Suínos
Confira formas de utilizar melhor a imunidade passiva dos suínos
Profissional enaltece a necessidade de oferecer condições para a matriz produzir colostro de qualidade.

A imunidade passiva na suinocultura refere-se à transferência de anticorpos e outros componentes do sistema imunológico da porca mãe para os seus leitões para proteger a leitegada contra doenças durante as primeiras semanas de vida. Essa transferência ocorre naturalmente através da colostrogênese e da amamentação, nas quais os leitões ingerem o colostro, o primeiro leite secretado pela mãe após o parto. Nesta matéria, o médico-veterinário com especialização em gestão de pessoas e carreiras, Anderson de Queirós, fala sobre os fatores ligados às matrizes suínas e os agentes envolvendo os leitões, destacando que manejo do colostro é importante, mas que é apenas uma das etapas do processo de produção de suínos. De forma prática e simples, ele trouxe recomendações de como o manejo bem feito pode melhorar o desempenho da granja.

Médico-veterinário Anderson de Queirós – Foto: Arquivo Pessoal
O profissional disse que essa temática não é para um profissional que trabalha na granja, mas para todos que compõem a equipe, pois o sucesso da produção sempre é uma soma do trabalho do grupo. Ele defende a importância de que os trabalhos produzidos nas universidade sejam utilizados no dia a dia, bem como apontou que seja investido mais tempo na solução dos problemas. “Eu penso que de cada cinco minutos que temos, um minuto seja utilizado para pensar no problema e os outros quatro na solução”.
A matriz é a peça chave na sanidade de rebanho
Anderson explicou que a imunidade passiva é a vacina que a matriz consegue transmitir para o leitão, que é diferente da imunidade ativa, que vem direto de uma vacina. “Na espécie suína, a placenta da porca impede que esta imunidade passiva seja passada via sangue, por causa do formato dela. Desta forma, a única opção do leitão ter acesso à vacina da mãe é por meio da ingestão do colostro”, destacou.
Por outro lado, o médico-veterinário disse que a ingestão do colostro é praticamente o final do processo que envolve a imunidade passiva. “Antes do leitão mamar o colostro, nós temos que possibilitar que a fêmea tenha condições para produzir um colostro de qualidade em um sistema de produção”, pontuou.
O profissional reforçou que a matriz é a responsável por fornecer a primeira vacina ao leitão e que essa vacina basicamente vai servir para proteger o leitão das doenças que a própria mãe pode transmitir a ele a partir do nascimento. “Trabalhos mostram que em 30 minutos o leitão tem mais de 32 contatos com a mucosa da mãe, contando a boca, focinho, orelha e olhos, ele precisa deste contato, e é aqui que começa a primeira contaminação”, indicou.
Fatores que interferem na produção do colostro
Entre os agentes que interferem na produção do colostro, ele destacou que de forma geral as fêmeas mais velhas, acima de três ciclos, têm uma produção maior de colostro. Também defendeu que a alimentação no pré-parto tem se mostrado como uma das ferramentas mais importantes para alterar tanto a produção quanto a qualidade deste colostro. “Dietas ricas em fibras tendem a aumentar a concentração de prolactina próximo ao parto, provavelmente pela redução de endotoxemia – toxinas que interferem em toda a saúde intestinal das fêmeas, bem como no colostro”, sugeriu.
Com relação ao tamanho da glândula mamária e número de tetos ele argumentou que é variável, porque isso acaba diluindo muito do que foi preparado no pré-parto. “Nem sempre a fêmea que tem 18 tetos consegue compensar a produção de colostro, em relação àquela fêmea que tem 12. A indução do parto até 24 horas antes da data do parto espontâneo também não altera a produção do colostro”, informou.
Anderson lembrou que a fêmea suína, diferente da vaca, não tem cisterna na glândula mamária, o que faz com que ela não consiga armazenar leite ou colostro. “Desta forma, essa produção depende de sucção constante, que já inicia no parto, pois esse sistema fica funcionando durante o tempo todo e, depois, durante a lactação, os leitões conseguem mamar a cada 40 minutos, durante este tempo que vai dar uns 20 ou 30 segundos de liberação contínua, o leitão vai sugando e ela vai produzindo mais”, explicou.
Por conta disso, os estudos mostram que quanto mais o produtor coloca o leitão para mamar, mais colostro a porca produz, até que chega em um nível que ela não tem mais os ingredientes para produzir este colostro e aí ela vai produzir leite. “Isso é diferente dos trabalhos antigos que mostravam que as leitegadas numerosas mais pesadas produziam mais”, relembrou.
Outro apontamento feito por ele é que a adequada estimulação do aparelho mamário durante a fase colostral é de extrema importância, já que diversos trabalhos mostram que fêmeas que foram tocadas produziram menos colostro. “Acreditamos que isso ocorra por conta do estresse causado por este manejo bastante invasivo. De modo geral o que a gente precisa entender é que a fêmea bem cuidada vai produzir mais colostro. Se o leitão é bem cuidado ele vai mamar melhor, mais rápido e isso vai possibilitar com que ela produza mais colostro “, ponderou.
