Avicultura
Como evitar trincas e deformações nos ovos incubados para garantir pintinhos saudáveis
As condenações podem ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva, sendo que no campo as principais causas são doenças, que podem ser transmitidas por bactérias, fungos, vírus, protozoários ou problemas fisiológicos; nutrição inadequada e manejo incorreto

O manejo integrado da cadeia avícola representa uma abordagem estratégica que desempenha um papel fundamental na redução das condenações de frangos de corte, beneficiando tanto a qualidade do produto quanto a eficiência da produção. Esse método holístico leva em consideração uma série de fatores interconectados que influenciam diretamente o bem-estar das aves e a qualidade da carne. Essa temática foi tratada pelo médico-veterinário e gerente regional de Serviço Técnico da Cobb-Vantress, Eduardo Löewen.
De acordo com ele, as condenações podem ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva, sendo que no campo as principais causas são doenças, que podem ser transmitidas por bactérias, fungos, vírus, protozoários ou problemas fisiológicos; nutrição inadequada e manejo incorreto, enquanto que na planta de abate as condenações podem ocorrer por problemas de saúde ocasionados durante o alojamento, qualidade da carne ou contaminação. “Garantir um programa de saúde bem estruturado, que inclui medidas preventivas e de controle de enfermidades desempenha um papel essencial na prevenção de condenações na planta de abate. A identificação precoce e o tratamento adequado de doenças são práticas-chave para assegurar um produto final de qualidade”, enfatizou Löewen.

