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Como ser mais sustentáveis através da otimização das dietas de aves

Setor avícola tem demonstrado crescimento acelerado e grande dinamismo ao longo das últimas décadas, consolidando-se como peça-chave na produção de proteínas animais de alta qualidade para suprir as necessidades de uma população mundial em constante crescimento.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Davide Militello, Gerente de Projetos de Sustentabilidade e Adriana Berti Toscan, Gerente de Desenvolvimento Técnico da Adisseo

O setor avícola tem demonstrado crescimento acelerado e grande dinamismo ao longo das últimas décadas, consolidando-se como peça-chave na produção de proteínas animais de alta qualidade para suprir as necessidades de uma população mundial em constante crescimento. O consumo de carne de frango aumentou consideravelmente nos últimos anos, impulsionado por fatores como preço acessível, valor nutricional e flexibilidade no preparo.

O setor avícola também se destaca pela sua resiliência. Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, como a gripe aviária, o aumento dos custos de produção e as mudanças regulatórias, o setor tem demonstrado uma notável recuperação e continua a inovar e melhorar. Investimentos em ambiência, com maior utilização de tecnologias de criação e análise de dados de produção, além de avanços em inovações nutricionais, têm sido fundamentais para esse progresso. Essas iniciativas não buscam apenas ganhos econômicos, mas também avanços significativos em sustentabilidade — frequentemente, ambos os objetivos caminham lado a lado.

Ser sustentável envolve aprimorar o bem-estar animal, promover a saúde dos animais, reduzir o impacto ambiental e otimizar o uso de recursos. Apesar dos expressivos ganhos na eficiência da produção de frangos de corte ao longo dos anos, há um grande potencial para avanços adicionais. Isso é particularmente importante em um cenário onde as legislações exigem maior transparência e relatórios obrigatórios sobre a pegada de carbono das granjas, enquanto os consumidores demandam cada vez mais informações sobre como os alimentos são produzidos. A adoção de práticas sustentáveis é essencial e requer ações concretas e estratégicas.

Alimentação como elo fundamental

Foto: Shutterstock

Há diversas estratégias para reduzir o impacto ambiental dos sistemas avícolas, como melhorias na saúde e eficiência dos animais, redução de perdas e desperdícios de alimentos, avanços em reprodução e genética, entre outras.

Nesse cenário, a ração avícola se destaca como um elo crucial, capaz de influenciar significativamente as emissões totais na produção de carne de frango. Isso ocorre porque a fabricação de ingredientes e rações completas envolve fatores como uso da terra, transporte, processamento com elevado consumo de energia e outros recursos. De acordo a FAO, a alimentação animal é responsável por 75% do impacto ambiental total da granja.

O que podemos e devemos mudar ao formular dietas para aves com o objetivo de torná-las mais sustentáveis? A chave está na otimização e na eficiência alimentar. Quando um frango de corte consegue produzir mais com menos, há uma redução direta no impacto ambiental por quilograma de carne produzida, além de aumentar a lucratividade do setor. Outra abordagem é substituir ingredientes de ração com alta pegada de carbono por ingredientes com menor pegada de carbono, ou mesmo matérias-primas alternativas de menor impacto ambiental. No entanto, essas mudanças na formulação de rações – especialmente ao introduzir novos tipos de ingredientes – devem ser realizadas com cautela para evitar prejuízos ao desempenho ou à saúde dos animais.

Uma visão de sustentabilidade

Produtos e serviços que promovem práticas sustentáveis ao longo de toda a cadeia da nutrição animal podem auxiliar nas seguintes estratégias:

Reformulação de dietas

Por meio do conhecimento das matérias-primas, através de análises NIR, é possível reformular dietas com mais frequência, mais precisão e menor margem de segurança, otimizando mais o uso dos ingredientes. Essa abordagem permite maximizar o aproveitamento dos nutrientes, reduzindo tanto os resíduos, quanto a pegada de carbono.

