Notícias
Conferência Internacional de Pecuaristas reúne 1,1 mil profissionais em Goiânia
Evento faz parte do projeto 'O Brasil Pecuário acontece aqui', que engloba a Goiás Genética, que vai até o dia 23 de setembro, no Parque de Exposições Pedro Ludovico Teixeira
A 10ª edição da Interconf – Conferência Internacional de Pecuaristas, promovida pela Assocon – Associação Nacional da Pecuária Intensiva, reuniu um público de 1.100 pessoas nos dias 18 e 19 de setembro, no Parque de Exposições Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia. O evento faz parte do projeto “Brasil Pecuário Acontece Aqui”, que engloba também a Goiás Genética, realizada pela AGCZ – Associação Goiana dos Criadores de Zebu, que vai até o dia 23 de setembro, no mesmo local.
Por meio de quatro blocos – Mercado, Técnico, Regulatório e Futuro, os participantes assistiram a palestras e debates com especialistas nacionais e um pecuarista da Austrália para analisar o cenário atual da pecuária e discutir estratégias de longo prazo para o negócio.
“O contínuo crescimento da população global, que deve superar os 9 milhões de pessoas até 2050, e o avanço no consumo de alimentos oferecem um grande desafio para a pecuária brasileira, que precisa produzir mais e melhor. Poucos países no mundo têm potencial exportador de proteína como o Brasil, mas para atender esses mercados precisamos ser mais produtivos para se tornar competitivo perante outras atividades agrícolas. A pecuária brasileira é um agente fundamental do crescimento da oferta mundial de carne bovina e é essa reflexão que procuramos despertar na Interconf”, afirma Alberto Pessina, presidente do Conselho de Administração da Assocon.
O ‘Brasil Pecuário Acontece Aqui’ é um grande evento da pecuária brasileira, em que as mais de mil pessoas que estiveram na Interconf e as que virão para a Goiás Genética têm a oportunidade de ter contato com as novas ferramentas e inovações trazidas através das conferências para que os pecuaristas continuem produzido com eficiência e produtividade. Dessa forma, o pecuarista pode cumprir com a sua grande missão que é produzir carne para o mundo todo com qualidade, eficiência e sustentabilidade”, evidencia o presidente da AGCZ, Wagner Miranda.
Lançamento do projeto “O agronegócio contra o câncer”
No encerramento da Interconf foi apresentado em primeira mão aos participantes o projeto “O agronegócio contra o câncer”, que incentiva produtores rurais a colaborarem com o Hospital de Câncer de Barretos. O pecuarista e diretor geral do Hospital, Henrique Prata disse que a maior parte das doações para cobrir o déficit mensal de mais de R$ 20 milhões vem do agronegócio, especialmente de pequenos produtores. Sob coordenação do pecuarista Rubiquinho Carvalho, o projeto “O agronegócio contra o câncer” terá início em três áreas: pecuária, cana e laranja. Os pecuaristas fornecedores do Minerva Foods terão a opção de doar R$ 1,00 por cabeça de gado abatida ao Hospital de Câncer de Barretos. Uma porcentagem similar será proposta aos fornecedores de cana das usinas do grupo COFCO Agri e aos de laranja pela Louis Dreyfus Company. O pecuarista André Perrone, do Confinamento Monte Alegre (CMA) também anunciou o projeto "Boi Solidário", por meio do qual vai reverter R$ 1,00 por cabeça comercializada em prol do Hospital de Câncer de Barretos.
Tecnologias apresentadas pelas empresas
Uma feira de negócios completou a Interconf com a participação de empresas de referência em soluções tecnológicas para a pecuária intensiva, como Tortuga-DSM, XP Investimentos, MSD Saúde Animal, Minerva Foods, Dow, Allflex, J.A. Saúde Animal, Vaccinar, Casale, Oxen Currais, Exacta Balanças, Clarion, Bosch, Açores, Zoetis, Brutale, SBC Certificadora, Tenax Pré Moldados, B1 Agribusiness, Liberali, GEM Alimentos, Beckhauser, Biorigin, Romancini, Toledo do Brasil, ABCT – Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã, Associação Goiana do Tabapuã, com apoio da Phibro, ABS Pecplan e Scot Consultoria.
O projeto ‘O Brasil Pecuário acontece aqui’ é uma realização da Assocon, Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ), Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) e o Fundo para o Desenvolvimento da Pecuária em Goiás (Fundepec-GO). A organização é do Terraviva Eventos, com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A Interconf faz parte do “Integrar para Crescer”, plataforma de comunicação que envolve eventos e ações com o intuito de disseminar informação de qualidade, reverberando os temas e discussões relevantes ao setor em um programa semanal de mesmo nome, que vai ao ar aos domingos pelo Canal Terraviva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação. A InterCorte, Beef Week, Caminho do Boi, Dia do Produtor e manifesto #SomosdaCarne também fazem parte da plataforma.
Mais informações: www.interconf.org.br

Notícias
Setor produtivo do Paraná apresenta proposta para concessão da Malha Sul ferroviária
Documento defende nova licitação da ferrovia, divisão em três trechos e maior retorno de investimentos ao estado.