Médico-veterinário Eduardo Löewen – Foto: Jaqueline Galvão/OPR
O médico-veterinário explica que a nutrição adequada é o segundo ponto de atenção para assegurar o desenvolvimento saudável das aves, uma vez que reduz o risco de doenças e aumenta a produtividade. “Os níveis nutricionais devem ser ajustados de acordo com a fase de produção das aves. O percentual de gorduras também é importante, pois contribui para a qualidade da carne. Os aditivos, como vitaminas e minerais, ajudam a complementar a dieta das aves. A qualidade da matéria-prima influencia na digestibilidade dos nutrientes, por isso é muito importante tomar cuidado para não oferecer um ambiente propício para a proliferação de micotoxinas, que podem contaminar os alimentos e são causa frequente de hemorragias nas aves, o que leva a sua condenação”, afirmou.
O terceiro ponto é o manejo, que envolve ambiência, equipamento de granja, qualidade de cama, densidade, apanha, carregamento, transporte e descarregamento das aves no frigorífico. “Não há como ter um lote com boa qualidade, contaminação reduzida ou com contaminação zerada se não tivermos a saúde, a nutrição e o manejo sob controle”, salientou Löewen, destacando a importância de um diagnóstico preciso das causas das condenações para que as medidas corretivas sejam eficazes. “É preciso olhar para o todo dentro de uma granja, não apenas para um ponto isolado”, frisou.
Manejo de matrizes x qualidade de ovos
O manejo de matrizes está intimamente ligado à qualidade dos ovos, uma vez que o principal objetivo do setor é obter um elevado percentual de fêmeas vendáveis ou de primeira linha. Esse é o cerne do processo de produção de matrizes no fim da cadeia. “Para atingir esse objetivo é fundamental minimizar o percentual de ovos que precisam ser descartados, reduzindo assim o refluxo, que afeta na mortalidade dos animais e nas condenações no abatedouro. Não é possível obter frangos de qualidade se começarmos com ovos de baixa qualidade. Este é um dos maiores desafios enfrentados pelo setor de matrizes, uma vez que ainda não inventaram nada que seja capaz de transformar um ovo ruim em um pintinho de qualidade”, enalteceu.
De acordo com o profissional, para assegurar uma produção saudável é primordial produzir ovos de qualidade, realizar um planejamento minucioso que leve em consideração o volume desejado e as demandas do mercado. “O mercado da avicultura é uma verdadeira sanfona. Em um ano, o setor pode enfrentar uma crise, e no seguinte, desfrutar de lucratividade. Durante os períodos de crise, os produtores frequentemente reduzem a quantidade de aves alojadas, resultando em escassez de produtos no mercado. Por outro lado, nos anos de bonança, a produção é ampliada, gerando produto excedente. Quando se opta por diminuir os alojamentos e a consequente oferta de pintinhos e ovos, tende a impactar fortemente o setor de matrizes, que para recuperar a normalidade entre oferta e demanda vai levar um tempo, prática essa que não permite que o setor alcance seu potencial máximo. Para que isso não aconteça é preciso saber o potencial de produção da linhagem com a qual está se trabalhando”, expressa.
Outro ponto apontado por Löewen é a falta de mão de obra. “O departamento de granjas de matrizes é um setor que tem que ter mão de obra. Por mais que esse setor esteja se tecnificando, tem que ter gente para apertar muito botão ainda dentro da granja. Mas, infelizmente, não temos mais quantidade e nem qualidade de mão de obra para trabalhar nas granjas de matrizes. Nesse setor, a partir do momento que passamos a tecnificar vamos ter perda de processo e de índice zootécnico, contudo o setor terá que se adaptar a isso”, apontou.
Ovos incubados com qualidade
A qualidade do ovo incubado é a base para se obter pintinhos saudáveis e, consequentemente, produtos finais de excelência nas prateleiras dos supermercados. Segundo o médico-veterinário, a linha que conecta a produção ao consumidor é direta e reta e para atingir o padrão desejado é necessário que haja alto padrão sanitário. “A primeira característica essencial de um ovo incubado de qualidade é a integridade e limpeza da casca, aliadas à ausência de contaminação. Esses pontos são cruciais para garantir o desenvolvimento saudável do embrião e a obtenção de pintinhos robustos”, avaliou Löewen.
Dentro desse contexto, o médico-veterinário destaca a importância da qualidade do ninho, da cama utilizada, das práticas de coleta e dos procedimentos de desinfecção, elementos esses que desempenham papéis interdependentes no processo de produção e características de ovos incubados. “A qualidade do ninho influencia diretamente na condição do ovo antes mesmo de ser coletado. Independente da linhagem, cada empresa tem que ter um padrão definido do que quer e não quer aproveitar, esse é o primeiro ponto. Além disso, é preciso saber que ovos sujos de sangue não devem ser aproveitados. Sabemos que quando faltam ovos no mercado muitas empresas optam por aproveitar esse produto, no entanto, é importante que saibam que estão entrando em uma área de risco”, frisou o profissional.
A escolha e a manutenção adequada da cama são igualmente importantes para garantir uma casca íntegra, limpa e livre de contaminação. “Uma cama de qualidade contribui para a limpeza do ovo, evitando a adesão de sujidades que poderiam comprometer sua integridade. Além disso, uma cama bem manejada ajuda a controlar a umidade, criando um ambiente menos propício para a proteção de microrganismos indesejados”, comenta Löewen.
O profissional elenca ainda que as práticas de coleta desempenham um papel vital na preservação da integridade dos ovos incubados. “Manejo cuidadoso durante a coleta minimiza os riscos de danos à casca, mantendo a integridade até o momento da incubação. E os processos de desinfecção representam a barreira final contra possíveis contaminações. A implementação de protocolos específicos contribui para garantir a sanidade dos ovos incubados, estabelecendo um ambiente seguro para o desenvolvimento embrionário”, evidencia.
Características do ovo incubado
Löewen cita que diversas características podem influenciar de forma expressiva a qualidade no processo de incubação dos ovos. Segundo ele, ovos sujos representam grande risco de onfalite, uma infecção polimicrobiana associada principalmente à Salmonella. Já as trincas nos ovos podem levar a uma menor taxa de eclosão ou até mesmo impedir a eclodibilidade, assim como deformações nos ovos resultam em embriões malformados, por consequência não eclodem e geram refugo na produção comercial.
E a presença de gemas duplas em um ovo indica a formação de dois embriões, aumentando a complexidade do processo de incubação, sendo geralmente descartados. Por fim, os ovos invertidos quando incubados apresentam baixa eclosão e pico de refluxo. “Aqui entra a questão de mão de obra e da qualidade e quantidade da coleta. É fundamental, é básico, mas tem que ser feito. Seja ninho mecânico ou manual, nós precisamos tirar esse ovo rápido da cama ou do ninho e colocar ele em condições aceitáveis para que vire um bom pintinho. Determinadas linhagens têm mais tendência de ter ovo na cama por exemplo e cabe a cadeia adaptar o manejo e às condições de cada granja”, salientou.
O profissional explica que a galinha deposita o ovo no ninho/cama a uma temperatura de 40ºC. À medida que esfriam e chegam a temperatura ambiente ocorre a formação de aspirador no interior do ovo. Esse aspecto é de especial importância quando consideramos a possibilidade de contaminação. “Se o ovo estiver sujo, seja por resíduos do ninho ou da cama, a probabilidade de contaminação aumenta consideravelmente. Além disso, à medida que os lotes de ovos envelhecem, observa-se um aumento na porosidade das cascas. Lotes mais antigos apresentam uma casca mais porosa, o que, por sua vez, amplia a propensão à contaminação. Por isso é essencial que seja realizado uma seleção criteriosa para descartar ovos inadequados, a fim de garantir um processo de incubação bem-sucedido e uma produção saudável de aves”, elenca Löewen.
Coleta de qualidade
A coleta de ovos desempenha um papel muito importante na prevenção e redução da contaminação. Trincas, microtrincas ou trincas aranhas podem resultar em um ovo de baixa qualidade, especialmente se possuírem cascas mais finas, aumentando desta forma o risco de contaminação.
Embora a automação da coleta de ovos seja uma tendência, Löewen diz que o desafio do ovo de cama persiste, pois, a falta de mão de obra para sua remoção é um problema recorrente. Estratégias como o uso de comedouros suspensos estão sendo adotadas para minimizar a escassez de profissionais deste setor no campo. “Ao abaixar o comedouro durante a alimentação e elevá-lo posteriormente, evita-se que as galinhas continuem procurando alimento, o que, por sua vez, proporciona um maior percentual de ovo de cama, contribuindo para uma coleta mais eficiente e de maior qualidade”, menciona.
De acordo com uma pesquisa apresentada pelo palestrante, no ano 2000 havia apenas 3% de ovos em ninhos automáticos. Vinte anos após esse número já alcançava 67%. “Ao que tudo indica essa automatização deve ocorrer por completo no setor e o grande desafio vai ser colocar essa galinha dentro do ninho para pôr seu ovo”, acredita.
Bactérias na casca do ovo

