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Suínos / Peixes Suinocultura

Condomínio Ajuricaba de Biogás: o que deu errado?

Projeto que recebeu R$ 2,8 milhões de investimentos tinha tudo para dar certo, mas nos últimos anos entrou em decadência

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O Presente

Um projeto pioneiro no país, cuja proposta inicial era conciliar a preservação do meio ambiente e melhorar a renda de famílias de pequenos agricultores rurais.

A iniciativa consiste em eliminar um passivo ambiental, através do uso de biodigestores, onde os dejetos animais da agropecuária são transformados em dois produtos: biogás e biofertilizante.

Foi com essa expectativa que 33 produtores rurais da Linha Ajuricaba, em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, aceitaram participar do Condomínio de Energias Renováveis da Agricultura Familiar da Bacia do Rio Ajuricaba.

O projeto foi desenvolvido em 2009 pela Itaipu Binacional por intermédio do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), a partir de um convênio com a prefeitura rondonense e apoio técnico de inúmeras outras instituições.

O custo total foi de R$ 2,817 milhões, sendo R$ 2,564 milhões da Itaipu e o restante da prefeitura. O dinheiro foi usado para adequar as propriedades e instalar os equipamentos necessários, além da construção de 25,5 quilômetros de gasoduto e da Central de Operações de Biogás.

No auge do funcionamento, o condomínio chegou a produzir 16 mil toneladas por ano de resíduos orgânicos de origem animal e cerca de 266 mil m³/ano de biogás. Parte do gás produzido era consumido nas propriedades através de fogões adaptados doados às famílias por uma empresa parceira e o restante era enviado para a Central de Operações do Condomínio Ajuricaba, que operava com um gerador produzindo energia elétrica.

O projeto tinha tudo para dar certo, mas nos últimos anos o Condomínio da Linha Ajuricaba entrou em decadência. Hoje, menos de dez famílias mantêm os biodigestores em funcionamento e continuam gerando biogás que é consumido apenas nas propriedades, pois a Central de Operações de Biogás não opera há quase dois anos.

Perto do fim?

Ao que parece, o sonho de muitos agricultores de gerar energia renovável e ainda melhorar a renda familiar caminha a passos lentos e pode estar perto do fim.

Mas o que será que deu errado? Quais fatores contribuíram para que algo tão promissor chegasse a esse ponto?

A reportagem de O Presente ouviu alguns produtores que integram o condomínio para tentar entender por que grande parte das famílias perderam o interesse pelo projeto.

Os desafios do percurso

No início do projeto Ajuricaba a promessa era de que os participantes do condomínio poderiam vender para a Copel a energia excedente, o que proporcionaria um retorno financeiro direto aos produtores. Porém, com a mudança da legislação anos depois, isso não foi mais possível e o sistema passou a ser em forma de compensação, ou seja, a energia gerada era convertida em créditos para os agricultores.

Em 2010 a propriedade produtora de leite de Nelbio Bronstrup foi a primeira contemplada na fase inicial do projeto com recursos e equipamentos para produção do biogás.

Bronstrup lembra que durante alguns anos o sistema funcionou bem, contudo, a promessa de retorno financeiro para os produtores nunca se concretizou de forma efetiva. “A energia seria vendida para a Copel, mas isso nunca aconteceu”, afirma.

Além da decepção com a não comercialização da energia produzida com o biogás, uma série de problemas técnicos e um incidente com um dos biodigestores obrigou a família a desistir da produção, e atualmente o equipamento não está sendo usado. “Pensamos em fazer uma reforma por nossa conta, mas isso se torna muito caro”, menciona.

Erros pontuais

Ainda na propriedade da família Bronstrup, algumas falhas técnicas comprometeram a continuidade da geração do biogás. Segundo ele, a espessura do encanamento utilizado para alimentar os biodigestores não foi suficiente para escoar os dejetos, pois possuem uma consistência mais fibrosa, o que entupia a tubulação com frequência. “Aqui tinha mais de 70 vacas no piso e isso dava muito esterco. Deveriam ter colocado uma tubulação mais grossa”, comenta.

