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Como o manejo alimentar pode definir o gosto do peixe

Boas práticas, nutrição e qualidade da água transformam açudes da região central do Rio Grande do Sul e elevam a produção de tilápia com sabor e qualidade superiores.

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Foto: Shutterstock

A paisagem rural da região central do Rio Grande do Sul sempre teve os açudes como elemento constante. Por décadas, porém, eles serviram sobretudo como reserva hídrica e espaço para pescarias esporádicas. Esse cenário começou a mudar com o avanço do Programa de Geração de Renda e Qualidade do Pescado (ProgeAqua), iniciativa ligada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O projeto, selecionado pelo PROEXT-PG, atua na capacitação de produtores rurais interessados em transformar seus açudes em unidades produtivas, ampliando a renda familiar e o acesso a uma fonte de proteína saudável.

Professor da UFSM e coordenador do ProgeAqua, Rafael Lazzari: “Se a ração tiver nutrientes desequilibrados ou excesso de gordura, isso vai ser depositado no peixe. É como na nutrição humana: se o organismo gasta menos do que consome, acumula gordura” – Foto: Arquivo pessoal

Coordenador do ProgeAqua, o professor Rafael Lazzari explica que a piscicultura na região ainda opera sob práticas ultrapassadas. “Até agora, o modelo que tem se praticado aqui é antigo, das décadas de 1980 e 1990, baseado na criação de carpas. Hoje, porém, o grande foco do mercado é a tilápia, voltada à produção de filé”, afirma.

Segundo ele, a preferência pela tilápia tem motivos claros: trata-se de um peixe amplamente aceito pelo consumidor, sobretudo por não apresentar espinhos, característica que facilita o consumo por crianças e idosos.

Lazzari destaca que o sabor do peixe e a qualidade do filé são diretamente influenciados pelo manejo. “A qualidade do filé e o sabor do peixe são consequência direta das boas práticas de criação”, explica. Dois fatores são determinantes: nutrição e qualidade da água, aspectos que, segundo o pesquisador, estão intimamente relacionados.

No campo nutricional, os peixes podem se alimentar tanto de ração específica quanto dos microrganismos presentes na água, como algas e fitoplâncton. A tilápia, em especial, aproveita bem ambas as fontes. Essa flexibilidade, contudo, exige atenção. “Se a ração tiver nutrientes desequilibrados ou excesso de gordura, isso vai ser depositado no peixe. É como na nutrição humana: se o organismo gasta menos do que consome, acumula gordura. E essa gordura vai interferir na textura e, principalmente, no sabor e na aceitabilidade do filé”, alerta o professor.

O excesso de gordura, segundo ele, também prejudica a conservação do alimento, favorecendo processos de rancificação quando armazenado de forma inadequada.

Nos cursos promovidos pelo ProgeAqua, produtores aprendem manejo alimentar, incluindo número de refeições, quantidade ideal de ração, horários e cálculos básicos. O objetivo, explica Lazzari, não é ensinar a formular ração, tarefa executada pelo grupo de pesquisa, mas orientar o manejo correto para garantir crescimento adequado e qualidade do filé.

A qualidade da água é outro pilar central. O ambiente do açude, assim como os resíduos orgânicos acumulados, determina se o local é

Foto: Shutterstock

adequado para criação. “Quando o ambiente é muito barrento e com acúmulo de lodo, torna-se inadequado, pois há acúmulo de gases e risco de contaminação”, explica o professor.

Nessas condições, podem surgir bactérias que produzem substâncias absorvidas pela pele do peixe, comprometendo o sabor. Os cursos incluem orientações que vão desde a construção do açude até o monitoramento da água.

A cor é um dos indicadores mais acessíveis: águas muito verdes sugerem excesso de algas; muito barrentas exigem ajustes no manejo. Para análises mais precisas, produtores podem recorrer tanto a equipamentos eletrônicos quanto a kits simples semelhantes aos usados em piscinas, que avaliam parâmetros como oxigênio, transparência, pH, alcalinidade e amônia. “Se os produtores seguirem as recomendações técnicas, eles ganham em produtividade, renda e qualidade dos peixes produzidos”, sintetiza Lazzari.

