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Congresso discute qualidade do leite brasileiro
Evento acontece em Lages e reúne representantes de todos os elos dessa cadeia produtiva

Entre os dias 11 e 13 de setembro especialistas do Brasil e do mundo estarão reunidos em Santa Catarina para o 8º Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite. O evento acontece no Centro Serra Convention Center, em Lages e vai reunir representantes de todos os elos dessa cadeia produtiva, além de interessados em geral.
Este é o evento científico mais relevante da área no Brasil e deve reunir mais de 300 trabalhos e resumos, com os resultados mais recentes de pesquisas sobre o tema. O Congresso é realizado pelo Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL), com apoio da Epagri e de outras instituições.
Na programação, discussões relevantes sobre esse alimento, como controle de resíduos tóxicos e qualidade em condições de estresse térmico, na produção orgânica e em condições de confinamento. O evento se propõe ainda a promover uma visão sobre a qualidade do leite na era 4.0 e debates sobre o futuro dos programas de qualidade do leite em função das novas normativas brasileiras. Também serão oferecidos minicursos sobre a utilização de métodos de identificação de agentes de mastite na propriedade e sobre programas de autocontrole nas indústrias de laticínios.
Palestrantes de importantes instituições mundiais vêm ao Estado debater a qualidade desse que é um dos alimentos mais importantes para os brasileiros. Lorraine Sordillo, doutora em imunologia pela Louisiana State University é uma delas. Ela é frequentemente solicitada para falar em reuniões nacionais e internacionais relacionadas à saúde do gado leiteiro e recebeu vário prêmios por sua pesquisa. O Departamento de Agricultura e Ciências Florestais da Universidade de Tuscia-Viterbo, na Itália, estará representado por Umberto Bernabucci, professor de fisiologia ambiental e nutrição de ruminantes. Ainda entre os palestrantes internacionais, destaque para Marcos Muñoz Domon, Ph.D. em Ciência Animal na Universidade de Cornell (EUA) e presidente do Comitê de Monitoramento de Leite de Qualidade daquele país.
A eles se juntam palestrantes de destacadas instituições de ensino e pesquisa do Brasil, como Mônica Maria Oliveira Pinho Cerqueira, Doutora em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição na qual é professora titular. Ela é membro da Comissão Científica Consultiva em Tecnologia de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Vice-presidente do CBQL. A Embrapa será representada por Maria Aparecida Vasconcelos Paiva Brito e Alessandro de Sá Guimarães. Também estarão presentes palestrantes da USP e da Udesc, entres outros.
Santa Catarina é o quarto produtor nacional de leite. De acordo com o Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepa), ao longo dos anos recentes, a produção catarinense cresceu de maneira muito mais significativa do que a da maioria dos estados. Segundo os dados mais recentes, o Oeste responde cerca de 80% da produção catarinense, seguido pelo Sul do Estado. Os dados da Epagri/Cepa mostram ainda um significativo crescimento da produtividade do rebanho leiteiro catarinense, o que explica a maior parte do crescimento de 103,1% da produção leiteira catarinense verificada entre 2006 e 2017.
Em 2018, nada menos de 24,5 bilhões de litros de leite chegaram à mesa dos brasileiros, seja na forma líquida ou em derivados.

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Custos de suínos e frangos encerraram ano de 2025 em crescimento
Levantamentos da CIAS mostram recuperação no segundo semestre com pressão da ração e impacto direto sobre os índices de produção em Santa Catarina e no Paraná.

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte encerraram o ano de 2025 em crescimento, após acentuada queda no primeiro semestre, conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível clicando aqui.
Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,48 em dezembro, alta de 0,99% em relação ao mês anterior, com o ICPSuíno chegando aos 370,68 pontos. O índice encerrou o ano registrando aumento de 4,39% em 2025. A ração, responsável por 71,67% do custo total de produção em dezembro, subiu 1,71% no mês e 1,82% no ano.
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 0,51% em dezembro frente a novembro, passando para R$ 4,65 e com o ICPFrango atingindo 360,21 pontos. Apesar disso, no acumulado de 2025, a variação foi negativa, de -2,81%. A ração, que representou 62,96% do custo total em dezembro, subiu 1,38% no mês, porém com queda acumulada de 8,92% no ano. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,13% do total), caíram 1,90% no último mês do ano, mas com um aumento acumulado em 2025 de 14,82%.
Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.
Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar, além de uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte, disponível no site da CIAS.
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Adapar amplia prazo de plantio da soja para produtores de sementes no Paraná
Medida ajusta o calendário da safra 2025/26 por impactos climáticos mantém o Vazio Sanitário obrigatório e reforça a fiscalização fitossanitária no Estado.