Melhoria na eficiência alimentar

Foto: Shutterstock

Aumentar a eficiência alimentar – produzir mais com menos – é uma estratégia determinante para aliviar a pressão sobre o meio ambiente. Isso pode ser alcançado através da utilização de aminoácidos sintéticos para auxiliar na redução da proteína bruta da dieta e o uso de um complexo de multicarboidrase com 1000FTU de fitase, que melhoram a digestibilidade da ração (efeito FEEDASE), reduzindo a emissão de CO2-eq por kg de ração e de ganho de peso. (Tabela 1).

O uso de emulsificantes melhora a digestibilidade da gordura na ração, reduzindo a fonte de óleos/gordura, impactando na sustentabilidade.

O poder de um complexo multienzimático

As enzimas são ferramentas poderosas na formulação de dietas mais sustentáveis. O uso de um complexo de multicarboidrases e 1000FTU de fitase, composto por diversas carboidrases, produzida por um único organismo e uma alta concentração de fitase, mostrou um impacto positivo na redução da pegada de carbono em dietas avícolas.

Esse efeito foi comprovado em um estudo realizado no Brasil, envolvendo 1,2 mil pintos machos de um dia de idade. Durante 43 dias, as aves foram divididas em quatro grupos experimentais, que receberam: dieta padrão à base de milho e farelo de soja, sem enzimas (CP); dieta controle negativo (CN), com níveis reduzidos de energia, aminoácidos, cálcio, fósforo disponível e sódio, também sem enzimas; dieta CP com MCPC; ou dieta CN com MCPC. A pegada de carbono (CFP), medida em kg CO₂-eq por kg de ração, foi calculada utilizando o banco de dados GFLI 2.0.

Os resultados, apresentados na Tabela 1, revelaram uma redução de 11% na pegada de carbono das dietas CN (com e sem MCPC) em comparação com as dietas CP e CP+MCPC. Após o ajuste da CFP de acordo com a conversão alimentar, ficou evidente que a dieta CN+MCPC foi a opção mais eficiente e sustentável.

Essa dieta gerou um impacto equivalente a 3,73 kg de CO₂-eq por kg de ganho de peso (GP), uma redução de 9% em relação à dieta CP (4,10 kg de CO₂-eq por kg de GP). Sob o aspecto econômico, a dieta CN+MCPC mostrou-se US$ 80 por tonelada de ração mais econômica do que a dieta CP. Ao considerar o custo por kg de GP, a economia foi de US$ 0,11/kg de GP.

Tabela 1 – Redução da pegada de carbono por kg de ração e por kg de GP

Redução da excreção de fósforo (P) e nitrogênio (N)

A excreção de P e N provenientes das camas de aves para o ambiente pode resultar em acidificação e eutrofização, com impactos negativos na biodiversidade e na produtividade agrícola.

No entanto, ao melhorar a eficiência alimentar e o aproveitamento dos nutrientes – utilizando enzimas, emulsificantes, sulfato de sódio e outros aditivos, é possível diminuir a excreção desses elementos nas camas de aves, reduzindo assim os efeitos adversos ao meio ambiente.

Efeito das enzimas na excreção de P e N

Outro estudo, realizado com 280 pintos de um dia de idade, investigou a eficácia do MCPC na redução da excreção de N e P em frangos de corte. Até os 43 dias de idade, as aves foram alimentadas com uma das quatro dietas experimentais (as mesmas utilizadas no estudo anterior).

Os resultados indicaram que a redução na densidade de nutrientes (dieta CN) levou à maior excreção de N, mas resultou em uma leve diminuição na excreção de P quando comparada à dieta CP.

Quando as dietas foram otimizadas com o uso de MCPC, registrou-se uma redução considerável na excreção de N e P em ambas as dietas, CP e CN (Tabela 2).

A dieta CN+MCPC destacou-se como a mais eficaz, apresentando uma redução de 23,8% na excreção de N e 67,3% na excreção de P em comparação à dieta CP.

Tabela 2 – Efeito da adição de enzimas na excreção de N e P por kg de GP.

