Notícias Cooperativismo
Congresso Brasileiro do Cooperativismo reúne as principais lideranças para discutir o futuro do setor
O CBC 2019 abre seu primeiro dia de discussões reunindo 1500 líderes e representantes de todo o Brasil e anuncia o lançamento da Agenda Institucional

Nesta quarta-feira, 08 de maio, teve início a 14ª edição do Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), realizado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Com foco no futuro do setor e na sua perenidade, o evento reúne, em Brasília, 1500 líderes e representantes de cooperativas de todo o País, autoridades, embaixadores e a Frente Parlamentar Cooperativista (Frencoop) em torno de seis temas a serem abordados durante os três dias de congresso: Comunicação, Mercado, Governança & Gestão, Intercooperação, Inovação e Representação. Em 2019, o CBC também comemora os 50 anos da OCB.
A abertura oficial foi realizada por Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, que comentou sobre a importância da atenção em torno do futuro do setor (que atualmente gera aproximadamente 394 mil vagas de emprego formal no Brasil) e em torno da preservação e continuidade dos valores cooperativistas. “O cooperativismo não pode transgredir os seus valores. Integridade é fundamental”, disse o presidente, que também apresentou o slogan da edição 2019 do evento: O cooperativismo do futuro se constrói aqui.
O palco do auditório principal do Complexo Brasil 21 recebeu, ao lado de Márcio Freitas, o ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes; o presidente da Frencoop, deputado Evair de Melo; e o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo de Tarso Sanseverino. Os representantes anunciaram o lançamento da 13ª edição da Agenda Institucional do Cooperativismo, instrumento importante para dar visibilidade às causas defendidas pelo setor ao poder público.
Durante os próximos dois dias, o congresso abrirá as portas para palestras e atividades em torno das discussões sobre o futuro do cooperativismo, finalizando na sexta-feira, dia 10, com uma plenária sobre as diretrizes para os próximos anos do setor.
Agenda do cooperativismo
Além da versão impressa, a Agenda Institucional do Cooperativismo também foi lançada em formato digital. O documento foi dividido em Legislativo, Executivo e Judiciário e apresenta 36 projetos de lei de interesse, que englobam desde os ramos Saúde, Crédito, Consumo, Educação, Infraestrutura e outros.
“O cooperativismo tem apontado sua capacidade de gerar respeito nas entidades políticas. Nós temos um programa de educação política, que tem o intuito de mostrar com clareza que não temos uma bandeira ideológica partidária. Cooperativismo é neutralidade. Por isso, nós devemos participar do processo político do país: fazer uma militância permanente que abra as portas para o reconhecimento do cooperativismo. A OCB é uma representação nacional, o congresso tem que perceber a relevância dos nossos mais de 14 milhões de cooperados, portanto, quase 60 milhões de brasileiros. Somos uma força icônica e social. E por isso temos um papel fundamental no processo democrático”, comentou o presidente Márcio Lopes de Freitas durante entrevista coletiva.
Jovens embaixadores: empreendendo, com visão de futuro
Uma das iniciativas em torno do congresso foi a seleção de um grupo de mulheres embaixadoras do cooperativismo, e outro de jovens embaixadores. Para o primeiro, 493 mulheres de 23 estados brasileiros e inscreveram e as 20 escolhidas criaram uma carta manifesto, que foi lida no palco por Daniela Voguel, do Sicoob Credi de Santa Catarina. O texto ressalta que a quantidade de lideranças femininas no cooperativismo vem crescendo aos poucos e que o preconceito ainda é grande. Entre outros pontos, o manifesto pede por mais espaço para as mulheres, pela criação de mais comitês femininos, equiparação salarial, campanhas e evento de reconhecimento.
O grupo de jovens, representado no palco por Pamela Fernandes, recebeu 170 inscrições e os 20 escolhidos também fizeram seu manifesto, que traz o pedido de inserção da cultura cooperativista desde cedo para os jovens, incentivando, investindo e criando oportunidade para o público.
Finalizando a abertura do congresso 2019, subiram ao palco Roberto Rodrigues, embaixador da FAO para o cooperativismo; Ariel Guarco, presidente da Aliança Cooperativa Internacional; e Graciela Fernandez, presidente da ACI Américas. Em sua fala, Roberto propõe ao setor que cada cooperativa do Brasil tenha em seu conselho de administração pelo menos uma mulher e um jovem. “O espaço existe e ele deve ser concedido”, reforçou o embaixador. Ao final, Graciela entregou ao presidente Márcio Lopes de Freitas uma placa em homenagem ao aniversário de 50 anos da OCB.

Notícias
Esmagamento de soja nos EUA aumenta para 71 milhões de toneladas
Alta na demanda por farelo sustenta mercado, mas maior oferta global limita ganhos.