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, entregou, no dia 24 de junho, em Umuarama, ao ministro dos Transportes, George Santoro, o posicionamento do setor produtivo paranaense em relação a nova concessão da Malha Sul ferroviária. O documento, elaborado em conjunto pelo G7 Paraná, reúne propostas relacionadas ao modelo atualmente em discussão para a futura operação da ferrovia, cujo contrato vigente encerra em 2027.
O Sistema Faep defende a realização de uma nova licitação para a Malha Sul, com foco na ampliação da capacidade de transporte, na modernização da infraestrutura ferroviária e na eliminação dos principais gargalos logísticos que afetam a competitividade do Paraná. Os estudos apresentados pelo Governo Federal preveem a divisão da Malha Sul em três segmentos: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mercosul.

O documento entregue ao ministro reúne propostas relacionadas ao modelo atualmente em discussão para a futura operação da ferrovia, cujo contrato atual se encerra em 2027
Embora a entidade apoie a separação das operações, considera inadequado o modelo proposto para distribuição dos recursos gerados pela concessão, que prevê outorga de R$ 8,7 bilhões. A malha ferroviária do Paraná concentra aproximadamente 78% da carga movimentada por trens. No entanto, a proposta prevê que parte significativa desses recursos seja utilizada para financiar investimentos e déficits em outras concessões ferroviários.
“Somos favoráveis à modernização da ferrovia e à nova licitação, mas entendemos que os recursos gerados pelos usuários paranaenses precisam retornar em investimentos para o próprio Paraná. Não é razoável que a região responsável pela maior parte da movimentação de cargas financie gargalos de outras malhas enquanto seus próprios problemas permanecem sem solução”, afirma Meneguette.
Outro ponto de preocupação é a ausência de investimentos considerados estratégicos para ampliar a capacidade do transporte ferroviário no Estado. Entre as obras prioritárias defendidas pelo Sistema Faep estão a construção de um novo traçado ferroviário na Serra da Esperança, entre Guarapuava, Irati e Lapa; a implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba; e a ampliação dos pátios de cruzamento, estruturas que permitem aumentar a fluidez do tráfego ferroviário.
De acordo com a entidade, os estudos atualmente apresentados não contemplam essas intervenções de forma adequada nem estabelecem cronogramas compatíveis com a demanda crescente por transporte de cargas.

Foto: Jonathan Campos
“Precisamos de uma concessão que aumente a capacidade operacional da ferrovia. O Paraná produz cada vez mais e necessita de uma infraestrutura logística capaz de acompanhar esse crescimento. Algumas obras consideradas fundamentais aparecem apenas para o 27º ano da concessão, quando deveriam ser tratadas como prioridade”, destaca o presidente do Sistema Faep.
Durante a reunião, Santoro afirmou que o governo federal já reconhece a necessidade de investimentos em dois dos principais gargalos apontados pelo setor produtivo paranaense: o Contorno Ferroviário de Curitiba e as intervenções na Serra da Esperança.
“As duas demandas a gente já tinha mapeado e temos clareza de que vamos incluir como um investimento obrigatório no projeto. Então, já estão resolvidas”, afirma o ministro.
Além das obras estruturantes, o documento entregue ao Ministério dos Transportes propõe a integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste, ampliando a eficiência operacional do sistema e fortalecendo a ligação entre as regiões produtoras do Oeste do Paraná e o Porto de Paranaguá.
Os investimentos previstos (Capex) somam cerca de R$ 6,8 bilhões e incluem a substituição de dormentes e trilhos, além da construção de sete novos pátios ferroviários.
O que o Sistema Faep defende para a nova Malha Sul
- Nova licitação da Malha Sul, em vez da prorrogação do contrato atual;
- Divisão da malha em três segmentos independentes;
- Integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste;
- Reinvestimento dos recursos gerados no Paraná em obras dentro do próprio Estado;
- Construção do novo trecho Guarapuava-Irati-Lapa (Serra da Esperança);
- Implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba;
- Ampliação dos pátios de cruzamento na Serra do Mar;
- Cronograma de investimentos antecipado para eliminar gargalos;
- Garantias que evitem aumento tarifário aos usuários;
- Possibilidade de aportes dos governos estadual e federal para acelerar as obras prioritárias.
Notícias
Linha de crédito de R$ 10 bilhões amplia acesso à tecnologia no campo
Recursos serão operados pela Finep e voltados à compra de máquinas e implementos agrícolas por produtores rurais pessoas físicas e jurídicas.

