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Como se comunicar diante de uma crise?

As crises podem ter origens distintas, portanto, as maneiras de abordá-las devem ser diferentes. Conhecer ações preventivas e de contingenciamento para cada situação pode ser fundamental para resguardar a imagem e, em alguns casos, até mesmo para garantir a sobrevivência da organização.

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José Marcelo Proença, diretor de Compliance da JBS: “Tanto no Brasil, mas principalmente em determinados países, os programas de compliance são vistos como indispensáveis para o maior sucesso do agente econômico”

Ter discernimento e controle para saber como agir em momentos de tensão é importante para qualquer pessoa em muitos momentos da vida. No dia a dia das corporações não é diferente, afinal, nenhuma empresa, independente da atividade e do porte, está imune a uma situação que atinja a reputação ou a estabilidade financeira da organização. As crises podem ter origens distintas, portanto, as maneiras de abordá-las devem ser diferentes. Conhecer ações preventivas e de contingenciamento para cada situação pode ser fundamental para resguardar a imagem e, em alguns casos, até mesmo para garantir a sobrevivência da organização.

Diante à relevância do assunto, um simpósio sobre o tema foi realizado no Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), maior evento brasileiro do setor, realizado em agosto desse ano em São Paulo (SP).

Marcelo de Oliveira, diretor de relações institucionais da ABPA: “Entender a posição e os sentimentos dos que se consideram afetados pela crise é o primeiro passo” – Fotos: Sandro Mesquita/OP Rural

Mediado por Marcelo Osório, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Simpósio abordou o tema sob perspectivas diferentes, com destaque para a prevenção a acontecimentos de crise e estratégias para minimizar o problema.

Plano de comunicação

A comunicação é um dos pontos primordiais para prevenir situações de desgaste da imagem da empresa e no processo de gestão de uma crise já instalada. Estabelecer mecanismos básicos para abordar as situações de turbulência imediatamente após ao fato acorrido através de um manual de crise deveria ser regra nas companhias.

Entretanto, segundo Marcelo Oliveira, gerente de comunicação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as organizações tendem a acreditar na própria invulnerabilidade, entretanto, isso não se reflete na prática. “Toda as organizações, toda a cadeia produtiva está sujeita a uma crise”, aponta.

Conforme Oliveira, as crises podem ter origens distintas, portanto, as maneiras de abordá-las devem ser diferentes. “Geralmente envolve questões humanas e a soma de outros eventos que podem atingir os maiores patrimônios da organização: reputação, credibilidade e a confiabilidade construída durante anos de atuação”, ressaltou.

A constituição de planos de comunicação é básico para o processo e para a tomada de decisão. Para Marcelo, consistência, precisão e rapidez são pontos complementares e exercem forças diferentes de influência na reação à crise. “A comunicação tem o papel de viabilizar as ações para superar os momentos de crise”, destacou.

A rápida resposta a um momento de crise tende a ser uma das preocupações dos gestores, no entanto, de acordo com Marcelo, muitas vezes ainda não se tem consistência suficiente nas mensagens para que a resposta seja de fato assertiva. “A resposta precisa ser verdadeira e cumprir com o propósito de informar ao público que se sentiu atingido por aquela situação”, ressalta.

Além de consistência, a mensagem repassada ao público tem que ser precisa. Segundo Marcelo, fazer uma gestão de crise não é um processo simples, sobretudo quando não há uma preparação prévia. “É uma missão praticamente impossível por que aquela situação é uma surpresa e você não está preparado para ela”, salienta Marcelo.

Antecipe-se

A elaboração de planos de ação para saber como agir quando a crise acontecer passa pelo entendimento de como opera a comunicação da empresa com o público. O gerente de Comunicação da APBA destaca a importância de constituir um comitê de crise, ao qual, a comunicação deve fazer parte. “A comunicação não é um ente de decisão, mas de influência na decisão, e precisa fazer parte atuante do comitê de crise”, destaca.

De acordo com Marcelo, o plano de ação precisa ser documentado para garantir real efetividade quando for necessário utilizá-lo. “Não pode ser simplesmente uma ideia criada e não ter um plano executável. Precisa estar no papel, com o passo a passo, de forma simples. Planos complexos se tornam lentos”, pontua.