Os Estados Unidos devem ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos, impulsionados pelas novas regras para biocombustíveis publicadas no fim de março. As medidas elevam os mandatos e estimulam a produção de diesel renovável, o que aumenta a demanda por derivados como farelo e óleo.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a produção de diesel de biomassa nos EUA pode chegar a 5,5 bilhões de galões em 2026, ante 3,35 bilhões no ano anterior. Para 2027, a estimativa sobe para 5,9 bilhões de galões. As regras mantiveram integralmente os incentivos para matérias-primas importadas até o fim de 2027, o que deve sustentar as importações para a produção de biocombustíveis.

Foto: Shutterstock
O impacto já aparece nas projeções oficiais. No relatório de abril do USDA, o esmagamento de soja nos EUA foi estimado em 71 milhões de toneladas, alta de 1 milhão de toneladas frente ao levantamento anterior. A demanda por farelo também avançou, chegando a 39,2 milhões de toneladas, com aumento de 725 mil toneladas.
Além do cenário nos EUA, fatores externos também influenciam o mercado. A greve dos caminhoneiros na Argentina pode dar suporte aos preços no curto prazo, dependendo da duração do movimento.
Por outro lado, a expectativa é de maior oferta global nas próximas semanas. Com o avanço da colheita e do esmagamento na Argentina a partir de meados de maio, o país deve ampliar a competitividade do óleo de soja, o que tende a pressionar os prêmios brasileiros.
Notícias
Fórum de Biogás e Biometano confirma próxima edição para 2027 em Santa Catarina
Chapecó receberá o evento após crescimento de 14,3% no número de plantas no estado.

O 9º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) será realizado entre os dias 27 e 29 de abril de 2027, em Chapecó (SC). O anúncio foi feito no encerramento da 8ª edição do evento, realizada na última semana em Foz do Iguaçu (PR), pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz.
A edição de 2026 reuniu mais de 900 participantes ao longo de três dias de programação, entre 14 e 16 de abril. O evento contou com cerca de 50 horas de atividades e a participação de 65 painelistas, que abordaram temas como políticas públicas, mercado e produção de biogás. No espaço de negócios, 62 empresas e organizações apresentaram soluções voltadas à cadeia produtiva.

8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril –
Foto: Welligton Sauer/Divulgação FSBBB
Além das palestras, o Fórum promoveu premiações, apresentações de startups e visitas técnicas a sete unidades produtoras de biogás e biometano em municípios do Oeste do Paraná. O encontro também teve participação internacional, com representantes de 16 países e de 19 estados brasileiros.
Durante o evento, o Centro Internacional de Energias Renováveis apresentou a edição 2025 do Panorama do Biogás, que aponta crescimento do setor no Brasil. O país soma 1.803 plantas em operação, alta de 5% em relação ao ano anterior, com aumento de 6% no volume produzido. A produção está presente em 617 municípios.
A geração de energia elétrica segue como principal destino do biogás, concentrando 62% do volume. Já o segmento de biometano também avança, com aumento de cerca de 11% no número de plantas dedicadas a essa produção.
Na Região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os estados com maior número de unidades. Santa Catarina, que sediará a próxima edição do Fórum, registrou crescimento de 14,3% em 2025, passando de 138 para 161 plantas em operação.
O FSBBB é realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul, com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera). O evento ocorre de forma itinerante na Região Sul.
Notícias
Assentamentos rurais reúnem 1,1 milhão de famílias e mostram desafios econômicos
Dados oficiais indicam renda média reduzida e baixa participação em algumas atividades.

O número de famílias homologadas em assentamentos no país chegou a 1,1 milhão, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ainda assim, a realidade dessas pessoas contrasta com um dos propósitos da Reforma Agrária: promover justiça social e cidadania.
De acordo com o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 86% dos municípios com assentamentos a renda média mensal das famílias assentadas é inferior a um salário mínimo. Na época da pesquisa, os rendimentos correspondiam a apenas 53% do mínimo vigente, o equivalente a cerca de R$ 453,56.
O levantamento também mostra que a produção dos assentamentos ainda tem participação reduzida entre as principais atividades rurais. No caso do leite, por exemplo, dos mais de 30 bilhões de litros produzidos no Brasil, 64,2% vieram da agricultura familiar. Já os assentados responderam por apenas 2,8% desse total.

