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Como escolher a cultivar de soja certa?

Produtor levar em conta características como zoneamento agrícola, saber dos problemas de doença que há na propriedade e realizar a diversificação do cultivar são alguns dos detalhes que fazem a diferença nos resultados finais

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Um trabalho que aos olhos dos leigos parece simples, mas quando chega ao produtor não é tão fácil, a escolha da cultivar correta, com tantas opções e diferentes tecnologias, tem se tornado uma tarefa não muito fácil. As distintas opções à disposição fazem com que o produtor deva olhar diversos fatores, como o clima em que está a propriedade, quais são as doenças e problemas existentes naquele local, qual o zoneamento da área, entre outros. O pesquisador da Embrapa Soja, Carlos Pereira de Melo, afirma que é importante o produtor se munir de todas as informações possíveis quanto a melhor cultivar para a propriedade, já que isso garantirá melhor rentabilidade com sustentabilidade.

O primeiro ponto em que o produtor deve estar atento no momento da escolha da cultivar é levar em consideração aquele material que está mais adaptado aquela região em que ele vai plantar. “Essa adaptação está associada a obter maiores produtividades. Geralmente, materiais que têm apresentado médias e altas produtividades estão associados a alguma resistência a determinada praga”, explica Melo. O pesquisador informa que isso vai depender para que região o produtor está querendo plantar. “É sempre interessante alinhar produtividade a materiais que tenham médias e altas fertilidades com resistência a alguma doença que possa ser problema na área que vai plantar essa cultivar”, diz.

Melo comenta que o que o produtor está sempre olhando, no momento de escolher a cultivar, é a produtividade que aquele material oferece. Porém, para que isso ocorra, é imprescindível que o agricultor saiba se aquele material tem indicação para a região em que ele vai plantar. “É importante sempre que o produtor siga isso, os materiais que vão estar presentes no zoneamento agrícola, porque são eles que estão indicados para aquela região”, conta. Além disso, quanto a parte do zoneamento, que deve ser respeitada, Melo afirma que é fundamental, isso porque é através dele que o agricultor consegue angariar a questão de um seguro ou financiamento oficial. “Se o produtor for atrás de algum financiamento oficial para a lavoura, para custear parte dela, ele precisa plantar alguma cultivar que esteja indicada e que esteja contemplada no zoneamento agrícola”, explica.

O pesquisador comenta que outros fatores, como o clima da região, qual a época da semeadura, qual o melhor material para cada época, qual vai responder melhor ao crescimento e desenvolvimento, qual o tipo de solo, que tipo de doenças ocorre naquela região, entre outras, são importantes de serem analisados. “Porque a questão da resistência é muito importante já que é uma tecnologia barata, que está associada dentro da genética, e que o produtor precisa utilizar no caso de ter um problema. Mas, caso ele não tenha problemas, pode optar por um material que vá produzir mais”, diz. Melo comenta que existem várias opções de cultivares no mercado, por isso produtores e assistentes técnicos devem sempre estar atentos à questão de quais materiais são mais indicados para a região em que se encontra a propriedade.

Outro detalhe dito por Melo é que é importante olhar as cultivares, porque uma que funciona muito bem em um município, na cidade vizinha pode não ter o mesmo efeito. “Existem questões mais regionalizadas, mais localizadas para determinado município, determinada gleba da fazenda em que aquele material vai responder melhor”, comenta. O pesquisador acrescenta que o produtor deve estar atento, assim como agrônomo e assistente técnico, para indicar sempre a cultivar que vai garantir maior rendimento, retorno e rentabilidade para o agricultor.

Diversificação de Cultivares

O que também faz a diferença para uma boa produtividade é o produtor, independente da área em que está, plantar mais de uma cultivar. “É interessante. Tem materiais com ciclo mais precoce, outro semi-precoce, ou um material que está indicado plantar mais cedo, na semeadura antecipada, porque com isso o produtor minimiza os riscos com uma questão principalmente associada ao clima, como por exemplo um veranico mais forte em determinada safra. Se ele apostar em um único material, pode acontecer de ter uma perda maior. Mas, tendo mais de um material, com diferentes ciclos e genéticas, em termos de resistência a determinada doença, o produtor vai minimizar os riscos na lavoura”, explica. Melo afirma que a pesquisa recomenda essa diversificação de cultivares. “E não somente diversificação de cultivares, mas também a questão temporal, de plantio mais cedo ou mais tarde, tecnológica e espacial”, comenta.