Aumento da saúde e bem-estar animal

A nutrição está profundamente ligada à saúde animal. A formulação adequada das dietas, a definição de cronogramas de alimentação eficazes e o uso de aditivos específicos, como os inativadores de micotoxinas, contribuem para a redução das taxas de mortalidade, da incidência de doenças e de condições que afetam o bem-estar animal, minimizando os impactos negativos da presença das micotoxinas na ração sobre o desempenho e saúde animal.

Conclusão

As enzimas são ferramentas estratégicas e poderosas para reduzir custos, diminuir a pegada de carbono e manter o desempenho animal. No entanto, sabemos que o conceito de sustentabilidade é essencialmente multidisciplinar e deve abranger a promoção da saúde animal (uma vez que animais saudáveis são mais eficientes e produtivos), o bem-estar animal e as implicações sociais e ecológicas.

Por isso, uma abordagem multidisciplinar à sustentabilidade é fundamental, com a nutrição e saúde animal, além da qualidade da ração, como elementos centrais. O uso de soluções nutricionais e de saúde animal contribuem de forma ativa para a redução do impacto ambiental na produção de carne de frango, alinhando-se aos compromissos com a responsabilidade ambiental em toda a cadeia de valor.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: mariana.correa@adisseo.com.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na avicultura de corte e postura do Brasil acesse a versão digital de Avicultura Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com Davide Militello e Adriana Berti Toscan

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Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano

Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

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Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.

No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.

As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.

Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval

Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

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O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.

Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.

A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.

No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.

Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.

De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura gaúcha resiste a crises, mantém relevância e freia expansão diante de incertezas

Mesmo entre pressões climáticas, custos elevados e desafios sanitários, setor mantém posição estratégica no cenário nacional, projeta crescimento moderado nas exportações e adota postura cautelosa para preservar competitividade e rentabilidade em 2026.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura do Rio Grande do Sul vive um momento de transição, marcado pela necessidade de ajustar produção, custos e mercados em um cenário que combina instabilidade climática, incertezas sanitárias e mudanças no ambiente regulatório. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, traçou um panorama da atividade para 2026 e apontou os principais gargalos que limitam a competitividade do estado, apesar de sua tradição como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos.

De acordo com o dirigente, o setor sofreu nos últimos três anos com situações atípicas que retardaram planos de expansão e reconfiguraram a estrutura produtiva. “As adversidades climáticas e os acontecimentos sanitários retardaram parcialmente o crescimento do setor”, frisa.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade” – Foto: Divulgação/Asgav

A perspectiva é de uma retomada gradual. Com os resultados de 2025 ainda sendo fechados, Santos projeta crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango, de 10% a 20% nas exportações de ovos, e de 2% a 3% na produção de carne de frango, mantendo uma postura cautelosa. No segmento de ovos, a expectativa é de manutenção da estabilidade na produção. “Havendo uma safra de grãos regular, o custo de produção poderá estabilizar e os ganhos e rentabilidade no mercado interno dependerão da disciplina do setor em analisar o cenário de oferta e procura”, avalia.

A análise do executivo revela uma preocupação central para a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ele alerta que, mesmo com condições favoráveis de produção, a rentabilidade vai depender da capacidade do setor de controlar a oferta e de entender o comportamento do consumo.

Cautela para 2026

Em relação a 2026, Santos aposta em um comportamento ainda mais prudente. “O cenário econômico nacional, global e a geopolítica que se molda ultimamente no mundo, nos remete a uma cautela permanente”, pontua, enfatizando que a definição de rumos, seja para crescimento ou estabilidade, exige monitoramento constante do contexto internacional e doméstico. “A tendência é que o estado adote um modelo cauteloso e equilibrado na ampliação da produção”, salienta.

O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país, mantém estabilidade no abate, com crescimento moderado. A decisão de não acelerar a expansão, segundo Santos, reflete a necessidade de evitar sobredimensionamento diante de um cenário que pode mudar de forma repentina, especialmente por fatores externos.

