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Competição por tetos afeta desempenho e taxa de mortalidade em rebanhos hiperprolíferos

No entanto, esse aumento na prolificidade das fêmeas suínas tem apresentado um grande desafio em relação a disponibilidade de tetos para todos os leitões.

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Com os avanços do melhoramento genético, as fêmeas suínas têm se tornado cada vez mais hiperprolíficas, aumentando sua capacidade de reprodução e o número de leitões nascidos vivos. De acordo com um levantamento feito pela Agriness, a média de nascidos vivos em 2021 foi de 13,75 leitões por ninhada, mas em granjas com melhor desempenho, esse número pode chegar a 15,47.

No entanto, esse aumento na prolificidade das fêmeas suínas tem apresentado um grande desafio em relação a disponibilidade de tetos para todos os leitões. Em geral, as fêmeas suínas possuem entre 13 a 15 tetos funcionais, podendo variar ao desmame. “A restrição de tetos disponíveis leva a uma competição acirrada entre os leitões para acessar o teto da fêmea, o que prejudica a mamada e pode resultar em lesões corporais tanto nos leitões quanto no complexo mamário da matriz. Esses fatores interferem diretamente no crescimento e no desempenho dos leitões, além de aumentar as taxas de mortalidade pré-desmame”, relatou Ana Paula Gonçalves Mellagi, doutora em Ciências Veterinárias e professora do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Doutora em Ciências Veterinárias e professora do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ana Paula Gonçalves Mellagi – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A especialista explica que nestes casos os leitões menores, em particular, enfrentam dificuldades em obter a quantidade necessária de colostro e leite para sobreviver, o que agrava os índices de mortalidade por esmagamento e fome. Diante desse cenário, é preciso buscar alternativas práticas para reduzir as taxas de mortalidade de pré-desmame e melhorar o desempenho dos animais.

Entre as alternativas destacadas pela docente da UFRGS está o uso de mães de leite, o aleitamento artificial, a uniformização com leitões excedentes e a socialização pré-desmame. “Essas práticas têm como objetivo viabilizar melhores oportunidades de acesso ao leite, garantindo que todos os leitões tenham uma alimentação adequada para um desenvolvimento saudável”, pontua.

Uso de mães de leite

Entre as abordagens utilizadas para lidar com o problema dos leitões excedentes e promover maior sobrevivência e crescimento está o uso de mães de leite. Essas são fêmeas suínas que adotam leitões de outras leitegadas após terem desmamado sua própria ninhada.

De acordo com doutora em Ciências Veterinárias, existem duas estratégias principais para esse manejo, conhecidas como uma etapa e duas etapas. Na estratégia de uma etapa, fêmeas recentemente desmamadas são selecionadas para receber leitões recém-nascidos de outra ninhada, permanecendo com elas durante uma lactação completa. Já na estratégia de duas etapas, são envolvidas no processo duas fêmeas: uma com uma semana de lactação é planejada para receber leitões com até 24 horas de vida, enquanto os leitões de sete dias de idade são alocados em outra matriz com uma lactação mais avançada. “O objetivo dessas estratégias é garantir que todos os leitões tenham acesso ao leite, mesmo que sejam amamentados por fêmeas com diferença de idade lactacional em relação à idade dos leitões. No entanto, há preocupações quanto a perda de condição corporal das fêmeas utilizadas como mães de leite, uma vez que passam mais tempo em lactação”, revela Ana Paula.

Um estudo comprovou que a utilização de mães de leite aumentou o peso dos leitões até o terceiro dia de vida, não havendo diferenças para o peso ao desmame. Na pesquisa também não foi observado alterações na condição corporal das fêmeas, que passaram por até duas semanas a mais de lactação. No entanto, Ana Paula diz que foram apontadas preocupações com relação a problemas locomotores, lesões de úbere e possíveis prejuízos no desempenho subsequente das fêmeas envolvidas nesse manejo.

Outra pesquisa mostra que o número de leitões nascidos totais foi menor em mães de leite (16,2 leitões) em relação às demais (17,2 leitões). Como consequência, a especialista relata que pode haver uma redução no número desmamados por leitegada e desmamados/fêmea/ano.

Além dos controles diretos no número de leitões, um dos desafios observados é a redução na eficiência do uso das gaiolas de maternidade quando há um alto percentual de uso de mães de leite no sistema de produção. “Isso ocorre porque a presença de uma mãe de leite ocupa um espaço que poderia ser utilizado por outra fêmea convencional, o que consequentemente diminui o número de fêmeas cobertas por lote”, expõe Ana Paula, acrescentando: “A separação do leitão de sua mãe biológica resulta em um alto nível de estresse quando ele é transferido para outra fêmea. Nesse processo, o leitão precisa estabelecer uma nova ordem de tetos e criar um vínculo com a mãe adotiva”.

