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Conflito no Oriente Médio pressiona custos e logística do agro brasileiro

Exportações de carne, milho e soja podem ser impactadas pela instabilidade em rotas estratégicas e aumento de seguros marítimos, reforçando desafios para competitividade e mercado.

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Foto: Divulgação/FPA

O avanço do conflito no Oriente Médio levanta dúvidas sobre o ambiente econômico mundial nos próximos meses. Ainda que a duração e a intensidade das tensões sejam incertas, a instabilidade em rotas logísticas estratégicas e em mercados energéticos tende a repercutir rapidamente sobre cadeias globais de produção e comércio. Para o agro brasileiro, a tendência não é diferente, uma vez que o Brasil mantém relações comerciais com diversos países do eixo potencialmente afetado pela guerra.

Apenas em 2025, o Brasil exportou US$ 12,4 bilhões em produtos agrícolas para países do Oriente Médio na região em conflito, com crescimento médio anual de 49% desde 2000. O Irã respondeu por 23,6% desse total exportado, sendo o principal destino brasileiro na região neste ano, com US$ 2,9 bilhões, seguido por Arábia Saudita (23,3%) e Emirados Árabes Unidos (20,4%). No agregado, a região representou 7,4% das exportações brasileiras em 2025, com pauta concentrada em carne de frango, milho, açúcar, carne bovina e soja.

Foto: Antonio Neto/Embrapa

Além disso, o Oriente Médio absorveu 29% das exportações brasileiras de carne de frango, equivalentes a 1,5 milhão de toneladas. Nesse mercado, vale destacar que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne halal, atendendo a rígidos padrões islâmicos de produção e tendo a região como principal destino.

O Irã, principal foco do conflito, foi também o principal comprador de milho do Brasil em 2025, com 9 milhões de toneladas. O volume registrado em 2025 ficou significativamente acima da média histórica de cerca de 5 milhões de toneladas observada na última década. Nesse contexto, um eventual comprometimento prolongado dos fluxos comerciais para a região pode gerar riscos relevantes. No caso de outras commodities, a exposição é menor: soja, com 1,3 milhão de toneladas, e açúcar, com 499 mil toneladas, representaram apenas 1,3% e 1,5% das exportações totais desses produtos, respectivamente.

Gargalos logísticos

Há ainda outra preocupação, relacionada à logística e ao consequente aumento de custos. Isso porque dois gargalos logísticos centrais para o comércio internacional tornam-se mais incertos: o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural; e Bab el-Mandeb, eixo de acesso ao Canal de Suez e rota essencial para o transporte de contêineres e bens de consumo entre Ásia e Europa. A instabilidade nesses locais, somada às incertezas sobre fornecedores da região, eleva o risco de um choque de oferta com alcance global, com potenciais repercussões relevantes para as cadeias do agro brasileiro.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Além disso, os custos logísticos tendem a ser afetados por desvios de rota e pela elevação da percepção de risco, com aumento dos prêmios de seguro no transporte marítimo e impactos diretos sobre o comércio. O resultado é a ampliação das despesas operacionais ao longo da cadeia. Com todos esses fatores combinados, a tendência é de redução da competitividade do setor produtivo brasileiro, em um contexto no qual produtores e empresas já enfrentam custos e juros elevados, além de restrições de financiamento.

Em suma, o agro brasileiro já tem demonstrado resiliência e capacidade de diversificação de mercados. Ainda assim, a escalada do conflito coloca em jogo não apenas mercados relevantes, mas também rotas estratégicas de transporte marítimo e o fluxo global de petróleo. Nesse cenário, a capacidade de adaptação do setor a eventuais rupturas logísticas será fundamental para, ao menos, mitigar riscos e preservar a competitividade do pujante agro brasileiro.

Fonte: Assessoria FPA

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Brasil ultrapassa 133 mil drones registrados e amplia uso da tecnologia em diversos setores

Expansão acelerada desde 2017 reflete avanço do agronegócio, da indústria e de serviços tecnológicos, além de um ambiente regulatório que favorece a profissionalização do setor.

