Conectado com

Avicultura

Conbrasul Ovos 2025 reforça protagonismo da avicultura brasileira e debate desafios diante do primeiro caso de Influenza aviária em granja comercial

Evento segue até esta terça-feira (03), com palestras e debates que abordam temas como sustentabilidade, inovação, bem-estar animal, consumo, mercado e estratégias sanitárias.

Publicado em

em

Em um momento desafiador para a avicultura nacional, a 5ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul Ovos) se firmou como espaço estratégico para reforçar o protagonismo brasileiro no setor global e debater, com transparência e responsabilidade, o impacto do primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) registrado em uma granja comercial no Brasil.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A resposta rápida e coordenada ao foco foi fundamental para preservar a credibilidade sanitária do país” – Fotos: Divulgação/Conbrasul Ovos

Com mais de 35% de participação no mercado global de carne de frango, o Brasil é reconhecido um dos pilares da segurança alimentar no mundo, com mais de 120 países mantendo fluxo comercial regular com os produtos brasileiros. Esse protagonismo, segundo os líderes do setor, foi construído com base em um modelo de produção altamente tecnificado, com forte controle sanitário e rastreabilidade, o que inspira confiança internacional. “O Brasil está preparado há mais de 20 anos para enfrentar situações como essa. A resposta rápida e coordenada ao foco foi fundamental para preservar a credibilidade sanitária do país. O mundo confia na avicultura brasileira”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, durante a coletiva de imprensa na Conbrasul Ovos.

A confirmação, há poucos dias, do primeiro foco de IAAP em uma granja comercial localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul, causou apreensão no setor, especialmente por ocorrer às vésperas de um dos principais eventos técnicos da avicultura de postura do país. “Desde 2023 estamos em estado de alerta permanente. Quando o caso surgiu, sabíamos exatamente como agir. Isso fez toda a diferença para conter o foco com rapidez e preservar nossa credibilidade sanitária”, destacou o presidente executivo da Asgav e da Conbrasul Ovos, .

As ações coordenadas entre setor produtivo, defesa sanitária e autoridades estaduais foram determinantes para isolar o foco e evitar sua disseminação. Mesmo com o cenário de tensão, a decisão de manter a realização da Conbrasul Ovos foi considerada estratégica. “Decidimos não recuar. A manutenção do evento foi um ato de responsabilidade com o setor e uma oportunidade para aprofundar a discussão sobre o tema, com total transparência”, complementou Santos.

Impactos controlados nas exportações

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, destacou que, embora haja impactos temporários nas exportações, os prejuízos tendem a ser mitigados. Segundo ele, dos cerca de 160 países que compram carne de frango do Brasil, 128 mantêm o comércio sem restrições, e outros estão em processo de flexibilização. “É difícil estimar com precisão o volume impactado, mas os números iniciais indicam algo entre 50 e 100 mil toneladas. O importante é que, ao invés de termos novos fechamentos, vemos países flexibilizando e adotando medidas de regionalização”, afirmou Rua.

Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua: “É difícil estimar com precisão o volume impactado, mas os números iniciais indicam algo entre 50 e 100 mil toneladas. O importante é que, ao invés de termos novos fechamentos, vemos países flexibilizando e adotando medidas de regionalização”

Ele citou como exemplo a retomada parcial das exportações para Jordânia, Kuwait, Bolívia e Líbia, além do avanço nas negociações com mercados como Argentina.

Por sua vez, Santin reforçou que parte dos embarques suspensos será redirecionada a outros destinos. “O Brasil já trabalha há anos com protocolos como a Lista Brasil, que garantem a confiança sanitária em diferentes mercados. Nosso sistema é robusto e reconhecido mundialmente”, destacou.

Vacinação e regionalização

Entre os caminhos propostos para fortalecer o controle sanitário, Santin defendeu o avanço no debate sobre vacinação e regionalização como estratégias fundamentais. Ele ressaltou que a própria Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) já não recomenda embargos automáticos a países que vacinam contra a IAAP, desde que adotem critérios técnicos. “A vacinação deve ser tratada como uma ferramenta sanitária e não como uma barreira comercial. Precisamos superar o pensamento antiquado de que país que vacina é país com problema”, criticou Santin.

