Avicultura
Condenações de carcaças chegam a 14% no Brasil: saiba como prevenir
A prevenção para evitar perdas depende da união cada vez maior dos elos da cadeia produtiva e da implantação de eficientes programas sanitários.

Desde o século 19, a inspeção de carne em muitas partes do mundo segue a metodologia introduzida pelo médico-veterinário alemão Robert von Ostertag, considerado o pai da inspeção de carnes. Ostertag determinou a necessidade de inspecionar as carcaças através do levantamento das lesões/alterações após a morte dos animais.
Na legislação brasileira se observam alterações macroscópicas nas carcaças avaliadas nas linhas de inspeção ante e post mortem e condena-se parcial ou totalmente a carcaça e/ou vísceras.
A Portaria 210 criada em 1998 regulamenta a inspeção industrial e sanitária no Brasil e cita todas as afecções e possíveis destinos. Os critérios técnicos empregados são de que toda alteração com potencial de comprometimento sanitário e/ou sistêmico da carcaça, há condenação total da mesma e das vísceras.

Pesquisadora e professora na UFRGS, Liris Kindlein: “A avicultura busca gerenciar todos os elos da cadeia para mitigar essas alterações e diminuir as perdas no abatedouro” – Fotos: Divulgação/Favesu
Segundo a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Liris Kindlein, que recentemente ministrou palestra sobre o tema na 6ª Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (Favesu), as condenações de carcaças desde a granja até chegar no abatedouro são importantes para entender o problema. “Hoje, o que encontramos dentro dos frigoríficos de condenações pode servir como indicadores de melhorias do processo, seja problemas patológicos, de qualidade de carcaça e problemas para a saúde pública”, afirma.
Segundo a pesquisadora, as maiores condenações estão associadas ao manejo e tecnopatias, e cerca de 76% das condenações são de origem multifatorial. “Estão relacionadas com o manejo desde a granja, na parte de ambiência, no campo, com a cama e outras várias relações comportamentais do frango, que podem contribuir para o aparecimento de problemas como dermatose e artrite”, explica.
Conforme Kindlein, as perdas por condenações totais e parciais em abatedouros-frigoríficos de frangos são de 10 a 14% em média do total de aves abatidas. “Como estamos falando em alta escala de produção, em um abatedouro com abate diário de 200 mil frangos, de 20 a 28 mil carcaças são condenadas parcialmente ou totalmente todos os dias”, expõe.
Condenações na granja
As principais causas de condenação de carcaças relacionadas as granjas, as tecnopatias, incluem contaminação por falhas na janela de jejum e contusão e fratura por falhas no manejo pré-abate durante a apanha ou transporte das aves. Além dessas, a pesquisadora aponta problemas decorrentes de falhas de manejo durante a criação que favorecem o aparecimento de lesões e/ou inflamações em tecidos como articulação (artrite), lesões de pele (arranhões, pododermatite, dermatite, dermatose), celulite ou problemas respiratórios como aerossaculite. Por tanto, conforme Liris, situações de desafios ambientais e sanitários são fatores causais de condenações e perda de qualidade de carcaça ou desempenho animal. “Além disso, lotes desuniformes também apresentarão maiores índices de ineficiência nas diferentes etapas do processo de abate”, pontua.
Condenações no abatedouro
A crescente automação do processo de abate e a desuniformidade dos lotes de aves pode causar falhas tecnológicas nas diferentes etapas do processo. Dentre elas, Liris destaca falhas na pendura, na insensibilização, ineficiências de equipamentos como escaldagem, depenadeiras e máquinas evisceradoras. Além disso, segundo ela, a desuniformidade de lotes diminui a eficiência dos equipamentos, gerando maiores condenações por contusão, fratura e hematomas recentes ocorridos durante o processo de abate, além de contaminação de conteúdo trato gastrointestinal. Outro fator que prejudica o ajuste e melhor eficiência dos equipamentos é a variação da velocidade de abate.
Afecções

Pesquisadora e professora na UFRGS, Liris Kindlein: “Precisamos gerenciar toda a produção para melhorar a eficiência dos processos e diminuir as perdas de partes de carcaças sadias”
As alterações patológicas nas carcaças são divididas em quatro grupos: tecnopatias – ocorridas no período pré-abate e podem se caracterizadas por contusão/fratura, má sangria, escaldagem, evisceração retardada e contaminação. Deficiência de manejo – caracterizada pela síndrome ascítica, canibalismo, lesão da bolsa escrotal/coxim e defeitos musculares.
Etiologias conhecidas: enfermidades ou agentes patológicos conhecidos: vírica (leucose, linfoide, Gumboro, Marek, Newcastle, Bronquite infecciosa); bacteriana (salmoneloses, colibaciloses, cólera aviária); parasitárias (coccidiose,e histomoníase); metabólica ou nutricional (síndrome do fígado gorduroso, erosões de moela, perose e diátese exsudativa); ou micótica.
Etiologia desconhecida: problemas decorrentes de enfermidades sem etiologia conhecida, como dermatoses, artrites, septicemias, aerossaculite, abscessos, caquexia, síndrome hemorrágica, neoplasias e aspecto repugnante.
Prevenção
A prevenção para evitar perdas depende da união cada vez maior dos elos da cadeia produtiva e da implantação de eficientes programas sanitários. Além disso, Liris destaca a biosseguridade, ambiência, manejo adequado, uso de suplementações nutricionais e a melhoria do status imunitário do animal como formas de prevenir perdas. “Dessa maneira as aves poderão expressar fenotipicamente seu potencial genético e garantir a produção em quantidade e qualidade de carne”, explica, e completa: “além disso, precisamos gerenciar toda a produção para melhorar a eficiência dos processos e diminuir as perdas de partes de carcaças sadias”, sustenta.
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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