Mapeamento

Mapear as probabilidades de eventuais problemas e os riscos reais daquilo são pontos importantes para entender as fraquezas e onde se deve ter maior atenção. Segundo Marcelo, as redes sociais passaram a representar novos riscos às corporações e maior grau de complexidade em razão da agilidade com que a informação chega ao consumidor e a facilidade de interação. “Antes das redes sociais a empresa informava e o mercado ficava passivo, mas agora, quando a empresa fala o mercado reage imediatamente. As redes sociais colocaram a sociedade no papel de agente ativo nesse processo”, afirma.

Público

Para gerir de maneira correta momentos de crise é importante incluir no plano de contingenciamento o mapeamento dos stakeholders para conhecer o público. De acordo com Marcelo, muitas vezes as empresas não têm muito bem claro quem está alcançando em determinadas ferramentas de comunicação. “É importante saber com quem está falando e qual tipo de mensagem precisa ser trabalhada com esse público”, pontua.

Segundo Oliveira, é necessário manter uma constante interação com o público e construir laços de relacionamento antes da crise, para ter mais credibilidade quando ela chegar. “A empresa precisa manter um processo de transparência para construir sua imagem antes da situação negativa acontecer”, salienta.

O plano de gestão de crise precisa considerar os pontos de interesse e de influência, como quem deve ser monitorado, quem deve ser mantido informado, quem se deve manter satisfeito e quem deve ser gerenciado de perto. O mapeamento dentro de todos os pontos de interesse do seu setor produtivo oportuniza mais clareza de quem precisa se manter uma certa proximidade e de quem necessita um esforço especial. “Dessa forma, conseguimos garantir que uma crise não ganhe uma proporção maior do que realmente é”, apontou.

Compliance

Algo que outrora era visto como um ônus desnecessário, sem eficiência e de baixa utilidade, os programas de compliance são reconhecidos atualmente como investimentos importantes para reduzir riscos e gerar benefícios de diversas naturezas. O tema foi abordado no Simpósio pelo diretor de Compliance da JBS, José Marcelo Proença. Proença tratou de questões de integridade, prevenção e estratégias frente a crises sanitárias.

Segundo o diretor, a credibilidade empresarial e a reputação são ativos valiosos no mundo dos negócios, entretanto, a construção dessas virtudes demanda esforços de longo prazo e responsabilidade de todos os membros da empresa. “Existem estudos empíricos que mostram que empresas com programa de compliance bem estruturado têm redução considerável nos custos”, destaca.

Conforme Proença, os programas agregam valor aos bens e serviços prestados pelas empresas e à sua própria imagem. Têm sido ainda destacados como fator de sobrevivência e de competitividade no mercado, um ativo pró-competitivo e, portanto, desejado pelas empresas mais eficientes. “Para fazer os melhores negócios, nos melhores mercados do mundo, ter programa de integridade é indispensável”, salienta.

Nesse sentido, ao redor do mundo vem se consolidando o entendimento de que programas de compliance bem-sucedidos devem ser construídos com base na avaliação de risco; nas políticas e procedimentos; na liderança e governança; nos treinamentos e comunicação; na due diligence de terceiros; no canal de denúncia; nos controles e na avaliação e monitoramento. “Esses pilares devem ser organizados, estruturados e conformados de acordo com as características do mercado, da empresa e do momento econômico e político”, apontou Proença.

Ainda participaram do simpósio de gestão de crise o coordenador-geral de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Caetano Junior, com o tema “prevenção e estratégias, frente a crises sanitárias”, o CEO da São Salvador Alimentos, Hugo Souza, que apontou os desafios tecnológicos para preservação do quadro produtivo diante de potenciais crises, e a médica veterinária e consultora Nelva Grando, que detalhou a constituição de planos de prevenção privados voltados para crises sanitárias.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura

Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

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Durante o painel, os palestrantes abordaram os impactos da escassez de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.

A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.

A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.

Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.

Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.

Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.

A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.

Relacionamento empresa x profissionais

Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.

Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.

Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.

Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.

No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.

Retenção de talentos

Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.

O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.

Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.

O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.

Uso estratégico da tecnologia

O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.

Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.

Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.

O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.

Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.

Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.

A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA

Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

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Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, João Nelson Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.

Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.

Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.

A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.

Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.

Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola

Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

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Promovido pelo Nucleovet, o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.

Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.

Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.

Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.

Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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