Contudo, a doutora em Ciências Veterinárias afirma que a utilização da estratégia de uma etapa pode reduzir esse estresse, uma vez que a ordem de tetos pode ser estabelecida até o terceiro dia de vida. Por outro lado, na estratégia de duas etapas, os leitões são transferidos tardiamente, o que significa que eles terão que restabelecer a ordem de tetos, gerando um desafio maior devido a maior disputa por tetos.

Além do impacto no bem-estar dos leitões, Ana Paula aponta que o uso de mães de leite também tem consequências na disseminação de agentes patogênicos. “Estudos recentes indicam que esse manejo pode facilitar a transmissão do vírus da Influenza A e da Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS), aumentando a pressão de infecção durante a fase lactacional e desmamando leitões positivos”, ressalta.

Aleitamento artificial

Uma alternativa recomendada para leitegadas com leitões excedentes é o aleitamento artificial, que visa garantir uma fonte de nutrição para os leitões. Atualmente, existem os sistemas de deck, em que os leitões têm acesso apenas ao leite ou ao sucedâneo artificial; e o sistema de suplementação, no qual os leitões têm acesso tanto ao leite da fêmea quanto ao sucedâneo. “O objetivo destes sistemas é facilitar o aleitamento dos leitões excedentes ou com baixa viabilidade, que poderiam vir a óbito se mantidos em condições normais com a fêmea. No entanto, em ambos os sistemas é necessário ter cuidado com a idade dos leitões, a formulação do sucedâneo, a mistura de lotes durante a transferência e a higiene dos equipamentos”, menciona Ana Paula.

Várias questões são levantadas em relação a esse manejo, principalmente em relação ao desempenho e à sobrevivência da leitegada. Um estudo mostrou que o peso ao desmame, o ganho de peso diário e a mortalidade não foram afetados em leitegadas suplementadas com sucedâneo de leite. Já em outra pesquisa foi observada uma melhora no ganho de peso nas primeiras 24 horas de vida e uma redução na taxa de mortalidade em leitões de baixo peso. Por outro lado, leitegadas alimentadas apenas no sistema de deck (com leite artificial) podem apresentar menor peso ao desmame, provavelmente devido à mudança na dieta e ao estresse da separação da fêmea. “O aleitamento artificial e o acesso ao sucedâneo reduziram as competições e o número de lesões faciais nos leitões, melhorando o bem-estar dos animais. O acesso ao sucedâneo de leite também reduziu as disputas por tetos, consequentemente, diminuindo esse número de brigas. Porém, quando apenas os decks são usados para alimentar os leitões, observou-se um aumento do comportamento de belly-nosing (lamber a barriga), bem como mordeduras nas orelhas e caudas de outros leitões”, salienta a docente da UFRGS.

Leitegada com leitão excedente ao número de tetos

Em granjas produtoras de leitões, o sucesso econômico está diretamente relacionado a um maior número de leitões desmamados por fêmea, baixa taxa de mortalidade e pesos adequados ao desmame. No entanto, em situações em que há restrições no uso de mães de leite ou com desafios sanitários, Ana Paula diz que é necessário traçar abordagens para desenvolver estes leitões excedentes. “O manejo em bandas pode ser uma alternativa, no qual a disponibilidade para formação de mães de leite pode ser reduzida, dependendo do intervalo entre os lotes”, frisa.

Além disso, devido às perdas neonatais concentrarem-se nos primeiros dias de vida, é possível que as glândulas mamárias da fêmea apresentem involução não estimulada em uma fase muito precoce da lactação. Em outra pesquisa, em que leitegadas foram uniformizadas em relação ao número funcional de tetos da fêmea, classificados como DEC: dois leitões a menos; CON: mesmo número de leitões e tetos funcionais; e INC: dois leitões a mais, observou-se que o tamanho da leitegada ao desmame foi estatisticamente maior para o grupo INC em comparação com o DEC, mas não houve diferença em relação ao grupo CON (13,3, 11,3 e 12,6 leitões, respectivamente).

