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Congresso Brasileiro do Cooperativismo reúne as principais lideranças para discutir o futuro do setor

O CBC 2019 abre seu primeiro dia de discussões reunindo 1500 líderes e representantes de todo o Brasil e anuncia o lançamento da Agenda Institucional

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Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização Brasileira de Cooperativismo, na abertura do 14º CBC - Foto: Tereza Sá Kardel

Nesta quarta-feira, 08 de maio, teve início a 14ª edição do Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), realizado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Com foco no futuro do setor e na sua perenidade, o evento reúne, em Brasília, 1500 líderes e representantes de cooperativas de todo o País, autoridades, embaixadores e a Frente Parlamentar Cooperativista (Frencoop) em torno de seis temas a serem abordados durante os três dias de congresso: Comunicação, Mercado, Governança & Gestão, Intercooperação, Inovação e Representação. Em 2019, o CBC também comemora os 50 anos da OCB.

A abertura oficial foi realizada por Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, que comentou sobre a importância da atenção em torno do futuro do setor (que atualmente gera aproximadamente 394 mil vagas de emprego formal no Brasil) e em torno da preservação e continuidade dos valores cooperativistas. “O cooperativismo não pode transgredir os seus valores. Integridade é fundamental”, disse o presidente, que também apresentou o slogan da edição 2019 do evento: O cooperativismo do futuro se constrói aqui.

O palco do auditório principal do Complexo Brasil 21 recebeu, ao lado de Márcio Freitas, o ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes; o presidente da Frencoop, deputado Evair de Melo; e o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo de Tarso Sanseverino. Os representantes anunciaram o lançamento da 13ª edição da Agenda Institucional do Cooperativismo, instrumento importante para dar visibilidade às causas defendidas pelo setor ao poder público.

Durante os próximos dois dias, o congresso abrirá as portas para palestras e atividades em torno das discussões sobre o futuro do cooperativismo, finalizando na sexta-feira, dia 10, com uma plenária sobre as diretrizes para os próximos anos do setor.

 

Agenda do cooperativismo

Além da versão impressa, a Agenda Institucional do Cooperativismo também foi lançada em formato digital. O documento foi dividido em Legislativo, Executivo e Judiciário e apresenta 36 projetos de lei de interesse, que englobam desde os ramos Saúde, Crédito, Consumo, Educação, Infraestrutura e outros.

“O cooperativismo tem apontado sua capacidade de gerar respeito nas entidades políticas. Nós temos um programa de educação política, que tem o intuito de mostrar com clareza que não temos uma bandeira ideológica partidária. Cooperativismo é neutralidade. Por isso, nós devemos participar do processo político do país: fazer uma militância permanente que abra as portas para o reconhecimento do cooperativismo. A OCB é uma representação nacional, o congresso tem que perceber a relevância dos nossos mais de 14 milhões de cooperados, portanto, quase 60 milhões de brasileiros. Somos uma força icônica e social. E por isso temos um papel fundamental no processo democrático”, comentou o presidente Márcio Lopes de Freitas durante entrevista coletiva.

 

Jovens embaixadores: empreendendo, com visão de futuro

Uma das iniciativas em torno do congresso foi a seleção de um grupo de mulheres embaixadoras do cooperativismo, e outro de jovens embaixadores. Para o primeiro, 493 mulheres de 23 estados brasileiros  e inscreveram e as 20 escolhidas criaram uma carta manifesto, que foi lida no palco por Daniela Voguel, do Sicoob Credi de Santa Catarina. O texto ressalta que a quantidade de lideranças femininas no cooperativismo vem crescendo aos poucos e que o preconceito ainda é grande. Entre outros pontos, o manifesto pede por mais espaço para as mulheres, pela criação de mais comitês femininos, equiparação salarial, campanhas e evento de reconhecimento.

O grupo de jovens, representado no palco por Pamela Fernandes, recebeu 170 inscrições e os 20 escolhidos também fizeram seu manifesto, que traz o pedido de inserção da cultura cooperativista desde cedo para os jovens, incentivando, investindo e criando oportunidade para o público.

Finalizando a abertura do congresso 2019, subiram ao palco Roberto Rodrigues, embaixador da FAO para o cooperativismo; Ariel Guarco, presidente da Aliança Cooperativa Internacional; e Graciela Fernandez, presidente da ACI Américas. Em sua fala, Roberto propõe ao setor que cada cooperativa do Brasil tenha em seu conselho de administração pelo menos uma mulher e um jovem. “O espaço existe e ele deve ser concedido”, reforçou o embaixador. Ao final, Graciela entregou ao presidente Márcio Lopes de Freitas uma placa em homenagem ao aniversário de 50 anos da OCB.