Fome mata
De outra perspectiva, o médico-veterinário também chamou a atenção a respeito de que os investimentos financeiros em pesquisa, na área de suínos, em sua maioria são utilizados para estudar mortes infecciosas, mas que a maioria das mortes dos suínos não tem esta causa. “Nenhuma doença consegue matar 5% ou 6% do rebanho, como a fome”, advertiu.
Ele também recomendou a importância da realização da necropsia dos animais mortos para verificar as causas da morte. “Isso vai possibilitar com que a gente entenda quais animais morreram de estômago vazio e quais estavam com o estômago cheio, além de indicar a taxa de qualidade do seu manejo de colostro”, defendeu.
Conforme o profissional, a fêmea suína é um dos poucos animais que tem condições de ajudar no crescimento bastante significativo de peso dos leitões. “Para que isso ocorra é preciso cuidar muito bem dela. Precisamos melhorar a produção do colostro, bem como a qualidade dele e também trabalhar para reduzir a pressão de infecção nessas matrizes”, ponderou.
Imunidade por meio de vacinas
O especialista também compartilhou os resultados de um estudo em que foram realizadas estratégias de vacinação em larga escala, incluindo a vacinação pré-parto em uma granja. Em um dos grupos, as fêmeas não foram vacinadas para micoplasma, enquanto em outro grupo, as fêmeas foram vacinadas no pré-parto. Em um terceiro grupo, todas as fêmeas foram vacinadas no mesmo dia. “Quatro meses após essas vacinações, o grupo submetido à vacinação em massa mostrou resultados superiores. Isso mostra que essa abordagem tem dois benefícios essenciais, protege as porcas e prepara o colostro que será produzido por elas”, refletiu.
Desta forma, as fêmeas que foram vacinadas apresentaram uma taxa significativamente menor de positividade para micoplasma. “Isso demonstra que a vacinação das matrizes no final da gestação tem o potencial de reduzir a colonização de leitões por doenças. Quando os leitões chegam à creche, eles podem estar suscetíveis a adoecer, dependendo das condições ambientais, uma vez que a imunidade conferida pela vacina ainda não está ativa nas primeiras semanas de vida. Isso ressalta a importância de proporcionar um ambiente adequado para os leitões nas primeiras fases de vida”, enalteceu.
Outra constatação apresentada pelo palestrante é a de que praticamente 100% dos leitões vacinados em massa, contra a influenza suína, testaram negativo para a doença. “Isso é fundamental, pois a influenza, provavelmente, não mata os leitões, mas ela abre as portas para que outras doenças matem”, opinou.
Perfil de imunidade
Por conta dos estudos apresentados, o palestrante recomendou que todo o plantel adulto da granja seja vacinado ao mesmo tempo, duas a três vezes ao ano. “Uniformizar o perfil de imunidade das matrizes tem se mostrado muito interessante porque diminui a pressão de infecção das matrizes, o que possibilita com que elas fiquem mais saudáveis, o que vai refletir para todo o rebanho”, observou.
Ele recomendou que é necessário diminuir a excreção de doenças pelas matrizes focando na redução da colonização dos leitões ao desmame e pressão de infecção ambiental. “Temos que focar em agentes respiratórios de acordo com o perfil sanitário de cada sistema. Nosso objetivo precisa ser maior do que só aumentar a qualidade imunológica do colostro, e sim, trabalhar uma fêmea mais saudável”, frisou.
Disputando a herança desde o nascimento

Entre as estratégias para garantir a colostragem, o profissional enalteceu que o colostro é muito estudado, mas pouco compreendido e frequentemente negligenciado. Por outro lado, ele disse que o sistema de produção da suinocultura já teve muitos avanços entre os anos de 2003 a 2023, como o incremento muito significativo de 25 a 30% nos nascidos vivos. “Temos que comemorar, pois as fêmeas estão entregando mais leitões vivos”, observou.
No entanto, Anderson informou que a produção média de colostro é de cerca de 3,67 quilos por matriz e que o manejo da granja deve auxiliar na divisão deste bem escasso. “Trabalhos mostram que alguns leitões conseguem ingerir 700 gramas de colostro, enquanto outros nenhuma grama. Tem coisa mais triste do que um animal recém-nascido morrer de fome? É importante refletir sobre isso”, argumentou.
O profissional também esclareceu que os últimos nascidos, a partir do leitão 14, já tem mais propensão a serem vulneráveis. “Esses leitões já encontram uma leitegada ativa e uma parede mamária muitas vezes esgotada pela sucção dos leitões que vieram na frente. Por conta disso é preciso ter cuidado especial com os vulneráveis”, recomendou.
Em termos de absorção ele explicou que a teoria dizia que algumas células do sistema imune eram específicas e que somente a mãe biológica conseguia transferir elas ao seu leitão. “Recentemente surgiram trabalhos que mostram que os leitões conseguem absorver células do sistema imune de outras porcas, que não são a própria mãe, inclusive de mães adotivas. Isso muda a nossa observação sobre a transferência de leitões logos após o nascimento, mas os estudos também mostram que os leitões que são trocados de matriz morrem mais”, advertiu.