Em outro estudo, ao uniformizar leitegadas com um leitão a mais em relação ao número de tetos, constatou-se um aumento de 0,67 leitão no desmame, porém, esses leitões estavam mais leves do que aqueles em leitegadas com a mesma quantidade de leitões e tetos. De forma semelhante, em outro experimento observou-se que a uniformização de leitegadas com um leitão adicional ao número de tetos resultou em um aumento de 0,4 leitão no desmame, resultando em um melhor aproveitamento dos tetos funcionais até o desmame.

Já em um outro estudo foram avaliadas leitegadas formadas com um número de leitões igual ao número de tetos funcionais (LS14 – 14 leitões); leitegadas com mais leitões do que tetos (LS17 – 17 leitões) e associadas à suplementação com sucedâneos lácteos ao longo de toda a lactação (+MILK) ou sem (-MILK). “Nesta pesquisa observou-se uma interação entre o tamanho da leitegada e a suplementação, em que o peso ao desmame foi maior para o grupo LS17+MILK em comparação com o LS17-MILK, sem efeito do suplemento em leitegadas com 14 leitões”, explica Ana Paula, complementando: “A implementação de abordagens como o uso de substitutos de leite para leitegadas com leitões excedentes tem mostrado resultados positivos na redução da mortalidade e no aumento do peso ao desmame”.

Ainda de acordo com a especialista, leitegadas com leitões excedentes demandam um maior esforço metabólico por parte da fêmea para produzir a quantidade de leite necessária, contudo, as fêmeas modernas nem sempre conseguem suprir essa demanda, resultando em impactos negativos na sua condição corporal durante o período de lactação.

Segundo Ana Paula, embora haja um consenso de que fêmeas com um grande número de leitões possam enfrentar um maior catabolismo lactacional, estudos recentes com leitões excedentes não relatam as condições das fêmeas ao desmame, porém, recentemente, constatou-se que leitegadas com um leitão adicional em relação ao número de tetos têm pouca ou nenhuma influência na perda de condição corporal da fêmea, além disso, o escore de lesão no aparelho mamário das fêmeas não foi comprometido pelo tamanho da leitegada em relação ao número de tetos. “Em situações de desafios sanitários ou quando há uma alta demanda por mães de leite, a uniformização com um leitão excedente pode ser uma estratégia para aumentar a produtividade e otimizar o número de fêmeas no plantel”, sugere Ana Paula.

Socialização de leitegadas

Os leitões começam a interagir com outras leitegadas por volta da segunda semana de vida, quando a fêmea retorna ao grupo de origem em condições de vida livre. Porém em condições comerciais, isso ocorre pela primeira vez ao desmame.

Em rebanhos hiperprolíferos, a mistura de leitegadas no período pré-desmame tem se mostrado uma estratégia eficaz para o desenvolvimento dos leitões. “Essa prática possibilita que os animais tenham acesso aos tetos de outras fêmeas, melhorando sua habilidade social e formação de hierarquias e de dominância estáveis, além de promover taxas de crescimento maiores após o desmame”, enfatiza.

Conforme a especialista, a socialização das leitegadas traz diversos benefícios. Estudos indicam que entre 29% e 39% dos leitões em leitegadas socializadas mamam em outras fêmeas. “Essa prática é especialmente benéfica quando o acesso aos tetos é limitado, auxiliando no ganho de peso da leitegada. Em experimentos, a socialização é realizada entre seis e 14 dias de idade, demonstrando um aumento significativo no comportamento lúdico em relação ao grupo não socializado”, evidencia Ana Paula.

Promover a mistura das leitegadas antes do terceiro dia de vida dos leitões pode reduzir disputas e aumentar os eventos de cross-suckling, beneficiando especialmente os leitões de fêmeas com baixa produção de leite. Outra prática de aleitamento coletivo é o multi-suckling, que permite a socialização tanto das fêmeas quanto das leitegadas. Embora apresente vantagens em termos de bem-estar animal, essa prática também pode aumentar a taxa de mortalidade devido ao risco de esmagamento dos leitões.

Estudos demonstram que leitões socializados antes do desmame apresentaram um aumento de 81% no consumo de ração entre o primeiro e o segundo dia pós-desmame, além de um ganho de peso 82% maior até o quinto dia em comparação com leitegadas submetidas ao manejo convencional de lactação. “É crucial encontrar um equilíbrio entre os aspectos econômicos e o bem-estar animal, garantindo um ambiente saudável para os suínos, maximizando sua eficiência produtiva. A implementação de medidas adequadas de manejo, aliada à seleção genética criteriosa, pode contribuir para enfrentar os desafios e otimizar os resultados na produção suinícola”, considera Ana Paula.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

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Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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