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Conferência de Pós-Colheita reúne setor para discutir tecnologias e redução de perdas de grãos

A etapa que começa após a colheita e termina na comercialização dos grãos estará no centro das discussões da 9ª Conferência Brasileira de Pós-Colheita (CBP 2026), que será realizada entre os dias 12 e 14 de agosto, em Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná.

Foto: Nathiely Sposito Becaria
Promovido pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), o evento ocorre em conjunto com o 13º Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos e deve reunir cerca de 600 participantes, entre pesquisadores, especialistas, produtores rurais, cooperativas, estudantes e empresas ligadas ao setor.
A programação será realizada no Pavilhão Frísia, no Parque Histórico de Carambeí, com organização das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal.
Pós-colheita ganha importância diante dos desafios de armazenagem
Embora o foco da produção agrícola esteja frequentemente concentrado na lavoura, uma parcela significativa dos desafios do agronegócio ocorre após a colheita. Questões relacionadas à armazenagem, secagem, transporte e controle de pragas têm impacto direto sobre a qualidade dos grãos, a segurança alimentar e a rentabilidade dos produtores.
Segundo o presidente da Abrapos, José Ronaldo Quirino, a conferência chega à nona edição acompanhando a

Presidente da Abrapos, José Ronaldo Quirino: “O público pode esperar novas tecnologias de armazenamento de grãos, respostas e discussões sobre os desafios da armazenagem de grãos, atualizações técnicas e científicas, além das experiências práticas do próprio setor armazenador” – Foto: Divulgação
evolução tecnológica e o crescimento da própria cadeia de pós-colheita no Brasil. “A Abrapos chega a esta nona edição da CBP engrandecida com a pós-colheita de grãos do Brasil pela continuidade, prosperidade e profissionalismo do setor no país. É o maior evento da associação, que cresce junto com o setor”, afirma.
Quirino ressalta que a conferência também reforça a missão da entidade de disseminar conhecimento técnico capaz de contribuir para a redução das perdas de grãos durante e após a colheita.
Tecnologias e soluções para o armazenamento
A programação técnica reunirá palestras, painéis e expositores voltados às principais demandas da cadeia de armazenagem. Entre os temas previstos estão sistemas de secagem, tecnologias para conservação de grãos, controle de pragas, gestão de unidades armazenadoras e desafios logísticos.

Foto: José Fernando Ogura
Para o presidente da Abrapos, a edição de 2026 será marcada pela apresentação de novas soluções e pela troca de experiências entre profissionais que atuam diretamente no setor. “O público pode esperar novas tecnologias de armazenamento de grãos, respostas e discussões sobre os desafios da armazenagem de grãos, atualizações técnicas e científicas, além das experiências práticas do próprio setor armazenador”, destaca.
Inscrições estão abertas
As inscrições para participação no evento e para submissão de trabalhos técnicos estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.
Além da programação técnica, os participantes terão a oportunidade de conhecer Carambeí, município reconhecido pela forte influência da imigração holandesa e pela tradição na produção de leite e grãos.
A expectativa dos organizadores é que o encontro contribua para aproximar pesquisa, inovação e aplicação prática no campo, em um momento em que a eficiência da pós-colheita se torna cada vez mais estratégica para a competitividade do agronegócio brasileiro.

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Desafio da soja é transformar conhecimento em prática no campo, apontam especialistas
Baixa adesão ao Manejo Integrado de Pragas preocupa pesquisadores, que defendem maior aproximação entre ciência e produtores para ampliar a sustentabilidade e a rentabilidade da cultura.

Apesar dos avanços obtidos pela pesquisa nas últimas décadas, a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja ainda está abaixo do potencial esperado em diversas regiões produtoras do país. O tema esteve no centro das discussões do workshop “Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja”, realizado na última semana durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR).

