Bovinos / Grãos / Máquinas
Concurso Leiteiro da 90ª ExpoZebu já soma 82 matrizes confirmadas
Inscrições estão abertas até o dia 18 de abril ou até se esgotarem as vagas.

Menos de uma semana após o início das inscrições, o Concurso Leiteiro da 90ª ExpoZebu já conta com 82 matrizes inscritas – um aumento significativo de quase 40% em relação ao ano passado, que somou 59 animais participantes. A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) alerta os criadores interessados em participar para realizarem as inscrições o mais rápido possível, pois as vagas são limitadas.
Para inscrever seus animais, basta acessar a área de comunicações eletrônicas do site da ABCZ, acesse clicando aqui. Podem participar fêmeas de todas as raças zebuínas e seus cruzamentos com aptidão leiteira.
Nesta edição, os animais serão divididos em quatro categorias: Fêmea Jovem (para animais com menos de 36 meses); Vaca Jovem (de 36 a 48 meses); Vaca Adulta (acima de 48 meses até 96 meses) e Vaca Sênior (acima de 96 meses).
As ordenhas do Concurso Leiteiro serão feitas de 27 a 30 de abril, seguindo a programação da ExpoZebu.

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Bactérias heteroláticas em silagens de milho revelam novos benefícios
Uso de inoculantes biológicos contribui para maior estabilidade aeróbica, melhora da digestibilidade do amido e controle de micotoxinas.

Artigo escrito por Lucas Mari, médico-veterinário, doutor em Ciência Animal e Pastagens, gerente de Suporte Técnico para América do Sul – Lallemand Animal Nutrition
Pode ser que a palavra heterolática não seja parte de um vocabulário comum a todos, mas trata-se de um grupo de bactérias usada em inoculantes para silagem, cujo principal objetivo é controlar o aquecimento da silagem após ser aberta para consumo. A primeira espécie dessa bactéria usada foi o Lactobacillus buchneri (agora Lentilactobacillus buchneri). Isso ocorreu desde o final da década de 1990, especialmente em silagens de milho, seja como planta inteira, seja como silagens de grãos, mas também em distintos outros cereais e em silagens de cana-de-açúcar com muito sucesso no Brasil desde o início dos anos 2000. Mais recentemente, outra grande novidade no mercado foi o uso do L. buchneri associado ao L. hilgardii, com resultados muito mais significativos que o L. buchneri isolado.
O principal objetivo do uso dessas bactérias heteroláticas é o controle da estabilidade aeróbica por meio da produção de ácido acético durante a fermentação. Em uma análise mais detalhada, a produção desse ácido é responsável por inibir o crescimento de leveduras, os primeiros microrganismos que causam deterioração durante exposição da silagem aberta ao oxigênio atmosférico.
Ainda se faz necessário esclarecer que existe um limite mínimo que a literatura científica recomenda como inoculação para o efeito de controle da temperatura da silagem após a abertura, esse nível é de 100.000 unidades formadoras de colônias (ufc)/g de silagem. Isso foi avaliado em uma meta-análise por pesquisadores e pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) em 2013.
Além do efeito do L. buchneri associado ou não ao L. hilgardii no controle de leveduras e, consequentemente, na estabilidade aeróbica, as bactérias heteroláticas têm demonstrado recentemente efeitos positivos na melhoria da digestibilidade do amido e no controle de fungos e, consequentemente, micotoxinas.
Efeito na digestibilidade do amido
As silagens de milho, planta inteira ou grão, têm a característica de ter melhora na digestibilidade do amido ao longo do tempo, ou seja, quanto mais tempo o silo permanece fechado, maior é a degradação de uma proteína prolamina chamada zeína. A zeína atua como um cimento entre os grânulos de amido, dificultando sua degradação.
Em um estudo com silagem de milho reidratado, estudiosos concluíram que mais de 60% da degradação da zeína é dada por bactérias da silagem, quase 30% por enzimas nos próprios grãos de milho, e os 10% restantes são divididos entre fungos e ácidos de fermentação (Figura 1).

Figura 1 – Contribuição na proteólise em silagens de milho em grão reidratado
Em 2018, novas pesquisas verificaram que as silagens inoculadas com bactérias heteroláticas (L. buchneri) tiveram a degradabilidade da MS ainda mais efetiva. Silagens de grãos reidratados de milho não inoculadas apresentaram degradação de cerca de 79% da MS, enquanto a inoculação com bactérias homoláticas apresentou 82% e de L. buchneri inoculado a 100.000 ufc/g de silagem elevou a degradabilidade da MS a 83,6% (Figura 2). Comparando esta última bactéria com a silagem de controle, isso seria de quase 5 pontos percentuais, ou seja, quase 6% de melhoria. Dessa maneira estamos falando, praticamente, de uma equivalência de uma saca de milho para cada tonelada de silagem inoculada com L. buchneri.