A equipe do ProgeAqua utiliza fotos e estudos de caso para demonstrar como erros de manejo afetam o pescado. “A gente mostra, por exemplo, uma água muito verde, com excesso de algas, e explica que isso muda o sabor do filé, ou, quando o produtor coloca muita ração, o oxigênio cai e os peixes morrem. Mostramos as fotos e explicamos o porquê”, relata o coordenador.

Foto: Shutterstock

Além de qualificar produtores, o projeto busca fortalecer a piscicultura regional e ampliar o acesso da comunidade a pescado de qualidade. A expectativa é envolver o poder público para que prefeituras incorporem peixe local em programas como o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA). Algumas cidades da região já iniciaram iniciativas de monitoramento da água e inclusão de pescado regional na merenda escolar. Para Lazzari, o avanço da piscicultura familiar depende do apoio institucional: “É fundamental que haja políticas de incentivo, como leis municipais de apoio e ações de acompanhamento técnico”.

O pesquisador lembra ainda que a tilápia tem ganhado espaço para além da alimentação. Sua pele vem sendo utilizada em pesquisas para tratamento de queimaduras, com perspectiva de aplicação no Sistema Único de Saúde (SUS). A inovação reforça o potencial da espécie e amplia o impacto econômico e social da piscicultura regional.

Fonte: O Presente Rural com UFSM

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Mercado restrito e desafios industriais impactam desempenho dos peixes nativos

Consumo concentrado em três regiões e necessidade de mais tecnologia influenciam resultado do setor em 2025.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

A produção brasileira de peixes nativos totalizou 257.070 toneladas em 2025, volume 0,63% menor que o registrado no ano anterior. Com isso, o segmento acumula o terceiro ano consecutivo de retração. O último avanço havia sido observado entre 2021 e 2022, quando houve crescimento de 1,79%.

Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026. O levantamento aponta que o desempenho do setor está ligado a fatores como mercado mais restrito, com consumo concentrado principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além da necessidade de ampliar investimentos em tecnologia e fortalecer a industrialização da cadeia.

Foto: Alessandro Vieira

Rondônia liderou a produção nacional de peixes nativos em 2025, com 55.200 toneladas, resultado 2,8% inferior ao de 2024. O Maranhão aparece na segunda posição, com 42.700 toneladas e crescimento de 9,5%. Mato Grosso ocupa o terceiro lugar, com 40.000 toneladas, alta de 0,7%. Na sequência estão Pará, com 25.000 toneladas (+3,7%), e Roraima, com 23.000 toneladas (-0,4%).

O anuário destaca que o avanço da atividade passa pelo aprimoramento dos processos produtivos e pela adoção de novas estratégias de mercado. Entre as medidas apontadas estão o investimento em melhoramento genético, ampliação da oferta de insumos específicos e fortalecimento da indústria frigorífica para atender produtores e consumidores.

No mercado, a expansão pode ocorrer com a abertura de novos canais de comercialização e valorização da identidade regional dos peixes nativos, especialmente nas regiões que já concentram a maior produção.

O documento também cita a importância de políticas públicas integradas para estimular a cadeia, incluindo linhas de crédito, capacitação de produtores, melhorias em logística e distribuição. No consumo interno, a ampliação da presença desses peixes na merenda escolar, em órgãos públicos, hospitais e programas de cesta básica é apontada como alternativa para fortalecer a demanda.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Piscicultura paranaense cresce acima da média nacional e reforça posição estratégica

Enquanto o Brasil atinge 4,4% de crescimento, Estado chega a 9,1%, concentra 27% da produção e lidera as exportações de tilápia.

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Fotos: Shutterstock

O Paraná alcançou a marca de 273 mil toneladas de pescados produzidos em 2025, um novo recorde para o setor. Esse resultado significa um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior e o Estado segue liderando a produção nacional, com participação de 27% no total. Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 , lançado nesta semana.

São Paulo aparece na segunda posição no ranking nacional de produção de peixes de cultivo, com 93.700 toneladas, volume 0,54% maior do que o de 2024. Minas Gerais (77.500 t) está logo atrás de São Paulo, seguido por Santa Catarina (63.400 t) e Maranhão (59.600 t), que ganhou uma posição e fecha a lista dos cinco primeiros do ranking.

