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Condenas de suínos por problemas respiratórios preocupa e aponta para a necessidade de gestão sanitária integrada

Profissional destaca que para uma gestão eficiente é necessário interagir todas as variáveis, trabalhando o ambiente como um todo.

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As condenações de carcaças de suínos são um serviço executado durante a inspeção sanitária, promovida pelos fiscais do Serviço de Inspeção Federal (SIF) nos frigoríficos. De acordo com relatórios do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as principais causas de condenação de carcaças de suínos são doenças infecciosas, parasitárias e problemas relacionados ao manejo dos animais, como lesões e fraturas. O problema é verificado em todo o território nacional e atestado pelos órgãos que trabalham com a produção de carne. Durante o Encontro Regional da Abraves – PR, organizado pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos Regional do Paraná, promovido em meados de março, este tema foi amplamente trabalhado por intermédio da palestra “Condenações no abate por problemas respiratórios: quando vamos resolver este problema?”, ministrada pelo médico veterinário João Xavier de Oliveira Filho.

Médico veterinário João Xavier de Oliveira Filho fala sobre a importância do cuidado com os altos índices de condena registrados pelo SIF – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural

O palestrante iniciou a sua fala enaltecendo que a palestra não iria responder de uma só forma o questionamento inicial. “O nosso foco não é responder esta pergunta com uma única resposta. Nosso propósito é trazer pontos de reflexão para saber no que podemos trabalhar e porque nós precisamos diminuir os impactos das condenações”. João Xavier apresentou dados do SIF contendo informações sobre os anos de 2012 a 2017. Foi em 2012 que foi registrado o menor número de condenações, com 8,7%. Nos anos seguintes este índice aumentou, para 10,5% em 2013, 10,2% em 2014 e 2015, caiu para 9,8% em 2016 e voltou a subir, para 11% em 2017.

O profissional também apresentou estudos que mostram as principais causas da condenação, destacando-se a aderência, contaminação, contusão, pleurite, abcesso, lesão traumática, linfadenite, pneumonia, criptorquidismo e lesão supurada. “São muitas as oportunidades de contaminação. O que eu gostaria muito de chamar a atenção é para que os produtores não percam o grande propósito de produzir carne de qualidade. Quando pensamos em carcaças que são parcial ou totalmente condenadas, é necessário lembrar que são produtos que estão indo embora, na maioria dos casos, por falhas de processo”, reforçou.

O médico-veterinário também informou sobre o grande número de animais que são abatidos sob inspeção municipal e estadual, informando que nestas esferas os números de condena também permanecem altos. De acordo com ele, dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) mostram que entre os anos de 2020, 2021 e 2022, o plantel produzido no estado catarinense teve uma condenação parcial de 6,56% e uma condenação total de 0,57%, sendo que 41% foram registrados como causas respiratórias. “Nós realizamos muitas visitas às granjas e temos observado que as doenças respiratórias trazem muita dor de cabeça. Neste ponto que eu chamo a atenção perguntando o que estamos fazendo para reduzir este número? Qual seria um número aceitável de condenas?”, questiona.

Conforme João, a resposta para esta pergunta é bastante complexa, mas o que mostra-se evidente é a possibilidade de promover estudos investigativos e diagnósticos que mostrem caminhos para amenizar este problema tão sério e que causa muito prejuízo financeiro às granjas. “O que está claro é que precisamos reduzir estes dígitos traçando metas para reduzir o problema. Estudos investigativos realizados em diversas granjas mostram o grande número e o desvio por aderência. Um estudo econômico mostrou que o impacto financeiro gira em torno de R$ 9,85 por suíno abatido, o que é um valor considerável. Desta forma, diminuir o número de condenas é uma grande oportunidade para tornar a produção suína mais rentável”, recomenda.

Gestão sanitária integrada

Quando um problema é detectado fica mais fácil pensar em uma solução, deste modo, é preciso observar as possibilidades de interação com as causas. “Gosto de falar que a suinocultura é multifatorial e nós temos que saber que são vários os fatores que devem ser trabalhados. Todos eles precisam ser relacionados com os animais. É obvio que quando tudo está correto, quando não existem falhas no manejo, os animais não irão desenvolver doenças. A sanidade envolve imunidade do plantel, boas práticas de manejo, fluxo de produção correto, ambiência, status mínimo de doenças, atingir potencial dos animais, uso prudente de antimicrobianos, biosseguridade e bem-estar animal. Todas estas variáveis precisam interagir, ou seja, precisam ser trabalhadas de forma conjunta e não isoladas”, afirma.