Além disso, de acordo com Bronstrup, a avaliação errônea em relação ao declive do terreno e a incompatibilidade do compressor com a demanda de dejetos também prejudicaram a produção do biogás na propriedade. “Deveria tem mais caimento, porque quando o biodigestor estava na metade, os dejetos não desciam mais”, relata.

Apesar de todos os transtornos, o rondonense salienta que a produção de biogás na propriedade foi algo muito positivo e a família tem a expectativa de reativar o sistema, caso haja algum suporte técnico e financeiro da prefeitura ou de qualquer outra instituição. “Eu aceitaria de bom gosto, porque só traz vantagens, pois é uma coisa muito boa”, ressalta.

Baixa produção

Uma das poucas propriedade que continuam com a produção de biogás é da família de Ilmar Gabriel Fanslau, que usa o produto exclusivamente para abastecer o fogão da residência. “Como não teve renda, muita gente desistiu porque não achava viável. Mas só o fato de ter o biogás para o nosso consumo e o biofertilizante usado na lavoura já vale a pena”, avalia.

O agricultor cita também os benefícios que o tratamento dos dejetos trouxe para a qualidade de vida da família. “Depois que os dejetos passam pelo biodigestor, o mau cheiro e a proliferação de moscas desaparecem”, explica Fanslau.

O que deu errado?

Gedson Vargas é presidente da Associação de Produtores de Biogás Ajuricaba (Asprobio), que conta atualmente com cerca de 20 associados.

Segundo ele, a responsabilidade pelo atual cenário do Condomínio de Ajuricaba precisa ser dividida entre os próprios produtores e a prefeitura. “Faltou empenho por parte de alguns colonos que não tiveram muito interesse e do Poder Público que deixou nós meio de lado quando mudou de prefeito”, analisa.

De acordo com Vargas, muitos condôminos desistiram de produzir porque precisavam gastar energia para mandar o biogás para a central e não tinham retorno financeiro. “Isso fez o pessoal desanimar, e agora estamos esperando alguma mudança. Ou funciona ou encerra, este ano tem que decidir alguma coisa”, destaca.

Ele acredita que ainda é possível retomar a produção, todavia, reforça que é preciso investimentos, recursos esses que os produtores não possuem no momento. “Precisamos da prefeitura para dar uma mão para nós. Revisar os maquinários e os biodigestores para poder funcionar”, expõe.

Central de operações desativada

Após ser produzido nas propriedades rurais, o biogás que não era consumido pelas famílias seguia pelo gasoduto até a Central de Operações de Biogás, onde era produzida a energia elétrica, através de um gerador. No entanto, há mais de dois anos a produção energética foi encerrada, o que desanimou ainda mais os produtores.

Para o presidente da Asprobio, todo investimento, principalmente com a geração de energia na central, poderia trazer retorno financeiro tanto para prefeitura quanto para os associados do condomínio. “Pretendo me reunir com o secretário (de Agricultura e Política Ambiental) para tentar achar uma solução para que a produção de energia volte a acontecer”.

Interesse público

A prefeitura ofereceu todo o suporte em maquinários na época de execução do projeto, além de realizar as escavações para a implantação da rede de gasodutos que se estende pelas propriedades rurais até a Central de Operações de Biogás.

O terreno onde está localizada a central foi cedido pela municipalidade, que, na época, ficou responsável pela fiscalização do processo produtivo de energia.

O secretário de Agricultura e Política Ambiental, Adriano Backes, enaltece todos os benefícios do projeto, lamenta a situação do condomínio e afirma que existe interesse do Poder Público municipal em reativá-lo. “Mas hoje a secretaria não tem orçamento para os investimentos necessários”, informa.

Segundo Backes, a prefeitura pretende fazer um estudo para levantar o número de condôminos que desejam dar continuidade à produção do biogás e qual é o valor necessário para fazer as readequações e reparos em todas as estruturas existentes nas propriedades, gasodutos e na central de operações, para voltar a operar.