Pela primeira vez o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas (1.011.540 t). O resultado do cultivo de pescados cresceu 4,41% no Brasil, se comparado ao volume produzido em 2024. Nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6%.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A tilápia é o grande motor da atividade no Paraná e no Brasil. O Estado lidera a produção com 273.100 toneladas. Completando a lista dos cinco maiores produtores nacionais da espécie, aparecem na sequência São Paulo (88.500 t), Minas Gerais (73.500 t), Santa Catarina (52.700 t) e Mato Grosso do Sul (38.700 t). Em todo o Brasil foram 707.495 toneladas, maior resultado da série histórica da última década.

Os principais produtores, em volume, são Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já as maiores quantidades de tanques ficam, nessa ordem, em Itambaracá (1.564), Alvorada do Sul (994), Nova Prata do Iguaçu (757), Três Barras do Paraná (654) e Boa Esperança do Iguaçu (408).

De acordo com o Anuário, o Paraná atrai cada vez mais e melhores investimentos para o setor. A crescente participação de grandes cooperativas dá novas proporções à atividade. Em relação ao sistema de negócio, a integração se destaca, atraindo mais produtores do que o modelo independente, que mantém uma ligação direta com pequenos frigoríficos. Essa modalidade vem diminuindo ao longo do tempo.

“Além de todos os fatores favoráveis ao crescimento forte e constante da atividade, também é preciso manter a atração de investimentos em inovação, certificação e abertura de novos mercados internacionais”, aponta a publicação.

Exportações

As exportações da piscicultura brasileira registraram crescimento de 2% em valor em 2025, chegando a U$S 60 milhões. Já em volume, houve queda de 1%, passando de 13.792 t em 2024 para 13.684 t em 2025. A tilápia representou 94% das exportações, seguida do tambaqui e curimatás.

O Paraná manteve a posição de maior exportador brasileiro de tilápia em 2025, sendo responsável por 50% do total exportado pelo Brasil, com US$ 28 milhões. Na segunda posição, aparece São Paulo, totalizando US$ 16 milhões, que representam 29%, seguido por Mato Grosso do Sul, com US$ 10,7 milhões (19% do total).

Apesar do tarifaço, o Estados Unidos se mantiveram como o principal destino (87%) das exportações brasileiras da piscicultura em 2025, totalizando US$ 52 milhões. Outros principais destinos foram Canadá (4%), Peru (4%), China (2%) e Vietnã (1%). Destaca-se ainda a entrada de 21 novos destinos, dentre os quais está o México, que é o segundo maior importador de tilápia no continente americano após os Estados Unidos.

Fonte: AEN-PR
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Tilápia responde por 70% da produção aquícola e soma 707 mil toneladas

Dados do Anuário Peixe BR 2026 mostram avanço da espécie mesmo diante de desafios na cadeia.

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Fotos: Shutterstock

A produção brasileira de tilápia alcançou 707.495 toneladas em 2025, alta de 6,83% em relação ao ano anterior. O volume corresponde a aproximadamente 70% de todo o peixe de cultivo produzido no país. Os números constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026.

Mesmo com desafios enfrentados pela cadeia produtiva ao longo do ano, o desempenho manteve a tilápia como principal espécie da piscicultura nacional. Desde o primeiro levantamento realizado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção da espécie cresceu 148,2%. Em 2015, o volume registrado foi de 285 mil toneladas.

A expansão está relacionada ao aumento da demanda nos mercados interno e externo, ao avanço do melhoramento genético e à evolução dos processos industriais, que ampliaram a oferta de cortes e garantiram maior escala e padronização do produto.

O Paraná lidera a produção nacional, com 273.100 toneladas em 2025, crescimento de 8,9% na comparação anual. Na sequência aparecem São Paulo, com 88.500 toneladas; Minas Gerais, com 73.500 toneladas; Santa Catarina, com 52.700 toneladas; e Mato Grosso do Sul, com 38.700 toneladas.

De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, a tilapicultura mantém trajetória de expansão e segue como base do crescimento da piscicultura brasileira.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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