectos chaves que impactam a evolução do bem-estar animal no Brasil. “Teremos uma programação que nos darão uma visão macro de como mercado e cadeia de valor podem atuar conjuntamente para facilitar os avanços, em benefício de ambos no país”, observa.
A diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, acredita que esse primeiro Fórum irá mostrar que o bem-estar animal é hoje uma realidade que traz desafios, mas com amplas oportunidades para quem entender sua importância. “O tema está em evidência e nesse Fórum teremos a oportunidade de conhecer a visão de especialistas de diferentes setores sobre o tema, e como podemos trabalhar juntos para desbloquear suas barreiras no Brasil”, finaliza.