Fonte: Assessoria

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O Cerrado entre o desenvolvimento e a destruição

Maior fronteira agrícola do país, o bioma concentra parte da expansão da produção de grãos, enquanto especialistas, produtores e comunidades divergem sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais desse modelo de desenvolvimento.

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O agronegócio do Brasil é apontado como motor do crescimento econômico do país. Por outro lado, é criticado pelo potencial de concentração de terras e renda, além dos danos ambientais em larga escala. Entre os problemas está o desmatamento da savana brasileira, o Cerrado, tido como berço das águas por sediar as nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas do país. Para pesquisadores, ambientalistas e ativistas, o avanço do desmatamento no bioma coloca em risco a segurança hídrica do país ao agravar a redução das vazões dos rios.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Tribunal Permanente dos Povos (TPP), que reúne 56 movimentos sociais, acusa estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior de ecocídio do Cerrado, que é o crime de destruição do bioma. E chamam de genocídio o que ocorre com povos tradicionais expulsos dos seus territórios. “O veredito do júri foi unânime na condenação e reconhecimento da responsabilidade objetiva e compartilhada entre Estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior, pela destruição e perda do ecossistema do Cerrado como um todo”, diz o documento de 2022.

A savana mais biodiversa do planeta já teve sua vegetação nativa suprimida em 47,9% ao longo da história, segundo dados do Mapbiomas. As atividades agropecuárias são as que mais pressionam o Cerrado, ocupando 24% do bioma após expandir sua área de atuação em 74% entre 1985 e 2024.

Do Cerrado ainda em pé, quase metade (47,8%) está na região do Matopiba – região que abarca Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde se concentram as maiores taxas de desmatamento do bioma e onde segue ativa a expansão da fronteira agrícola brasileira.

O que é agronegócio?
Antes de delimitar a contribuição econômica dessa atividade, existe uma disputa em torno do que pode ser considerado agronegócio. O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e

Foto: Divulgação

economista Danilo Araújo Fernandes alertou que há setores do agro que tentam incluir toda produção agrícola dentro do conceito, mas que é preciso diferenciar o agronegócio da chamada agricultura familiar. “Agronegócio é um termo meio fantasia que é muito genérico. Eu classifico de agro essa agricultura patronal, ou seja, onde você tem a massa da mão de obra assalariada, em grande parte mecanizada, mas não necessariamente”, explicou.

Para o professor de economia política da Universidade Federal do Pará (UFPA) Gilberto de Souza Marques, o termo agronegócio deve ser restrito aos grandes conglomerados econômicos controlados por complexos financeiros de larga escala, que financiam, junto com o Estado, toda essa atividade. “O agro, na realidade, é a grande produção, as grandes propriedades, os grandes conglomerados e os grandes complexos financeiros”, classificou.

Peso econômico
Ao mesmo tempo em que acumula danos ambientais, o agronegócio brasileiro é tido pelos governos e especialistas como fundamental para economia do país, ao criar superávits na balança comercial que ajudam a estabilizar a moeda, além de gerar renda e empregos e impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O setor primário – que reúne agricultura e pecuária, mas também mineração – foi diretamente responsável por 6,2% do PIB em 2024. Porém, pesquisas apontam que o peso do agro pode chegar a até 25% do PIB quando considerado o efeito cascata dessa produção nos setores de transporte, insumos e da agroindústria, conforme calcula a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No primeiro trimestre de 2025, o governo federal comemorou o crescimento do PIB puxado pelo agronegócio. O setor cresceu 2,9% se comparado ao primeiro trimestre de 2024. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 12,2%. “O agro foi o grande responsável por esse crescimento. É a força da economia brasileira puxada pela agropecuária”, destacou, à época, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Muito além do PIB
Para o economista da UFPA Danilo Fernandes, que estuda o desenvolvimento econômico sustentável, não podemos limitar a avaliação do papel do setor ao PIB, sendo necessário incluir na equação a área total que a atividade usa para gerar essa riqueza. “Não é só o PIB. Quanto você imobiliza o território nacional para produzir aquele PIB? O quanto você destrói de outras possibilidades, de desmatamento, de impacto sobre a biodiversidade? Ou seja, naquele momento você gera uma riqueza que usa bastante terra, desmata a floresta, destrói a biodiversidade e pode diminuir o nível da chuva”, ponderou.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de reconhecer a importância econômica do agronegócio empresarial para a economia nacional, o professor Danilo Fernandes defende que é preciso barrar a expansão desse modelo para novas áreas. “O agro é importante, portanto, a gente não pode eliminar o agronegócio. Esses empresários têm um papel muito grande na economia, na política e na influência cultural. Mas a gente precisa, de alguma forma, conter essa expansão”, afirmou.