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Foto: Mapa

O mercado brasileiro de drones segue em forte expansão e alcançou 133 mil aeronaves registradas até fevereiro de 2026 no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), mantido pela Agência Nacional de Aviação Civil. O volume confirma a consolidação do segmento como um dos mais dinâmicos da economia digital e dos serviços tecnológicos no país.

A evolução do setor está diretamente associada à regulamentação das operações civis de drones no Brasil, instituída em 2017, quando passou a ser obrigatório o cadastro dessas aeronaves. Naquele período, o país registrava cerca de 16,5 mil drones. Em apenas cinco anos, o número saltou para 93.729 registros em 2022, crescimento superior a 460%.

Desse total registrado em 2022, 52.906 drones eram destinados ao uso recreativo, enquanto 40.823 eram utilizados em atividades profissionais, evidenciando a crescente adoção da tecnologia em operações comerciais, industriais e governamentais.

Crescimento acelerado

Foto: Lucas Fermin/SEED

A expansão não desacelerou nos últimos anos. Entre 2024 e 2025, o número de drones cadastrados no país cresceu mais de 20% ao ano, enquanto os pedidos de autorização de voo avançaram acima de 25% no mesmo período. Os dados indicam não apenas aumento da base instalada de equipamentos, mas também maior intensidade de uso nas operações.

O avanço também se reflete no comércio internacional. Em 2024, as importações de drones registraram crescimento de 24,1% em valor e mais de 115% em número de unidades, reforçando o aquecimento da demanda doméstica por equipamentos e tecnologias associadas.

Setores que impulsionam a demanda

Foto: Rafael Soares

Ao longo da última década, o perfil do mercado mudou significativamente. O setor deixou de ser predominantemente recreativo e passou a ocupar espaço relevante em cadeias produtivas intensivas em tecnologia.

Entre os segmentos que mais impulsionam a adoção da tecnologia estão o agronegócio — especialmente em operações de pulverização aérea e agricultura de precisão — além de inspeções industriais, energia, infraestrutura, segurança pública, mapeamento técnico e produção audiovisual. A expansão também acompanha o avanço da digitalização de serviços públicos e das iniciativas de cidades inteligentes.

O crescimento do setor também movimenta diversas cadeias econômicas associadas, como importação e distribuição de equipamentos, manutenção técnica, capacitação de operadores, desenvolvimento de softwares e integração com tecnologias como inteligência artificial e conectividade 5G.

Ambiente regulatório e investimentos

Especialistas apontam que o ambiente regulatório brasileiro tem papel importante na formalização do setor e na atração de investimentos. O modelo atual distribui responsabilidades entre diferentes órgãos públicos, responsáveis pelo registro das aeronaves, controle do espaço aéreo, homologação de equipamentos e regulação de aplicações específicas, como o uso agrícola.

Em 2025, o país avançou no processo de modernização dessas regras com a abertura de consulta pública para atualização do marco regulatório, que propõe um modelo baseado em risco operacional e desempenho, alinhado às práticas internacionais.

Foto: Freepik

Para Pedro Curcio Jr., presidente da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDRONE), o crescimento do mercado indica que o setor já atingiu um estágio estrutural de desenvolvimento. “O mercado brasileiro atingiu um estágio estrutural. Hoje falamos de uma base instalada robusta, operações cada vez mais profissionais e segurança jurídica para expansão de investimentos. Os drones passaram a integrar a infraestrutura tecnológica de diversos setores produtivos”, afirma.

Segundo ele, o próximo ciclo de crescimento deverá ser impulsionado por ganhos de produtividade, redução de custos operacionais e maior integração com tecnologias digitais.

“Estamos diante de um segmento que combina inovação, eficiência econômica e geração de empregos qualificados. A consolidação regulatória cria as condições para um novo ciclo de expansão empresarial”, menciona.

