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Como um peixe de 10 centímetros pode ajudar a frear o aquecimento global

Pesquisa realizada no Reservatório Passaúna revela que o lambari-miúdo atua como filtro ecológico ao incorporar carbono em sua biomassa e contribuir para mitigar o efeito estufa.

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Foto: André Thiago/Sanepar

Estudar o ecossistema dos reservatórios de água ajuda a entender como a própria natureza auxilia no combate ao agravamento do efeito estufa. Um estudo feito por um grupo de pesquisadores de diversas instituições, incluindo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), revelou que o lambari-miúdo (Psalidodon minor), peixe nativo de cerca de 10 centímetros, pode mitigar a emissão local de gases causadores do aquecimento global.

Foto: André Thiago/Sanepar

O engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer, é um dos autores do estudo feito no Reservatório Passaúna, localizado na Região Metropolitana de Curitiba. Ele explica que reservatórios de abastecimento e de energia elétrica apresentam circulação de água mais lenta do que os rios, acumulando naturalmente mais matéria orgânica no fundo, que se decompõe e emite gases como o metano, o segundo maior responsável pelo aquecimento global e considerado cerca de 80 vezes mais nocivo que o gás carbônico em um período de 20 anos.

Neste contexto, a pesquisa descobriu que as populações de peixes nativos atuam como uma espécie de filtro ecológico, retendo o carbono proveniente do metano em sua biomassa (na carne), sendo um importante elemento para mitigar os gases de efeito estufa desse tipo de reservatório. “Na reabilitação deste ambiente artificial, os processos naturais das comunidades de seres vivos precisam se equilibrar dentro de sua dinâmica, criando uma infraestrutura biológica de mitigação climática”, afirma.

Lambari-miúdo

Segundo o professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental do Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do

Professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental do Setor de Tecnologia da UFPR e coordenador do Laboratório de Ecologia e Conservação, Jean Ricardo Simões Vitule: “O lambari-miúdo é uma das engrenagens mais importantes no contexto deste tipo de carbono, e é difícil relatar isso em peixes” – Foto: André Thiago/Sanepar

Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), Jean Ricardo Simões Vitule, o lambari-miúdo é importante pois, apesar do pequeno porte, tem uma massa significativa que sustenta predadores.

A assimilação do carbono proveniente do metano por este peixe chega a ser de até 15% do seu peso. “Temos que manter esse lambari, porque se houver diminuição da população ou se ele for extinto, o metano será emitido mais rapidamente para a atmosfera”, diz Jean Ricardo, acrescentando: “Toda a comunidade funciona como um filtro ecológico, mas o lambari-miúdo é uma das engrenagens mais importantes no contexto deste tipo de carbono, e é difícil relatar isso em peixes. Este é um dos primeiros estudos globais com reservatórios mostrando que peixes são importantes nesses filtros de assimilação em âmbito de ecossistema de comunidades biológicas”.

Espécies invasoras

O estudo também demonstrou que espécies exóticas de peixes, em especial o predador black bass (Micropterus nigricans), podem colocar em risco o equilíbrio biológico ao reduzir drasticamente a população do lambari-miúdo e de outros peixes nativos.

Ao desestruturar a teia alimentar, o black bass potencializa a liberação de gás metano para a atmosfera, afetando a sustentabilidade a longo prazo. “São efeitos em diferentes escalas tanto para o reservatório quanto para o meio ambiente”, menciona Jean Ricardo.

Engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer: “Precisamos continuar investigando os mananciais e os reservatórios para conseguir antecipar possíveis problemas e valorizar os serviços ecossistêmicos que são prestados pela natureza” – Foto: André Thiago/Sanepar

Scheer ressalta que é necessário fazer o monitoramento e o manejo ecológico focado na fauna nativa para impedir que ocorram essas invasões biológicas. “Desenvolvemos junto com o Laboratório de Ecologia e Conservação um protocolo de manejo que pode ser aplicado em qualquer reservatório do Brasil ou do mundo para prevenir e mitigar este problema que causa grandes prejuízos ecológicos e econômicos. Ele inclui várias formas de vida diferentes, tanto aquáticas quanto terrestres, e visa aumentar, de forma ecologicamente equilibrada, as populações nativas e controlar as exóticas, como o black bass”, conta.

Próximos passos

O pesquisador da Sanepar afirma que ainda há muito a ser investigado, mas o estudo aponta esse potencial para os

Foto: André Thiago/Sanepar

milhares de reservatórios existentes. “Entendemos que precisamos não só cuidar da quantidade deste ativo de saneamento, mas também da qualidade. Precisamos continuar investigando os mananciais e os reservatórios para conseguir antecipar possíveis problemas e valorizar os serviços ecossistêmicos que são prestados pela natureza”, explica Scheer.