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
O encontro reuniu pesquisadores, representantes da indústria, consultores e produtores rurais para debater formas de aproximar o conhecimento científico da realidade das propriedades. Entre as iniciativas apresentadas está a assinatura de uma carta de intenções entre a Embrapa Soja e a Promip, voltada à ampliação de ações de capacitação e treinamento para agricultores.
A busca por maior difusão do MIP ocorre em um momento em que o setor procura sistemas produtivos mais eficientes, capazes de integrar diferentes ferramentas de controle e reduzir a dependência exclusiva dos defensivos químicos.
A estratégia combina métodos biológicos, monitoramento das lavouras e uso racional de produtos fitossanitários, contribuindo para a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade. “Vamos ampliar as possibilidades de levar o conhecimento desenvolvido pela ciência, de forma on-line, para diferentes regiões do país. O MIP contribui para melhorar o processo de tomada de decisão do produtor e tem benefícios diretos para a sustentabilidade econômica e social. Cada vez mais, a sustentabilidade será um diferencial e o conhecimento sobre as boas práticas vai permitir tomar decisões com segurança para uma produção cada vez mais sustentável”, destaca Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
Tecnologia consolidada, mas ainda pouco utilizada
Um dos destaques da programação foi a palestra do pesquisador Adeney de Freitas Bueno, uma das principais referências brasileiras em Manejo Integrado de Pragas, que abordou os motivos pelos quais uma tecnologia amplamente validada ainda encontra dificuldades para avançar no campo.
Segundo o pesquisador, o desafio atual não está na falta de conhecimento técnico, mas em compreender as barreiras práticas enfrentadas pelos produtores na adoção das ferramentas disponíveis. “O MIP-Soja é uma tecnologia consolidada, com resultados comprovados na redução de custos, preservação de inimigos naturais, aumento da rentabilidade associado à sustentabilidade dos sistemas produtivos. O grande desafio é compreender os fatores que ainda limitam sua adoção em larga escala e construir estratégias que aproximem ainda mais a pesquisa da realidade do produtor rural”, destaca Adeney.
A programação também trouxe a visão do produtor rural Luiz Carlos de Castro sobre como engajar os agricultores

Chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Clarice Rufino, com o CEO da empresa parceira, Marcelo Poletti, por ocasião da assinatura da15 carta de intenção para estimular o manejo integrado de pragas na sojicultura brasileira – Foto: Divulgação/Embrapa Soja
em práticas mais sustentáveis, além da participação da gerente de Sustentabilidade da CropLife Brasil, Amália Borsari, que apresentou a perspectiva da indústria de insumos sobre a integração de diferentes táticas de manejo.
Para Marcelo Poletti, CEO da empresa parceira da iniciativa, ampliar o acesso à capacitação é um caminho para tornar os sistemas de produção mais eficientes e economicamente viáveis. “A proposta da parceria com a Embrapa Soja é justamente expandir a capacitação dos produtores, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de produção da soja eficientes e economicamente viáveis. O programa Soja Rota + Sustentável pode contribuir muito neste sentido porque nasceu com o objetivo de estabelecer uma jornada de evolução contínua no manejo integrado de pragas na cultura da soja”, afirma Poletti.
As discussões reforçaram a necessidade de maior integração entre pesquisa, setor produtivo e indústria para acelerar a adoção das boas práticas agrícolas e fortalecer uma sojicultura cada vez mais alinhada às demandas de sustentabilidade e competitividade.
Notícias Da geopolítica aos biocombustíveis
Mudanças globais colocam novos desafios para a cadeia da proteína animal
Fórum AgroLogs durante a Conbrasfran 2026 vai discutir como logística, insumos, rotas comerciais e a expansão do etanol influenciam a competitividade do setor.

A competitividade da cadeia brasileira de proteína animal depende cada vez mais de fatores que vão além da produção dentro das granjas e agroindústrias. Mudanças no cenário geopolítico global, desafios logísticos, disponibilidade de insumos e a expansão da produção de biocombustíveis estão entre os temas que serão debatidos no 2º AgroLogs, o Fórum de Logística e Suprimentos da Proteína Animal, que integra a programação da Conbrasfran 2026, que será realizada de 23 a 25 de novembro pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Gramado (RS).