Figura 2 – Degradabilidade da MS em 12h de incubação ruminal de silagens de milho inoculadas ou não com bactérias homo ou heterofermentativas
Comparativamente aos resultados demonstrados, um estudo conduzido na Universidade Federal de Lavras avaliou a inoculação de silagens de espiga de milho (snaplage) com L. buchneri + L. hilgardii. O benefício comparativamente a silagem não inoculada foi ainda maior e chegou a 9 pontos percentuais (91,5 vs. 82,5% de degradabilidade do amido em 7h de incubação ruminal).
Demonstra-se, portanto, que é possível melhorar a estabilidade aeróbica com o uso de L. buchneri e L. buchneri associado ao L. hilgardii e ter benefício adicional de maior degradabilidade do amido. Com os custos que o milho está no mercado mundial, fica fácil fazer as contas e ver que o retorno do investimento desse tipo de inoculante é muito positivo, mesmo se considerado apenas esse ponto.
Efeito no controle fúngico e na produção de micotoxinas
O efeito do controle de fungos e leveduras por Lactobacillus buchneri também está bem documentado. Uma avaliação feita por cientistas do INTA Salta na Argentina foi publicada no Simpósio Internacional de Qualidade e Conservação de Forragem em 2019. O tratamento com L. buchneri diminuiu a contagem de fungos e leveduras e melhorou a estabilidade aeróbica, como pode ser visto na Figura 3.

Figura 3 – Contagem de fungos e leveduras e estabilidade aeróbica em silagens de milho de plantas inteiras avaliadas na Argentina
Uma consequência esperada do controle fúngico em silagens pode ser a diminuição da produção de micotoxinas. Pesquisadores da IRTA Barcelona, na Espanha, inocularam plantas de milho com Lactobacillus buchneri e o compararam com forragem fresca antes da silagem e silagem de milho controle. Pode-se observar que a inoculação com a bactéria heterolática L. buchneri foi responsável pelo controle da produção das duas micotoxinas avaliadas: aflatoxina (Figura 4) e zearalenona (Figura 5).

Figura 4 – Níveis de aflatoxina em forragem fresca e silagem não inoculada ou inoculada com L. buchneri
A aflatoxina é considerada uma micotoxina de armazenamento, por isso esperava-se que se desenvolvesse enquanto as forragens estavam fermentando, se estamos falando desse processo. O que aconteceu foi mesmo o contrário, houve uma diminuição dos níveis de micotoxinas em ambos os casos, ainda assim, na silagem inoculada com L. buchneri esses níveis foram ainda mais baixos, muito provavelmente devido à maior inibição do crescimento fúngico.

Figura 5 – Níveis de zearalenona em forragem fresca e silagem não inoculada ou inoculada com L. buchneri
Por sua vez, a zearalenona, que é uma micotoxina relacionada ao dano reprodutivo em animais, principalmente em fêmeas, é produzida por Fusarium spp., fungo considerado de crescimento no campo, mas o que foi observado neste estudo foi que houve um aumento nos níveis durante o armazenamento, a forragem fresca apresentou menos ZEA do que as silagens. Mesmo assim, a silagem sem inoculante apresentou nível de ZEA 10% maior que o observado na inoculada com Lentilactobacillus buchneri.
Considerações finais
Como vimos, muito mais do que apenas o efeito desejável em termos de estabilidade aeróbica, silagens inoculadas com bactérias heteroláticas exclusivamente apresentaram melhoria na digestibilidade do amido e o controle de fungos e suas micotoxinas. Assim, para calcular o retorno do investimento, ele deve ser avaliado de acordo com as múltiplas respostas positivas.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: jmoro@lallemand.com
A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.
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Melhoramento genético impulsiona avanços da pecuária brasileira no cenário global
Produção de sêmen e uso da inseminação artificial fortalecem produtividade, sustentabilidade e competitividade do setor.