Novo convênio

De acordo com o engenheiro ambiental da prefeitura, Marcos Chaves, um dos motivos para a diminuição da produção de biogás na Linha Ajuricaba foi o término do convênio com a CIBiogás, que oferecia todo o suporte técnico aos produtores. “Os produtores sozinhos não conseguiram fazer as manutenções necessárias nos equipamentos”, pontua.

Ele conta que há cerca de dois meses houve uma reunião entre a prefeitura e a Itaipu para tratar de um novo convênio. Na ocasião, foi exposta a situação do condomínio, entretanto, a Itaipu não demonstrou interesse em retomar o projeto neste momento. “A questão da agroenergia e do próprio condomínio não são prioridades para a Itaipu e esta questão ficou de fora deste convênio”, expõe.

Conforme Chaves, o posicionamento da Itaipu restringe as pretensões da prefeitura para reativar a produção de energia. “Porque sabemos que para fazer alguma coisa vai depender de recursos próprios somente do município”, justifica.

CIBiogás

Além da captação de recursos e execução do projeto Ajuricaba, o CIBiogás ficou responsável pela assessoria técnica até junho de 2019, quando o convênio com a prefeitura chegou ao fim.

O diretor de Desenvolvimento Tecnológico da CIBiogás, Felipe Marques, diz que durante os últimos anos do convênio a instituição uniu esforços com a prefeitura e com a associação dos produtores para reverter a situação. Ele afirma que a CBiogás tem um carinho especial pela planta do Ajuricaba, e que existe a predisposição por parte deles para reativar o projeto, mas explica que para fazer isso é preciso captar recursos, o que demanda tempo. “Marechal Cândido Rondon está mais próximo do que qualquer outro município de ter um projeto de biogás compensando energia em prédios públicos”, ressalta.

Manutenção

A exemplo de qualquer equipamento mecânico que permanece inoperante durante longos períodos, o gerador e demais equipamentos da central de operações podem sofrer avarias.

Em relação à vida útil dos equipamentos, Marques explica que é considerada a questão de hora/uso. “Não acredito que haja danos irreversíveis. Se o projeto for reativado, os equipamentos têm plenas condições de passar por um processo de manutenção e voltar a operar sem problema”, prevê.

Ele cita o exemplo bem-sucedido desenvolvido em Entre Rios do Oeste e avalia que a planta de Ajuricaba tem condições de operar da mesma forma. “Marechal já tem uma boa parte de recursos investidos, podemos unir outros produtores que estão próximos para reverter esta situação”, salienta.

Comercialização da energia

Por algum tempo a energia elétrica era usada em prédios públicos do município, mas a parceria chegou ao fim. Ainda em 2014, a Copagril firmou convênio com a Itaipu para utilizar o biogás do Condomínio Ajuricaba. A energia seria usada para alimentar as caldeiras da Unidade Industrial de Aves, entretanto a parceria também não prosperou.

A recente aquisição da Unidade Industrial de Aves da Copagril pela Lar Cooperativa Industrial, todavia, reacende a esperança dos produtores do Condomínio Ajuricaba de reativação da produção de biogás para a geração de energia elétrica, uma vez que a Lar já produz biogás em diversos projetos.

Fonte: O Presente
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Suínos / Peixes Mercado

Piscicultura exporta 158% mais em junho e 83% no 2º trimestre; Paraná lidera

Considerando o 2º trimestre, avanço nas vendas internacionais foi de 83% em relação a igual período de 2020 e de 22% frente ao trimestre anterior

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As exportações brasileiras de peixes de cultivo, lideradas pela tilápia, cresceram 158% em junho em comparação ao mesmo mês do ano passado. Considerando o 2º trimestre (abril a junho), o avanço nas vendas internacionais foi de 83% em relação a igual período de 2020 e de 22% frente ao trimestre anterior. O faturamento nesse período atingiu US$ 3,9 milhões. O Paraná superou Mato Grosso do Sul e assumiu a liderança nas exportações de tilápia. Santa Catarina vem em terceiro lugar e a Bahia em quarto. Entre os clientes da tilápia brasileira, os Estados Unidos lideram, seguido por China e Chile.