Foto: Shutterstock
Uma pesquisa sobre a população de bactérias na casca do ovo revelou que ovos limpos de ninho apresentam em média de três a quatro mil bactérias por centímetro quadrado, enquanto ovos sujos de ninho possuem uma concentração mais elevada, variando entre 25 e 28 mil bactérias. Já os ovos provenientes do chão ou do piso mostram presença entre 390 a 450 mil bactérias por centímetro quadrado.
Segundo o profissional, essa disparidade na carga bacteriana mostra que um lote de matrizes com 30% de ovos de cama possui cerca de 30% de ovos mais contaminados. “Essa condição resulta na geração de pintinhos de qualidade inferior que vai chegar ao fim do ciclo para o abate”, aponta Löewen, ampliando: “Muitas das vezes o ovo de ninho é mais contaminado que o ovo de chão, porque quando fica por muito tempo dentro do ninho a galinha pode defecar em cima do ovo”.
Manejo de cama
Lidar com o manejo de cama em uma granja de matrizes, especialmente na região Sul do Brasil, apresenta desafios consideráveis, devido às condições climáticas. “Para garantir a qualidade da cama é essencial que ela seja trabalhada todos os dias. A umidade na cama é particularmente preocupante, pois um ovo que cai em uma cama molhada corre o risco de contaminação por Salmonela e outras bactérias”, alerta, enfatizando: “A incubação de ovos contaminados pode resultar em surpresas indesejadas, conhecida no setor como ‘kinder ovo’, que é uma surpresinha dentro do ovo que não sabemos bem o que é, mas uma hora vai aparecer. Evitar a ocorrência desse problema é crucial, pois um único ovo contaminado no incubatório pode desencadear uma contaminação em cascata, afetando todos os ovos”.
Causas de qualidade ruim do ovo
A qualidade da casca do ovo pode ser influenciada por uma variedade de fatores. Um dos aspectos a considerar é a idade do lote de ovos, pois à medida que envelhecem, é comum observar um aumento no tamanho dos ovos. No entanto, esse crescimento não é proporcional à quantidade de casca, resultando em ovos maiores com cascas mais finas. Além disso, doenças virais, como bronquite e pneumovírus, também podem impactar os níveis de qualidade da casca do ovo, expõe o médico-veterinário. “Nós precisamos investir e focar melhor em diagnóstico. Quem trabalha no campo tem que ter o diagnóstico que confirme ou que pelo menos direcione o que está acontecendo no lote”, pontua Löewen.
Situações de estresse térmico e distúrbios fisiológicos também podem levar as poedeiras a se alimentarem pouco, além de apresentarem ofegação e abertura do bico e das asas para facilitar a troca de calor. “Esse esforço excessivo para dissipar calor pode levar à alcalose metabólica, afetando a formação da casca, resultando em ovos com cascas mais finas e frágeis. A compreensão desses elementos é crucial para melhorar a produção de ovos com cascas mais resistentes e garantir um produto final de alta qualidade”, evidencia.
Idade da matriz x produção de ovos
Löewen aponta que questões nutricionais desempenham um papel vital na qualidade dos ovos e é essencial manter um equilíbrio adequado de cálcio, fósforo e vitamina D na dieta das galinhas. Problemas como a má qualidade da gordura e o excesso de magnésio também podem impactar os resultados na formação da casca do ovo. Além disso, a presença de micotoxinas, a ambiência da unidade de produção e até mesmo o peso da matriz influencia diretamente na qualidade dos ovos. “Galinhas com excesso de peso têm maior probabilidade de desconforto térmico, resultando em ofegação e, consequentemente, piora na qualidade da casca do ovo”, comenta.
Outro fator importante a considerar é com relação a idade da ave/lote e os componentes do ovo. “Quanto maior a idade da ave/lote menor é o percentual de postura, afetando tanto a produção de gema quanto da casca. Isso contribui para o aumento no tamanho do ovo, mas, ao mesmo tempo, diminui a qualidade da casca, gerando ovos com características menos desejáveis”, ilustra.
Desinfecção de ovos
A desinfecção dos ovos é um processo fundamental para garantir a sua qualidade, e o método mais comum e amplamente utilizado é a fumigação. No entanto, existem também outras abordagens, como o uso de ozônio e lâmpada infravermelha, entre outras alternativas. O profissional salienta que é preciso realizar a desinfecção no máximo duas horas após a coleta dos ovos para garantir sua eficácia. “O procedimento envolve 15 minutos de queima e 15 minutos de exaustão. Existem variações na fumigação, como simples ou dupla, e é essencial compreender o grau de contaminação e considerar a qualidade do produto que está sendo incubado, trabalhando de maneira estratégica para atender aos padrões exigidos pelo mercado”, evidencia Löewen.
Uniformidade
A busca pela uniformidade dos pintinhos no frango de corte começa com a garantia da uniformidade das galinhas e dos ovos. É um processo interligado que destaca a importância de cuidados específicos em relação ao manejo e à seleção das aves para alcançar os resultados desejados na produção avícola. “Não tem como ter uniformidade de pinto se não tiver uniformidade da galinha e do ovo. Porém, a partir do momento em que as genéticas focam em ter um frango de corte com melhor desempenho, ou seja, menor conversão alimentar e maior ganho de peso, essa característica acaba sendo antagônica às características de produção das matrizes”, avalia o médico-veterinário.
Löewen enfatiza que garantir a uniformização dos frangos é uma tarefa difícil para o setor, uma vez que os animais estão cada vez mais vorazes. “Talvez os incubatórios acabam se tornando um meio entre as granjas de matrizes poedeiras e de frango de corte, não que a unidade produtora de frango não dê atenção, mas talvez o incubatório seja o local mais estratégico ou mais delicado para identificar essa questão da qualidade dos pintinhos”, constata.
Qualidade do ovo
Garantir a qualidade do ovo é um processo que envolve diversas etapas, cada uma desempenhando um papel específico no resultado final. Dentre os principais fatores a serem considerados, destacam-se a qualidade do ovo incubado, a temperatura da casca, a perda de umidade, a janela de nascimento, e, por fim, o transporte dos pintinhos para a granja de corte. “Essa atenção é necessária independentemente da linhagem, visto que cada uma possui características específicas, como seu tempo de incubação e produção de calor específico. É imperativo respeitar as particularidades de cada linhagem, evitando a mistura indiscriminada de ovos dentro de uma mesma máquina de incubação. A decisão de trabalhar com uma temperatura única durante a incubação pode comprometer a qualidade do processo”, aponta.
Outro ponto é o percentual de refugos, que influenciados por diferentes temperaturas, pode variar entre 98,5%, 100% e 102%. “Essas variações não impactam apenas o percentual de eclosão, mas também afetam a pressão cardíaca e a saúde do fígado”, conclui.
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Avicultura
Casal cria galinheiro inspirado em disco voador
Construído com antenas parabólicas reaproveitadas e equipada com isolamento térmico, controle de temperatura e sistema para facilitar o manejo, estrutura criada por casal dos Estados Unidos combina funcionalidade e humor.

