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Como o etanol de milho de segunda safra contribui para a otimização do uso da terra no Brasil?

Expansão da produção de biocombustíveis, incentivada por políticas e acordos nacionais e internacionais gera, há mais de 15 anos, questionamentos quanto ao seu desempenho ambiental.

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Fotos: Shutterstock

A expansão da produção de biocombustíveis, incentivada por políticas e acordos nacionais e internacionais gera, há mais de 15 anos, questionamentos quanto ao seu desempenho ambiental. O conceito ganhou força internacionalmente a partir do estudo de Searchinger et al. (2008), que questionou a sustentabilidade da produção de biocombustíveis, particularmente do etanol de milho produzido nos Estados Unidos, que poderiam ter emissões de gases de efeito estufa (GEE) maiores do que os combustíveis fósseis, se contabilizados os efeitos indiretos do uso da terra.

Potencialmente, tais efeitos são causados pela necessidade de expandir a produção agrícola em novas terras, para compensar culturas desviadas do uso original para o de biocombustíveis. Com isso, a mudança do uso da terra (MUT) pode resultar em emissões significativas de GEE e minar a economia de carbono associada ao uso de biocombustíveis.

Nos últimos anos, as práticas agrícolas e tecnologias relacionadas à produção de milho deram um salto significativo em direção ao aumento da produtividade. Avanços recentes em tecnologia agrícola possibilitaram a disseminação de sistemas de produção em múltiplas safras. Como benefícios, além de uma maior produção por área, as lavouras de segunda safra permitem uma melhor proteção do solo e otimização dos recursos no processo de produção agrícola. O milho de segunda safra, cultivado de forma sucessiva à cultura da soja, tem desempenhado um papel crucial no debate sobre a maior eficiência do uso da terra na agricultura moderna.

Adicionalmente, do ponto de vista da agricultura, a opção mais econômica para os agricultores é otimizar a terra e os recursos para produzir um bem a mais. O sistema soja-milho permite o aproveitamento de uma janela de cultivo adicional durante o ano agrícola, maximizando a utilização da mesma área, gerando efeitos positivos no solo quando comparado ao monocultivo dessas duas culturas produzidas de forma separada.

Aperfeiçoamentos tecnológicos e condições climáticas regionais permitiram o plantio precoce da soja e o cultivo em sucessão do milho no final da década de 1990. Praticamente a totalidade, cerca de 99% do milho originado no estado de Mato Grosso, onde estão localizadas a maior parte das indústrias de etanol de milho, é proveniente de segunda safra.

Entre 2000/01 e 2024/25 a área de milho de segunda safra no Brasil expandiu em aproximadamente 14 milhões de hectares (Mha). Por outro lado, a área de milho primeira safra reduziu em 6,8 Mha. Neste mesmo período, a área de soja passou de 14 Mha para 47Mha, uma expansão de 33 Mha.

Na região Centro-Oeste, que concentra 72% da produção de milho segunda safra do Brasil, a área de soja 2004/05 era de 10,8 milhões de hectares, equivalente a área de milho segunda safra observada nesta região em 2024/25. (Conab, 2025). Nesses últimos 20 anos a área de soja expandiu em 103%, sendo que apenas 50% dos atuais 22 milhões de hectares de soja, apenas 50% são cultivados com milho de 2.a safra, ou seja, ainda restam 50% que podem ser utilizados para a produção de culturas de segunda safra.

Esse cenário é um indicativo que a expansão da produção de milho segunda safra na região Centro-Oeste ocorreu principalmente sobre áreas de soja já consolidadas há muitos anos (Corbeels et al., 2016; Embrapa, 2020). Além disso, na safra 2024/25, aproximadamente 50% da área de soja está ocupada com milho segunda safra na região Centro-Oeste (Conab, 2025), restando ainda 50% que pode ser utilizado para a produção de culturas de segunda safra.

O sistema de produção do etanol de milho de segunda safra otimiza o uso da terra e reduz a necessidade por áreas agrícolas. Esse é um dos resultados do estudo publicado na revista Nature Sustainability (Gurgel, et al. 2024), o qual mostra que um incremento de 5 bilhões de litros de etanol de milho de segunda safra gera:

  • expansão de 600 mil hectares (ha) de milho de segunda safra no Brasil em áreas de soja já consolidadas;
  • redução da demanda de milho e farelo de soja para a alimentação animal, com substituição pelos Dried Distillers Grains (DDG), coproduto da produção de etanol, resultando na liberação de 25.000 ha de área agrícola;
  • intensificação da pecuária e redução da área de pastagem em 168 mil ha;
  • aumento do reflorestamento em 50 mil ha.