Os dados são do Ministério da Economia, elaborados pela Embrapa Pesca e Aquicultura. A divulgação é feita em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

O resultado acumulado do 1º semestre também é expressivo. No total, foram US$ 7,2 milhões em receita, com aumento de 35% sobre janeiro a junho de 2020. Destaque para produtos de tilápia, especialmente filé fresco e congelado, que representaram 84% das vendas internacionais. Estados Unidos (45%), China (13%), Chile (13%) e Colômbia (12%) foram os maiores compradores dos peixes brasileiros.

Em termos de produtos de tilápia, o filé fresco apresentou maior volume (US$ 927 mil), porém com queda em comparação ao semestre anterior (-15%). As exportações de filé de tilápia congelado aumentaram 305% no semestre, atingindo US$ 395 mil. Destacam-se também o forte crescimento das exportações de tilápia inteira fresca (402%) e congelada (232%).

“Trata-se de um resultado muito positivo”, diz Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR. “Se levarmos em consideração a pandemia e as restrições indevidas de entrada de nossos peixes de cultivo na União Europeia, o desempenho das exportações é satisfatório, pois mostra as empresas brasileiras atentas não apenas ao abastecimento do mercado doméstico mas também ao comércio global, buscando certificações internacionais, além da utilização de drawback e nossa parceria internacional com a Apex-Brasil”, assinala Medeiros, destacando as intensas negociações da Peixe BR com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para buscar a liberação das vendas para os países da UE, interrompidas devido a uma restrição à pesca extrativa, que impacta a piscicultura.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Sustentabilidade

Uma fazenda inteira é tocada pelo sol no Rio Grande do Sul

Ideia foi reduzir gastos com conta de luz e aproveitar a energia solar para se alinhar aos conceitos de sustentabilidade na agropecuária brasileira

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No Rio Grande do Sul, segundo estado que mais tem geração distribuída (pequenos consumidores), uma fazenda inteira está sendo movida pela energia solar. Indústria de rações, granjas de suínos, silos, residências, bombas e outros equipamentos, tudo funciona com a energia elétrica produzida ali mesmo, na usina solar construída há pouco mais de um ano pelo produtor rural Valdecir Folador.

Na propriedade da família, de 46 hectares, localizada em Erechim, foram instalados 408 módulos fotovoltaicos, com potência total de 142,80Kwp (kilowatts pico). A ideia era reduzir os gastos com a conta de luz e ainda aproveitar a energia solar para se alinhar aos conceitos cada vez mais difundidos de sustentabilidade na agropecuária brasileira.

“A ideia surgiu buscando melhorar as questões econômicas, queríamos a redução na conta de luz. Em 2019 começamos o namoro com a usina de energia solar, começamos a fazer cálculos, observamos o tamanho do investimento, o que ele proporcionaria em termos de resultados econômicos. A partir daí amadurecemos a ideia até tomar a decisão de implantar a usina”, destaca Folador.

De fábricas de ração a granjas de suínos

E a usina da conta do recado. Ela produz energia para os 4 hectares onde estão as instalações de suínos, como pocilgas, silos, fábrica de ração e as casas da família. Outros 35 hectares são de pastagens e em torno de sete hectares de mata nativa. Na suinocultura, são 1,6 mil matrizes, com produção mensal de 3,2 mil leitões entre 25 e 28 quilos. Na bovinocultura, a família trabalha com vaca de cria de cruzamento industrial. São 180 vacas, produzindo por ano cerca de 170 bezerros desmamados com sete meses.

“Em agosto de 2020 começamos a implantar o projeto sabendo da economia que iríamos ter. Dimensionamos a usina para gerar toda a capacidade e necessidade de consumo que temos na propriedade. Fizemos para zerar a conta de energia”, destaca o produtor. Em 90 dias a usina ficou pronta. “Hoje ela gera o suficiente para zerar uma conta mensal que eu tinha de R$ 14 mil”, frisa o produtor. A conta de energia atual da fazenda é de algo entre R$ 200 e R$ 300, que são taxas e encargos que são obrigatórios para quem usa as redes de transmissão.

