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Conab reúne especialistas para conhecer ferramenta de mapeamento global de áreas agrícolas

Encontro com participação de instituições internacionais discutiu ferramentas do projeto europeu World Cereal e ampliou cooperação para aprimorar o monitoramento de grãos e a geração de dados estratégicos para o setor agropecuário.

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Foto: Shutterstock

Técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) participaram, em Brasília, de um encontro com especialistas nacionais e internacionais para conhecer a plataforma de mapeamento global de áreas agrícolas desenvolvida pelo projeto europeu World Cereal.

Foto: Divulgação

A reunião, realizada na última semana no Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH), teve como foco o uso de tecnologias de observação da Terra e o fortalecimento da cooperação técnica voltada ao monitoramento da produção agrícola e à geração de informações estratégicas para o setor.

Segundo a diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, Naiara Bittencourt, a iniciativa reforça a importância da cooperação internacional para ampliar a qualidade das informações usadas na formulação de políticas públicas. “Essa é uma oportunidade de reforçar a cooperação internacional para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas para as informações da agropecuária, de forma a termos cada vez mais fontes de informações objetivas para auxiliar e basear a tomada de decisões”, afirmou.

Ela destacou ainda o impacto das mudanças climáticas sobre a produção agrícola global. “Essas novas tecnologias possibilitam trazer essas informações e, a partir delas, pensar qual é o impacto na produção agrícola, especialmente na produção de alimentos, e como isso se reverbera para os próximos anos”, completou.

Durante o encontro, os participantes conheceram o funcionamento da plataforma do World Cereal, que utiliza imagens de satélite e processamento de dados para

Foto: Shutterstock

mapear áreas agrícolas em escala global.

Para a gerente de Geotecnologias da Conab, Patrícia Maurício Campos, a avaliação da ferramenta é essencial para verificar sua aplicabilidade no Brasil. “Ao  compreender a operação do sistema é possível fazer uma melhor avaliação da ferramenta, de forma a analisar o potencial da sua aplicação no país e, caso venha a ser adotada, as necessidades de aprimoramento para a realidade brasileira”, disse.

O evento reuniu representantes de instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de pesquisadores da Argentina, Chile, México e República Dominicana.

Foto: Fernando Dias

A Conab já desenvolve iniciativas próprias e em parceria para monitoramento agrícola. Em fevereiro, a companhia lançou o sistema Parque Cafeeiro, que utiliza imagens de satélite, bases territoriais e algoritmos de análise espacial para mapear áreas de produção de café no Brasil.

Segundo a diretora, a ferramenta também contribui para rastreabilidade e exigências de mercado. “Essa ferramenta também traz imagens de satélite, dados de bases territoriais oficiais e algoritmos de análise espacial que delimitam e identificam essa área de produção cafeeira. Isso é bom para o mercado não só no sentido da identificação, da proveniência e da rastreabilidade desse café, mas também da qualidade do produto e da segurança para os nossos produtores”, afirmou.

A estatal também integra o programa internacional Geoglam, voltado ao monitoramento agrícola global, e utiliza o sistema GLAM (Global Agriculture Monitoring), desenvolvido pela Universidade de Maryland a pedido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), adaptado à realidade brasileira.

Fonte: Assessoria Conab

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El Niño 2026/27 pode reduzir relação estoque/consumo de soja para 25% em cenário de quebra no Brasil, aponta Itaú BBA

Consultoria vê risco climático elevado, maior vulnerabilidade do milho 2ª safra e Brasil como principal vetor de incerteza para o mercado global de grãos.

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O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, altera padrões globais de chuva e temperatura e impacta diretamente a produção agrícola mundial.

Foto: Divulgação

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, os efeitos são estruturalmente assimétricos: Sul do Brasil, Argentina e, em alguns episódios, Estados Unidos tendem a ser beneficiados por melhores condições hídricas, enquanto Norte e Nordeste do Brasil, Sudeste Asiático e Austrália enfrentam maior risco de seca e calor excessivo. “O El Niño reorganiza a distribuição global de chuvas, gerando vencedores e perdedores climáticos de forma simultânea”, afirma no Radar Agro-El Niño de junho.

Historicamente, o fenômeno cria um efeito de compensação geográfica da oferta de grãos, reduzindo a probabilidade de perdas sincronizadas em múltiplas regiões produtoras. Nesse contexto, os impactos agregados sobre a soja tendem a ser neutros a levemente positivos em produtividade global, sustentados por boas condições em grandes polos produtores.

O Brasil aparece como principal vetor de risco para o mercado global, dada sua relevância na oferta internacional e a elevada variabilidade regional dos impactos do El Niño.

No Centro-Oeste e no Matopiba, o fenômeno tende a provocar irregularidade das chuvas, veranicos e atraso de plantio, com efeitos diretos sobre soja e milho

Foto: Divulgação

safrinha. “A combinação entre instabilidade das chuvas e janela de plantio apertada aumenta a vulnerabilidade da safrinha, especialmente no Centro-Oeste”, destaca Itaú BBA.