Artigo escrito por Lúcia Rodrigues, doutora em Medicina Veterinária
A pecuária brasileira vem passando por uma verdadeira revolução. Saltos impressionantes em produtividade, eficiência, sustentabilidade e relevância internacional colocam o país entre os protagonistas globais da atividade. Hoje, o Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e, por trás desses números expressivos, está um fator determinante: o melhoramento genético.
Atuei por mais de 30 anos em um Centro de Coleta e Produção de Sêmen (CCPS), acompanhando de perto o avanço da genética bovina no Brasil. Vi a tecnologia evoluir, os processos se modernizarem e, acima de tudo, testemunhei o impacto real que a seleção genética tem no campo.
No primeiro semestre de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), foram produzidas mais de 13 milhões de doses de sêmen no país. Esse volume reflete a importância estratégica das centrais de genética como elo fundamental da cadeia produtiva, responsáveis por coletar, avaliar, produzir e distribuir o material genético que impulsiona a pecuária nacional.
O trabalho dentro de um CCPS envolve etapas rigorosas. Tudo começa com a chegada dos touros geneticamente superiores, selecionados pelas centrais ou enviados por pecuaristas parceiros. Esses animais precisam passar por período de adaptação ao novo ambiente e de condicionamento ao manejo reprodutivo. Com os avanços na seleção por precocidade sexual, esses touros têm chegado cada vez mais jovens – em média, com dois anos de idade –, o que torna esse processo ainda mais delicado e técnico.
Produção das doses
Com os animais adaptados ao novo manejo reprodutivo, inicia-se a fase de produção das doses de sêmen a serem utilizadas na Inseminação Artificial. Nesse ponto, três avaliações são fundamentais para garantir a qualidade do material genético: a Genética, para assegurar que características indesejadas não sejam transmitidas à progênie; Sanitária, fiscalizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a fim de prevenir a disseminação de doenças como brucelose e tuberculose; e a Reprodutiva, que avalia a viabilidade das células espermáticas nos ejaculados disponibilizados à industrialização. Com a tecnologia laboratorial cada vez mais avançada, as centrais operam com altíssimo padrão de qualidade, garantindo que as doses de sêmen distribuídas no campo tenham o máximo de eficiência reprodutiva.
Gargalo
Apesar de todo o rigor técnico envolvido na produção, é comum ouvir relatos de insucessos na utilização da Inseminação Artificial. Durante minha carreira, me deparei com diversas situações em que as expectativas dos pecuaristas não foram atendidas e, muitas vezes, o problema não estava na dose, mas no manejo e conservação destas doses de sêmen após a saída das mesmas da central. Armazenamento inadequado, falhas no transporte, manipulação incorreta das doses de sêmen, erros na técnica de inseminação, ambiente de manejo estressante, nutrição deficiente ou até mesmo falhas sanitárias. Todos esses fatores podem comprometer a fertilidade e o sucesso da inseminação.
Em várias análises que realizamos em doses “problemáticas”, constatamos que a qualidade do material genético estava intacta. O gargalo estava no campo. E é justamente aí que entra uma das lições mais importantes que aprendi: o sucesso da genética começa muito antes da inseminação e vai muito além dela.
Costumo dizer que, antes de pensar em genética de ponta, é preciso garantir que o básico esteja sendo bem feito. Os melhores resultados só vêm quando o “arroz com feijão”, ou seja, manejo de qualidade, nutrição balanceada, instalações adequadas, cochos limpos e bem-estar animal estão bem estabelecidos. E, claro, é indispensável que a inseminação seja feita por profissionais capacitados, com conhecimento técnico e responsabilidade.
A genética é uma ferramenta poderosa, mas ela não faz milagre. Para que seu potencial se converta em produtividade e rentabilidade, ela precisa de solo fértil. E esse solo é o dia a dia da fazenda.
Conhecimento
Outro aprendizado valioso é que o conhecimento precisa circular. Informar, orientar e capacitar os profissionais da pecuária é tão importante quanto produzir boas doses de sêmen. Por isso, iniciativas como as da Asbia são tão relevantes. A entidade atua para democratizar o acesso ao melhoramento genético e promover boas práticas reprodutivas em todo o país.
Atualmente, na média, uma em cada cinco vacas no Brasil é inseminada. Nosso desafio é ampliar esse número, levando mais tecnologia e conhecimento para o campo. Com touros de qualidade, centrais bem estruturadas e pecuaristas comprometidos com o manejo responsável, a pecuária brasileira tem tudo para continuar avançando com mais produtividade, sustentabilidade e reconhecimento global.
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Frísia monitora 23,5 mil bovinos de leite com inteligência artificial
Projeto Monitore acompanha saúde, reprodução e bem-estar dos animais em 109 propriedades do Paraná, garantindo mais eficiência e bem-estar no leite.