O Governo Federal publicou, na quarta-feira (01º), a Medida Provisória nº 1.374, que autoriza a destinação de até R$ 10 bilhões para uma linha de financiamento voltada à adoção de tecnologias baseadas em máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil. A iniciativa integra o programa Move Agricultura e tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito para modernização da produção rural.

Foto: Shutterstock
A MP altera o artigo 15-A da Lei nº 11.540/2007 e permite, de forma extraordinária no exercício de 2026, a criação da nova linha de financiamento. A gestão dos recursos ficará sob responsabilidade da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com operação por meio de crédito descentralizado, executado por agências de fomento, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras oficiais credenciadas.
O financiamento será destinado a projetos de disseminação tecnológica baseados em equipamentos agrícolas inovadores nacionais. Poderão acessar a linha produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, com enquadramento como crédito rural conforme a legislação vigente.
Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a ampliação do acesso ao crédito é central na política pública. “A verdadeira grandeza de uma política pública está na sua capacidade de fazer esse crédito chegar a mais brasileiros. Ampliamos o acesso à linha de financiamento para que não apenas pessoas jurídicas, mas também produtores rurais pessoas físicas possam adquirir máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil”, afirmou.

Foto: Divulgação/Freepik
Com a inclusão de pessoas físicas entre os beneficiários, a medida amplia o alcance da política e permite que produtores de diferentes portes tenham acesso a equipamentos modernos, voltados à mecanização e à inovação no campo.
O Move Agricultura, que integra a nova linha de financiamento, foi lançado durante a 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O programa prevê crédito para aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas, com juros de até 9,2% ao ano, prazo de até 60 meses e carência de 12 meses. A proposta é acelerar a modernização da frota agrícola e estimular o desenvolvimento de tecnologias nacionais.
A Medida Provisória também autoriza a concessão de apoio financeiro, por meio de subvenção econômica, a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. O benefício é destinado a reduzir impactos de prejuízos associados à tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou a eventos climáticos extremos.
A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizada na terça-feira (30).
Notícias
Acordo entre EUA e Irã reduz risco logístico no mercado global de fertilizantes
Estreito de Ormuz tem reabertura parcial após avanço diplomático, enquanto a ureia recua US$ 360 toneladas desde abril, com maior oferta no Golfo e retomada parcial das exportações da China.

O conflito no Oriente Médio teve um novo desdobramento em 14 de junho, com o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, seguido pela assinatura eletrônica do documento no dia 15. Apesar disso, o texto final do acordo ainda deve ser divulgado na sexta-feira, mantendo incertezas no cenário.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
O Estreito de Ormuz foi parcialmente reaberto e há expectativa de liberação total até o fim da semana, embora o fluxo ainda não esteja normalizado. A região é considerada estratégica para o transporte de matérias-primas usadas na produção de fertilizantes.
No mercado de nitrogenados, a ureia registrou queda expressiva de cerca de US$ 360 por tonelada desde o fim de abril, retornando a patamares anteriores ao conflito. O movimento foi influenciado por um excesso pontual de oferta, com estoques acumulados no Golfo e o retorno parcial da China como exportadora. As cotações CFR Brasil recuaram para cerca de US$ 445/t, com negócios sendo fechados em níveis ainda mais baixos.
Nos fosfatados, o cenário segue mais pressionado. O enxofre, insumo essencial para a produção de MAP e SSP, avançou para cerca de US$ 1.250/t. Já o MAP permanece próximo de US$ 900/t CFR Brasil. Do lado da oferta, a China segue praticamente fora do mercado de fósforo, enquanto a Rússia opera com restrições ligadas a danos de infraestrutura decorrentes da guerra. No Oriente Médio, há impactos logísticos, e o Marrocos enfrenta limitação de capacidade associada à escassez de enxofre.
Nos potássicos, o mercado apresenta maior estabilidade. O KCl oscila em torno de US$ 405/t CFR Brasil, sustentado por um equilíbrio maior entre oferta e demanda globais, sem mudanças estruturais relevantes no período.
