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Confinamento exige investimento de até R$ 133 mil por vaca ordenhada ao ano, aponta Cepea

Estudo mostra que a adoção de sistemas como o compost barn demanda elevado aporte de capital e reforça que produtividade, gestão e composição do rebanho são decisivas para garantir retorno econômico.

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A busca por maior eficiência produtiva tem acelerado a adoção de sistemas confinados na pecuária leiteira brasileira. No entanto, a verticalização da produção exige investimentos expressivos e impõe novos desafios de gestão aos produtores. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o estoque de capital necessário para operar uma fazenda leiteira confinada pode variar entre R$ 64 mil e R$ 133 mil por vaca ordenhada ao ano, desconsiderando o valor da terra.

Foto: Divulgação

Segundo o Cepea, o movimento ocorre em um contexto de consolidação da atividade leiteira, no qual a escala de produção e os ganhos de eficiência assumem papel cada vez mais importante para a competitividade das propriedades.

A análise foi realizada com base em propriedades que utilizam sistemas confinados, especialmente o compost barn, e não inclui o capital imobilizado em terras. De acordo com os pesquisadores, a exclusão ocorreu devido às grandes diferenças de preços observadas entre estados e regiões do país.

Benfeitorias concentram maior parcela do investimento

Os dados mostram que as benfeitorias representam a principal fatia do capital imobilizado em propriedades leiteiras confinadas, respondendo por 44,4% do total investido.

Dentro desse grupo, a estrutura do compost barn é um dos itens mais relevantes. O investimento médio identificado pelo Cepea foi de R$ 16.493,72 por vaca em lactação. O valor está diretamente relacionado à capacidade de alojamento do sistema e ao número de animais mantidos na estrutura.

Foto: Divulgação

O segundo componente de maior peso é o próprio rebanho, responsável por 30,2% do estoque de capital da propriedade.

Segundo o Cepea, a especialização dos animais é um fator determinante para o sucesso econômico do sistema. A combinação entre genética, nutrição e ambiente adequado permite maior expressão do potencial produtivo das vacas, refletindo diretamente nos resultados financeiros da atividade.

Alimentação exige estrutura robusta

A alimentação continua sendo um dos principais componentes do custo de produção de leite. Por isso, muitas propriedades que adotam sistemas confinados optam por produzir internamente parte significativa do volumoso consumido pelos animais.

Essa estratégia exige investimentos adicionais em mecanização. O levantamento aponta que o pátio de máquinas responde por 19% do capital imobilizado das fazendas analisadas.

Além da produção de alimentos, o sistema precisa atender à rotina de manejo, distribuição de dieta e colheita de forragens, demandando equipamentos com maior capacidade operacional.

Foto: Shutterstock

Outro investimento relevante está relacionado à ordenha. De acordo com o Cepea, a elevada produção exigida para viabilizar economicamente os sistemas confinados requer estruturas capazes de processar grandes volumes de leite diariamente.

Nesse contexto, os sistemas de ordenha e os tanques de expansão representam 4,2% do estoque total de capital das propriedades avaliadas.

Quanto custa implantar um compost barn

Ao analisar os projetos de implantação, incluindo galpões, instalações, sala de ordenha e pátio de máquinas, o Cepea verificou que o investimento inicial varia entre R$ 2,14 e R$ 5,27 para cada litro de leite produzido anualmente.

O estudo destaca que a recuperação desse capital deve ser considerada um custo indireto da atividade e diluída ao longo do tempo.

Os cálculos mostram que, para recuperar o investimento em cinco anos, o produtor precisaria destinar, em média, R$ 0,71 por litro de leite produzido apenas para amortização do capital investido.

Foto: Divulgação

Quando o prazo de retorno é ampliado, esse impacto diminui. O valor cai para R$ 0,35 por litro em um horizonte de dez anos, para R$ 0,24 em quinze anos e para R$ 0,18 por litro quando a recuperação ocorre ao longo de vinte anos.

Retorno depende da eficiência do sistema

Apesar do elevado investimento inicial, o Cepea avalia que sistemas confinados podem apresentar resultados econômicos atrativos quando operados de forma eficiente.

A rentabilidade calculada pelo estudo, relação entre receita bruta e estoque de capital investido, variou entre 16,7% e 34,8%, dependendo do desempenho produtivo de cada propriedade.