Foto: Divulgação/Asgav
O fórum vai reunir especialistas para discutir o mercado nacional e internacional de aminoácidos em um cenário de transformações geopolíticas, os impactos da nova realidade da produção de grãos e do crescimento das indústrias de etanol e biocombustíveis sobre a produção de proteína animal, além dos desafios relacionados às rotas comerciais globais, ao transporte marítimo e à logística de carnes, ovos e suínos nos mercados interno e externo.
O presidente executivo da Asgav e organizador do evento, José Eduardo dos Santos, destaca que os temas refletem questões que passaram a influenciar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. “A eficiência produtiva continua sendo fundamental, mas hoje fatores como logística, disponibilidade de insumos, infraestrutura e geopolítica têm impacto direto sobre custos, planejamento e acesso aos mercados. São temas estratégicos para toda a cadeia de proteína animal”, afirma.
Para ele, discutir essas transformações é essencial para preparar o setor para os desafios dos próximos anos. “O Brasil ocupa posição de destaque na produção e exportação de proteína animal. Manter essa competitividade exige capacidade de adaptação, visão de longo prazo e compreensão das mudanças que estão ocorrendo no cenário global”, destaca.
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Risco de incêndios no campo cresce com chegada do inverno e exige atenção dos produtores
Período mais seco do ano, aliado às temperaturas elevadas e à baixa umidade, aumenta a incidência de queimadas no Paraná. Capacitação e medidas preventivas são fundamentais para reduzir prejuízos.

Com a chegada do inverno, agricultores e pecuaristas do Paraná entram em estado de atenção diante do aumento do risco de incêndios em áreas rurais. A previsão é de uma estação com temperaturas acima da média, influenciada pelo fenômeno El Niño, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Foto: Divulgação/CBMPR
Além dos prejuízos econômicos causados pela destruição de lavouras e florestas, os incêndios representam ameaça direta à segurança e à saúde das famílias que vivem no campo. “Por isso a importância de estar preparado não apenas para prevenir, mas também para combater o fogo. O perigo maior vai até outubro. É preciso que todos estejam em alerta. Não dá para relaxar”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
Os números já indicam um cenário preocupante antes mesmo do início oficial do inverno. Dados da rede colaborativa MapBiomas mostram que, entre janeiro e março de 2026, foram queimados 9.025 hectares no Paraná, área quase 8,5 vezes superior à registrada no mesmo período do ano passado, quando 1.073 hectares foram atingidos.
De acordo com o meteorologista Samuel Braun, do Simepar, o inverno é historicamente a estação mais seca no Estado, condição que favorece a propagação do fogo. “Os valores médios são mais baixos, chove entre 100 e 200 milímetros. Períodos secos são muito comuns, com vários dias consecutivos sem chuvas. A faixa norte tem registros com mês inteiro sem chuvas”, afirma o meteorologista.
Prevenção começa com manejo e capacitação
Especialistas apontam que a maioria dos incêndios tem origem em ações humanas, o que reforça a importância de medidas preventivas dentro das propriedades.

Foto: Divulgação
Entre elas estão a manutenção adequada de máquinas e equipamentos, a retirada de materiais secos acumulados, a eliminação do uso do fogo como prática agrícola, atualmente proibida, e os cuidados durante as festividades juninas. “O incêndio acontece onde a prevenção falha”, pontua Neder Maciel Corso, técnico do Sistema Faep.
Desde a criação dos treinamentos para brigadistas florestais, em 2010, mais de 10 mil pessoas já foram capacitadas pelo Sistema Faep para atuar na prevenção e no
combate às queimadas no meio rural. Apenas entre janeiro e maio deste ano, foram realizados 65 cursos.
Atualmente, a entidade oferece quatro modalidades de treinamento voltadas aos incêndios florestais, todas com atividades práticas. “Nossa orientação é que os produtores passem pelo treinamento para entender os conceitos básicos sobre incêndios florestais e saber como prevenir e agir. Quanto mais preparados estiverem, mais rápidas serão a detecção e a mobilização para minimizar os prejuízos”, reforça Corso.

Foto: Divulgação
Estruturas de combate podem evitar perdas maiores
Em caso de incêndio, algumas estruturas são consideradas essenciais para conter o avanço das chamas. Entre elas estão ferramentas manuais, como enxadas e rastelos, abafadores, bombas costais, caminhões-pipa, especialmente em usinas e empresas florestais, e a construção de aceiros. “Os aceiros são faixas limpas, livres de vegetação, construídas em volta das áreas de lavoura e florestas, que facilitam o acesso de equipamentos para conter o incêndio. Além disso, também é fundamental que os produtores tenham mapeado as áreas de onde podem fazer a captação de água para esse controle”, afirma Corso.
Segundo o técnico, esse preparo é ainda mais importante em municípios que não possuem unidades do Corpo de Bombeiros, o que pode atrasar a resposta inicial ao fogo. “Isso pode retardar as ações de combate, quando o incêndio ainda não atingiu grandes proporções”, aponta.