Probabilidade de El Niño forte aumenta incerteza para 2026/27

O cenário climático para 2026/27 indica alta probabilidade de um El Niño forte a muito forte, elevando o grau de incerteza sobre a produção agrícola global. Esse contexto amplia a sensibilidade dos mercados a revisões de oferta ao longo da safra.

O balanço global de soja para 2026/27 deve entrar mais apertado, com redução do superávit e maior sensibilidade a variações de produção, especialmente diante da expansão da demanda por biocombustíveis.

O cenário base da Consultoria Agro Itaú BBA ainda projeta safra recorde no Brasil e estoques confortáveis, com preços relativamente estáveis.

As simulações da consultoria mostram que uma quebra de 6% na produção brasileira de soja em 2026/27 poderia reduzir a relação estoque/consumo global de 28% para 25%, levando os estoques ao menor nível desde 2023/24. “O sistema global de soja hoje tem menor capacidade de absorver choques de oferta, o que amplifica o impacto de eventuais perdas no Brasil”, aponta o Itaú BBA.

Foto: Divulgação

Nesse cenário, o impacto de uma quebra brasileira seria mais relevante do que em 2023/24, quando a recuperação da Argentina ajudou a compensar perdas.

Milho 2ª safra 

Entre as culturas, o milho 2ª safra é o mais vulnerável ao El Niño no Brasil, principalmente devido ao risco de atraso no plantio e maior exposição a déficit hídrico no Centro-Oeste e no Mapito.

O fenômeno também traz riscos para cana-de-açúcar, café, trigo, laranja e frutas e hortaliças. Na cana, há risco de impacto no ritmo de colheita e na qualidade industrial. No café, o estresse hídrico pode gerar floradas desuniformes e perda de produtividade. Trigo e arroz podem sofrer com excesso de chuvas no Sul, enquanto frutas e hortaliças enfrentam impacto de calor e irregularidade hídrica.

O El Niño 2026/27 deve funcionar como variável central de risco para o agronegócio global, com potencial de amplificar volatilidade nos mercados de commodities agrícolas.

Em síntese, o cenário mais sensível não está no equilíbrio médio global, mas na possibilidade de choques localizados — especialmente no Brasil — com impacto direto sobre estoques e preços internacionais.

Fonte: O Presente Rural
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CMN endurece regras do Proagro e passa a exigir fotos georreferenciadas para comprovar perdas no campo

Mudanças aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional buscam reforçar controle do seguro rural e equilibrar a saúde financeira do programa, que terá novas regras aplicadas a partir de julho de 2026.

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Foto: Vanessa Kuntzer

Produtores rurais que solicitarem cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) terão de apresentar fotos georreferenciadas nas vistorias para comprovar perdas na lavoura. As imagens deverão conter dados de localização por GPS incorporados ao arquivo, permitindo validar o local afetado.

Foto: Gilson Abreu

A exigência faz parte de um conjunto de mudanças aprovadas na quinta-feira (25) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com o objetivo de reforçar os mecanismos de controle do programa.

Segundo o Banco Central (BC), responsável pela gestão do Proagro, o uso de imagens com georreferenciamento ajuda a comprovar que a área vistoriada corresponde, de fato, à propriedade atingida pela perda. A prática já vinha sendo incentivada desde as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

Controle maior sobre indenizações

Outra alteração aprovada pelo CMN muda a forma de cálculo das indenizações em casos de perdas mais severas. A produção efetivamente obtida pelo produtor passará a ser descontada do valor final da indenização.

De acordo com o Banco Central, a medida busca aprimorar a sustentabilidade financeira do programa, considerado o principal instrumento público de seguro rural

Foto: Gabriel Faria

do país.

Ajustes nas alíquotas

O monitoramento contínuo do Proagro também levou o CMN a revisar as chamadas alíquotas de equilíbrio e os adicionais pagos pelos produtores. Segundo o BC, a redução do risco médio observado no programa permitiu ajustes que tendem a reduzir o custo para a maior parte dos agricultores.

A alíquota de equilíbrio corresponde ao percentual pago pelo produtor para cobrir o risco de perda de safra em determinada cultura e região. Já o adicional é a taxa cobrada para adesão ao seguro.

Foto: Divulgação

O Banco Central afirma ainda que os valores das indenizações foram recalibrados para refletir de forma mais precisa o risco de quebra por produto e localização.

Regras passam a valer em 2026

As novas normas serão aplicadas às operações enquadradas no Proagro a partir de 1º de julho de 2026. O Banco Central afirma que as mudanças reforçam a sustentabilidade do programa e a proteção aos produtores rurais.

Criado em 1973, o Proagro é financiado pela União, pelas contribuições dos produtores e pelas receitas obtidas com a aplicação dos recursos do adicional pago pelos participantes.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias Cooperativismo

Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível

Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

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A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.

Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.

A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.

Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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