Esforço interinstitucional

A pesquisa intitulada “Assimilação de carbono derivado de metano por peixes nativos e não nativos em um reservatório neotropical” foi feita pela Gerência de Pesquisa e Inovação da Sanepar, em parceria com o LEC/UFPR, o Laboratório de Ecologia de Peixes da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o Lancaster Environmental Centre (Reino Unido), o LAB Analyses e o Museu de História Natural Capão da Imbuia (MAPCF/SMMA). “Esse ‘mutualismo’ entre os setores é importante, pois se reflete em conhecimento para a sociedade. É um conhecimento basal e que gera frutos aplicados da ecologia para o manejo do reservatório”, diz o professor Jean Ricardo.

Fonte: AEN-PR

Peixes

Pesca no Lago Paranoá: entenda as regras para modalidades artesanal, amadora e esportiva

Gestão compartilhada entre Governo Federal e do Distrito Federal estabelece normas de licenciamento, limites de captura, áreas permitidas e restrições ambientais para diferentes modalidades de pesca no Lago Paranoá.

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Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Quem vive no Distrito Federal tem no Lago Paranoá um dos principais pontos de convivência com a cidade. O reservatório artificial, além de cartão-postal de Brasília, também sustenta diferentes usos: da pesca artesanal ao lazer esportivo, passando por atividades amadoras e científicas.

A atividade pesqueira no lago é compartilhada entre o Governo do Distrito Federal (GDF), responsável pela gestão local do espelho d’água, e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), que define as normas gerais que orientam a pesca em todo o país.

Foto: Divulgação

No caso do Paranoá, o funcionamento da atividade está previsto no Decreto nº 48.780/2026, que regulamenta a Lei nº 7.399/2024 e autoriza diferentes modalidades de pesca: profissional artesanal, amadora, esportiva, subaquática, científica e de subsistência. Na prática, isso inclui desde pescadores que dependem da atividade para viver até quem pesca por lazer, estudo ou consumo próprio.

Para atuar de forma regular, o pescador profissional artesanal precisa seguir as regras do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), previsto no Decreto nº 8.425/2015, que define as condições para obtenção da licença profissional.

Já a pesca amadora e esportiva segue normas da Portaria SAP/Mapa nº 616/2022, que trata da licença exigida para quem pesca por lazer ou competição. Esses registros são obrigatórios para garantir a legalidade da atividade em águas públicas como o Paranoá.

No Distrito Federal, foram emitidas 19.467 licenças de pesca amadora e esportiva entre 2023 e 2026. No lago, espécies como tucunaré, tilápia, mandi, lambari e cascudo compõem a fauna adaptada ao ambiente urbano, o que ajuda a manter a atividade ativa ao longo do ano, dentro das regras de ordenamento.

Segundo a diretora do Departamento de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva, Sandra Silvestre, a pesca no Paranoá faz parte do uso múltiplo de um ambiente

Foto: Divulgação

urbano com forte relevância social e econômica. Ela destaca que a atividade movimenta desde o comércio de equipamentos até serviços ligados ao turismo e à realização de eventos esportivos.

Modalidades e regras de pesca

Na pesca artesanal, são permitidos equipamentos como redes de emalhar (com malha mínima de 70 milímetros) e tarrafas (a partir de 50 milímetros), sempre em áreas previamente autorizadas.

A pesca amadora e esportiva é voltada exclusivamente ao lazer. Não há permissão para comercialização do pescado. Nessa modalidade, o uso inclui varas simples, carretilhas, molinetes, linhas e anzóis.

O limite de captura é de até 5 quilos de pescado, mais uma unidade por pescador. Também é proibida a captura de espécies protegidas ou em período de defeso. Na pesca esportiva, a regra é ainda mais restrita: o peixe deve ser

Foto: Divulgação

devolvido à água logo após a captura, inclusive em competições.

Áreas com restrição

Nem todo o lago está liberado para pesca. Há trechos com restrições ou proibição total, especialmente próximos a áreas militares, ao Palácio da Alvorada, a regiões residenciais, comerciais e de lazer, além da barragem.

A pesca artesanal pode ocorrer em áreas delimitadas pelo GDF, incluindo pontos próximos a estações de tratamento de esgoto. Já a pesca amadora e esportiva é permitida em outras regiões do lago, desde que respeitadas as normas técnicas.

Um lago que acompanha a história de Brasília

Inaugurado em 1959, mesmo ano da capital federal, o Lago Paranoá nasceu como parte do projeto de Brasília e hoje cumpre múltiplas funções. Com 48 km² de área e profundidade que chega a 38 metros, o reservatório é usado para lazer, esportes náuticos, pesca e atividades econômicas, além de ser um dos principais espaços de convivência da cidade.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Conferências estaduais pavimentam agenda nacional da pesca e da aquicultura

Piauí e Pará concluíram etapas estaduais da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, reunindo pescadores, aquicultores e entidades do setor na elaboração de propostas que serão levadas à etapa nacional, em Brasília.

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Foto: Divulgação/MPA

Os estados do Piauí e do Pará avançaram nesta semana na construção de propostas para a pesca e a aquicultura brasileiras. As etapas estaduais da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca (CNAP) reuniram trabalhadores do setor, entidades representativas, pesquisadores e gestores públicos para discutir desafios e prioridades que serão levados à etapa nacional, marcada para novembro, em Brasília.

