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Conferência FACTA WPSA-Brasil discutiu evolução da avicultura permeada pelo conceito de “One Health”
Palestrantes nacionais e internacionais enriqueceram o conteúdo apresentado durante o evento

A Conferência FACTA WPSA-Brasil 2020, finalizada na noite da quinta-feira (13), marcou um momento histórico para a avicultura brasileira, ao ser realizada de forma totalmente online. Durante três dias, palestrantes nacionais e internacionais falaram para conferencistas de 16 países, em uma confluência de conteúdos altamente técnicos e pertinentes para o setor.
A 37ª edição do evento contou com tradução simultânea em Inglês e Espanhol e, embora remoto, os participantes interagiam por meio de perguntas enviadas aos moderadores e colocadas em sequência aos palestrantes.
O tema escolhido para esta edição foi “One Health” ou “Saúde Única”. Para Ricardo Santin, diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e vice-presidente do Conselho Mundial da Avicultura, essa discussão é essencial para a avicultura brasileira. “Novas tecnologias, inovação e ciência aplicada são bases para um setor forte e para a competitividade internacional. Em tempos de enfrentamento de doenças humanas como a Covid-19, e animal como Influenza Aviária e Peste Suína Africana, o sentido da discussão da ‘One Health’ fica mais evidente para que possamos chegar a resultados satisfatórios e sustentáveis em todos os seus sentidos”, salientou.
Santin foi responsável pela palestra de abertura da Conferência, na qual evidenciou os atributos do país. “Ao longo de cinco décadas de fortes investimentos e empreendedorismo setorial, em um modelo de gestão integrada entre produtores e agroindústrias, a avicultura do Brasil construiu alicerces sólidos que se consolidaram em forças invejáveis. Os fortes investimentos em tecnologia e customização de produtos foram suplementares à competência técnica da Medicina Veterinária e da Zootecnia do País, que segue como único grande produtor mundial a nunca registrar Influenza Aviária. As vantagens naturais, como clima e outros fatores favoráveis à produção se completam pela ampla oferta de grãos”, detalhou.
Para a presidente da FACTA, Irenilza de Alencar Nääs, a Conferência online foi um momento histórico para a avicultura brasileira, que requereu um enorme esforço da diretoria da fundação para ultrapassar muitas barreiras. “Nem todos estavam confiantes de que daria certo, mas não nos deixarmos abater pela pandemia ou pelas dificuldades e acreditamos que nesse novo normal é possível se fazer uma conferência com qualidade. Mostra disso foram os mais de 400 participantes, de 16 países diferentes e da ampliação da nossa rede de colaboração para a avicultura na América Latina”.
Ela acrescenta que o sucesso do evento, que manteve alta audiência durante os três dias, se deveu a “uma confluência de excelentes ideias de toda a equipe da FACTA, ações assertivas e palestrantes muito comprometidos e motivados em fazer do evento esse acontecimento brilhante que foi apresentado”.
Prêmios e homenagens
No primeiro dia do evento foram realizadas as apresentações dos trabalhos vencedores do Prêmio Lamas 2020, nas categorias Nutrição, Sanidade, Produção e Outras Áreas. Os primeiros colocados de cada área foram premiados com uma inscrição para a Conferência FACTA WPSA-Brasil 2021 e os livros da Coleção FACTA. Todos os 53 trabalhos inscritos estão publicados nos anais da FACTA, que podem ser acessados no site do evento.
No mesmo dia ocorreu ainda a nomeação do médico-veterinário José Di Fábio para o Prêmio FACTA “Profissional do Ano”, atribuído ao profissional técnico/científico de reconhecido mérito. Além disso, foram prestadas homenagens da diretoria da FACTA ao jornalista José Carlos Godoy do AviSite e à ex-funcionária da entidade, Nilza Marcondes, ambos pelas contribuições prestadas à fundação e à avicultura brasileira.

Notícias
Tarifa anunciada pelos EUA sobre países que negociam com Irã pode atingir o Brasil
Sanção extraterritorial dos EUA pode afetar vendas brasileiras ao mercado americano, apesar de o país não ser alvo direto da decisão.

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% sobre qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã acende um alerta para o Brasil, que mantém relações comerciais relevantes com Teerã, especialmente no agronegócio.

Foto: Jonathan Campos
Anunciada na segunda-feira (12), a medida prevê a aplicação imediata da tarifa sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos por países que mantenham comércio com o Irã. Segundo Trump, a ordem é definitiva e irrecorrível.
Embora o Brasil não esteja no centro da estratégia geopolítica americana, analistas avaliam que o país pode ser afetado de forma indireta, caso a sanção seja aplicada de maneira ampla e sem exceções. O risco decorre do fato de o Brasil negociar simultaneamente com o Irã e com os Estados Unidos, um de seus principais parceiros comerciais.
Em 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e Irã movimentou cerca de US$ 2,9 bilhões, com forte superávit brasileiro. A pauta de exportações é concentrada em produtos do agronegócio, como milho, soja, farelo de soja, açúcar e derivados de petróleo. Para esses setores, o mercado iraniano se tornou um destino estratégico nos últimos anos, sobretudo em períodos de retração da demanda em outros países.
Impacto da imposição
A eventual imposição de tarifas sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, mesmo sem relação direta com o Irã, teria impacto

Foto: Claudio Neves
direto sobre a competitividade de produtos nacionais no mercado americano. O efeito seria mais sensível em cadeias já pressionadas por custos elevados, volatilidade cambial e concorrência internacional.
O anúncio de Trump ocorre em meio a uma escalada de tensão no Irã, que enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos. Segundo organizações não governamentais, ao menos 600 pessoas morreram em ações de repressão das autoridades iranianas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que protestos pacíficos são tolerados, mas classificou os distúrbios recentes como provocados por terroristas do estrangeiro.
Nos últimos dias, Trump tem reiterado ameaças de intervenção no país, afirmando ter opções muito fortes, inclusive militares, e dizendo manter contato com líderes da oposição iraniana. A tarifa anunciada se soma a esse conjunto de pressões econômicas e políticas contra o regime de Teerã.