O investimento de R$ 600 mil deve ser pago em pouco mais de cinco anos. “O projeto de viabilidade econômica gira em torno de cinco anos e meio. Vamos pagar o investimento nesse tempo só com a economia na cota. Com o que gastava de energia, pago a parcela do financiamento no banco”, destaca o produtor gaúcho.

Redução de custos e mais sustentabilidade

Mas não é apenas a redução nos custos da fazenda que atraíram o produtor para a geração de energia distribuída por meio de painéis solares. O mercado consumidor de carnes, como a suinocultura e a bovinocultura, exige cada vez mais que os produtores se alinhem às questões ambientais. “Sem dúvida nossa usina vai de encontro às questões ambientais que estão em evidência. Devemos produzir com o máximo de eficiência da produção. Nossa propriedade está para nos servir, mas temos que preservar, fazer as coisas direito para não causar prejuízos ao meio ambiente, respeitando a preservação ambiental. E o sol está aí para aproveitarmos. Com toda a tecnologia que temos, não tem porque não gerar energia através da luz do sol. Esse modelo de negócio tem que ser usado e vem de encontro às questões energéticas. Na minha opinião, fonte de energia mais limpa que essa é impossível”, avalia o produtor rural.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Meio Ambiente

Suinocultura paga conta de luz de prefeitura no Paraná

Minicentral Termelétrica transforma biogás dos dejetos suínos em energia elétrica para o poder público

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Divulgação/CIBiogás

A contribuição da suinocultura para o desenvolvimento sustentável parece não ter limites. No Paraná, 40 mil suínos estão reduzindo em mais da metade os gastos de uma prefeitura com as contas de luz do município. Ao todo, 60 prédios públicos da pequena Entre Rios do Oeste são alimentados com a energia elétrica produzida através do biogás. Os produtores vendem o biogás para a administração municipal, que o transforma em energia para alimentar os equipamentos públicos, como escolas, postos de saúde e o próprio prédio administrativo. Por outro lado, produtores ganham entre R$ 500 e R$ 6 mil por mês com a venda do gás resultante do tratamento dos dejetos. Ainda, usam o biofertilizante que sobra depois do processo para adubar as lavouras de milho e pastagem na região.

A experiência é uma parceria entre produtores rurais, CiBiogás, o braço de pesquisa em biogás da Itaipu Binacional, e administração pública de Entre Rios do Oeste. Os biodigestores são ligados a uma tubulação de 22 quilômetros, que leva o gás até uma minicentral termelétrica. Lá, é transformado em energia que é injetada na rede da companhia elétrica estadual, a Copel. Nesse processo, a prefeitura reduz sua conta de luz em cerca de R$ 70 mil por mês. Desde o início do projeto a economia na conta já passa de R$ 1 milhão.

Já os 17 suinocultores que fazem parte do projeto dividem cerca de R$ 25 mil por mês com a venda do gás ao mesmo tempo que tratam, diariamente, 215 toneladas de resíduos.

O projeto começou a ser pensado em 2008, mas entrou em operação mais de dez anos depois, em julho de 2019. “Em 2008 a Itaipu contratou a Adeop (Associação de Desenvolvimento do Oeste do Paraná) para realizar um estudo do potencial energético da biomassa na região Oeste, que inclui alimentos, resíduos de madeira, resíduos de bovinos e suínos, entre outros, e se constatou que o município tinha um grande potencial com os resíduos da suinocultura, por termos uma grande quantidade de animais no município”, explica o secretário municipal de Saneamento Básico, Energia Renováveis e Iluminação Pública, Carlos Eduardo Lewandowski. O município de aproximadamente cinco mil habitantes, de acordo com o IBGE, tem cerca de 150 mil cabeças de suínos.