Fonte: Assessoria ABDRONE
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Exportações paranaenses para a Índia crescem 95% no primeiro bimestre de 2026

Avanço eleva participação do país asiático nas vendas externas do Estado e reforça a importância estratégica do mercado indiano.

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Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná

Apontada como uma das economias mais dinâmicas do mundo, com a perspectiva de alcançar em poucos anos a terceira posição no ranking global do PIB, atrás somente dos EUA e China, a Índia vem se destacando cada vez mais como compradora de mercadorias paranaenses.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as exportações do Estado para Índia somaram US$ 108 milhões no 1º bimestre deste ano, o que correspondeu a um aumento de 95% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando as vendas atingiram US$ 55,6 milhões.

Em consequência disso, a participação da Índia nas exportações totais paranaenses subiu de 1,7% para 3,5%, o que garantiu a terceira colocação entre os destinos dos bens produzidos no Paraná, abaixo apenas dos pesos da China e Argentina. Nos dois primeiros meses do ano passado, o país asiático ocupava a 15ª colocação entre os países que adquiriram produtos paranaenses.

Esse volume de 2026 é tão expressivo que já equivale a praticamente metade das exportações realizadas para o país ao longo de todos os meses de 2020 e 2021, por exemplo. O melhor ano da relação comercial foi 2023, com exportações na casa de US$ 751 milhões.

Na pauta dos bens exportados, sobressaem o óleo de soja, os produtos metalúrgicos, os derivados do petróleo e o papel, que, juntos, responderam por 87% das receitas geradas pelo comércio com a Índia no 1º bimestre de 2026. Já em relação às importações, o Estado adquiriu US$ 70,7 milhões em mercadorias indianas nos dois primeiros do presente exercício, com destaque para os produtos químicos.

De acordo com Jorge Callado, em uma visão estratégica, o Governo e os exportadores do Estado vêm acompanhando os movimentos do mercado indiano, já que consideram o país como um dos alicerces do crescimento futuro das vendas externas do Paraná. “A ampliação do intercâmbio comercial com a Índia interessa muito ao Estado, dado o entendimento de que a produção para exportação gera emprego e renda em nível local”, analisa.

Exportações da alta

As exportações paranaenses para mercados asiáticos e europeus cresceram de forma significativa neste ano. As vendas estaduais para Japão, Singapura e Filipinas avançaram, respectivamente, 107%, 103% e 124% no 1º bimestre de 2026, em comparação a idêntico período de 2025. Ou seja, dobraram de tamanho.

No caso das vendas para o mercado japonês, o aumento foi sustentado principalmente pela carne de frango, enquanto as exportações para Singapura e Filipinas apresentaram crescimento alicerçado no petróleo e na carne suína, respectivamente. O Comércio com a Europa envolveu incremento das exportações de torneiras e válvulas e farelo de soja.

TCS

E as boas relações com a Índia extrapolam o comércio. Recentemente a multinacional indiana Tata Consultancy Services (TCS), líder global em serviços de TI, consultoria e soluções de negócios, anunciou investimento de R$ 200 milhões (US$ 37 milhões) na construção de um campus em Londrina, no Norte do Paraná. Presente na cidade há sete anos, onde fica o seu maior centro de operações no Brasil, o complexo deve ser concluído em 2027, com a perspectiva de gerar 1.600 empregos diretos.

Fonte: AEN-PR
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Novo programa da Copel promete mais agilidade no atendimento a produtores rurais

Copel Agro terá linha direta exclusiva, equipes especializadas e projetos voltados a propriedades com alta dependência de energia.

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Foto: Leonardo Tadra Pruner

A Copel anunciou na quarta-feira (11), em Medianeira, no Oeste, a criação do Copel Agro, programa dedicado a produtores rurais da cadeia de proteína animal e setores com alto grau de eletrodependência, além de uma nova linha direta e exclusiva de atendimento por teleatendentes: 0800 6434 222.