Um casal do estado de Idaho, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira pouco convencional de unir a criação de galinhas ao interesse por ficção científica. Em vez de um galinheiro tradicional, os dois desenvolveram uma estrutura em formato de disco voador que cria a ilusão de que as aves estão sendo abduzidas por alienígenas, especialmente durante a noite.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
O projeto voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após imagens da construção circularem novamente na internet. Embora tenha aparência lúdica, a chamada ‘galinave’ foi idealizada para atender às necessidades práticas da criação de aves, reunindo soluções para conforto térmico, segurança e facilidade de manutenção.
A base da estrutura foi montada com duas antigas antenas parabólicas de aproximadamente três metros de diâmetro cada. A partir desse esqueleto, o casal realizou adaptações para impermeabilização, ventilação, coleta de ovos e limpeza interna.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
As janelas foram produzidas com cúpulas acrílicas originalmente utilizadas em câmeras de segurança. O piso foi rebaixado por meio da instalação de um círculo de madeira de cerca de 2,4 metros de diâmetro, enquanto o isolamento térmico recebeu aplicação de espuma para reduzir os efeitos das baixas temperaturas no inverno.
Estrutura alia criatividade e soluções para o manejo
Além da porta de acesso das galinhas, a construção ganhou uma escotilha destinada à retirada dos ovos e às atividades de limpeza, contribuindo também para a circulação de ar. O teto recebeu revestimento impermeável e pintura com tinta de alumínio, escolhida tanto pelo aspecto visual semelhante ao de uma nave espacial quanto pela capacidade de refletir a luz solar e ajudar a reduzir o aquecimento durante o verão.
Para minimizar o risco de ataques de predadores, o galinheiro foi instalado sobre a base