Foto: Claudio Neves
No Brasil, o governo acompanha o desdobramento da medida com cautela. Ainda não está claro se a tarifa valerá para contratos em vigor, novas operações ou se haverá espaço para negociações bilaterais. Também há dúvidas sobre a compatibilidade da decisão com regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que a sanção tem caráter extraterritorial.
Especialistas avaliam que, no curto prazo, o impacto macroeconômico tende a ser limitado, mas alertam que setores específicos do agronegócio podem ser diretamente afetados, caso o Brasil seja obrigado a reavaliar sua relação comercial com o Irã para preservar o acesso ao mercado americano.
Enquanto faltam detalhes sobre a aplicação prática da medida, o anúncio reforça a percepção de que tensões geopolíticas seguem como um fator de risco relevante para o comércio internacional e para países que, como o Brasil, buscam manter relações comerciais diversificadas.
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EUA anunciam tarifas de 25% a países que negociarem com Irã
Medida que pode afetar o Brasil, que manteve um comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, apesar de o país persa representar apenas 0,84% das exportações brasileiras.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (12) a imposição, com efeitos imediatos, de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã. Medida que pode afetar o Brasil, que de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) manteve um comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, apesar de o país persa representar apenas 0,84% das exportações brasileiras.

Segundo Trump, estes países terão uma tarifa imediata sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, anunciou Donald Trump em sua rede social. “Esta ordem é definitiva e irrecorrível”, acrescentou.
Protestos
O anúncio de Trump surge no momento em que o regime de Teerã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos. Entre domingo (11) e segunda-feira, Teerã registrou também atos pró-regime da República Islâmica e para criticar as manifestações violentas dos últimos dias.
Na segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas que os distúrbios recentes são provocados por terroristas do estrangeiro para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.
Em resposta aos protestos, que já se estendem a todo o país, as autoridades iranianas têm respondido com força letal perante a população. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes.
Nos últimos dias, o presidente estadunidense tem repetido ameaças de intervenção no Irã. Donald Trump afirmou que tem opções muito fortes, incluindo a via militar, e adiantou ainda que está em contacto com líderes da oposição iranianos.
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Brasil movimentou quase US$ 3 bilhões em comércio com Irã em 2025
Trump anunciou tarifa de 25% a parceiros comerciais do país persa.

O Brasil manteve um comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, apesar de o país persa representar apenas 0,84% das exportações brasileiras.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as vendas brasileiras para Teerã somaram US$ 2,9 bilhões no ano passado, consolidando o Irã como o quinto principal destino das exportações nacionais no Oriente Médio.
Embora ocupe a 31ª posição no ranking geral dos destinos das exportações brasileiras, o Irã aparece atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita na região. No ano passado, as vendas brasileiras ao país superaram as destinadas a mercados como Suíça, África do Sul e Rússia.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% das exportações brasileiras ao Irã. Somente o milho representou 67,9% do total, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão, enquanto a soja respondeu por 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.
Também figuram entre os principais produtos exportados açúcares e itens de confeitaria, farelos de soja para alimentação animal e petróleo.
As importações brasileiras provenientes do Irã, por sua vez, foram bem mais modestas. Em 2025, o Brasil comprou cerca de US$ 84 milhões do país do Oriente Médio, com destaque para adubos e fertilizantes, que corresponderam a aproximadamente 79% do total, além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.
A relação comercial entre os dois países tem apresentado oscilações nos últimos anos. Em 2022, as exportações brasileiras ao Irã atingiram US$ 4,2 bilhões, o maior valor da série recente, antes de recuarem em 2023 e voltarem a crescer em 2024 e 2025. Do lado das importações, os volumes variaram de forma ainda mais acentuada, com quedas expressivas em 2023 e recuperação no ano passado.
Ameaça de Trump
O tema ganhou nova dimensão após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na segunda-feira (12) que irá impor tarifas de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã.

Segundo o republicano, a taxa será aplicada “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos” por esses países e entraria em vigor imediatamente, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado detalhes formais da medida.
O anúncio acendeu um alerta sobre possíveis impactos ao comércio brasileiro, sobretudo no agronegócio, principal beneficiário da relação com Teerã.
O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana para se manifestar oficialmente sobre o tema.
Iniciativas diplomáticas

Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná
A aproximação comercial entre Brasil e Irã também tem sido acompanhada por iniciativas diplomáticas. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou o Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na ocasião, os dois países concordaram com a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com o objetivo de agilizar pautas de interesse comum, ampliar o intercâmbio técnico e discutir medidas para facilitar o comércio.
Durante a visita, o governo iraniano também demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, o que poderia reduzir custos logísticos e impulsionar ainda mais o fluxo comercial entre os dois países. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador.
A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã, marcadas por ameaças mútuas, repressão a protestos internos no Irã e declarações recentes de autoridades dos dois países sobre a possibilidade de negociações, sem descartar um agravamento do conflito.