Os pesquisadores destacam que a viabilidade econômica está diretamente ligada à capacidade de maximizar a produtividade do rebanho e de manter

Foto: Giuliano De Luca OP Rural

uma composição adequada dos animais. Segundo o levantamento, um dos indicadores mais importantes é a participação de vacas em lactação, que deve representar aproximadamente 45% do total de animais do sistema. “O investimento inicial é elevado, o que reforça a importância de uma gestão de custos e investimentos bem estruturada para o sucesso da operação”, destaca o Cepea.

Para os pesquisadores, o compost barn pode ser uma alternativa competitiva para produtores que buscam aumentar escala, produtividade e qualidade do leite. No entanto, o desempenho econômico depende de planejamento técnico e financeiro rigoroso, capaz de garantir margens satisfatórias e reduzir os impactos das oscilações de mercado.

O estudo conclui que ganhos produtivos, melhoria da qualidade do leite e eficiência na utilização dos recursos podem favorecer a sustentabilidade econômica da atividade e contribuir para a permanência dos produtores na cadeia leiteira. Contudo, o retorno sobre o investimento está condicionado à capacidade de transformar os elevados aportes iniciais em produtividade e geração de receita ao longo do tempo.

Fonte: O Presente Rural

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Prêmio Queijos do Paraná projeta recorde de participantes e amplia ações para 2027

Concurso deve reunir 600 produtos na terceira edição e ganhar nova categoria dedicada ao tradicional queijo colonial paranaense.

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Os últimos ajustes para a terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná foram definidos na última segunda-feira (01º), durante reunião de apresentação realizada na sede do Sistema Faep, em Curitiba. O encontro reuniu integrantes do comitê gestor do concurso para discutir expectativas, novidades e estratégias para ampliar o alcance da iniciativa, que coloca a produção de queijos artesanais e industriais paranaense na vitrine nacional e mundial.

A reunião contou com representantes do Sistema Faep, além de Erivelto Costa, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado do Paraná (Sindileite); Vitor Roberto Tioqueta, diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR); Sidnei Lopes de Oliveira, diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR); e Karolline Marques da Silva, assessora de Agroindústria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).

Durante o encontro, foram apresentados números que mostram a expansão do prêmio desde sua criação, em 2023, quando contou com 291 queijos inscritos. Na segunda edição, realizada em 2025, o número saltou para 477 produtos, um crescimento de 64%. Para 2027, a meta é ainda mais ambiciosa: 600 queijos participantes. O prêmio também deve ganhar novas frentes de atuação, como o inédito Concurso Queijo Colonial do Paraná, iniciativa voltada exclusivamente a um dos produtos mais tradicionais da cultura rural paranaense, com expectativa de reunir 100 inscritos.

O lançamento oficial da terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná está marcado para 23 de junho, no Mercado Municipal de Curitiba, ocasião em que serão abertas as inscrições.

“Mais do que reconhecer qualidade, a proposta do prêmio é fortalecer a identidade queijeira do Estado, valorizar a produção local e ampliar mercados para os produtos paranaenses. A iniciativa busca estimular desde pequenos produtores rurais até indústrias, incentivando inovação, qualidade e agregação de valor aos derivados lácteos”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O diretor-executivo do Sindileite Paraná destaca que a competição estimula a busca por inovação e o desenvolvimento de novos produtos. “As indústrias participam com força total desde o início e ficam ansiosas pelas categorias e pelos resultados. Esse processo incentiva a inovação dentro das empresas e acaba gerando novos queijos. Temos grandes queijos ainda a serem descobertos no Paraná e acreditamos que a próxima edição trará muitas surpresas e novidades”, afirma Costa.

Segundo o diretor-superintendente do Sebrae-PR, a expectativa para a terceira edição é ampliar ainda mais a participação dos produtores e fortalecer a visibilidade dos queijos paranaenses. “Tivemos resultados fantásticos nas duas primeiras edições e agora teremos ainda mais produtores mostrando que o Paraná é um grande produtor de queijos de qualidade. Precisamos mostrar ao mercado a força desses produtos”, avalia Tioqueta. O Sebrae-PR, parceiro desde a primeira edição, vai atuar em ações para aproximar os produtores do mercado consumidor, como rodadas de negócios e semana gastronômica.

Já o diretor regional do Senac-PR enfatiza o papel da qualificação profissional no fortalecimento da cadeia produtiva do queijo. Para o dirigente, o crescimento do prêmio também exige investimentos em formação para ampliar as possibilidades de consumo e aplicação gastronômica dos produtos. “Para essa edição, nossa expectativa é ainda maior. Vamos trabalhar na qualificação, para ensinar como esses queijos podem ser utilizados da melhor forma, agregando valor aos produtos e ampliando o consumo, não apenas in natura ou harmonizado, mas também na gastronomia geral”, explica Oliveira.