Isso mostra, que o sistema produtivo do etanol de milho de segunda safra é capaz de produzir etanol, produtos para nutrição animal, otimizando o uso da terra, sem demandar área adicional sobre outros usos e liberando área para a produção de alimentos.

Fonte: Artigo escrito por Luciane Chiodi Bachion, licenciada em Matemática e mestre em Comércio Exterior; e Sofia Marques, economista, formada em Relações Internacionais e mestre em Planejamento Energético.

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Agro responde por metade das exportações e leva balança comercial a novo recorde em 2025

Setor alcança US$ 169,2 bilhões em vendas externas, garante superávit de US$ 149,1 bilhões e reforça papel estratégico da soja, das proteínas animais e do café no comércio exterior brasileiro.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com desempenho histórico no comércio exterior, consolidando-se como o principal motor da balança comercial do país. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados no Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA, as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões no ano, superando o recorde anterior registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série, com US$ 20,1 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 149,1 bilhões, alta de 2,8% em relação a 2024.

O resultado reforça o peso do agronegócio na economia brasileira. Em 2025, o setor respondeu por 49% de toda a receita obtida pelo Brasil com exportações, mantendo participação elevada e estável em relação aos dois anos anteriores. A trajetória confirma a centralidade do agro no desempenho externo do país ao longo da última década, com crescimento expressivo especialmente a partir de 2021.

Foto: Claudio Neves

O avanço foi impulsionado por diferentes cadeias produtivas, com destaque para a soja, as proteínas animais e o café. No complexo soja, os embarques de grãos atingiram 108 milhões de toneladas, crescimento de 10% em volume na comparação anual. Apesar da queda de 7% no preço médio, para US$ 402,4 por tonelada, a receita alcançou US$ 43,53 bilhões. Os derivados também mantiveram relevância: o farelo de soja somou 23 milhões de toneladas exportadas, enquanto o óleo de soja permaneceu estável em 1,4 milhão de toneladas, com aumento de 11% no preço médio.

No segmento de proteínas animais, os números também foram expressivos. As exportações de carne bovina in natura totalizaram 3,1 milhões de toneladas, alta de 21% em volume, com valorização de 17% no preço médio, o que resultou em receita de US$ 16,61 bilhões, recorde histórico. A carne suína in natura embarcou 1,3 milhão de toneladas, crescimento de 12%, com faturamento de US$ 3,37 bilhões. Já a carne de frango in natura apresentou retração de 6% nos envios, reflexo direto da ocorrência de gripe aviária em maio de 2025, que levou ao fechamento temporário de mercados importantes. Ainda assim, considerando todos os embarques do setor avícola, incluindo industrializados e miúdos, houve leve crescimento de 0,1% no total exportado.

Outro destaque do ano foi o café verde. Mesmo com queda de 18% no volume embarcado, o forte avanço dos preços internacionais, alta de 60% no comparativo anual, levou a um faturamento recorde de US$ 14,9 bilhões, ampliando a participação do produto na cesta de exportações do agronegócio.

Em contraste, o complexo sucroenergético enfrentou um ano mais desafiador. O açúcar VHP teve queda de 12% no volume exportado, enquanto o açúcar refinado recuou 10%, ambos impactados pela combinação de preços mais baixos e maior oferta global. O etanol também apresentou retração de 15% nos embarques, apesar da leve alta no preço médio.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Na análise da composição da pauta exportadora, a soja manteve liderança, com 26% do valor total exportado pelo agronegócio em 2025, repetindo o desempenho do ano anterior. A carne bovina ganhou espaço, ampliando sua participação em 2,7 pontos percentuais, impulsionada pelos recordes de volume e receita. O café verde também avançou, com incremento de 1,9 ponto percentual, refletindo a valorização dos preços.

Quanto aos destinos, a China permaneceu como principal parceiro comercial do agro brasileiro, com compras de US$ 55,3 bilhões, crescimento de 11,3% em relação a 2024. Soja, carne bovina e celulose lideraram os envios ao mercado chinês. A União Europeia ocupou a segunda posição em receita, com US$ 25,2 bilhões, alta de 8,6%, tendo café, soja, farelo de soja e celulose como principais produtos. Já os Estados Unidos responderam por 6,7% das exportações, com US$ 11,4 bilhões, queda de 5,6% frente ao ano anterior, influenciada pelas tarifas ainda vigentes sobre alguns produtos brasileiros.

Os dados de 2025 confirmam a robustez e a diversificação do agronegócio brasileiro, que, mesmo diante de oscilações de preços, barreiras sanitárias e mudanças no cenário internacional, manteve capacidade de geração de divisas e sustentou o superávit da balança comercial do país.