Deputado Zé Silva: “O governo tem uma responsabilidade muito grande para garantir que a Reforma Agrária seja uma política pública técnica e não ideológica, e que além da terra tenha assistência técnica de qualidade, tenha infraestrutura produtiva, infraestrutura de saúde, energia, estrada de qualidade”
Além da realidade de subsistência, o Brasil ainda enfrenta dificuldade para assentar famílias acampadas. Segundo o Incra, 166,8 mil famílias estavam nessa condição em 2025.
Diante desse quadro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que a Reforma Agrária seja conduzida como política pública técnica, sem viés ideológico e com foco em oferecer condições reais de melhoria de vida aos assentados. O integrante da bancada, deputado Zé Silva (União-MG), destacou esse entendimento.
“O governo tem uma responsabilidade muito grande para garantir que a Reforma Agrária seja uma política pública técnica e não ideológica, e que além da terra tenha assistência técnica de qualidade, tenha infraestrutura produtiva, infraestrutura de saúde, energia, estrada de qualidade”, afirmou.
Projeto aperfeiçoa regras da Reforma Agrária
Nesse contexto, a FPA também apoia uma proposta que pode dar mais eficiência à seleção de famílias para a Reforma Agrária. O Projeto de Lei 3.768/2021 altera a data-limite para regularização de lotes ocupados em assentamentos criados pelo Incra.
Além disso, a proposta obriga o governo federal a elaborar planejamento financeiro para as etapas posteriores à criação de novos assentamentos, com o objetivo de assegurar a viabilidade do programa.

Autor do projeto e coordenador político da FPA, deputado Zé Vitor: “Propomos a parceria entre o Incra e o município para a execução do processo de seleção dos beneficiários, por considerarmos que as secretarias municipais que lidam com os inscritos têm condições de colaborar para tornar o processo de seleção mais justo e eficiente”
Outro ponto prevê que municípios, estados e a própria União ofereçam condições mínimas de infraestrutura, como abastecimento de água, estradas e energia elétrica. Para isso, o município também deverá ser consultado antes da instalação de um novo assentamento.
“Propomos a parceria entre o Incra e o município para a execução do processo de seleção dos beneficiários, por considerarmos que as secretarias municipais que lidam com os inscritos têm condições de colaborar para tornar o processo de seleção mais justo e eficiente”, enfatizou o autor do projeto e coordenador político da FPA, deputado Zé Vitor (PL-MG).
Atualmente, a proposição tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O relator é o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).
Pacote anti-invasão reúne propostas contra ocupações ilegais
Além da proposta que aperfeiçoa a regulamentação da Reforma Agrária, outros dois projetos integram o pacote anti-invasão da FPA e restringem a atuação de movimentos ligados a ocupações ilegais.
Um deles é o Projeto 1.373/2023, de autoria do ex-deputado Lázaro Botelho e do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que impede invasores de terra de acessar programas públicos.
A matéria prevê que essas pessoas não possam participar da Reforma Agrária e, caso já integrem o programa, sejam excluídas e percam a posse do lote eventualmente ocupado. Também ficam impedidas, por dois anos após o fim da invasão, de acessar crédito subsidiado, benefícios fiscais, programas de assistência social e de participar de licitações ou contratações com o poder público.
Outro dispositivo do texto, que tramita atualmente na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, estabelece prazos para a emissão de títulos. A proposta determina que a titulação provisória ocorra em até dez anos, e a definitiva em até cinco anos após a provisória.
Na mesma linha, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 939/2025 restringe a atuação de grupos ligados a invasões. A pauta susta um decreto presidencial de 2025 que criou o Plano Nacional de Proteção a Defensores de Direitos Humanos. Na avaliação da bancada, o ato ampliou o amparo estatal a organizações militantes envolvidas em ocupações de propriedades privadas e contribuiu para a instrumentalização da política fundiária.
A matéria é de autoria do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, e do coordenador Institucional da frente, deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Na justificativa, os autores apontam ainda que o decreto ameaça pessoas e a segurança jurídica dos produtores rurais.

Deputado José Rocha: “Todos nós precisamos de alimento na mesa”
“Na prática, trata-se de deturpar o papel constitucional do Estado, permitindo que a regularização fundiária, que deveria ser política técnica, impessoal, baseada em critérios legais, seja utilizada como mecanismo de suposta “proteção” a grupos que podem se autodeclarar defensores de direitos humanos, ainda que envolvidos em invasões ou ocupações ilegais”, comentaram. Apresentada no final do ano passado, a proposta aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Para o integrante da bancada, deputado José Rocha (União-BA), os projetos caminham no sentido de ampliar a segurança jurídica e enfrentar as ocupações ilegais. “Todos nós precisamos de alimento na mesa. Quem produz esse alimento é o produtor rural, é o cara que está trabalhando, com custos altos, e conseguiu adquirir a sua terra, e aí de uma hora para outra se vê atropelado por invasões, invasões que são políticas, ideológicas, descabidas e sem nenhum sentido”, destacou.