No entanto, ele ponderou que a adoção da vacinação envolve questões técnicas, regulatórias e comerciais complexas. No entanto, ele ponderou que a adoção da vacinação envolve questões técnicas, regulatórias e comerciais complexas.No entanto, ele ponderou que a adoção da vacinação envolve questões técnicas, regulatórias e comerciais complexas.

O dirigente da ABPA também fez um alerta sobre o que chamou de negacionismo sanitário por parte de alguns países importadores: “É necessário mudar a mentalidade internacional. Muitos países com casos positivos em seus próprios territórios desconfiam da segurança sanitária de nações como o Brasil, mesmo quando temos protocolos muito mais rigorosos”, salientou

A regionalização, que permite isolar áreas afetadas sem comprometer as exportações de regiões livres da doença, também é vista como um passo necessário para alinhar o país às melhores práticas internacionais.

Presidente executivo da Asgav e da Conbrasul Ovos, José Eduardo dos Santos: “A manutenção do evento foi um ato de responsabilidade com o setor e uma oportunidade para aprofundar a discussão sobre o tema, com total transparência”

Setor produtivo unido e fortalecido

Além dos temas técnicos, a Conbrasul também se destacou como espaço de valorização do papel organizacional da cadeia produtiva diante de crises sanitárias. A diversidade e o grau de mobilização das entidades representativas foram apontados como diferenciais que fortaleceram a resposta ao foco de IAAP. “Estamos mostrando ao mundo que o Brasil sabe lidar com desafios sanitários de forma responsável, com base técnica e diálogo entre os elos da cadeia. A Conbrasul é a vitrine dessa capacidade de articulação”, ressaltou Santos.

Conforme Santin, o frango deverá se tornar, nos próximos 10 anos, a carne mais consumida do mundo. “Precisamos preparar o Brasil para liderar esse processo com segurança, sustentabilidade e credibilidade internacional. E isso passa pelo debate franco sobre regionalização, vacinação e evolução dos protocolos sanitários”, frisou.

A Conbrasul 2025 segue até esta terça-feira (03), com palestras e debates que abordam temas como sustentabilidade, inovação, bem-estar animal, consumo, mercado e estratégias sanitárias. O evento reúne produtores, lideranças, técnicos e autoridades de todo o país, se consolidando como um dos principais fóruns técnicos da avicultura de postura nas Américas.

Fonte: O Presente RUal

Avicultura

Setor da indústria e produção de ovos conquista novos mercados para exportação

No entanto, calor afeta novamente a produtividade no campo.

Publicado em

em

Foto: Rodrigo Félix Leal

Foi anunciada recentemente a abertura do mercado da Malásia para ovos líquidos e ovos em pó produzidos no Brasil, ao mesmo tempo em que o setor projeta a retomada das exportações neste ano.

Porém, a atividade sente os efeitos das altas temperaturas no verão, situação que afeta a produtividade, menor postura de ovos e, em alguns casos, aumento da perda de aves. “Novamente teremos algumas dificuldades que poderão afetar o mercado de ovos gradativamente, refletindo a curto prazo numa possível diminuição de oferta”, comenta José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Asgav.

O setor tem capacidade de atender a demanda interna e externa, porém, em algumas épocas do ano, são necessárias algumas medidas para garantir a manutenção da atividade.

O feriadão prolongado de natal e ano novo, as férias coletivas e os recessos, retraíram parcialmente o consumo de ovos, mas já se vê a retomada de compras e maior procura desde a primeira segunda-feira útil do ano, em 05 de janeiro, onde muitas pessoas já retomaram dos recessos de final de ano.

Além do retorno do feriadão, a retomada de dietas e uma nutrição mais equilibrada com ovos, saladas e omeletes é essencial para a volta do equilíbrio nutricional.

De acordo com o dirigente da Asgav, o setor vive um período de atenção em razão do calor, que afeta a produtividade. Com a retomada das compras, do consumo e das exportações, pode haver uma leve diminuição da oferta, sem riscos ao abastecimento de ovos para a população.

