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Como controlar a mastite no período seco?

Para otimizar a produção de leite na lactação seguinte, a glândula mamária requer um período seco, cuja duração deve ser de aproximadamente 60 dias

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Artigo escrito por Marcos Veiga, que é professor associado, Qualileite-Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo (USP), campus de Pirassununga (SP)

O período seco é uma fase de mudanças fisiológicas significativas no ciclo produtivo da vaca leiteira, cujo principal objetivo é manter a saúde da glândula mamária, maximizar a produção e a reprodução da vaca leiteira. Para otimizar a produção de leite na lactação seguinte, a glândula mamária requer um período seco, cuja duração deve ser de aproximadamente 60 dias. Em relação à saúde do úbere, neste período existe maior risco de novos casos de mastite logo após a secagem e no período peri-parto. Por outro lado, a secagem é um dos momentos mais vantajosos para o tratamento das mastites subclínicas, que se iniciam durante a lactação. Desta forma, o objetivo da secagem das vacas é reduzir o número de quartos infectados no momento do parto, de forma a otimizar a produção de leite com baixa contagem de células somáticas (CCS) na lactação seguinte.

Após a secagem, o úbere passa por três fases fisiologicamente muito diferentes. Durante as três primeiras semanas após secagem, ocorre a fase de involução ativa, na qual há acúmulo de leite, aumento da pressão intramamária e alto risco de novas infecções. Nesta fase, há aumento da contagem e da atividade das células imunes, cuja função é a absorção dos componentes do leite e das células produtores de leite. Além disso, durante as primeiras semanas após a secagem ocorre a formação de tampão de queratina no canal do teto, o qual funciona como uma barreira física contra entrada de patógenos causadores de mastite. Após três semanas a secagem, o úbere está completamente involuído, sem a presença de secreção e, desta forma, o risco de novas infecções é baixo. A terceira fase inicia cerca de três semanas antes do parto, quando a glândula mamária inicia a produção de colostro, o que envolve aumento da concentração de anticorpos e de componentes do leite. Durante esta fase final, além do aumento da pressão do úbere, a vaca apresenta menor capacidade de resposta imune, o que aumenta a suscetibilidade da vaca a novos casos de mastite, principalmente aquelas causadas por agentes ambientais.

A taxa de novos casos de mastite é maior durante o período seco que durante a lactação. Infecções adquiridas durante o período seco são normalmente causadas por agentes ambientais, e algumas destas infecções persistem durante a lactação seguinte. O risco de ocorrência de mastite durante a secagem depende dos mecanismos de defesa da vaca leiteira e do desafio causado pela contaminação por microrganismos ambientais e contagiosos. A ocorrência de casos de mastite durante o período seco causa prejuízos em razão da menor produção e qualidade do leite na lactação seguinte e pelo aumento da mastite clínica pós-parto. Na ausência de um programa de prevenção de mastite e medidas eficazes de controle durante o período seco, ocorre aumento da incidência de mastite no período pós-parto. O controle dos agentes causadores de mastite ambiental é um desafio constante para a glândula mamária durante todo o período seco. Isto ocorre principalmente em rebanhos com condições de ambiente inadequado, como altas temperaturas e umidade, acúmulo de lama, barro e esterco, falta de sombra e de conforto para os animais secos.

Método de secagem de vacas leiteiras

O nível de produção de leite no momento da secagem é um fator de fundamental importância para o sucesso da secagem, pois quanto maior a produção de leite maior o aumento da pressão intramamária e do risco de vazamento de leite no período após a secagem, o que consequentemente aumenta o risco de novos casos de mastite. Para cada 5 kg de aumento de produção de leite acima de 12,5 kg/dia (no momento da secagem), o risco de novos casos de mastite ambiental aumenta em 77%.

Atualmente, os dois principais métodos de secagem utilizados em fazendas leiteiras são a secagem abrupta e a intermitente. Na secagem abrupta, as ordenhas são interrompidas no dia da aplicação do antibiótico para vacas secas, cerca de 50 a 60 dias antes da data prevista do parto, independentemente da produção da vaca. Após a última ordenha, as vacas devem ficar sob observação durante 1-2 semanas para identificar a ocorrência de novos casos de mastite clínica, quando ocorre aumento de volume em apenas um dos quartos mamários.