A importância da rotação de cultivares é ainda destacada pelo pesquisador pela necessidade de manter a tecnologia da cultivar. “Se o produtor usar sucessivamente determinada cultivar, a probabilidade de ela perder a tecnologia é grande. Quanto mais usa determinada tecnologia, safra após safra, ela perde o efeito”, diz. Ele reitera que a tecnologia é muito boa, mas é uma ferramenta que precisa ser atualizada.

O pesquisador orienta que produtores que tenham condição de uma área limpa de plantas invasoras podem, sem problemas, voltar a produzir a soja convencional. “É também um tipo de tecnologia, que tem produtividade”, informa. Melo conta que em vários mercados no Brasil pagam bônus para quem produz este tipo de soja. “Alguns mercados têm pagado um extra, baseado no mercado internacional. Então, se o preço da soja hoje, por exemplo, está R$ 60 na commodity, ele ganha US$ 3 a mais por saca da soja convencional”, diz. Melo fala que esta é outra alternativa de tecnologia que o produtor tem e pode utilizar nessa linha de diversificação de cultivares.

Mais Produtiva ou Mais Resistente?

O pesquisador alerta que não necessariamente uma cultivar que é mais resistente será mais produtiva. Melo informa que se há algum problema na propriedade, é importante sempre escolher pela cultivar com as características de resistência que ele precisa. “É importante o produtor alinhar e saber o que ele tem na área, qual o problema daquela região”, comenta. “É importante o agricultor saber qual o problema que ele tem em relação a doença. Se não tem problema, então sim o produtor pode investir em uma cultivar mais produtiva que tenha adaptação”, completa.

O pesquisador diz que o agricultor pode investir em um material que não precise ter resistência e que vai resultar em uma produtividade alta também, isso, somente, se o local em que está a propriedade não há problemas sanitários ou de solo, por exemplo. “Além disso, é importante o produtor basear essa informação não de uma única safra, mas de outras anteriores. Isso porque pode ser que em uma safra ele vai ir bem, mas na outra muito mal. É preciso buscar o material que seja estável para diferentes safras”, aconselha.

Para saber este tipo de informação, o produtor pode procurar com várias entidades, como a própria Embrapa, ou mesmo a cooperativa da qual faz parte. “Essas informações as empresas têm todos os anos. Se o produtor se basear na informação de um único ano daquele material, pode ser que venha prejuízo”, diz. No momento da escolha, é melhor que o produtor leve em consideração, no mínimo, duas safras para ter uma ideia melhor sobre determinada cultivar, afirma o pesquisador.

Melo reitera que é importante que o produtor busque por informações das cultivares, já que cada uma tem características de funcionamento, melhor época de plantio, manejo, melhor população, entre outras. “É fundamental que ele tenha esse conhecimento, e as empresas detentoras de genética disponibilizam esse tipo de informação. Cada cultivar tem uma informação, uma tecnologia a ser seguida, seja de manejo, indicação ou sistemas. Isso é importante a assistência técnica levar em consideração e passar ao produtor”, comenta.

Com as informações que o produtor leva em consideração no momento de escolher a cultivar, como atender ao zoneamento, com material indicado, ele consegue ir restringindo as opções até encontrar alguma que atenda as necessidades e seja o mais próximo da ideal para a condição que ele tem. “Produtor e assistência técnica devem ter uma visão holística da produção, visando a sustentabilidade da atividade. A agricultura é uma atividade de risco, então, como buscar uma produção sustentável a médio e longo prazo? Essa é a questão da escolha da cultivar”, diz.

Para o pesquisador da Embrapa soja, a escolha da cultivar é primordial para o sucesso da safra, mas não é única, não trabalhando sozinha. “Tem que ter uma visão holística de tudo, do solo, da tecnologia de aplicação, da forma e momento correto de aplicar. É importante que o produtor tenha uma visão de futuro para que a cultivar escolhida tenha sucesso e que ele busque a maior rentabilidade com sustentabilidade”, pontua.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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