A representante do IDR-Paraná destaca a importância de incentivar novas receitas, fortalecendo os chamados queijos autorais e ampliando a sanidade na produção. “Nossa expectativa é ver cada vez mais receitas, novos queijos e produtos autorais aparecendo, porque isso revela a identidade da produção do Paraná. Ao mesmo tempo, queremos fortalecer a sanidade, proporcionando que as propriedades conquistem certificações de livre de brucelose e tuberculose”, finaliza Karolline.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Oferta de animais pressiona arroba do boi gordo em maio

Apesar do suporte das exportações de carne bovina, aumento da disponibilidade de animais terminados favoreceu a queda das cotações ao longo do mês.

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As cotações da arroba do boi gordo registraram oscilações ao longo de maio, mas encerraram o período com viés de baixa, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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De acordo com os pesquisadores, o mercado foi influenciado por fatores distintos durante o mês. De um lado, a maior oferta de animais terminados em algumas regiões produtoras exerceu pressão sobre os preços da arroba. De outro, a demanda aquecida no mercado internacional pela carne bovina brasileira ajudou a limitar quedas mais acentuadas e sustentou as cotações em determinados momentos.

No segmento de reposição, o movimento foi oposto. Os preços dos bezerros avançaram em maio, impulsionados pela oferta mais restrita de animais e pela perspectiva favorável dos pecuaristas em relação ao atual ciclo pecuário.

Já no mercado atacadista da Grande São Paulo, os preços da carne bovina com osso apresentaram recuo no acumulado do mês. Segundo o Cepea, a carcaça casada bovina registrou desvalorização, refletindo o comportamento mais enfraquecido das negociações no período.

Fonte: O Presente Rural
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Boi gordo sobe 15% em um ano com demanda firme e avanço das exportações

Média da arroba atingiu R$ 363 em abril, enquanto a China ampliou as compras de carne bovina brasileira.

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Foto: Ana Maio/SFA-SP

O mercado do boi gordo registrou valorização em abril, impulsionado pela demanda consistente e pelo desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o indicador Cepea avançou 3,7% no período, elevando a média mensal para R$ 363 por arroba, valor 15% superior ao observado em abril de 2025.

Foto: Shutterstock

Durante a primeira quinzena do mês, a oferta mais ajustada contribuiu para a sustentação dos preços. No entanto, o cenário mudou na segunda metade de abril, quando as escalas de abate ganharam maior folga. Apesar de os preços das carcaças permanecerem firmes, o mercado do boi gordo passou por acomodação, movimento que se estendeu para os primeiros dias de maio.

Com esse ajuste, a arroba encerrou o dia 8 de maio cotada a R$ 353, retornando ao mesmo nível registrado no final de março.

Enquanto isso, o mercado de reposição continuou apresentando valorização. O preço do bezerro acumulou alta de 3,7% entre o início de abril e 8 de maio, alcançando R$ 3.425 por cabeça. Como consequência, a relação de troca permaneceu pressionada para os pecuaristas. Atualmente, a venda de um boi gordo permite a compra de 2,16 bezerros, índice 3,2% inferior ao registrado em abril de 2025.

No comércio exterior, abril foi marcado por novo recorde para o período. As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 252 mil toneladas, volume 4,4% superior ao embarcado em abril do ano passado. Com esse resultado, os embarques acumulados no primeiro quadrimestre cresceram 15% na comparação com o mesmo período de 2025.

Foto: Fernando Dias

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira. Somente em abril, os embarques para o país asiático alcançaram 135 mil toneladas, avanço de 26% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as vendas para o mercado chinês totalizaram 460 mil toneladas, crescimento de 19% na comparação anual.

Além do aumento do volume exportado, o preço médio das vendas externas também apresentou valorização. Em abril, a média atingiu US$ 6.240 por tonelada, alta de 7,3% em relação ao ano anterior.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, apesar do avanço dos preços da carne exportada, a valorização do boi gordo em dólar foi ainda maior, chegando a 7,9%. Com isso, o spread de exportação — indicador que compara o preço da carne bovina exportada com o valor do boi gordo — permaneceu próximo de zero. Há um ano, esse índice estava em 3%.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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