Notícias Lean no agronegócio
Como aumentar produtividade e reduzir custos sem fazer grandes investimentos?
Aplicação de metodologias como lean manufacturing são fundamentais para otimizar processos e reduzir custos

Considerado a principal locomotiva da balança comercial brasileira, o agronegócio é o centro das atenções da nossa economia. O setor é responsável sozinho por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega mais de 19 milhões de pessoas no país, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Os números reforçam o seu protagonismo. No entanto, a pressão por maior eficiência e produtividade, sem grandes investimentos, exige dos agricultores a adoção de práticas modernas de gestão, altamente consolidadas e executadas mundialmente, para otimizar recursos e evitar desperdícios.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), todos os anos, cerca de 17% dos alimentos produzidos são perdidos entre a colheita e a mesa do consumidor. Ainda que o mundo produza alimentos suficientes para abastecer sua população, quase 830 milhões de pessoas ainda passam fome todos os dias. A falta de correspondência entre a oferta e a procura tem múltiplas causas, a ineficiência das nossas cadeias de abastecimento agroalimentar é uma delas.
Como alternativa ao cenário descrito acima, o agronegócio deve se apoiar na metodologia Lean. Com origem na Indústria automobilística, o conceito Lean Thinking (pensamento enxuto) foi criado com objetivo de reduzir os desperdícios, melhorar os fluxos dos processos e aumentar os volumes de produção. Para essa filosofia de gestão, mais do que implementar sistemas e novas tecnologias, é preciso mudar a forma de pensar o seu negócio, e isso pode ser ainda mais essencial no agronegócio.
Mas, afinal, como implementar uma cultura antidesperdício no agronegócio, um dos setores mais tradicionais do mundo? E como ser realmente eficiente para identificar gargalos e melhorias de processos no campo? Eu listo abaixo três dicas que podem ajudar os empresários a responderem essas questões, além de impulsionar os seus negócios.
Mapear o fluxo de valor
Os princípios do Lean são de extremo valor no campo. Especialmente para os segmentos do agronegócio que trabalham com produtos perecíveis e dependem de forte estrutura logística ou tecnológica. Neste contexto, mapear o fluxo de valor se torna fundamental para priorizar a economia de recursos. Essa atividade também permite que gestores e colaboradores identifiquem todas as ações que agregam valor ao negócio e as que não agregam.
A metodologia Lean permite ter maior visibilidade de todo processo, apresentando em um único mapa o tempo de cada atividade, quantidade de mão de obra empregada, mapeamento de equipamentos parados por falhas, transporte de matéria-prima e do produto final, entre outras atividades.
Estimule a melhoria contínua
O agronegócio necessita de insumos de alto valor no mercado, como sementes, fertilizantes e combustíveis como o diesel. Portanto, a necessidade de trabalhar com estruturas de produção e logística que funcionem sem falhas e perdas é extrema. Estabelecer processos que visam a melhoria contínua permite não só se antecipar às possíveis falhas, mas, e principalmente, evitar o desperdício de insumos, um dos maiores pontos críticos para o agronegócio.
Aplicado à agricultura, o princípio Lean de melhoria contínua tem muito para contribuir para as atividades no campo, e pode se tornar uma importante aliada para potencializar resultados e aproveitar melhor os recursos.
Investir no capital humano
Para a maioria das organizações, de qualquer segmento, implementar um pequeno ajuste é, na maioria das vezes, mais útil do que fazer mudanças em larga escala. Por isso, a adoção de processos enxutos nas empresas pode ajudar no engajamento dos funcionários e incentivá-los a compartilhar suas ideias. Isso significa que a mudança começa a acontecer no nível operacional com o patrocínio da liderança e pode chegar até as áreas de negócios. Essa lógica faz todo sentido no agronegócio, que possui uma quantidade grande de trabalhadores com vasto conhecimento sobre todos os processos.
Mas não existem fórmulas prontas e soluções de prateleira que funcionem sem investimento no capital humano. Profissionais capacitados, motivados e aptos a exercerem suas funções com perfeição, dispondo de todos os recursos necessários, certamente serão decisivos para que os negócios do campo alcancem os melhores resultados.
Como vimos, a metodologia Lean é a chave para o crescimento dos negócios no campo com base em uma gestão eficiente e moderna. Buscar a excelência operacional no agronegócio é a melhor maneira de garantirmos um futuro mais rentável para as empresas e saudável para toda a população.

Notícias
Copercampos supera R$ 9,6 milhões em economia com Mercado Livre de Energia
Estratégia iniciada em 2018 já envolve 13 unidades da cooperativa e reduz custos com eletricidade em mais de 25% em comparação ao mercado cativo.