Fonte: Assessoria ASGAV/SIPARGS
Continue Lendo

Avicultura

VBP dos ovos atinge R$ 29,7 bilhões e registra forte crescimento

Avicultura de postura avança 11,3% e mantém trajetória consistente no agronegócio brasileiro.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A avicultura de postura encerra 2025 com um dos melhores desempenhos da sua história recente. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atualizados em 21 de novembro, o Valor Bruto da Produção (VBP) dos ovos atingiu R$ 29,7 bilhões em 2025, consolidando um crescimento expressivo de 11,3% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados em 2024. O resultado confirma a trajetória de expansão do setor, fortemente impulsionada pela demanda interna aquecida, pela competitividade do produto frente a outras proteínas e por custos menos voláteis do que os observados durante a crise global de grãos.

Em participação no VBP total do agro brasileiro, o segmento se mantém estável: continua representando 2,11% da produção agropecuária nacional, mesmo com o aumento do faturamento. Isso significa que, embora o setor cresça, ele avança num ambiente em que outras cadeias, como soja, bovinos e milho, também apresentaram ampliações substanciais no ciclo 2024/2025.

Um crescimento consistente na série histórica

Os dados dos últimos anos mostram a força estrutural da cadeia. Em 2018, o VBP dos ovos era de R$ 18,4 bilhões. Desde então, a evolução ocorre de forma contínua, com pequenas oscilações, até alcançar quase R$ 30 bilhões em 2025. No período de sete anos, o faturamento da avicultura de postura avançou cerca de 61% em termos nominais.

Contudo, como temos destacado nas reportagens anteriores do anuário, é importante frisar: essa evolução se baseia em valores correntes e não considera a inflação acumulada do período. Ou seja, parte do avanço reflete o encarecimento dos preços ao produtor, e não exclusivamente aumento de oferta ou ganhos de produtividade. Ainda assim, o setor mantém sua relevância econômica e seu papel estratégico no abastecimento nacional de proteína animal de baixo custo.

Estrutura produtiva e desempenho por estados

O ranking estadual permanece concentrado e revela a pesada liderança de São Paulo, responsável por R$ 6,7 bilhões em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais (R$ 2,8 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 2,5 bilhões), Paraná (R$ 2,5 bilhões) e Espírito Santo (R$ 2,1 bilhões). O mapa de distribuição evidencia uma cadeia geograficamente pulverizada, mas com polos consolidados que combinam infraestrutura industrial e tradição produtiva.

A maioria dos estados apresentou crescimento nominal entre 2024 e 2025, embora, novamente, parte desse avanço tenha relação direta com preços mais altos pagos ao produtor, fenômeno sensível à oscilação do custo dos insumos, especialmente milho e farelo de soja.

Cadeia resiliente e cada vez mais eficiente

A avicultura de postura vem aprofundando sua profissionalização, com forte adoção de tecnologias de manejo, sistemas automatizados, ambiência melhorada e maior qualidade no controle sanitário. Esses fatores reduziram perdas, melhoraram índices zootécnicos e ampliaram a oferta de ovos com padrão superior, especialmente no segmento de ovos especiais (cage-free, enriquecidos, orgânicos e com rastreabilidade avançada).

Ao mesmo tempo, o consumo interno brasileiro se estabilizou em patamares elevados após a pandemia, consolidando o ovo como uma das proteínas mais importantes para a segurança alimentar da população, fato que contribui diretamente para a sustentabilidade econômica da cadeia.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Avicultura fecha 2025 com recorde histórico nas exportações de carne de frango

Embarques crescem, receita se mantém elevada e recuperação pós-influenza projeta avanço em 2026

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Após superar um dos momentos mais desafiadores da história do setor produtivo, a avicultura brasileira encerra o ano de 2025 com boas notícias. De acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram, no ano, 5,324 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses de 2025, volume que supera em 0,6% o total exportado em 2024, com 5,294 milhões de toneladas, estabelecendo novo recorde para as exportações anuais do setor.

Foto: Shutterstock

O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro. Ao todo, foram embarcadas 510,8 mil toneladas de carne de frango no período, volume 13,9% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2024, com 448,7 mil toneladas.

Com isso, a receita total das exportações de 2025 alcançou US$ 9,790 bilhões, saldo 1,4% menor em relação ao registrado em 2024, com US$ 9,928 bilhões. Apenas no mês de dezembro, foram registrados US$ 947,9 milhões, número 10,6% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 856,9 milhões. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026” – Foto: Mario Castello

relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%). “O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas. São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026”, ressalta Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.