Fonte: O Presente Rural com informações Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA
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IAT amplia lista e dispensa 27 atividades agropecuárias de licenciamento ambiental no Paraná

Nova regulamentação reconhece baixo potencial poluidor de empreendimentos rurais e busca dar mais agilidade aos processos no campo.

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Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou nesta semana uma nova regulamentação que classifica alguns tipos de empreendimentos agrícolas como inexigíveis de licenciamento ambiental no Paraná. Entre os itens da Instrução Normativa IAT Nº 01/2026, está uma lista de 27 tipos de atividades agropecuárias de insignificante potencial poluidor e degradador do meio ambiente, que passam agora a ser isentas da necessidade do processo licenciatório. Os responsáveis por essas atividades podem agora solicitar ao órgão ambiental a Declaração de Inexigibilidade de Licença Ambiental (DILA), caso exista a necessidade comprovar a categorização.

Para entrar nessa classificação, os empreendimentos devem atender a um conjunto de exigências. Elas incluem não necessitar de acompanhamento de aspectos de controle ambiental pelo Instituto; não estar localizada em uma área ambientalmente frágil ou protegida; e não necessitar da supressão de vegetação nativa. Além disso, devem ser respeitadas condições estabelecidas pelas legislações municipais vigentes.

Entre as atividades englobadas destacam-se benfeitorias e equipamentos necessários ao manejo da apicultura fixa e migratória; cultivo de flores e plantas ornamentais; aquisição de equipamentos e instalações de estrutura de apoio para plantio em ambiente protegido (casas de vegetação/estufas); aquisição de máquinas, motores, reversores, guinchos, sistemas de refrigeração e armazenagem de pescado;  implantação de viveiros de mudas florestais; adequação do solo para o plantio; e pecuária extensiva, exceto bovinocultura.

Segundo a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves, essa classificação de inexigibilidade de licenciamento vem para agilizar o processo para os agricultores. Como são atividades de baixo impacto ambiental, eles não precisam passar pelo processo licenciatório simplificado ou trifásico, que é aplicado em empreendimentos com médio e alto potencial poluidor. “Também não existe a obrigatoriedade da emissão da DILA, que pode ser solicitada apenas se for requisitada para o proprietário por um órgão que exige uma comprovação da inexigibilidade, como um banco por exemplo”, explica.

Licenciamento

O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.

Fonte: AEN-PR
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Biológicos impulsionam produtividade de soja a 126,7 sc/ha em lavoura de São Paulo

Campeão do Desafio Nacional do CESB, consultor destaca manejo integrado com produtos biológicos, monitoramento em tempo real e estratégias para enfrentar a variabilidade climática.

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Foto: Jaelson Lucas/AEN

Imagine uma produtividade de 126,71sc/ha em uma lavoura de soja, com a utilização estratégica de produtos biológicos. Foi o que aconteceu na Fazenda Santana, de Itapeva (SP).

O consultor Adriano Oliveira, campeão da Categoria Irrigado/Nacional no último Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), destaca que a utilização de produtos biológicos no sulco e em cobertura para controle de nematoides e doenças de solo contribuiu para a elevada produtividade. “Também realizamos tratamento de sementes com fungicidas, inseticidas e bioestimulantes, e incluímos inoculantes com rizóbios e promotores de crescimento”, acrescenta.

Desafios na lavoura

Adriano aponta que um dos principais desafios foi lidar com a variabilidade climática, especialmente no período de florescimento e enchimento de grãos. “Tivemos veranico no início da formação de vagens e chuvas excessivas na maturação. Para superar isso, apostamos em cultivares com bom teto produtivo e estabilidade, fizemos o escalonamento do plantio dentro da janela ideal e utilizamos tecnologias de monitoramento em tempo real para antecipar manejos e proteger o potencial produtivo”, observa.

Em relação ao controle de pragas e doenças, o consultor sinalizou que priorizou a ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom, por serem recorrentes na região. “Atuamos com fungicidas protetores desde o V4-V5 e intensificamos o manejo com alternância de mecanismos de ação. Para pragas, adotamos controle antecipado com aplicações programadas e monitoramento semanal. A adoção de produtos com efeito fisiológico e residual ajudou a manter o estande e o enchimento de grãos”, lembra.

Importância do desafio

O consultor considera o Desafio do CESB um termômetro técnico. “Ele nos tira da zona de conforto e exige um nível de excelência em cada detalhe”, expõe, acrescentando: “Durante o ciclo, tivemos momentos de preocupação com o clima, mas mantivemos o foco com base nos dados e no planejamento técnico bem feito. Cada decisão foi tomada com respaldo em monitoramento e histórico da área”.

Fonte: Assessoria CESB
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