A decisão estratégica da Copercampos de migrar parte de suas unidades para o Mercado Livre de Energia segue gerando resultados expressivos e consolida a cooperativa como referência em gestão eficiente de custos e visão de longo prazo. Iniciado em 2018, o projeto começou com a migração de cinco unidades e, ao longo dos anos, foi sendo ampliado de forma planejada, acompanhando a evolução do consumo energético e as oportunidades do setor elétrico brasileiro.
Somente em 2025, as unidades da Copercampos inseridas no mercado livre registraram uma economia de R$ 1.866.154,16, o que representa uma redução média de 25,55% nos custos com energia elétrica em comparação ao mercado cativo, sem considerar o ICMS. No período, o consumo total dessas unidades somou 11.168,040 MWh, evidenciando a relevância do impacto financeiro da estratégia adotada.
Além do ganho econômico, toda a energia adquirida pela cooperativa no Mercado Livre é proveniente de fontes 100% renováveis, o que reforça o compromisso da Copercampos com práticas sustentáveis e responsáveis. “A utilização de energia limpa contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental”, destaca o Gerente Operacional Ricardo Saurin.
Desde o início do projeto, a cooperativa avançou de forma consistente. Em 2018, cinco unidades passaram a operar no mercado livre. Em 2024, outras três migraram, seguidas por mais cinco unidades em 2025. Atualmente, o grupo conta com 13 unidades no ambiente de contratação livre, e o planejamento segue ativo, com mais cinco unidades em processo de migração em 2026, reforçando o compromisso contínuo com a eficiência energética e a competitividade.
No acumulado desde 2018, a economia total alcançada pela Copercampos com o mercado livre de energia é superior a R$ 9,6 milhões. O maior destaque está na Indústria de Rações, unidade que apresenta o maior consumo energético do grupo. Migrada ainda em 2018, essa unidade já acumula, até o momento, uma economia de R$ 5,3 milhões, demonstrando como o modelo é especialmente vantajoso para operações industriais de grande porte e consumo intensivo.
“Além da redução direta de custos, a atuação no mercado livre proporciona ganhos estratégicos, como previsibilidade orçamentária, análises de impacto de reajustes tarifários, otimização de demanda e avaliação contínua do perfil de consumo. Para 2026, estamos realizando a contratação de três novos contratos de fornecimento, ampliando a gestão ativa da energia e fortalecendo a segurança no abastecimento”, ressalta Ricardo Saurin.
O gerente da área ressalta ainda que a experiência da Copercampos no Mercado Livre de Energia demonstra que a eficiência energética vai além da economia financeira. “Trata-se de uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade, sustentar investimentos e contribuir para um modelo de gestão cada vez mais moderno, sustentável e alinhado às boas práticas ambientais”, complementa.
Colunistas
Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar
Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.
O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.
Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.
Notícias
Conflito no Oriente Médio pressiona custos e fertilizantes do agro brasileiro, aponta estudo
Interrupção de rotas logísticas e alta nos preços do petróleo e fertilizantes pode encarecer produção de grãos, rações e carne, enquanto safra recorde mantém perspectiva positiva.

A escalada do conflito no Oriente Médio após a intervenção dos Estados Unidos no Irã pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro, com pressão sobre custos logísticos, fertilizantes e cadeias de produção de alimentos. A avaliação integra o relatório econômico Cenário do Agronegócio, apresentado pela Bateleur durante a Expodireto Cotrijal, que está sendo realizada até esta sexta-feira (13) em Não-Me-Toque (RS).
Ainda de acordo com o estudo, o impacto do conflito sobre a inflação global influencia o nível das taxas de juros, o que, no Brasil, associado à pressão inflacionária decorrente do repasse das cadeias globais e da desvalorização do câmbio, pode dificultar o ciclo de cortes na Selic e diminuir a perspectiva de redução dos juros do Plano Safra, encarecendo o crédito e prejudicando a capacidade de investimento.

Fotos: Claudio Neves
Outro fator de preocupação é a interrupção parcial do fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A restrição elevou os preços da commodity e ampliou os custos logísticos em escala global. “O fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”, destaca o relatório. O impacto sobre as cadeias de suprimento que passam pelo Oriente Médio, somado à necessidade de alterar rotas marítimas e ao encarecimento do frete, tende a gerar efeitos indiretos sobre diversas commodities.
Fertilizantes e cadeia produtiva
O Oriente Médio também tem papel relevante no fornecimento global de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola. Eventuais restrições na oferta podem elevar custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, com efeitos que começam na produção de grãos e se estendem à pecuária, por meio do aumento no preço das rações. “No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados são importados, e aproximadamente um terço da ureia vem do Oriente Médio. Esse cenário torna o setor particularmente sensível a choques de oferta e de preços”, aponta o estudo.
O aumento dos custos de energia também pode afetar polos industriais estratégicos, como a China, principal compradora de commodities brasileiras, pressionando a inflação global e influenciando decisões de política monetária. No Brasil, esse contexto pode impactar investimentos.
Exportações

No que tange às exportações, o Brasil vende para o Oriente Médio principalmente carne de frango, carne bovina, milho e açúcar. Eventuais bloqueios logísticos na região podem afetar temporariamente essa demanda, exigindo o redirecionamento das exportações para outros mercados.
Por outro lado, o relatório aponta que o cenário internacional também pode abrir oportunidades. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do agronegócio brasileiro a novos mercados nos próximos anos, ainda que a indústria nacional enfrente maior concorrência.
Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira permanecem positivas. A safra nacional 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas de grãos, um novo recorde.



