Bovinos / Grãos / Máquinas Sustentabilidade
“Complexidade marcará o futuro da agropecuária brasileira”, defende pesquisador da Embrapa
Avanços tecnológicos e apagão na mão de obra devem marcar a pecuária de corte nos próximos 20 anos

Desempenhar uma atividade de produção agropecuária de forma sustentável é um desafio enorme para produtores rurais, especialmente enquanto ainda são sentidos os efeitos da pandemia e da guerra na economia mundial. No setor da pecuária de corte não é diferente. Os desafios para produzir de forma sustentável, considerando o aspecto social, econômico e ambiental, são inúmeros.

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do CiCarne, Guilherme Malafaia: “A sustentabilidade vem permeando a história da pecuária de corte brasileira, diferentemente daquilo que alguns tentam nos pintar de uma realidade que não somos” – Foto: Arquivo pessoal
O assunto foi debatido durante o 13ª Prosa de Pecuária, live realizada pelo Instituto Desenvolve Pecuária. A palestra “Sustentabilidade e os desafios futuros para a cadeia produtiva da carne bovina” foi apresentada pelo pesquisador e coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina da Embrapa Gado de Corte, Guilherme Malafaia. Para ele, a complexidade marcará o futuro da agropecuária brasileira.
Segundo o pesquisador, nas últimas quatro décadas a cadeia produtiva de carne bovina passou por uma modernização revolucionária, sustentada por avanços tecnológicos dos sistemas de produção e em sua organização. “Com claro reflexo na produtividade, na qualidade da carne e, consequentemente, no aumento da competitividade”, destaca.
De acordo com ele, a sustentabilidade sempre esteve presente na pecuária de corte brasileira ao longo dos quarenta anos de sua trajetória. Entretanto, nos últimos anos o uso de tecnologia passou a ter um papel extremamente relevante para o setor reduzir as áreas de pastagem e mesmo assim aumentar a produtividade. “O emprego e a modernização tecnológica nos permitiu termos ganhos de produtividade com menor utilização de terras. Isso mostra a sustentabilidade ambiental que a pecuária de corte vem trilhando em seu caminho ao longo dos anos”, afirma Malafaia.
Sustentabilidade social
De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em 2020 o setor gerou 4,5 milhões de empregos diretos nos setores de produção, industrialização e distribuição. As ocupações representam R$ 65 bilhões em salários.
Para Malafaia, esses números mostram o carácter de sustentabilidade social da cadeia produtiva de carne bovina. “Através da geração de emprego e renda para as famílias brasileiras”, completa.
Sustentabilidade econômica
O PIB da pecuária de corte cresceu 20,8% em 2020 em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 747,05 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Apex Brasil. O número representa quase 10% de todo o PIB do país. “Mostrando que a pecuária de corte desenvolve sustentabilidade econômica”, afirma o pesquisador da Embrapa.
Futuro
De acordo com o pesquisador da Embrapa, a atual realidade do setor em função do aumento dos custos de produção, da escassez de mão-de-obra e das crescentes restrições socioambientais, induz o setor a novos desafios. “A pensar novos processos, métodos, sistemas, produtos e serviços que contribuam para a promoção da eficiência e competitividade da pecuária de corte brasileira”, destaca. Malafaia acredita que mesmo com um cenário negativo em alguns aspectos, o futuro da pecuária é favorável.
O pesquisador menciona o estudo realizado pela Embrapa Gado de Corte, em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A pesquisa traz dez megatendências para o setor para 2040. “Essas megatendências são um conjunto de vetores de transformação que são fortemente interligados e que têm o poder de transformar toda uma realidade”, menciona.
Megatendências para 2040
As dez megatendências citadas no estudo estão relacionadas a avanços no campo da ciência e tecnologia para atingir rentabilidade com respeito ao bem-estar dos animais e de acordo às exigências do mercado consumidor.
Biológicos à frente no manejo de baixos resíduos
Os avanços biotecnológicos voltados à sanidade, necessidade de redução dos resíduos na carne e a dificuldade em se controlar de forma mais efetiva certas doenças tendem, segundo Malafaia, a diminuir a utilização de fármacos alopáticos e aumentar da produção de medicamentos biológicos. “A tendência é termos insumos cada vez mais ausentáveis e de base biológica”, explica.
Biotecnologia transformando a pecuária e a carne
A sanidade animal e o melhoramento genético serão fortemente impactados pelas biotecnologias. Conforme Malafaia, será possível prevenir e controlar doenças e parasitoses com melhores soluções de manejo. “A edição gênica possibilitará grandes avanços em termos de rusticidade, qualidade e desempenho dos animais”, menciona.
Menos pasto, mais carne
Segundo o estudo, os avanços tecnológicos e a integração lavoura e floreta mudarão o patamar tecnológico da pecuária de corte. Serão 36 milhões ou mais de hectares em ILPF paralelamente e uma forte redução nas áreas de pastagem e um crescimento no número total de cabeças, com sistemas muito mais produtivos. “Vamos continuar fazendo mais com menos. Utilizar menos área e produzir mais carne, gerando cada vez mais o efeito pouca terra”, ressalta.