O palestrante enalteceu também a necessidade de trabalhar numa gestão sanitária eficiente. “Precisamos interagir todas as variáveis, trabalhando o ambiente como um todo. É imprescindível entender tudo o que diz respeito aos animais. Muitas empresas levam em conta apenas as tomadas de decisões no âmbito administrativo e financeiro, no entanto, com relação à gestão sanitária também é necessário ponderar sobre como estas decisões estão sendo realizadas. Um exemplo clássico diz respeito à imunidade do plantel, isso porque a tendência é focar no produto, numa determinada solução, entretanto, a imunização de rebanho não é simplesmente aplicar a vacina, mas sim garantir que aquele animal consiga produzir imunidade. Ou seja, é um trabalho muito mais minucioso e que requer cuidados especiais”, sustenta.

Atualmente o termo Tríade Epidemiológica, o qual diz respeito ao animal, ao ambiente e aos microrganismos está numa constante evolução, sendo que eles compõem os inúmeros desafios que a suinocultura enfrenta. “Precisamos que as informações corretas cheguem às pessoas que trabalham no dia a dia com o plantel, para que seja possível ser feito um planejamento eficiente, pois isso vai possibilitar um ambiente mais calmo e propício para a produção da carne suína com melhores índices produtivos”, orienta.

Entre os muitos desafios que a suinocultura enfrente, como a pressão de doenças, falhas humanas e tecnológicas, decisões equivocadas, o palestrante destacou que é necessário observar que esses desafios interagem. “Ou seja, um ajuda o outro, sendo que é a união deles que causa os grandes problemas. Em contrapartida, nós temos também a sanidade e precisamos trabalhar nela cada vez mais forte, porque a sanidade busca atingir o potencial dos animais, fomentando ações que visam saúde e alta produção com maior qualidade”, reforça.

Todos estes fatores, sugere o médico veterinário, são muito importantes para serem discutidos e fomentados. “Fazer a gestão sanitária do plantel será muito benéfico, bem como entender todos os fatores que podem vir a ocasionar doenças. Para que eu possa trabalhar de forma integrada, com todas as gestões que envolvem a granja, pois a sanidade dialoga com todos estes pontos e é imprescindível tomar decisões assertivas, levando em consideração todos os aspectos que envolvem a granja”, recomenda.

Olhos e ouvidos sempre atentos

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O trabalho racional numa granja de suínos envolve cuidados com cada animal. “Nós precisamos ter consciência do que está acontecendo na nossa produção. Se estamos verificando doenças não devemos esconder o problema, mas, reforço, reconhecer a dificuldade e trabalhar em soluções. Estudos mostram que, muitas vezes, pequenas doenças podem se transformar em grandes problemas. É o caso da rinite atrófica que pode induzir o surgimento de novas doenças, como Micoplasma, PCV2, Influenza, Glaesserella. É a associação de todas estas enfermidades que pode resultar em condenações. E é isso que precisamos evitar”, expõe.

Uma forma de entrada de doenças nas granjas está relacionada com a manutenção da limpeza. “Embora os animais tenham um sistema de defesa bastante robusto e completo, como aparelho mucociliar, defesas alveolares, fagocitose, resposta imune mediada por células, imunoglobulinas, em muitos casos temos muita poeira nos barracões, como os animais tem o hábito de fuçar, eles ficam super expostos com partículas de poeira que podem conter agentes patógenos e que vão causar doenças. Esses patógenos podem ocasionar lesões nos pulmões, pois são microrganismos que possuem a capacidade de danificar o sistema de defesa dos animais. Desta maneira, uma granja que busque boa qualidade do ar, com temperatura adequada aos animais, vai dificultar a entrada de agentes patógenos no pulmão dos animais”, explica.

