Avicultura Em Gramado (RS)
Conbrasul 2025 abre debates com foco em sanidade, inovação e sustentabilidade na produção de ovos
Evento segue até terça-feira (3) com uma programação robusta, que contempla temas estratégicos para o presente e o futuro do setor, como sanidade, inovação tecnológica, sustentabilidade, economia e mercado.

A 5ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul) teve início no domingo (1º), reunindo representantes da cadeia de postura comercial de todo o país no Wish Serrano Resort, em Gramado (RS). O Jornal O Presente Rural é mais uma vez parceiro de mídia do evento, e a cobertura você pode acompanhar pelas nossas plataformas digitais.
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o evento segue até terça-feira (3) com uma programação robusta, que contempla temas estratégicos para o presente e o futuro do setor, como sanidade, inovação tecnológica, sustentabilidade, economia e mercado. “Mais do que nunca, é preciso promover um diálogo técnico e transparente sobre os desafios e oportunidades da avicultura de postura. Conbrasul é um espaço de união do setor, onde ciência, mercado e gestão caminham juntos”, destacou o presidente executivo da Asgav e da Conbrasul, José Eduardo dos Santos.
No primeiro dia, três painéis marcaram os debates. O Painel Saúde em Foco abordou as principais ameaças sanitárias enfrentadas pelo setor. A doutora Daniela de Queiroz Baptista, coordenadora de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentou um panorama sobre o avanço da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) nas Américas, enfatizando a importância da vigilância e do preparo frente a um cenário de risco constante. “Lições do cenário internacional mostram que ações preventivas e integração entre governo e setor produtivo são essenciais para conter o avanço da doença”, afirmou Daniela.
Na sequência, Cristiane Cantelli, gerente executiva de Qualidade da Mantiqueira Brasil, detalhou as melhores práticas para prevenção da laringotraqueíte infecciosa, ressaltando o papel da biosseguridade e da capacitação técnica. O painel teve moderação de Tabatha Lacerda, coordenadora técnica da ABPA.
O segundo bloco, Indústria e Qualidade de Ovos em Evolução, trouxe perspectivas sobre modernização dos sistemas de produção. Thiago Lima D’Andrea (Big Dutchman) apresentou soluções de automação para o manejo das granjas. Já Javer Alves Vieira Filho (Vaccinar) destacou tecnologias nutricionais que impactam positivamente na saúde das aves e na rentabilidade do produtor.
Otávio Rech, da Mercoaves, abordou o papel da genética na sanidade e produtividade, reforçando que a seleção genética precisa estar alinhada às exigências de mercado e às condições sanitárias locais.
Fechando o dia, o Painel Avicultura Sustentável e Saudável discutiu práticas voltadas à eficiência e ao impacto ambiental. Mariela de Souza Viera (Eurofins) falou sobre o suporte laboratorial como aliado à sustentabilidade, enquanto Cláudio Machado (Vencomatic Group) apontou caminhos para otimizar o processo de classificação de ovos. Luciane Fornari (PlanET Biogas Brasil) encerrou o bloco tratando do papel da produção sustentável de ovos nos sistemas alimentares, reforçando a necessidade de integrar a produção animal à geração de energia e economia circular.
Ao longo do dia, os participantes também puderam interagir durante os tradicionais Egg Breaks, realizados na Central de Negócios, momento valorizado por José Eduardo dos Santos: “A Conbrasul vai além dos palcos. Os corredores e espaços de networking são tão estratégicos quanto os painéis, pois fortalecem a cooperação entre os elos da cadeia”, ressaltou.
Programação desta segunda-feira (02)
Nesta segunda-feira (02), a programação segue com painéis voltados à economia, suprimentos, sanidade e negócios, incluindo a participação de nomes como Ricardo Santin (ABPA), Antônio Sartori (Brasoja), Laíz Foltran (ABPA), Paul Buisman (MOBA) e Marilaine Motta (BTG Pactual). A expectativa é de aprofundar o debate sobre os caminhos para ampliar a exportação de ovos, os riscos sanitários e as soluções inovadoras para o setor.
Manhã – Sessão Economia/Suprimentos
08h50 – Abertura da Sessão
09h05 – Palestra: Os rumos da economia no Brasil e no mundo e o cenário financeiro para o agronegócio brasileiro
Palestrante: Marilaine Motta, economista e assessora de investimentos na GWM/Investments/BTG Pactual
A palestra aborda o panorama econômico nacional e internacional, com ênfase nas variáveis que influenciam diretamente o agronegócio, como inflação, taxa de juros, câmbio e o mercado de commodities.
09h35 – Palestra: AGRO: Visão global, zoom local, a política e o Agro
Palestrante: Antônio Sartori, sócio-fundador da Brasoja Agro Corretora
O painel trata das inter-relações entre o cenário político, a conjuntura global e os desdobramentos locais no setor agropecuário, com foco em estratégias para o posicionamento da produção de ovos frente aos desafios institucionais e de mercado.
10h15 – Palestra: Overview sobre a indústria e produção de ovos no Brasil: Números e projeções
Palestrante: Laíz Foltran, coordenadora de Inteligência de Mercados da ABPA
A palestrante apresenta dados atualizados sobre a produção, consumo e exportação de ovos no Brasil, além de projeções e tendências de mercado, com foco na análise estratégica para o setor.
10h40 – Egg Break / Networking na Central de Negócios
12h – Almoço
Tarde – Sessão Sanidade & Negócios
14h30 – Palestra: Estratégias para abertura e manutenção de mercados para avicultura da indústria e produção de ovos. Quais os desafios e caminhos para ampliar a exportação de ovos?
Palestrante: Ricardo Santin, presidente da ABPA
Apresentação das ações institucionais e sanitárias adotadas para a conquista e manutenção de mercados internacionais, com destaque para oportunidades e barreiras nas exportações de ovos.
15h – Palestra: As preocupações e possíveis consequências para a Indústria de Produção de Ovos no caso de uma grande contaminação de Influenza Aviária
Palestrante: Anderson Herbert, diretor comercial da Naturovos
Discussão sobre os riscos e impactos potenciais de um eventual surto de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade no Brasil, considerando aspectos econômicos, produtivos e sanitários.
15h45 – Palestra: Tecnologias e inovações que se aliam à segurança alimentar e qualidade na produção de ovos
Palestrante: Paul Buisman, diretor do Departamento de Inovação da Moba
A palestra apresenta soluções tecnológicas para automação, rastreabilidade e controle de qualidade, reforçando o papel da inovação na segurança alimentar e na competitividade da indústria de ovos.
Coordenador da Sessão: Nélio Hand, diretor executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES)
16h45 – Egg Break / Networking na Central de Negócios
18h – Encerramento das atividades do dia

Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.