Negócio financiado pelo Estado
Os economistas destacaram que o agronegócio brasileiro se tornou um dos mais competitivos do mundo graças ao apoio do Estado ao longo das últimas décadas. Atualmente, o Brasil lidera a produção do principal grão do mercado mundial, a soja, com 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025, o que representa 40% de toda produção mundial.

Em seguida, vêm os Estados Unidos (EUA), com 118 milhões de toneladas, e, em terceiro, a Argentina, com aproximadamente 51 milhões de toneladas, volume semelhante ao que é produzido apenas no Mato Grosso (MT).

Segundo os pesquisadores, fatores que contribuíram para a competitividade do agro brasileiro foram terras abundantes e baratas, em alguns casos fruto da grilagem; e o apoio estatal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal que desenvolveu tecnologias que permitiram a expansão das culturas para regiões mais áridas, como o Cerrado.

Os especialistas também destacam os incentivos fiscais, em especial por meio da Lei Kandir, de 1996, que isenta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos primários ou semielaborados usados na exportação.

Ao criticar iniciativas de mudanças na Lei Kandir no Congresso Nacional, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, reconheceu o

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

papel fundamental da medida. “A Lei Kandir permitiu que os produtos agropecuários brasileiros se inserissem no mercado internacional de maneira competitiva, chegando a tornar-se um dos setores mais dinâmicos da economia nacional e um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo”, enfatiza.

Além disso, o setor é beneficiado com centenas de bilhões de reais anuais em empréstimos com juros subsidiados por meio do Plano Safra do governo federal. Em 2025, o valor bateu o recorde de R$ 516,2 bilhões. Já para a agricultura familiar, o total destinado foi de R$ 89 bilhões no ano agrícola 2025/2026.

Para o professor de economia política da UFPA, Gilberto de Souza Marques, a capacidade de geração direta de empregos do agronegócio empresarial é limitada diante do montante de capital envolvido. “E, principalmente, diante do montante de isenção fiscal que o Estado dá para esses setores e de crédito subsidiário que o Estado concede, além de outros favores”, menciona.

Dados do Censo de 2022 apontam que 7,5% da população total ocupada no Brasil está na agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. O dado não diferencia agricultura familiar da empresarial.

Como foi o Estado que direcionou a economia brasileira para o agro de exportação, por meio de décadas de investimentos, o economista Danilo Araújo Fernandes avalia que deve ser o Estado a projetar outro tipo de expansão econômica que seja social e ambientalmente mais sustentável. “Se não quero a expansão do agro, que tipo de expansão econômica queremos? Aí entra outra discussão. Quais as alternativas que você tem para o desenvolvimento de regiões como o Matopiba ou Amazônia?”, questiona.

Foto: Divulgação

Mercado interno de alimentos
E se os incentivos fiscais do governo dão competitividade aos produtos nacionais no mercado mundial, o economista Danilo Fernandes, por sua vez, destacou que o apoio ao agronegócio de exportação, ao longo das décadas, contrasta com o apoio à agricultura voltada para o mercado interno, o que teria criado distorções que prejudicaram o abastecimento nacional, pressionando o preço dos alimentos aqui no Brasil. “Esse apoio do Estado foi sendo direcionado aos poucos, com muito investimento, para o mercado externo. Ao mesmo tempo, o mercado interno ficou dependendo da agricultura familiar que, por sua vez, recebeu muito menos apoio. Durante o regime militar, por exemplo, é absurda a diferença”, disse.

Com a redemocratização do país, na década de 1980, Fernandes disse que o Estado voltou elaborar políticas focadas na agricultura familiar, em especial por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), criado em 1995. O atual governo afirma que aumentou em 47,5% o valor do Pronaf em relação à gestão anterior.

Foto: Divulgação

Domínio internacional
Enquanto o Brasil participa como um dos maiores produtores mundiais de alimentos, esse mercado é controlado, em sua maior parte, por quatro grandes conglomerados multinacionais. “Elas controlam entre 50% e 80% do mercado mundial de grãos do planeta, dependendo da estimativa. De toda forma, isso é um absurdo em relação à concentração de mercado”, afirmou o economista Gilberto Marques.

Devido a essa estrutura de oligopólio, o especialista argumenta que essas multinacionais exercem amplo controle do mercado, incluindo dos preços, e financiam boa parte dos produtores brasileiros por meio de compras futuras. “Eles não são, em geral, produtores. São controladores do mercado. E hoje, em grande medida, são financiadores também. Eles já fazem contratos com preços fixados para as safras seguintes. E muitas vezes, nesses contratos, eles já adiantam parte do pagamento. Nesse sentido, o produtor direto, o chamado agro brasileiro, fica ali preso a eles”, explicou.