No método de secagem intermitente ocorre redução da frequência de ordenhas na última semana de lactação, até a completa secagem da vaca. Ordenhas intermitentes são usadas para reduzir a produção de leite antes da secagem de vacas com altas produções, o que pode facilitar a involução da glândula mamária, reduzir o risco de novas infecções (menor pressão intramamária após a secagem) e aumentar os fatores de defesa naturais contidos no leite.

O método mais simples para secagem das vacas e um dos mais utilizados é a secagem abrupta. Em vacas de alta produção, este método pode causar aumento da pressão na glândula mamária e canal do teto, o que leva ao gotejamento de leite e permanência do canal dos tetos abertos por períodos prolongados. Sendo assim, uma alternativa de manejo nutricional é a retirada do concentrado das vacas, cerca de uma semana antes da secagem. Esta medida de manejo auxilia na redução da produção de leite e permite a secagem abrupta. Pela simplicidade e pelos bons resultados obtidos, quando associados ao tratamento de vaca seca, a secagem abrupta é uma das principais práticas de manejo em rebanhos nos países desenvolvidos.

Terapia completa da vaca seca

O uso do tratamento da vaca seca no final da lactação é uma das medidas mais importantes e recomendadas para prevenção de novas novos casos de mastite durante o período seco. Este procedimento consiste da infusão intramamária de antibiótico de longa ação específico com indicação específica na bula para este fim, em cada quarto do úbere após a última ordenha. Além da função de prevenção de novos casos de mastite durante a fase inicial do período seco, a terapia da vaca seca é um componente indispensável para a eliminação de infecções subclínicas existentes na secagem. A terapia da vaca seca elimina em média 80% das mastites subclínicas existentes e previne até 80% das novas infecções intramamárias durante o período seco.

Os benefícios diretos do tratamento de vacas secas são a maior da taxa de cura em relação aos tratamentos durante a lactação, assim como o menor custo, pois não há a necessidade de descarte do leite com resíduos de antibióticos. Além disso, ocorre redução do risco de resíduos no leite após o parto, desde que seja observado o período mínimo de duração do período seco, com duração média de 60 dias. Entre as outras vantagens do tratamento da vaca seca, destacam-se a possibilidade de usar maiores concentrações de antibióticos, redução de novas infecções no período, possibilidade do tecido danificado poder se regenerar antes do parto e diminuição da mastite clínica nas primeiras semanas após o parto.

Atualmente, recomenda-se a terapia completa da vaca seca, na qual o uso do selante de tetos deve ser feito em conjunto com o tratamento de vaca seca. A formação do tampão de queratina faz parte do processo natural de involução da glândula mamária após a secagem e tem função de proteção contra a invasão bacteriana. No entanto, em quase metade dos tetos ocorre falha na formação de tampão de queratina após a secagem, o que aumenta o risco de ocorrência de mastite durante esta fase. Para reduzir os riscos de novas infecções nas vacas nas quais não há formação do tampão de queratina nos tetos, foi desenvolvido o selante de tetos. O selante interno deve ser aplicado no teto logo após o tratamento de vaca seca com o objetivo de formar uma barreira física na extremidade dos tetos, que impede a entrada de bactérias causadoras de mastite. O selante de tetos é um produto inerte a base de subnitrato de bismuto e não tem ação antimicrobiana.

Devido à boa capacidade de fixação, o selante de tetos permanece na cisterna do teto até o final de período seco. A retirada do selante após o parto pode ser facilmente realizada manualmente, mas caso ocorra ingestão do colostro pelo bezerro, o selante é inerte no trato gastrointestinal e não traz risco para a saúde. Em termos gerais, o uso do selante interno em quartos sadios apresenta efeito preventivo similar ao do tratamento de vaca seca (aproximadamente 80%).

O uso associado do tratamento de vaca seca juntamente com o selante permite obter os benefícios da cura das infecções subclínicas existentes no momento da secagem com a prevenção de novos casos de mastite durante o período seco. Desta forma, o uso do selante de tetos deve ser feito em associação com a terapia de vaca seca visando obter alta proteção contra novas infecções durante o período seco e eliminar as existentes no momento da secagem.

O período seco é uma necessidade fisiológica para a vaca leiteira e apresenta relação direta com a saúde da glândula mamária e a produção de leite na lactação seguinte. O uso do tratamento de vacas seca e do selante de tetos, em conjunto com um ambiente limpo e confortável, são ferramentas indispensáveis no controle da mastite durante o período seco. 

Mais informações você encontra na edição de agosto/setembro de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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