Conectado com

Suínos Suinocultura

Como prevenir a doença do edema em um cenário com redução de antibióticos

A vacinação é a forma mais eficaz e segura de se adquirir proteção contra uma doença infecciosa e tem sido usada como estratégia na prevenção da DE em rebanhos suínos. Ao prevenirmos a DE com vacinação podemos melhorar a condição sanitária do rebanho e traçar estratégias de redução de uso de antibióticos na produção de suínos.

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A doença do edema (DE) está distribuída em todo mundo, incluindo Brasil, e possui prevalência entre 56,3% e 72% em rebanhos de suínos avaliados. A DE ocasiona grandes perdas econômicas na suinocultura, principalmente devido à mortalidade de leitões na fase de creche, podendo ser também observada em outras fases, como alojamento na recria. A DE é uma enterotoxemia causada pela Escherichia coli (E.coli) verotoxigênica dos sorotipos O138:K81, O139:K82 e O141:K85, portadores de diversos fatores de patogenicidade como fímbrias e toxinas, sendo capazes de colonizar o intestino delgado dos suínos e produzir a verotoxina 2e, também denominada de VT2e e/ou Stx2e.

A patogênese da DE pode ser dividida em duas fases sucessivas: na primeira, ocorre a colonização enteral pela bactéria, associada às alterações na microbiota intestinal e produção da VT2e; e na segunda, a distribuição sistêmica da VT2e. A VT2e é absorvida do intestino para a corrente sanguínea, danifica as células endoteliais em tecidos alvos que induz aumento na vascularização e permeabilidade do endotélio, ocasionando edema, hemorragias e microtromboses, e alta mortalidade em leitões acometidos na fase aguda.

Os sinais clínicos da DE em leitões incluem inchaço das pálpebras, marcha cambaleante seguida de paralisia. Contudo, apenas poucos sinais nervosos podem ser identificados, como opistótono e/ou movimentos de pedalagem, sendo importante, nestes casos, se realizar o diagnóstico diferencial para DE, pois a encefalite em leitões pode estar relacionada com meningites bacterianas ocasionadas por Glaesserella parasuis ou Streptococcus suis. Por outro lado, em infecções agudas o animal pode vir a óbito antes de aparecerem os sinais clínicos, sendo estes casos caracterizados por morte súbita e muitas das vezes passa desapercebido na rotina da avaliação clínica dos animais.

Além dos quadros com sintomas clínicos e/ou associados com picos na taxa de mortalidade, a DE pode ocorrer de forma subclínica, em que se observa prevalência normal de mortes e sem presença de sintomas clínicos. Na forma subclínica, os lotes apresentam-se heterogêneos e com baixo desempenho de fase. Esses casos podem ser confundidos com problemas nutricionais, como formulações de baixa digestibilidade para os leitões, presença de micotoxinas na dieta ou também por outros patógenos, como circovírus suíno e Salmonella sp., sendo importante realizar o diferencial para DE em casos de baixo desempenho de leitões na fase de creche.

Diagnóstico

Devido às diversas manifestações e à presença de outros patógenos, ou fatores de manejo que ocasionam o aparecimento de clínica semelhante a DE, o diagnóstico da doença precisa ser realizado para tomada de ações mais assertivas no controle da E. coli verotoxigênica. O diagnóstico da DE pode ser realizado com auxílio do exame post mortem, pela observação de alterações patológicas, como edema nas pálpebras, na área frontal, sobre a barriga, na parede do estômago e mesocólon. Os achados de autópsia associados ao histórico clínico do animal e ao laudo laboratorial são importantes para diagnóstico final da DE.

Em relação aos exames laboratoriais, os achados histológicos podem ser úteis no diagnóstico, podendo ser observadas necrose fibrinóide de arteríolas, hemorragia e edema no cérebro, e em altas doses de VT2e podem ser encontradas necroses epiteliais do cólon e lesões renais. A coleta de amostra para histopatológico requer eutanásia de animais representativos do lote e que estejam na fase aguda da doença, o que torna o diagnóstico mais laborioso.

A detecção da presença do gen que codifica a Vt2e com auxílio da PCR em tempo real em amostras de fluído oral ou pool de fezes auxilia no diagnóstico da DE sem a necessidade de se realizar eutanásia de animais. Além disso, esta técnica possui altas sensibilidade e especificidade e permite amostrar muitos animais do lote ao mesmo tempo. Outra vantagem da técnica é que ela pode ser utilizada em casos subclínicos da DE pela falta de sintomas clínicos da doença. Além disso, a taxa de detecção da Vt2e em suínos clinicamente saudáveis, sem sinais clínicos da DE, foi de 68,3% das granjas brasileiras avaliadas, o que reforça a importância do diagnóstico em rebanhos sem sintomas clínicos, mas que possuem baixo desempenho.