Por conta dessa dinâmica, o empresário brasileiro só tem ganhos em uma economia de escala, ou seja, de grandes proporções. “Esse preço tem uma margem pequena de lucro, mas, quando você produz em enorme quantidade, isso se transforma numa massa de lucro grande. E essa economia de escala, por outro lado, impõe que essa produção seja uma produção cada vez mais mecanizada, o que repercute em um baixo nível de emprego”, acrescentou

Fonte: Agência Brasil
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Brasil intensifica negociação com os Estados Unidos para evitar tarifa de até 25%

Equipes técnicas dos dois países retomam as tratativas na próxima semana para tentar fechar um acordo antes de 15 de julho, prazo estabelecido por Washington para decidir sobre a aplicação das novas tarifas.

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O governo brasileiro e os Estados Unidos decidiram acelerar as negociações para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após uma reunião de alto nível realizada na última quinta-feira (02), representantes dos dois países concordaram em intensificar o diálogo técnico já no início da próxima semana e preparar um novo encontro ministerial antes de 15 de julho, data-limite estabelecida por Washington para definir eventuais medidas comerciais.

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural

Participaram da reunião o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo nota divulgada pelo ministério, o encontro foi considerado construtivo, mas as partes reconheceram que ainda será necessário aprofundar as discussões para reduzir divergências e detalhar propostas.

O objetivo é chegar a um entendimento antes que o governo norte-americano conclua a investigação comercial e decida sobre a adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros.

Quarta reunião

O encontro marcou a quarta reunião de alto nível entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer. As anteriores ocorreram em 19 e 28 de maio e em 13 de junho, além de diversas reuniões técnicas realizadas entre as equipes dos dois países.

Segundo o MDIC, as conversas seguem a orientação definida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em 7 de maio, quando os dois governos decidiram buscar uma solução negociada para a agenda comercial bilateral.

Seis temas concentram as negociações

As discussões giram em torno dos seis pontos da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Entre os temas em análise estão:

  • comércio digital;
  • tarifas preferenciais;
  • combate à corrupção;
  • proteção à propriedade intelectual;
  • mercado de etanol;
  • desmatamento ilegal.

Durante a reunião, o governo brasileiro voltou a contestar críticas apresentadas por Washington sobre políticas nacionais relacionadas ao comércio digital, aos sistemas de pagamento eletrônico,

Foto: Allan Santos/PR

incluindo o Pix, e a decisões do Judiciário brasileiro.

Governo admite corrida contra o tempo

O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo trabalha para construir um entendimento antes do encerramento do prazo estabelecido pelos Estados Unidos. “Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, enfatizou.

Segundo o ministro, o avanço das negociações tem sido prejudicado por fatores externos que acabam alterando o ritmo das conversas. “Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar”, declarou.

Ministro critica interferência política nas negociações

Durante evento realizado no Rio de Janeiro, Márcio Elias Rosa também criticou, sem citar nomes, brasileiros que, segundo ele, transportam disputas políticas internas para uma negociação comercial entre os dois países.”Essas pessoas poluem o debate político, ou colocam num debate econômico comercial um debate político que não deveria estar”, afirmou o ministro.

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Ele defendeu que o Brasil mantenha o diálogo técnico como principal estratégia para resolver o impasse comercial e reiterou o compromisso do governo com a negociação multilateral.”Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, frisou Rosa.

Próxima semana será decisiva

Ao final da reunião, Brasil e Estados Unidos determinaram que as equipes técnicas retomem os encontros já no início da próxima semana para aprofundar a análise dos pontos em discussão e preparar uma nova reunião ministerial antes de 15 de julho.

Em comunicado, o MDIC informou que ambos os governos reconheceram o caráter construtivo das negociações e concordaram com a necessidade de ampliar o diálogo para aproximar posições sobre os temas que permanecem em disputa.

Com menos de duas semanas até o prazo definido por Washington, a expectativa é que a próxima rodada de negociações seja decisiva para definir se Brasil e Estados Unidos conseguirão evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Fonte: Agência Brasil
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Petróleo, soja e carnes elevam superávit da balança comercial em 66,6%

Exportações cresceram 24,9% em junho e impulsionaram a maior corrente de comércio da série histórica, de US$ 62,8 bilhões. Com o desempenho do primeiro semestre, governo elevou em US$ 17,9 bilhões a estimativa de saldo comercial para 2026.