A Frísia Cooperativa Agroindustrial monitora atualmente 23,5 mil vacas leiteiras com o uso de inteligência artificial (IA). Os animais estão distribuídos em 109 propriedades do Paraná e fazem parte do Projeto Monitore, iniciativa voltada ao acompanhamento contínuo de saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico do rebanho. As propriedades participantes do Monitore representam mais de 50% dos produtores de leite da Frísia e aproximadamente 68% do volume diário entregue à indústria.
O sistema utiliza colares eletrônicos instalados em vacas das raças Holandesa e Jersey em lactação, no período seco (sem produção leiteira) e também em novilhas com 30 dias pré-parto, categorias consideradas mais sensíveis do ponto de vista sanitário e reprodutivo. O projeto integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Segundo Eduardo Ichikawa, gerente executivo de Pecuária da Frísia, a decisão de implantar o sistema da Cowmed foi construída com os próprios cooperados, pelo Comitê Pecuário. “O foco é termos, junto com os cooperados, mais saúde e mais produção das vacas. O monitoramento permite agir antes que o problema se agrave”, afirma. Ele destaca que não há distinção por tamanho de propriedade. “Independentemente de quanto produz, o importante é estar no projeto”, conta.
Para a implementação do projeto Monitore, a Frísia subsidiou parte do investimento em infraestrutura, como o custo de instalação das antenas nas propriedades. O cooperado, então, paga uma mensalidade por animal monitorado, equivalente a cerca de um terço do valor praticado no mercado.
Detecção precoce
Os colares funcionam como um dispositivo de monitoramento contínuo do comportamento das vacas. Eles registram dados de movimentação, ruminação, frequência e tempo de consumo, tempo de descanso, padrões de ofegação, entre outras medições. As informações são enviadas para antenas instaladas nas propriedades e processadas em plataforma digital, acessível, inclusive, por celular pelo cooperado e equipe técnica da Frísia.
De acordo com Anderson Radavelli, supervisor de Zootecnia da cooperativa, os primeiros resultados percebidos pelos produtores foram na reprodução e na saúde dos animais. “A detecção de cio foi um dos principais ganhos iniciais, porque antes dependia muito da observação visual. Agora, o produtor recebe o alerta no momento adequado para a inseminação”, explica.
O sistema também identifica alterações sutis no comportamento que podem indicar início de doenças. “Muitas vezes, o alerta vem antes dos sinais clínicos visíveis. Isso permite medidas preventivas, tratamento mais cedo e redução no uso de medicamentos”, diz Radavelli.
Na reprodução, os dados também têm refletido em desempenho. Há propriedades cooperadas registrando taxas de prenhez acima de 35%, patamar considerado elevado. Em geral, os índices médios de taxa de prenhez no Brasil costumam variar entre 18% e 24%.
Conforto térmico

Outro ponto monitorado é o estresse por calor. Os colares registram o tempo de ofegação e o período em que a vaca permanece em pé comportamentos que aumentam quando o animal tem dificuldade de dissipar calor. “Com essas informações, o produtor pode ajustar ventilação, sombra e manejo para reduzir o impacto do calor. Isso preserva o bem-estar e evita perdas de produção”, afirma o supervisor de Zootecnia.
Os dados de ruminação e tempo de cocho também funcionam como indicadores diretos de consumo alimentar. “Conseguimos acompanhar desde a ruminação até quanto tempo a vaca passa no cocho. Se o animal reduzir a ingestão, o sistema sinaliza rapidamente. Isso permite corrigir dieta e manejo”, explica Radavelli.
Tecnologia embarcada
A tecnologia é desenvolvida pela empresa brasileira Cowmed. Segundo o vice-presidente e cofundador, Leonardo Guedes da Luz Martins, o sistema opera como um “smartwatch da vaca”. “A coleira acompanha o animal 24 horas por dia, registrando comportamento em alta frequência. É como se o produtor tivesse alguém observando cada vaca o tempo todo”, afirma.
Cada dispositivo realiza 25 amostragens por segundo do comportamento do animal. Os algoritmos analisam os dados e geram alertas automáticos de saúde e cio, além de alterações nutricionais ou de bem-estar. “Nas análises que fazemos, a precisão dos alertas de saúde pode chegar acima de 95%”, diz Martins.
Para ele, o projeto também estabelece uma comunicação direta com o mercado. “Quando a cooperativa investe em monitoramento, está mostrando ao consumidor que há interesse em desenvolvimento, eficiência e bem-estar animal. É uma forma de dar transparência ao sistema de produção”, destaca o cofundador da Cowmed.