Controle

A suscetibilidade de leitões à DE depende de vários fatores, especialmente da resistência genética, dieta e imunidade. Desta forma, a tentativa de controle da doença nos últimos anos vem sendo realizada com uso de antimicrobianos de forma preventiva ou terapêutica nas dietas de leitões e estas medidas têm se mostrado ineficientes, por trazerem resultados por um curto período devido a múltipla resistência aos antibióticos.

O óxido de zinco é um composto inorgânico muito presente nas rações, geralmente é utilizado nas rações para controlar enterites. Recentemente um estudo espanhol avaliou a sensibilidade diagnóstica da DE em 57 sistemas de produção de suínos que utilizavam ou não o óxido de zinco nas rações de leitões na fase de creche. Neste estudo, concluíram que o óxido de zinco reduz a detecção da positividade em testes altamente sensíveis para DE, sendo que das 32 granjas que usavam o óxido de zinco, apenas 56,3% foram positivas, e das 25 granjas que não usavam o óxido de zinco, 88% foram positivas. Desta forma, pode ocorrer sub diagnóstico da DE em lotes que utilizam óxido de zinco na dieta, o que dificulta o diagnóstico correto da doença no campo.

Com as novas normativas que regulam o uso de antimicrobianos e promotores de crescimento na dieta de suínos somada à resistência bacteriana aos antimicrobianos, o controle da DE em suínos precisa ser realizado com medidas mais consistentes. Além disto, os antibióticos não possuem ação sobre a VT2e, e essa uma vez produzida, é capaz de ocasionar a doença nos animais, seja de forma clínica ou subclínica.

O controle da DE em suínos abrange correções de manejo de ambiência e desinfecção ambiental, melhorias na formulação das rações com uso de fontes de proteína mais digestíveis para os leitões e que respeitem a escada nutricional e fisiológica, uso de melhoradores de microbiota intestinal, como acidificantes ou probióticos, entre outros. Todavia, para prevenção mais assertiva da DE é importante que se forneça proteção contra a VT2e.

A ausência de anticorpos soroneutralizantes circulantes contra VT2e é considerado o fator decisivo na patogênese e desencadeamento da DE. Desta forma, a vacinação de suínos contra a VT2e tem sido usada de forma efetiva em diferentes países, incluindo Brasil, para controle da doença nos rebanhos de suínos. Estudos europeus observaram diminuição de 8% na mortalidade por DE em granjas com sinais clínicos e redução do uso de amoxicilina simultaneamente, e melhora de 3,8 Kg no desempenho em suínos terminados que foram vacinados. Os resultados dos trabalhos realizados no Brasil até o momento observaram redução de 50% da mortalidade e acréscimo de 0,93 Kg no desempenho de leitões durante a fase de creche que foram previamente vacinados com toxóide VT2e.

Além da melhora nos índices zootécnicos, a vacinação de leitões contra a VT2e está associada à redução de lesão tecidual e está sendo usada como boa estratégia em programas de redução de uso de antibióticos em todo mundo, incluindo granjas brasileiras. Além do retorno zootécnico, a prevenção da DE com vacinação trouxe retorno sobre investimento (ROI) de 0,26 euro por animal vacinado em granjas na Europa.

A produção de VT2e pela E.coli verotoxigênica ocorre de forma eficiente a partir dos 18 dias de vida do leitão, devido à fímbria F18 ser expressa a partir dessa idade. Desta forma, a imunização de leitões lactentes com o toxóide VT2e em torno de 3 dias de vida faz com que ao desmame, os leitões estejam protegidos contra VT2e, evitando perdas ocasionadas pela DE. Estudos mostram que a imunização com o toxóide VT2e em leitões é segura, não interfere na ingestão de leite e não ocasiona pirexia, reação local ou sistêmica e que previne contra a DE dos 18 dias de idade até o abate.

A vacinação é a forma mais eficaz e segura de se adquirir proteção contra uma doença infecciosa e tem sido usada como estratégia na prevenção da DE em rebanhos suínos. Ao prevenirmos a DE com vacinação podemos melhorar a condição sanitária do rebanho e traçar estratégias de redução de uso de antibióticos na produção de suínos.

As referências bibliográficas estão com as autoras. Contato via: [email protected]

Fonte: Por Daniele Araujo Pereira, médica-veterinária, mestre em Ciência Animal, doutora em Clínica de Suínos e coordenadora técnica regional da Hipra Brasil; e Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Ciência Animal e gerente de Serviços Técnicos da Hipra Brasil.

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.