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Foto: Claudio Neves

O avanço das exportações de petróleo bruto, soja, carnes e minério de ferro levou a balança comercial brasileira a registrar superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, alta de 66,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi acompanhado pelo maior fluxo de comércio já registrado para um único mês e reforçou a expectativa do governo de um desempenho próximo ao recorde histórico em 2026.

Foto: Claudio Neves

Dados divulgados na última sexta-feira (03) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações somaram US$ 36,3 bilhões em junho, crescimento de 24,9% na comparação anual. As importações também avançaram, alcançando US$ 26,5 bilhões, alta de 14,4%.

Com isso, a corrente de comércio, soma das exportações e importações, atingiu US$ 62,8 bilhões, crescimento de 20,3% sobre junho do ano passado e o maior valor mensal desde o início da série histórica.

O saldo comercial de US$ 9,8 bilhões foi o terceiro maior já registrado para um mês de junho, ficando atrás apenas dos resultados de 2021 (US$ 10,414 bilhões) e 2023 (US$ 10,077 bilhões).

Indústria extrativa lidera crescimento das exportações

A expansão das vendas externas foi puxada principalmente pela indústria extrativa, cujas exportações cresceram 58,4%, alcançando US$ 9,9 bilhões. A indústria de transformação exportou US$ 18 bilhões, avanço de 14,7%, enquanto a agropecuária embarcou US$ 8,1 bilhões, alta de 18%.

Foto: Claudio Neves

Entre os produtos que mais impulsionaram o desempenho destacam-se:

  • petróleo bruto: +78,9%;
  • minério de ferro: +20%;
  • combustíveis: +88,8%;
  • carnes de aves: +62,4%;
  • carne bovina: +39,2%;
  • soja: +17,3%;
  • animais vivos: +208,8%;
  • algodão bruto: +64,1%.

O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que ainda é cedo para mensurar os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre o desempenho das exportações brasileiras. “Já existem relatos de empresas sobre um maior interesse de importadores europeus, mas ainda não há elementos suficientes para medir o impacto do acordo”, afirmou.

Ásia concentra quase metade das exportações brasileiras

O crescimento das vendas externas ocorreu em praticamente todos os principais mercados compradores. A Ásia permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, absorvendo US$

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17,4 bilhões em produtos nacionais, alta de 29,9% frente a junho de 2025. O continente respondeu por cerca de 48% de tudo o que o Brasil exportou no mês.

As exportações para a Europa cresceram ainda mais, avançando 43,9% e alcançando US$ 6,4 bilhões. Para a América do Norte, as vendas somaram US$ 4,9 bilhões, aumento de 8,5%, enquanto a América do Sul importou US$ 3,9 bilhões em produtos brasileiros, alta de 7%.

Mesmo diante das negociações para evitar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, as exportações destinadas aos Estados Unidos cresceram 3,7% em junho, interrompendo uma sequência de retração observada desde a adoção das sobretaxas pelo governo norte-americano.

Importações crescem puxadas pelo consumo

As compras brasileiras no exterior também aceleraram em junho, especialmente de bens destinados ao consumo e à produção industrial. Os bens intermediários lideraram as importações, com US$ 15,1 bilhões, alta de 10,9%.

Foto: Claudio Neves

As importações de bens de consumo cresceram 34%, alcançando US$ 5,7 bilhões, o maior avanço entre as categorias. Também registraram crescimento os bens de capital, com alta de 5,7% e movimentação de US$ 3,5 bilhões, além dos combustíveis, que somaram US$ 2,2 bilhões, aumento de 11,6%.

Superávit do semestre cresce 40%

No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 42,4 bilhões, crescimento de 40,3% sobre o mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de US$ 30,2 bilhões.

As exportações atingiram US$ 184,8 bilhões no semestre, alta de 11,5%, enquanto as importações somaram US$ 142,4 bilhões, crescimento de 5,1%. O desempenho indica que as vendas externas avançaram em ritmo mais que duas vezes superior ao das importações, ampliando o saldo positivo da balança comercial.

Governo eleva projeção do superávit para US$ 90 bilhões

Diante dos resultados do primeiro semestre, o MDIC revisou para cima suas estimativas para 2026. A projeção do superávit comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, um aumento de US$ 17,9 bilhões em relação à previsão divulgada em abril. Se confirmada, a marca será a segunda maior da série histórica.

O governo também elevou a estimativa para as exportações, que passou de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões. A previsão para as importações foi revisada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

As projeções oficiais permanecem mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, as instituições financeiras estimam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões em 2026, quase US$ 14 bilhões abaixo da nova previsão do governo.

Fonte: O Presente Rural
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