Lucro apenas com bem-estar animal
Outra tendência relacionada no estudo é a produção com respeito ao bem-estar animal ao longo de toda a cadeia. Será a regra e nenhum elo poderá ficar de fora. “Em um mundo pós pandêmico, a preocupação com a sanidade animal será cada vez mais forte”, emenda Malafaia. Das propriedades, transporte e frigoríficos serão exigidos certificados de produção com bem-estar animal.
Pecuária consolidada com grandes players
A pesquisa menciona também as exigências produtivas em termos de quantidade, qualidade do produto final e os meios de produção provenientes de um consumidor diversificado e exigente. “As exigências de bioseguridade e escala farão com que a pecuária se consolide com grandes players, o conceito de mega fazendas será predominante para poder dar respostas aos desafios”, relata. Ainda, conforme o estudo, isso limitará a atuação do pecuarista extrativista.
Frigorífico: Mais natural e com mais exigências de qualidade
Para atender um consumidor que exigirá produtos mais naturais, com menor teor de aditivos, o estudo indica que haverá necessidade de aumentar as exigências na aquisição de matéria prima proveniente dos pecuaristas, com marcante demanda para o avanço na qualidade da carne. “As exigências quanto ao manejo sustentável, produtos biológicos e a implementação rigorosa do processo de bem-estar animal serão cada vez mais rigorosas”, menciona Malafaia.
Carne com denominação de origem
O estudo de CiCarne prevê também o fortalecimento da carne bovina como produto mais sofisticado, a exemplo de como ocorre com vinhos e queijos. A cadeia produtiva trabalhará fortemente em termos de diferenciação de cortes e processos produtivos em busca de geração de valor a seus produtos. “Teremos grandes oportunidades com agregação de valor em produtos através de certificações com denominação de origem”.
Brasil, mega exportador de carne e genética
Conforme o trabalho, o país se destacará na exportação de genética, de animais vivos para abate, de cortes de carne e de subprodutos, atingindo tanto mercados emergentes quanto os sofisticados. De acordo como Malafaia, o estudo prevê que os avanços oriundos da introdução de biotecnologias e o amplo esforço de toda a cadeia em termos de produção sustentável, bem-estar animal e qualidade de carne criarão a base para o crescimento. “O Brasil tem um arsenal genético de zebuínos e taurinos altamente superior e que pode ser amplamente exportado para outros países”, afirma Malafaia.
Digital transformando toda a cadeia produtiva
A penúltima tendência citada no estudo prevê que a maior transformação será no processo de distribuição, seja de insumos, gado ou da carne. Segundo o estudo, a propensão é que parte dos intermediários sejam excluídos do sistema, e a relevância da qualidade e sustentabilidade crescerão via interação digital com o consumidor final. “Principalmente através de embalagens inteligentes que contarão toda a história do produto, desde a cria, até a chegada do produto na mesa do consumidor”, menciona.
Apagão de mão-de-obra
A última tendência apontada pelo estudo do CiCarne é algo que já está acontecendo no campo, segundo Malafaia. Segundo ele, atualmente, 87% da população é urbana e a tendência deve se acentuar cada vez mais. Mas segundo Malafaia, o maior desafio do setor não será quantitativo, e sim qualitativo. “Os enormes avanços tecnológicos previstos para os próximos 20 anos demandarão uma mão-de-obra cada vez mais capacitada”, completa Malafaia.
Cinco maiores problemas da humanidade nos próximos 50 anos
O estudo sintetiza os múltiplos desafios do futuro em energia; água; alimento; ambiente e pobreza.
Segundo Malafaia, todas as cadeias de produção precisarão estar altamente antenadas nestes cinco elementos para ter condições de consegui se manter. “Todos os mecanismos de produção terão que estar pautados nesses elementos”, afirma o pesquisador da Embrapa.
A terceira onda
Dentro do conceito relacionado aos cinco elementos que representarão os principais desafios das cadeias de produção para o futuro, ergue-se a terceira onda da pecuária da corte no Brasil, vista por Malafaia como uma atividade de ciclo mais curto, integrada com outras cadeias de produção, com processo de decisão mais minucioso, com equilíbrio de emissões e com menor pegada ambiental e hídrica. “A consequência disso tudo será um produto padronizado para atender mercados altamente exigentes para captarmos valor através disso”, sustenta Malafaia.
Desenvolvimento com sustentabilidade
O crescimento sustentável da pecuária de corte no Brasil prevê uma grande transformação em toda a cadeia produtiva com sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta.
Conforme Malafaia, a complexidade marcará o futuro da agropecuária brasileira. “Teremos que aprender a gerenciar vários elementos dentro de uma mesma área, e isso se torna complexo”, ressalta.
Segundo o pesquisador, a partir disso, será possível a busca por maior eficiência e agregação de valor aos nossos produtos. Isso será possível com tecnologia e programas de incentivo para se chegar a produtos que sejam mensuráveis, reportáveis e verificáveis, e com isso, conseguir certificações e capturar valor. “A complexidade na cadeia da pecuária de corte será cada vez mais intensa e vai exigir um preparo maior dos pecuaristas”, evidencia.
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Bovinos / Grãos / Máquinas
Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina
Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais. Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.
No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.
Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.



