Bovinos / Grãos / Máquinas
Como escolher a cultivar de soja certa?
Produtor levar em conta características como zoneamento agrícola, saber dos problemas de doença que há na propriedade e realizar a diversificação do cultivar são alguns dos detalhes que fazem a diferença nos resultados finais
Um trabalho que aos olhos dos leigos parece simples, mas quando chega ao produtor não é tão fácil, a escolha da cultivar correta, com tantas opções e diferentes tecnologias, tem se tornado uma tarefa não muito fácil. As distintas opções à disposição fazem com que o produtor deva olhar diversos fatores, como o clima em que está a propriedade, quais são as doenças e problemas existentes naquele local, qual o zoneamento da área, entre outros. O pesquisador da Embrapa Soja, Carlos Pereira de Melo, afirma que é importante o produtor se munir de todas as informações possíveis quanto a melhor cultivar para a propriedade, já que isso garantirá melhor rentabilidade com sustentabilidade.
O primeiro ponto em que o produtor deve estar atento no momento da escolha da cultivar é levar em consideração aquele material que está mais adaptado aquela região em que ele vai plantar. “Essa adaptação está associada a obter maiores produtividades. Geralmente, materiais que têm apresentado médias e altas produtividades estão associados a alguma resistência a determinada praga”, explica Melo. O pesquisador informa que isso vai depender para que região o produtor está querendo plantar. “É sempre interessante alinhar produtividade a materiais que tenham médias e altas fertilidades com resistência a alguma doença que possa ser problema na área que vai plantar essa cultivar”, diz.
Melo comenta que o que o produtor está sempre olhando, no momento de escolher a cultivar, é a produtividade que aquele material oferece. Porém, para que isso ocorra, é imprescindível que o agricultor saiba se aquele material tem indicação para a região em que ele vai plantar. “É importante sempre que o produtor siga isso, os materiais que vão estar presentes no zoneamento agrícola, porque são eles que estão indicados para aquela região”, conta. Além disso, quanto a parte do zoneamento, que deve ser respeitada, Melo afirma que é fundamental, isso porque é através dele que o agricultor consegue angariar a questão de um seguro ou financiamento oficial. “Se o produtor for atrás de algum financiamento oficial para a lavoura, para custear parte dela, ele precisa plantar alguma cultivar que esteja indicada e que esteja contemplada no zoneamento agrícola”, explica.
O pesquisador comenta que outros fatores, como o clima da região, qual a época da semeadura, qual o melhor material para cada época, qual vai responder melhor ao crescimento e desenvolvimento, qual o tipo de solo, que tipo de doenças ocorre naquela região, entre outras, são importantes de serem analisados. “Porque a questão da resistência é muito importante já que é uma tecnologia barata, que está associada dentro da genética, e que o produtor precisa utilizar no caso de ter um problema. Mas, caso ele não tenha problemas, pode optar por um material que vá produzir mais”, diz. Melo comenta que existem várias opções de cultivares no mercado, por isso produtores e assistentes técnicos devem sempre estar atentos à questão de quais materiais são mais indicados para a região em que se encontra a propriedade.
Outro detalhe dito por Melo é que é importante olhar as cultivares, porque uma que funciona muito bem em um município, na cidade vizinha pode não ter o mesmo efeito. “Existem questões mais regionalizadas, mais localizadas para determinado município, determinada gleba da fazenda em que aquele material vai responder melhor”, comenta. O pesquisador acrescenta que o produtor deve estar atento, assim como agrônomo e assistente técnico, para indicar sempre a cultivar que vai garantir maior rendimento, retorno e rentabilidade para o agricultor.
Diversificação de Cultivares
O que também faz a diferença para uma boa produtividade é o produtor, independente da área em que está, plantar mais de uma cultivar. “É interessante. Tem materiais com ciclo mais precoce, outro semi-precoce, ou um material que está indicado plantar mais cedo, na semeadura antecipada, porque com isso o produtor minimiza os riscos com uma questão principalmente associada ao clima, como por exemplo um veranico mais forte em determinada safra. Se ele apostar em um único material, pode acontecer de ter uma perda maior. Mas, tendo mais de um material, com diferentes ciclos e genéticas, em termos de resistência a determinada doença, o produtor vai minimizar os riscos na lavoura”, explica. Melo afirma que a pesquisa recomenda essa diversificação de cultivares. “E não somente diversificação de cultivares, mas também a questão temporal, de plantio mais cedo ou mais tarde, tecnológica e espacial”, comenta.
