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Como as emissões de carbono podem ser financiadas na carteira agropecuária
Com papel fundamental na transição para uma economia de baixo carbono, instituições financeiras enfrentam desafios em busca de soluções para financiamentos do agronegócio.

As emissões de carbono financiadas referem-se aos gases de efeito estufa (GEE) liberados por atividades que recebem apoio financeiro de bancos e outras instituições, como empréstimos, investimentos e financiamentos. Essas emissões, apesar de serem geradas por terceiros — no caso, os clientes do setor financeiro —, são indiretamente atribuídas às instituições financeiras que fornecem recursos para a realização dessas atividades. Segundo a pesquisa desenvolvida pela WayCarbon em parceria com o Banco Santander, no contexto da agropecuária, setor responsável por aproximadamente 24% das emissões totais de GEE no Brasil, as emissões financiadas têm um papel fundamental.

Foto: Daniela Collares
A engenheira ambiental Clarissa de Souza explica que a agropecuária brasileira é reconhecida como uma das principais responsáveis pela emissão de carbono no país, com o desmatamento vinculado à expansão das fronteiras agrícolas sendo uma das suas maiores fontes de emissões. “Estima-se que quase a metade das emissões totais de GEE no Brasil em 2021, sejam provenientes do desmatamento, enquanto o manejo agropecuário e as mudanças no uso da terra compõem uma parcela significativa das emissões indiretas financiadas por instituições financeiras. Nesse cenário, bancos que financiam o setor agrícola acabam participando, indiretamente, dessas emissões, o que traz um desafio adicional para suas metas de sustentabilidade”, afirma.
Por que mensurar as emissões financiadas na carteira agropecuária?
As instituições financeiras têm um papel fundamental na transição para uma economia de baixo carbono, uma vez que elas são responsáveis por grande parte dos recursos que impulsionam atividades econômicas em diferentes setores. “No caso da agropecuária, os financiamentos bancários permitem a expansão e modernização de atividades produtivas, mas também trazem a responsabilidade de monitorar os impactos ambientais dessas operações”, explica Clarissa.

Foto: Lilian Alves
Para mensurar as emissões financiadas na carteira agropecuária, bancos e instituições financeiras precisam adotar metodologias robustas, que permitam a quantificação das emissões ao longo da cadeia produtiva. “Essas emissões podem incluir desde o uso de insumos agrícolas, manejo do solo, até o desmatamento e a conversão de florestas para pastagens. As metodologias de mensuração de emissões financiadas ainda estão em desenvolvimento, e sua complexidade aumenta devido à diversidade de práticas agropecuárias e à variação geográfica das operações financiadas”, afirma a engenheira.
Metodologias de mensuração e monitoramento
Clarissa explica que um dos principais desafios para bancos que buscam neutralizar suas emissões financiadas é a complexidade da cadeia de valor do agronegócio. “Dependendo do tipo de commodity agrícola, das práticas de manejo adotadas e da localização geográfica, as emissões podem variar significativamente. Portanto, o desenvolvimento de metodologias personalizadas para mensurar as emissões de carbono se torna essencial”, comenta.
Nesse contexto, diversas iniciativas globais, como o Partnership for Carbon Accounting Financials (PCAF) e o GHG Protocol Land Sector and Removals Guidance, têm oferecido frameworks para que bancos possam medir e reportar as emissões indiretas relacionadas às suas carteiras de crédito. “Essas metodologias permitem que as instituições financeiras identifiquem as atividades mais emissoras e, com isso, direcionem recursos para práticas mais sustentáveis, como o uso de tecnologias de baixa emissão e o financiamento de cadeias produtivas regenerativas”, afirma a engenheira.
Papel das instituições financeiras na transição climática
Clarissa explica que o financiamento sustentável é uma das principais alavancas para promover práticas agropecuárias mais limpas. “As instituições financeiras, ao incorporar o monitoramento de suas emissões financiadas, podem utilizar essa informação para direcionar capital de forma mais estratégica. Por exemplo, bancos podem criar linhas de crédito com taxas reduzidas para produtores que adotem práticas de agricultura regenerativa, ou que invistam em tecnologias que reduzem o impacto ambiental, como o plantio direto, sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta, ou o uso eficiente de fertilizantes”, reforça.
Além disso, a pressão regulatória e de investidores tem crescido, incentivando bancos a integrar as questões climáticas em suas estratégias de negócios. “A mensuração das emissões financiadas também facilita a criação de metas climáticas mais concretas para as instituições, como a neutralidade de carbono ou a redução de emissões líquidas até 2050, em consonância com os objetivos do Acordo de Paris”, afirma a engenheira.
Perspectivas para o futuro
Clarissa reforça que à medida que mais bancos adotam a mensuração das emissões de carbono financiadas, o setor financeiro se coloca como um agente-chave para a mitigação dos impactos climáticos globais. “No Brasil, com a relevância do agronegócio na economia, é essencial que as instituições financeiras integrem a sustentabilidade em suas práticas de concessão de crédito, especialmente em um setor tão emissor como o agropecuário. A adoção de práticas sustentáveis, tanto por produtores quanto por bancos, tem o potencial de transformar o setor, promovendo não só a proteção ambiental, mas também uma economia de baixo carbono capaz de competir nos mercados internacionais e de garantir a segurança alimentar e climática nas próximas décadas”, ressalta.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