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
reaproveitada de um trampolim, elevando a estrutura do solo e reforçando o efeito de um objeto flutuando.
Os acabamentos incluíram ninhos, sistemas de abertura para manutenção e iluminação instalada na parte inferior da estrutura.
À noite, as luzes simulam um feixe luminoso semelhante ao frequentemente retratado em filmes sobre extraterrestres, criando a impressão de que as galinhas estão sendo sugadas para o interior da nave.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
Posteriormente, o casal incorporou um sistema de controle de temperatura baseado em uma placa Raspberry Pi, permitindo o monitoramento e o ajuste remoto das condições internas pela internet.
Projeto foi publicado com tutorial e voltou a repercutir
A ‘galinave’ foi apresentada originalmente em 2021 no fórum Backyard Chickens, plataforma dedicada a criadores e entusiastas da avicultura doméstica. Na ocasião, os responsáveis compartilharam imagens do resultado final e um tutorial detalhando as etapas da construção e os materiais utilizados.
Nos últimos dias, o projeto voltou a circular nas redes sociais, chamando atenção pela combinação

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
entre reaproveitamento de materiais, soluções técnicas para o manejo das aves e uma estética inspirada na cultura pop.
O caso se destaca por transformar um equipamento voltado à produção doméstica em uma instalação criativa que desperta curiosidade muito além do universo da avicultura.
Avicultura
Consumo recorde impulsiona debate sobre futuro da avicultura de postura durante SIAVS 2026
Com consumo anual de 288 ovos por habitante, o setor debate no Simpósio Ovos Brasil exportações, agregação de valor, sucessão empresarial e tecnologias para ampliar a competitividade.