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir César Martins, assinou nesta terça-feira (13) o documento que amplia o período de plantio da soja no Estado, ajustando o calendário de semeadura em razão dos impactos provocados por fatores climáticos na safra 2025/2026. A medida atende especificamente os produtores de sementes de soja que enfrentaram atrasos na liberação das áreas agrícolas por conta de condições adversas que comprometeram o ciclo de culturas antecessoras, como milho e feijão. “Como o Paraná é um dos maiores produtores de semente, neste momento está sendo realizado o cadastro das empresas. A partir daí será iniciado o processo de fiscalização com relação à questão da produção de sementes”, afirma Otamir Martins.
A ampliação do tempo de plantio está formalizada por meio da portaria N° 024, de janeiro de 2026, da Adapar, e é válida exclusivamente para áreas destinadas à produção de sementes de soja no Paraná. Mesmo com a mudança no calendário, o Vazio Sanitário da soja permanece obrigatório, sendo previsto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio de uma portaria específica do governo federal. “Esse período – o Vazio Sanitário – não pode ser inferior a 90 dias consecutivos, e deve respeitar as datas já estabelecidas na safra em desenvolvimento”, observou o chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar, Paulo Brandão.

O Vazio Sanitário é uma das principais ferramentas no combate à ferrugem asiática da soja, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que pode provocar perdas severas na safra. Durante esse período, é proibida a presença de plantas vivas de soja no campo, incluindo plantas voluntárias, com o objetivo de reduzir o patógeno no ambiente e retardar sua ocorrência na safra seguinte.
Segundo Brandão, a ferrugem asiática da soja é comum no campo e faz parte do manejo fitossanitário. “O Vazio Sanitário da cultura deve ser adotado sempre por todos os agricultores, em benefício dos mesmos, e é implementado de acordo com critérios técnicos”, afirmou.
Ele destacou que as ações de fiscalização e monitoramento “serão realizadas de modo aleatório, com o acompanhamento por parte dos fiscais de defesa agropecuária da Adapar, com os dados recebidos e acompanhados pelos responsáveis técnicos das cooperativas e casas agropecuárias”.
Pelas normas da Adapar, os produtores aptos a plantar soja devem cumprir os seguintes critérios: atender às exigências quanto à produção de sementes previstas pelo Mapa; comunicar o local de cultivo à Adapar com antecedência de cinco dias da data de semeadura; garantir a colheita ou interrupção do ciclo antes do início do Vazio Sanitário em sua região; e preencher o formulário oficial obrigatório.
Além de atender a uma demanda concreta do setor produtivo, a medida que permite ampliar o plantio de soja está alinhada ao Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja e às estratégias de racionalização do uso de fungicidas, contribuindo para a sustentabilidade da produção agrícola paranaense.
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Agro de Rondônia atinge R$ 30 bilhões em 2025 com liderança da pecuária
Com crescimento acima da média nacional, o estado consolida a pecuária como principal motor do VBP.

O agronegócio de Rondônia encerra o ciclo de 2025 com um crescimento expressivo em seu Valor Bruto da Produção (VBP). Segundo dados divulgados em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado atingiu o montante de R$ 30.832,09 milhões, uma alta nominal de 20,2% em relação aos R$ 25.647,00 milhões registrados em 2024.
O desempenho rondoniense ganha destaque ao ser comparado com a dinâmica nacional. Enquanto o VBP do Brasil cresceu cerca de 14,5% no período (passando de R$ 1,23 trilhão para R$ 1,41 trilhão), Rondônia acelerou acima do índice federal, demonstrando um fôlego produtivo que descola da média do país, apesar de sua participação ainda representar 2,18% do bolo total brasileiro.
A estrutura produtiva do estado mantém uma forte inclinação para a pecuária, que responde por 57% (R$ 17.631 milhões) do VBP estadual, enquanto as lavouras detêm os 43% (R$ 13.201 milhões) restantes.
No ranking de produtos, cinco atividades concentram a maior parte da receita:
Bovinos: Liderança absoluta com R$ 15.904,0 milhões.
Soja: Principal commodity agrícola, atingindo R$ 4.761,0 milhões.
Café: Setor tradicional com faturamento de R$ 4.269,8 milhões.
Milho: Importante componente da raça animal, somando R$ 2.707,7 milhões.
Leite: Fechando o “top 5” com R$ 1.211,0 milhões.
Crescimento Estrutural
O gráfico histórico revela que o avanço de 2025 não é um evento isolado. Desde 2018, quando o VBP era de R$ 15.720 milhões, o estado iniciou uma trajetória ascendente consistente. Em sete anos, Rondônia praticamente dobrou seu valor de produção (+96%).
Este movimento sugere um crescimento estrutural, possivelmente ancorado na expansão da área plantada de grãos e na melhoria da produtividade do rebanho bovino, saindo do patamar de R$ 20-21 bilhões entre 2021/2022 para romper a barreira dos R$ 30 bilhões em 2025.
Apesar do salto de 20% no último ano, Rondônia ocupa a 12ª posição no ranking nacional (conforme a tabela de Estados). O principal desafio técnico reside na concentração produtiva.

A dependência da pecuária de corte e da soja torna o VBP estadual altamente sensível às oscilações de preços internacionais (commodities) e a crises sanitárias. A baixa participação de produtos como Suínos e Cana-de-açúcar aponta para um agro que, embora robusto em suas áreas de domínio, ainda carece de maior diversificação industrial e de valor agregado em cadeias menores. A manutenção do crescimento dependerá da capacidade do estado em manter os ganhos de produtividade em grãos e assegurar o status sanitário de seu rebanho bovino, o pilar de sua economia rural.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