Exportações e mercados em recuperação

Os episódios sanitários recentes no estado, como a Influenza aviária e a Doença de Newcastle, tiveram impacto bem menor do que inicialmente se previa nas exportações gaúchas. “Tivemos uma queda de 0,77%, comparando 686,3 mil toneladas exportadas em 2025 com 691,6 mil em 2024”, informa, relembrando que em 2024 o estado sofreu redução do volume embarcado de 6,75% em relação a 2023, em um ano marcado por enchentes e o caso de Newcastle.

Para 2026, ele não aponta mercados específicos como puxadores da retomada, mas destaca que a consolidação e reabertura de mercados ainda exigem esforço contínuo, sobretudo na reestruturação de credibilidade e previsibilidade sanitária do estado.

Competitividade frente a Paraná e Santa Catarina

Foto: Rodrigo Felix Leal

O Rio Grande do Sul enfrenta, historicamente, forte concorrência interna com estados como Paraná e Santa Catarina. Santos destaca que o estado mantém sua posição de destaque há décadas, mas reconhece que o ambiente competitivo exige ações estruturais. “Infelizmente, no Rio Grande do Sul, a ‘guerra fiscal’ nos atropelou e a insuficiência de milho nos trouxe um custo de produção elevado”, lamenta.

Para o dirigente, a ausência de políticas de incentivo fiscal adequadas teria contribuído para a perda de competitividade. Ele aponta que o estado passou a se tornar atrativo para empresas de outros estados que direcionam volumes consideráveis de carne de frango para a região gaúcha. “Não obtivemos políticas de incentivo fiscal suficientes que nos ajudassem a reverter os danos da ‘guerra fiscal’. Mas apesar de todas as dificuldades que o Rio Grande do Sul enfrenta, o estado se manter entre os três principais em produção e exportação é algo que merece destaque”, menciona.

Santos ressalta que o estado mantém características favoráveis que podem sustentar o crescimento a médio e longo prazo, como mão de obra qualificada, empreendedorismo, sistema integrado e cooperativado bem-organizado. “Somado a estes fatores se houver o surgimento de uma gestão governamental que nos ofereça condições de maior competitividade vamos poder alavancar o crescimento de forma mais dinâmica da avicultura do Rio Grande do Sul”, projeta o executivo, ressaltando que o estado tem atraído novos investimentos e a manutenção de muitas indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Pressões de custos

Além da guerra fiscal e do alto custo do milho, outros itens pressionam a competitividade. Grãos, energia, logística e mão de obra seguem como fatores críticos, mas Santos destaca novos pontos de atenção para 2026. Entre eles, a Reforma Tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho, que podem elevar os custos com pessoal. “São pontos de atenção que podem afetar o custo do setor, e principalmente temos que ficar muito atentos aos reais impactos da efetivação que a Reforma Tributária poderá trazer para a avicultura”, enfatiza Santos.

A leitura do dirigente sugere que o setor está atento ao risco de deterioração da margem produtiva por pressões regulatórias e fiscais, especialmente em um ano eleitoral, quando mudanças podem ser aceleradas ou postas em debate.

Comunicação ampla e contínua

Para o mercado doméstico, Santos acredita que há espaço para crescimento do consumo, mas não sem estratégia. Ele defende a necessidade de ações mais proativas para fortalecer a percepção da carne de frango como alimento essencial na dieta dos brasileiros, apontando para a necessidade de uma política de comunicação mais ampla e contínua, com recursos e estrutura adequados para sustentar campanhas de longo prazo. “Muitos acham que o que se faz hoje é suficiente, que a população já está ciente e saturada com muita informação sobre a carne de frango, mas essa visão não considera o contexto de transformação social e cultural, com muitos outros tipos de alimentos e dietas, novos conceitos e ideologias. O planejamento de algo audacioso, constante e criativo pode alavancar o consumo de carne de frango no Brasil, mas lógico que é preciso um bom investimento”, salienta.

Setor emergente no agro

O segmento de ovos é, para o dirigente, um dos principais vetores de crescimento e consolidação internacional do Rio Grande do Sul. O estado figura entre os principais nas exportações do produto, e Santos avalia que o segmento se tornou um exemplo de setor emergente no agro.

