Bovinos / Grãos / Máquinas
Condomínios para produção leiteira ganham espaço
Difundido nos Estados Unidos e Europa, condomínio para a produção de leite surge como novo modelo de negócio no Brasil e começa a despertar interesse
Tradicional bacia leiteira do Paraná, a região dos Campos Gerais tem demonstrado que a produção está ganhando novos modelos de negócios. O produtor individual ou integrado às cooperativas da região está ganhando a companhia de fazendas com novos modelos de negócios, como o condomínio. Da união de vários investidores, surgiu o primeiro condomínio de produção de leite do Brasil, que associa até mesmo gente que nunca mexeu com a atividade. Cada sócio ganha de acordo com o número de animais que coloca à disposição do plantel, diluindo os custos entre os investidores e produzindo em volume suficiente para ganhar mais por cada litro de leite que sai da fazenda. O modelo, que é mais comum na Europa e Estados Unidos, ainda é recente no Brasil, mas já há experiências em andamento também em outros estados, como no Rio Grande do Sul (leia box).
Pioneira nesta modalidade no país, a Fazenda MelkStad (Cidade do Leite, em holandês), de Carambeí, deve receber um investimento de R$ 30 milhões para se tornar o maior grupo em condomínio para a produção leiteira do Brasil. De 2012 a 2017, o rebanho passou de 50 para 1,3 mil animais. Com mais facilidade em contrair recursos que outros produtores individuais, investiram em modernos sistemas de produção em galpões, ordenha rotatória, controles biológicos e nutrição, garantindo uma média de 33 litros de leite/vaca/dia.
O modelo de negócio começou em 2012, cita um dos sócios e diretor da Fazenda, Diogo Vriesman, que apresentou o case da empresa para produtores rurais durante o Show Pecuário, evento promovido no fim de julho pelo Sindicato Rural de Cascavel e Sociedade Rural do Oeste do Paraná, em Cascavel, PR. As principais vantagens dos condomínios, segundo ele, são “aumento de capacidade de captação de recursos, já que são mais pessoas buscando financiamento, diminuição do risco e ganho na escala de produção”, ordena.
O modelo, segundo o produtor, é importado de tradicionais países produtores de leite. “O condomínio para a produção de leite acontece muito nos Estados Unidos. Na Europa, isso também está acontecendo, especialmente em fazendas medianas. E isso me parece ser uma tendência forte no Brasil. Não apenas produzir leite, mas formar empresas de produção de leite”, considera o empresário.
Como todo novo negócio, lembra Vriesman, o condomínio era posto em xeque quando ele começou a apresentar a ideia na região. “No Brasil, os condomínios são mais comuns na agricultura, quando vários sócios se unem para comprar uma área e produzir grãos. No leite, isso nunca havia acontecido. Mesmo em uma região tão tradicional na produção leiteira, como Carambeí, esse modelo de negócio é supernovo, e no começo era um pouco desacreditado”, conta.
Em pouco tempo, mais pessoas passaram a apostar na ideia e a atividade deslanchou, conta o produtor rural, que hoje é diretor da Fazenda. “O consórcio começou em 2012, com 50 vacas, três sócios e produção de 1,2 mil litros de leite por dia em uma propriedade alugada em um município próximo”, cita. No ano seguinte, já eram 280 animais e oito mil litros/dia. Em 2014, o grupo criou a sede própria, em área de 18 hectares exclusivos para a produção leiteira. Hoje são seis investidores, quatro dos quais nunca trabalharam com leite e pouco se envolvem nas atividades da fazenda. Diogo e o outro produtor são os que lidam com o dia a dia e comandam os 39 funcionários da empresa rural.
Em 2015, mais 300 animais foram postos em lactação. No ano passado, já eram 850 vacas produzindo diariamente, em três ordenhas diárias. “Agora estamos com 1.170 vacas holandesas em lactação. Nosso objetivo e nossa estrutura já feita para acomodar 2,3 mil vacas, 1,9 mil em lactação”, cita. Toda a produção é destinada à cooperativa Frísia, que paga um valor diferenciado – pela qualidade e – porque o volume entregue diariamente é maior. Quanto mais leite entregue, mais a cooperativa para ao produtor, pois amplia o lote, melhora a rastreabilidade e reduz custos, como logística.
Estrutura
A produção que no começo era a pasto logo migrou para um sistema fechado, que garante mais conforto aos animais e uma nutrição mais balanceada para refletir em mais leite e menos custos. “Copiamos um sistema americano. Lá é mais fácil comprar equipamentos que no Brasil, por isso fizemos algumas adaptações”, cita Vriesman.
As vacas ficam acomodadas no sistema free-stal, em galpões que garantem abrigo de sol e chuva, são resfriados nos períodos mais quentes do ano para oferecer conforto térmico e bem-estar aos animais. O espaço garante que as vacas possam expressar seus comportamentos naturais. “Não economizamos no espaço. O bem-estar é fundamental”, cita.
Do galpão, as vacas vão três vezes ao dia para a sala de ordenha, onde a vedete é uma máquina com capacidade para ordenhar 50 vacas por vez. “O nosso sistema de ordenha é rotatório, que garante mais eficiência. Conseguimos ordenhar 50 vacas por vez. O tempo médio de cada ordenha é de 4,3 minutos”, diz.
A cama de areia, que também garante conforto às vacas holandesas, também recebe um trato especial para evitar doenças no rebanho. “Usamos o metano (queimado) produzido na propriedade para neutralizar a cama de areia. Ele ajuda a reduzir a contagem bacteriana no ambiente”, orienta. O grupo ainda deve implantar um sistema para produzir energia através dos desejos bovinos.
Organização
Como o condomínio para a produção leiteira pode ter vários sócios, uma das dicas de Vriesman é montar um organograma bem definido, respeitar as decisões hierárquicas e ter uma gestão transparente. “Esse modelo de negócio depende de muita organização. Não é só juntar as vacas. É preciso ter um organograma bem definido, respeitando as funções e responsabilidades dos sócios e dos funcionários. Com esse respeito, a chance do negócio dar certo é de 90%”, admite.
No caso da MilkStad, apenas dois sócios participam das atividades da fazenda, mas todos se reúnem periodicamente para analisar o desempenho e propor metas capazes de melhorar a lucratividade da propriedade. “Nós fizemos reuniões todos os meses, onde são apresentados os dados zootécnicos e feitas proposições de novas metas para a empresa”, comenta.
Uma pecualiaridade no caso da empresa de Carambeí é que a compra da nutrição e o processo de recria é terceirizado, mas para sócios da empresa. De um deles, veem as novilhas. De outro, a nutrição composta por silagem de aveia e milho, além de aditivos nutricionais somados na sede. A centralização desses processos permite maior rastreabilidade e confiabilidade nos insumos e animais que chegam à fazenda.
Em contrapartida, um biodigestor separa os desejos e promove a fertirrigação nas áreas agrícolas dos sócios, que são vizinhas à sede da Fazenda. De acordo com Vriesman, são aproximadamente 600 hectares de lavouras que recebem o fertilizante, reduzindo os custos com a nutrição.
O profissional garante que outros produtores de grãos estão interessados em investir no sistema de produção de leite em condomínio. “Na nossa região temos agricultores que estão começando a gostar da ideia. Isso porque estão percebendo que tem gente capaz de gerenciar esse tipo de empreendimento”, avalia o pecuarista.
Segundo Vriesman, o investimento para a Fazenda MelkStad chegar ao atual estágio foi de R$ 25 milhões. Para que o projeto final seja concluído, possivelmente em 2018, serão gastos mais R$ 5 milhões.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