O Copel Agro contará com equipes de teleatendentes operando 24 horas por dia, sete dias por semana, e também com o reforço de equipes técnicas e de campo dedicadas ao atendimento a demandas emergenciais, à realização de obras e o desenvolvimento de projetos e ações de atenção aos produtores rurais de todas as regiões do Estado. Cerca de 60 mil produtores que se dedicam a estas culturas eletrointensivas no Paraná estão cadastrados junto à Copel. Destes, aproximadamente 50% têm propriedades nas regiões Oeste e Sudoeste.

Daniel Slaviero, presidente da Copel, destacou que são prioridades do programa reforçar o primeiro atendimento, maior agilidade no restabelecimento de energia, redução de interrupções temporárias e ocorrências de desligamentos pelo efeito de carga ou geração distribuída à revelia e criação de opções de redundância em instalações críticas com financiamento de um plano de instalação de baterias.

“Temos plena consciência da nossa responsabilidade diante dos desafios do setor elétrico e das demandas crescentes do campo e da produção paranaense. Por isso, a Copel vem lançando uma série de medidas estruturantes para enfrentar esse cenário e garantir energia de qualidade para o desenvolvimento do nosso Estado”, destacou. O anúncio foi feito a lideranças do setor cooperativista da região durante reunião regional do Sistema Ocepar na sede da Cooperativa Lar.

“Quando investimos em energia, estamos investindo em crescimento, competitividade e, principalmente, na melhoria da qualidade de vida das pessoas”, afirmou o presidente.

O presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, destacou que o forte crescimento econômico da região tem aumentado a demanda por energia elétrica. Segundo ele, esse cenário já foi levado à direção da Copel, especialmente à área de distribuição, que tem se mostrado aberta ao diálogo com cooperativas e lideranças do setor produtivo. “A Copel veio ouvir os produtores, está mais próxima e abriu um canal chamado Copel Agro, que vai estabelecer uma conexão para ouvir, para agir mais rápido”, afirmou.

“A energia elétrica é um fator essencial para o desenvolvimento do agronegócio e para a competitividade das cooperativas paranaenses. O diálogo permanente entre a Copel e o cooperativismo é fundamental para alinhar demandas e buscar soluções conjuntas. Essa parceria contribui diretamente para o crescimento do agronegócio, para o fortalecimento das cooperativas e para o desenvolvimento sustentável do Paraná”, completou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken.

Copel Agro

Pelo número 0800 6434 222, com início de operação previsto para o mês de abril, uma equipe de teleatendentes irá receber as demandas dos produtores rurais e direcionar o atendimento com agilidade. Por esta estrutura, em casos de interrupções de energia, o cliente rural receberá informações da previsão do tempo de religamento.

Para o fortalecimento do primeiro atendimento haverá o reforço do efetivo de eletricistas, com 50 equipes próprias atuando em sete bases estratégicas. O programa ainda contará com uma célula de monitoramento junto ao Centro de Controle da Copel com vistas a garantir agilidade no restabelecimento da energia em casos de interrupções.

Como parte do Copel Agro, será colocado em operação um Plano de Manutenção de estruturas com priorização de obras de melhorias de curto prazo integrado a mutirões de poda e prevenção do contato da vegetação com a rede elétrica, que hoje responde por 40% dos casos de desligamentos.

Para reduzir os efeitos de desligamentos temporários decorrentes de instalações de carga e geração distribuída irregulares, equipes da Copel farão um censo e levantamento de campo em áreas de consumo. As ações preveem visitas orientativas para a adequação de carga e geração distribuída (GD); e parcerias com cooperativas e sindicatos para o repasse de informações técnicas e treinamentos.

O Copel Agro prevê ainda o reforço no incentivo à conexão à nova rede trifásica, por intermédio do projeto Se Liga Aí, Paraná! e a definição de iniciativas de suporte ao produtor com subsídios à substituição de motores e à aquisição de baterias com recursos do Programa de Eficiência Energética da Copel.

Fonte: AEN-PR
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