Influenza

O palestrante trouxe ainda dados de um estudo realizado em Santa Catarina que mostra a alta prevalência da Influenza nas granjas catarinenses. Segundo o estudo quase 100% das granjas eram afetadas por este vírus, sendo que a prevalência ficou em torno de 70,2%. Entre os fatores protetores, o veterinário destacou a presença de tela contra aves, unidade de aclimatação de leitoas e vacinação. “São medidas simples e que podem trazer grandes benefícios, entretanto, muitos produtores ainda não conseguem enxergar estes benefícios e desta forma não investem em unidades de aclimatação e vacinas”, pondera.

O profissional relacionou estes fatores de risco com a reposição externa de leitoas. “Quando a reposição das leitoas não é bem administrada isso pode deixar a boa imunidade do plantel bem descoberta, correndo riscos. Isso porque a associação desses muitos fatores pode trazer sérios problemas. Quando as doenças respiratórias, como influenza, PCV2, etc., são associadas com fatores de estresse, como aglomeração, mistura, desmame inapropriado, restrição alimentar, transporte inadequado, ruído excessivo, bem como os fatores ambientais: temperatura, umidade dor ar, excesso de poeiras, poluentes, desidratação, densidade, excesso de gases, os animais podem desenvolver lesões que irão comprometer a qualidade do produto final que é o alimento”, argumenta.

O médico-veterinário enalteceu a importância de discutir a erradicação dos agentes patógenos. “Algumas pessoas dizem que precisamos aprender a conviver com os patógenos, entretanto, por que não podemos erradicar e buscar alternativas para acabar com doenças que atrapalham a nossa produção? Os custos financeiros dos protocolos mostram que é viável fazer isso, sim, mas cabe a cada unidade produtora organizar um padrão para o tratamento e ações que visam erradicar esses males”, recomenda.

Biosseguridade

Neste ponto que entra uma ferramenta que pode ser muito eficaz nas granjas: a biosseguridade. “São programas que identificam, definem, controlam, monitoram, auditam e corrigem riscos para entrada e propagação de doenças nas granjas. Desta maneira, o responsável pela biosseguridade precisa ser uma pessoa bastante rígida e que é capaz de tomar as decisões pertinentes para evitar a entrada de agentes patógenos na produção. Fazer uma boa gestão de biosseguridade vai facilitar muito a diminuição das condenas”, afirma.

O palestrante enalteceu também a importância do cuidado com a saúde intestinal dos suínos. “Existem muitos estudos que mostram a relação da saúde intestinal, da microbiota intestinal com a qualidade da carne. Desta forma, será muito prudente trabalhar com planos de ação que abranjam todos os fatores. Com toda certeza uma UPL bem planejada e que ofereça um controle e bom status sanitário irá produzir uma carne de bastante qualidade”, pondera.

O médico-veterinário também ressaltou outros pontos básicos e que fazem toda a diferença na produção de carne suína. “A qualidade inicia já com uma unidade de aclimatação para as leitoas eficiente, pois é neste momento que a leitoa chega na granja e precisa sentir-se confortável e acolhida. A precisão na vacinação, os protocolos adequados são pontos básicos e que fazem parte da rotina das granjas. Entretanto, muitas vezes eles não estão sendo bem executados, o que pode propiciar o surgimento de muitos problemas. Muitas doenças respiratórias que podem ser evitadas e superadas com pequenas atitudes, lembrando sempre que a boa higiene é fator determinante para um plantel de mais qualidade”, reforça.

A monitoria sanitária eficiente engloba as partes: clínico patológica (que envolve a parte laboratorial e o abate); a monitoria clínica diz respeito à idade, desenvolvimento, mortalidade e prevalência. Já os fatores de risco são relacionados com o ambiente, nutrição, manejo, enfermidade, os índices produtivos dizem respeito às metas, categorias, sazonalidade e eventos associados e o programa de biosseguridade precisa trabalhar de forma interna e externa. “A gestão sanitária necessita levar em consideração todos estes pontos. E isso inicia no primeiro contato que o suíno tem com a granja, pois na hora do abate o importante é conquistar o selo do SIF, ou seja, ter sucesso com o objetivo final. Quanto menor foi o índice de condena, melhores serão os índices de produção. É claro que isso é obvio, mas as vezes precisamos relembrar para que o produtor e seus funcionários tenham o máximo de eficiência e compromisso com a produção da granjas”, destaca.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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