“Em 2010 começamos a avaliar como seria feito e, inicialmente, iria contemplar todas as 63 propriedades de suinocultores do município. O projeto começou a ser executado a partir da primeira chamada pública da Associação de Energia Elétrica (Aneel) para projetos com biogás. O CIBiogás cadastrou esse projeto na chamada pública e a proposta foi contemplada. Em 2016, a Copel alocou recursos e o projeto começou a sair do papel. Em 24 de julho de 2019 começou a operação”, conta Lewandowski.

Como funciona?

O projeto é uma parceria que tem dado resultados para todos os lados: produtores, administração pública, cidadãos e meio ambiente. Todos os dias são tratadas mais de 200 toneladas de dejetos de fazendas que possuem entre 800 e 5,5 mil animais, a maior parte de terminação. “Cada propriedade possui um biodigestor dimensionado de acordo com o número de animais, além de uma casa de máquinas, que são ligados a um gasoduto que passa por todas as propriedades e chega até a Minicentral Termelétrica através de um compressor. Na minicentral, o gás passa por um sistema de purificação, que realiza a filtragem desse material. Na sequência os geradores convertem esse biogás em energia elétrica e ela alimenta a rede”, destaca o secretário.

De acordo com ele, a energia produzida pelo consórcio, em média, é suficiente para pagar cerca de 60% da conta de energia elétrica de toda a administração municipal. “A energia gerada na Minicentral abate em 60 prédios públicos da Prefeitura de Entre Rios do Oeste. São 90 MW (megawatts) produzidos para um consumo da prefeitura de cerca de 150 MW por mês.  Isso representa algo em torno de R$ 70 mil a menos nas contas de energia da administração por mês”, frisa.

Lewandowski destaca, no entanto, que esses valores podem ser variáveis, para mais ou para menos. Isso porque é preciso levar em conta questões como idade dos animais, pois quanto maiores, mais dejetos produzem, e até o vazio sanitário, quando as granjas estão vazias e a produção de biogás na propriedade é muito baixa. Varia também a rentabilidade do produtor. “Atualmente os suinocultores recebem R$ 0,28 por metro cúbico enviado à Minicentral, que rende entre R$ 500 a R$ 6 mil por mês, conforme o tamanho do plantel e ciclo do lote”, menciona o secretário.

Na época em que foi concebido, explica Lewandowski, os produtores investiram entre R$ 60 mil e R$ 150 mil nos biodigestores. “O município fez a rede de biogás, auxiliou com máquinas na construção das lagoas e cedeu a área onde é a Minicentral. E o CIBiogás foi o executor do projeto”, pontua.

Sustentabilidade até o fim

Apesar do sucesso em transformar um passivo ambiental em ativo financeiro, o objetivo principal do projeto, explica o secretário, é fazer o tratamento adequado dos dejetos”. São 40 mil suínos em um universo de 150 mil suínos. A gente está resolvendo um problema ambiental muito grande”, destaca. Outro ponto positivo, sustenta, “é a economia circular que é criada, pois os recursos pagos aos produtores permanecem na região. Hoje existem empresas de peças e manutenção, por exemplo, que vivem desse projeto”.

Ainda de acordo com o secretário, o condomínio pode receber mais propriedades futuramente. De acordo com ele, o projeto tem capacidade para aumentar em 40% a produção de energia elétrica. “O projeto pode ser ampliado. Quando rede foi feita, foi projetada para agregar outras propriedades. Hoje poderia aumentar em mais 40% a produção”, destaca.

Atualmente a produção de biogás gira em torno de três mil metros cúbicos por dia. Depois que sai das propriedades, o material restante o material que passou por processo de digestão anaeróbica e tem características fertilizantes, vai para lagoas de digestato e na sequência é usado nas lavouras como adubo orgânico em áreas de milho ou para pastagem. “É um adubo extremamente eficaz e de baixo custo. Passando pelo biodigestor, o dejeto melhora sua qualidade, perde sua acidez, chega a um ponto de equalização propício para usar na lavoura”, acrescenta o secretário.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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