Foto: Divulgação/MPA

A etapa estadual do Piauí foi realizada na última terça-feira (23), em Parnaíba, e reuniu 115 participantes no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PI). Entre os presentes estavam pescadores artesanais, aquicultores, lideranças comunitárias, representantes de entidades e instituições ligadas ao setor.

Ao longo do encontro, foram elaboradas 30 propostas que servirão de base para as discussões da etapa nacional. Também foram eleitos os delegados responsáveis por representar o estado na conferência de novembro.

A mobilização foi organizada por entidades da sociedade civil, como a Associação dos Engenheiros do Norte do Piauí (AENPI), a Cáritas de Parnaíba e a Federação dos Pescadores do Estado do Piauí, com apoio da Secretaria de Agricultura Familiar do Piauí, da Universidade Federal do Delta do Parnaíba e do Centro de Estudos, Planejamento e Tecnologias (CEPLATES).

Pará debate desenvolvimento sustentável

Em Belém, a etapa estadual ocorreu entre terça (23) e quarta-feira (24), reunindo pescadores artesanais, aquicultores, lideranças comunitárias e representantes de

Foto: Divulgação/MPA

instituições públicas de diversas regiões para discutir propostas voltadas ao fortalecimento da atividade.

Durante o encontro, os participantes debateram medidas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura, além de políticas voltadas à valorização dos trabalhadores e ao fortalecimento da produção.

Retomada após 17 anos

A 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca representa a retomada de um dos principais espaços de participação social do setor. A última edição foi realizada em 2009.

As propostas construídas nas etapas estaduais servirão de subsídio para a conferência nacional, que acontecerá entre os dias 11 e 13 de novembro, em Brasília, com o tema “De política de governo a política de Estado: sustentabilidade, participação social e continuidade institucional”.

A expectativa é reunir representantes de todos os estados para consolidar diretrizes e propostas voltadas ao desenvolvimento da pesca e da aquicultura no país.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Consumo de peixes de cultivo cresce em 2026, enquanto setor enfrenta entraves regulatórios e comerciais

A Quaresma impulsionou a demanda no primeiro semestre, mas discussões sobre espécies, importações e comércio exterior mantêm produtores e indústria em estado de atenção.

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Foto: Shutterstock

Impulsionado pela Quaresma, o consumo de peixes de cultivo registrou um primeiro semestre positivo em 2026 e reforçou a trajetória de crescimento observada no Brasil nos últimos dez anos. De acordo com a Peixe BR, a tilápia, responsável por aproximadamente 70% da produção aquícola nacional, se manteve como o pescado mais consumido pelos brasileiros. 

Foto: Shutterstock

No recorte de peixes nativos, o tambaqui ficou na lista de preferência dos consumidores. Conforme compartilhou o presidente executivo da associação, Francisco Medeiros, esse desempenho demonstra a consolidação da piscicultura como uma importante fornecedora de proteína animal à população.  

No mercado internacional, entretanto, o cenário é de cautela. Isso porque, explica, Medeiros, o setor não teve o retorno esperado com a redução da tarifa para 10%, pois a medida acabou beneficiando a todos. Agora, diante de uma nova tarifa de 25%, o mercado fica um pouco morno, o que é normal.  “Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos”, destaca Medeiros. 

Além das questões comerciais, o setor conviveu, ao longo dos primeiros seis meses do ano, com desafios

Foto: Shutterstock

regulatórios considerados estratégicos para a atividade. Entre eles está a inclusão do tambaqui na lista de espécies em risco de extinção pelo Governo Federal.  

Embora a medida seja voltada à conservação ambiental, a Peixe BR alerta que a classificação pode gerar restrições à importação do pescado cultivado por alguns mercados internacionais, justamente em um momento em que governo e setor produtivo investem na internacionalização da espécie. 

Ao mesmo tempo, a tilápia enfrentou um cenário igualmente delicado. A proposta em discussão na Conabio, Ibama e Ministério do Meio Ambiente (MMA) para enquadrar a espécie como exótica invasora mobilizou produtores, entidades representativas e parlamentares.  

Segundo a associação, caso a classificação seja confirmada, poderá haver restrições ao crescimento da atividade e dificuldades para a produção, comercialização e exportação da espécie, em razão dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para o controle de espécies invasoras. 

 Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil” – Foto: Divulgação/PeixeBR

Outro tema que preocupa a cadeia produtiva é a abertura para importação de tilápia do Vietnã. Na avaliação de Medeiros, a medida foi adotada como parte das negociações comerciais envolvendo a exportação de carnes brasileiras, sem considerar as diferenças de competitividade entre os países. “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui. Além disso, permanecem preocupações relacionadas aos riscos sanitários”, ressalta Medeiros. 

Apesar desse cenário de incertezas, a expectativa da entidade para os próximos meses é positiva. Historicamente, o consumo de pescado volta a crescer no fim do terceiro trimestre, acompanhando o aumento das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste.  “O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações”, conclui o presidente executivo.  

Fonte: Assessoria Peixe BR
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