Ele destaca o Programa Ovos RS, que está em sua 13ª edição e reúne módulos técnicos e de promoção. “O programa possui módulos que dão um suporte importante para indústria e produtores, contando com módulo técnico que audita e orienta os estabelecimentos membros do programa a se qualificarem e manterem suas empresas dentro das diretrizes legais de produção”, explica, ressaltando que a iniciativa também promove ações permanentes de incentivo ao consumo de ovos.

Com base nesse modelo, Santos acredita que o estado gaúcho pode ampliar sua participação no mercado externo, desde que mantenha estabilidade nas exportações vigentes e fidelize os mercados importadores. “Com ações de aprimoramento constante, uma boa prospecção de mercados com apoio da ABPA e do Governo Federal, vamos poder ampliar ainda mais nossa participação no mercado externo”, diz, otimista.

Biossegurança como prioridade estratégica

Os episódios recentes de Doença de Newcastle e Influenza aviária reforçaram a importância de biossegurança, um tema que Santos considera central para reduzir riscos sanitários e garantir previsibilidade em 2026. Ele afirma que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) tem trabalhado com máxima atenção para que o setor atenda aos procedimentos normativos vigentes, além de comunicar continuamente a importância da proteção dos plantéis.

A entidade também atua em iniciativas de conscientização e mobilização política. “Pensando em vulnerabilidade e aumentar a biossegurança no setor é que a Asgav apresentou na ABPA minuta de um Projeto de lei que institui o Dia Nacional da Biosseguridade na Produção Animal, com a proposta sendo aprovada por unanimidade no Conselho Diretivo da entidade e encaminhada à Câmara Federal. O objetivo do PL é evidenciar cada vez mais a importância da biosseguridade, estimular criação de políticas públicas para atender e orientar pequenos produtores de aves domésticas e outras criações de subsistência”, detalha.

Ele reforça ainda que as autoridades ligadas direta e indiretamente com o agro precisam entender o potencial prejuízo de surtos em larga escala e que é melhor investir em prevenção do que enfrentar perdas imensuráveis. “É melhor investir e disponibilizar recursos para prevenção e defesa sanitária, do que, em caso de uma catástrofe, o país sofrer prejuízos imensuráveis com os impactos diretos e indiretos com uma possível incidência expressiva de Influenza aviária”, ressalta.

Gargalos estruturais

Entre os principais obstáculos ao avanço da avicultura gaúcha, Santos destaca a dependência de milho de fora do estado e a falta de incentivos fiscais. Ele também aponta o acesso ao crédito e a necessidade de um fundo de apoio para modernização e adequações de indústrias e aviários como itens críticos para a competitividade. “A falta de incentivos fiscais nos deixam em desvantagem competitiva em relação a outras unidades produtivas da federação”, reforça, acrescentando que as tratativas com o governo do estado avançam lentamente, com dificuldades para liberação de créditos de ICMS e outros mecanismos que poderiam apoiar investimentos.

Orientação para o setor em 2026

Para 2026, a agenda da Asgav junto ao poder público se concentra em fortalecer programas de incentivo e ampliar a defesa sanitária do estado. Santos destaca a importância de um quadro técnico estruturado na defesa sanitária, capaz de executar suas atividades com eficiência.

Ao setor produtivo, ele recomenda cautela e atenção à gestão econômica e ao contexto político, sobretudo em um ano eleitoral. “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade”, alerta, lembrando que o setor avícola nacional tem forte presença no mercado externo e responde por quase 40% do fornecimento de proteína animal para o mundo, o que reforça a necessidade de previsibilidade e planejamento estratégico.

O executivo reforça ainda que a avicultura do Rio Grande do Sul mantém sua relevância nacional e internacional, mas enfrenta uma combinação de desafios que exigem adaptação e disciplina. “A recuperação das exportações, a consolidação de mercados, a promoção do consumo interno, a segurança sanitária e a necessidade de políticas públicas estruturadas aparecem como eixos centrais para que o setor retome um ritmo de crescimento mais robusto em 2026”, salienta Santos.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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