O crescimento do consumo de ovos no Brasil, a abertura de novos mercados internacionais, as estratégias para agregação de valor aos produtos e os avanços tecnológicos estarão entre os principais temas debatidos durante o Simpósio Ovos Brasil, realizado dentro da programação do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O encontro vai reunir especialistas, produtores e empresas para discutir os desafios e as

Coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda: “É fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas” – Foto: Divulgação
oportunidades da cadeia produtiva de ovos em um momento de expansão do setor, marcado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo avanço das exportações brasileiras.
De acordo com a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda, a programação foi estruturada para oferecer uma visão ampla sobre o futuro da avicultura de postura. “Entre os temas centrais estarão o comportamento do mercado global de ovos, as oportunidades de abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, estratégias de marketing e posicionamento para ampliar o consumo e agregar valor aos produtos, além de questões ligadas ao planejamento patrimonial, sucessório e tributário das empresas do setor”, explica.
Conforme salienta, os assuntos debatidos serão estratégicos para garantir competitividade e sustentabilidade da atividade nos próximos anos. “Para sustentar esse avanço, é fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, reforça.

Foto: Shutterstock
Consumo recorde fortalece cadeia produtiva
As discussões ocorrem em um momento histórico para o setor. Segundo projeções da ABPA, o consumo per capita de ovos no Brasil alcançou 288 unidades por habitante ao ano, o maior patamar já registrado no país. Para Tabatha, o resultado está diretamente ligado à consolidação do ovo como um alimento essencial na dieta dos brasileiros. “O principal fator é o reconhecimento cada vez maior do ovo como um alimento completo, nutritivo, seguro e acessível. Hoje, o consumidor tem mais informação sobre os benefícios nutricionais do produto, que oferece proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação equilibrada”, realça.
Além desses atributos, a versatilidade do alimento contribuiu para ampliar sua presença no dia a

Foto: Shutterstock
dia da população. “Esse crescimento demonstra a consolidação do ovo como uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros e confirma a capacidade do setor de atender a uma demanda crescente com qualidade, segurança e eficiência”, destaca.
Essa subida nos gráficos do consumo também impulsiona novos investimentos em produção, inovação, logística e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da atividade nacional.
Consumidor impulsiona inovação e diversificação
As mudanças no comportamento do consumidor têm direcionado os investimentos do setor. A busca por qualidade, rastreabilidade, segurança dos alimentos e praticidade estimulou a adoção de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções voltadas às diferentes demandas do mercado. “Nos últimos anos, observamos avanços importantes em processos produtivos, controle

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de qualidade, certificações, bem-estar animal e desenvolvimento de embalagens mais práticas e informativas. Também cresceu a oferta de produtos com maior valor agregado, como ovos líquidos, linhas voltadas ao público que busca maior aporte proteico, praticidade e conveniência”, compartilha Tabatha.
Esse cenário abre espaço para diversificação de produtos, fortalecimento de marcas e ampliação do consumo em canais como food service, varejo de conveniência e alimentação fora do lar. “A tendência é que essa aproximação entre as demandas do consumidor e a capacidade de inovação da cadeia continue impulsionando o crescimento do setor nos próximos anos”, avalia.
Tecnologia e sustentabilidade
Além das discussões, os participantes do SIAVS terão acesso a um amplo conjunto de tecnologias, equipamentos e soluções voltadas para todas as etapas da produção.
Entre os destaques estão tecnologias de automação de granjas, monitoramento de desempenho em

Foto: Rodrigo Felix Leal
tempo real, sistemas de gestão baseados em dados, equipamentos para classificação e processamento de ovos, além de soluções para biosseguridade, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Também ganham espaço temas como rastreabilidade, bem-estar animal, redução de desperdícios, aproveitamento de subprodutos e melhoria da eficiência operacional. “A presença dos principais fornecedores nacionais e internacionais de genética, nutrição, sanidade, equipamentos e tecnologia permitirá aos visitantes conhecerem tendências que já estão transformando a avicultura de postura no Brasil e no mundo, reforçando o papel do SIAVS como um ambiente estratégico para atualização, networking e geração de negócios”, enfatiza a coordenadora técnica da ABPA.
Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.