Com relação ao percentual de colostro que o leitão precisa mamar o especialista disse que é em torno de 200 a 250 gramas, dependendo do peso ao nascer. “Essa quantidade pode ser menor se for imediatamente após o nascimento, pois o colostro é de melhor qualidade”, apontou. De outra forma, o profissional também frisou que as medidas de ingestão no colostro que são baseadas no peso leitão medem a quantidade ingerida, não a qualidade do colostro. “Ou seja, é muito mais nutricional do que imunológico”, afirmou.
Segundo o médico-veterinário, a ingestão do colostro logo após o nascimento também tem função energética e termorreguladora. “É por isso que se fala tanto sobre o frio para o leitão, porque ele gasta muita caloria nas primeiras horas tentando manter a temperatura corporal dentro do ideal, então ele consome muita energia, se ele não conseguir mamar, ele vai ficar gelado, vai cair. Tudo o que um leitão recém-nascido precisa é mamar colostro, porque os componentes do colostro vão muito além da imunidade, eles ajudam o leitão a aumentar a temperatura, ficar forte e continuar mamando, observou.
O profissional também apresentou algumas ações práticas que podem auxiliar e minimizar o impacto da temperatura ambiente, como uma estrutura de aquecimento próxima ao aparelho mamário, o uso de papelão descartável – principalmente em sistemas com piso compacto ou feno e o uso de cortina na frente das placas evaporativas.
Fechamento intestinal
Outro ciclo importante e que faz parte do manejo do leitão recém-nascido é o sistema que ele possui de fechamento intestinal. Conforme o palestrante esse fechamento é dose-dependente da ingestão do colostro. “Ingerir uma grande quantidade de colostro em curto espaço de tempo permite um rápido fechamento intestinal e reduz riscos de invasão por patógenos. Enquanto o retardo da ingestão resulta em um atraso do fechamento para até 33 horas. O intestino precisa estar preparado para receber o alimento”, indicou.
Anderson também afirmou que esse fechamento intestinal tem relação com a entrada de energia e proteína também, bem como os hormônios podem alterar este processo. “A partir do momento que a abertura se fecha, mais ou menos entre 24 e 36 horas que o leitão nasce, não adianta mais ofertar colostro, porque ele não vai conseguir absorver. Esse fechamento, próximo das 24 horas, é desejável, porque ele diminui o risco de encontrar algo no ambiente”, refletiu.
O especialista garantiu que um dos segredos do sucesso na indústria suína está na atenção dada ao consumo do colostro nas primeiras horas de vida dos leitões, pois esse consumo desempenha um papel crucial no desenvolvimento intestinal desses animais. “Quando adequadamente preparado, o colostro pode causar mudanças notáveis na morfologia intestinal, incluindo um aumento significativo no tamanho do intestino, espessura da parede do intestino delgado, altura das vilosidades e profundidade de cripta. Essas transformações resultam em um aumento espetacular na superfície de absorção, aproximadamente 100 vezes maior. Já existem contratos bonificando valor sobre o desmamado de acordo com o desempenho de creche”, informou.
Em sua conclusão, ele relembrou que a importância da matriz na sanidade do rebanho não pode ser subestimada. A imunidade passiva desempenha um papel crucial no bem-estar dos leitões e é fundamental compreender o significado dessa imunidade dentro da granja. “A qualidade do colostro é a chave para facilitar a vida dos leitões desde o momento em que o ingerem. Portanto, a mensagem principal é clara: não basta ter colostro, ele precisa ser de alta qualidade. Para alcançar colostro de qualidade é essencial que as porcas estejam saudáveis e bem cuidadas. A saúde do rebanho depende do equilíbrio entre a imunidade passiva e a colonização ativa”, finalizou.
7 dicas práticas – onde devemos focar
1. Potencialize a produção e principalmente a qualidade do colostro das matrizes, isso depende da estratégia e engajamento de todo o sistema produtivo.
2. Defina um programa de imunização das matrizes para agentes respiratórios de acordo com os desafios.
3. Não basta ser colostro – tem que ter capacidade de gerar imunidade passiva para toda leitegada.
4. Organizar mamada de colostro é obrigação dos profissionais da granja.
5. Controle fatores estressantes para os leitões nascidos, pois isso é importante e vai ajudar a garantir a absorção dos nutrientes necessários.
6. Quanto mais rápido ele começar a receber o colostro melhor.
7. Lembre-se sempre: colostro é aquecimento, energia, imunidade, desempenho, vida.
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Suínos
Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil
Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.
Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.
O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h: Coffee Break
16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-fera (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento
Suínos
Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef
Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra “Mercado e valorização da proteína“, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock
Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.
Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.
A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.
Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.
Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.
O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.
Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.
Novo caminho para a carne suína
Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.
Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.
Comunicação como ferramenta
Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.
Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.
Notícias
Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.