A importância da rotação de cultivares é ainda destacada pelo pesquisador pela necessidade de manter a tecnologia da cultivar. “Se o produtor usar sucessivamente determinada cultivar, a probabilidade de ela perder a tecnologia é grande. Quanto mais usa determinada tecnologia, safra após safra, ela perde o efeito”, diz. Ele reitera que a tecnologia é muito boa, mas é uma ferramenta que precisa ser atualizada.
O pesquisador orienta que produtores que tenham condição de uma área limpa de plantas invasoras podem, sem problemas, voltar a produzir a soja convencional. “É também um tipo de tecnologia, que tem produtividade”, informa. Melo conta que em vários mercados no Brasil pagam bônus para quem produz este tipo de soja. “Alguns mercados têm pagado um extra, baseado no mercado internacional. Então, se o preço da soja hoje, por exemplo, está R$ 60 na commodity, ele ganha US$ 3 a mais por saca da soja convencional”, diz. Melo fala que esta é outra alternativa de tecnologia que o produtor tem e pode utilizar nessa linha de diversificação de cultivares.
Mais Produtiva ou Mais Resistente?
O pesquisador alerta que não necessariamente uma cultivar que é mais resistente será mais produtiva. Melo informa que se há algum problema na propriedade, é importante sempre escolher pela cultivar com as características de resistência que ele precisa. “É importante o produtor alinhar e saber o que ele tem na área, qual o problema daquela região”, comenta. “É importante o agricultor saber qual o problema que ele tem em relação a doença. Se não tem problema, então sim o produtor pode investir em uma cultivar mais produtiva que tenha adaptação”, completa.
O pesquisador diz que o agricultor pode investir em um material que não precise ter resistência e que vai resultar em uma produtividade alta também, isso, somente, se o local em que está a propriedade não há problemas sanitários ou de solo, por exemplo. “Além disso, é importante o produtor basear essa informação não de uma única safra, mas de outras anteriores. Isso porque pode ser que em uma safra ele vai ir bem, mas na outra muito mal. É preciso buscar o material que seja estável para diferentes safras”, aconselha.
Para saber este tipo de informação, o produtor pode procurar com várias entidades, como a própria Embrapa, ou mesmo a cooperativa da qual faz parte. “Essas informações as empresas têm todos os anos. Se o produtor se basear na informação de um único ano daquele material, pode ser que venha prejuízo”, diz. No momento da escolha, é melhor que o produtor leve em consideração, no mínimo, duas safras para ter uma ideia melhor sobre determinada cultivar, afirma o pesquisador.
Melo reitera que é importante que o produtor busque por informações das cultivares, já que cada uma tem características de funcionamento, melhor época de plantio, manejo, melhor população, entre outras. “É fundamental que ele tenha esse conhecimento, e as empresas detentoras de genética disponibilizam esse tipo de informação. Cada cultivar tem uma informação, uma tecnologia a ser seguida, seja de manejo, indicação ou sistemas. Isso é importante a assistência técnica levar em consideração e passar ao produtor”, comenta.
Com as informações que o produtor leva em consideração no momento de escolher a cultivar, como atender ao zoneamento, com material indicado, ele consegue ir restringindo as opções até encontrar alguma que atenda as necessidades e seja o mais próximo da ideal para a condição que ele tem. “Produtor e assistência técnica devem ter uma visão holística da produção, visando a sustentabilidade da atividade. A agricultura é uma atividade de risco, então, como buscar uma produção sustentável a médio e longo prazo? Essa é a questão da escolha da cultivar”, diz.
Para o pesquisador da Embrapa soja, a escolha da cultivar é primordial para o sucesso da safra, mas não é única, não trabalhando sozinha. “Tem que ter uma visão holística de tudo, do solo, da tecnologia de aplicação, da forma e momento correto de aplicar. É importante que o produtor tenha uma visão de futuro para que a cultivar escolhida tenha sucesso e que ele busque a maior rentabilidade com sustentabilidade”, pontua.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
