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Como aproveitar o inverno para produzir pré-secado e silagem de trigo

Mixes de cultivares de trigo aproveitam a planta inteira na produção de alimento conservado com alto valor nutricional

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Divulgação/Rafael Czamanski/Biotrigo

Todo ano o mercado agropecuário coloca à disposição novas tecnologias para ampliar a produtividade, segurança e a eficiência nas propriedades. Na safra 2020 produtores rurais têm à disposição uma importante inovação tecnológica para produção de silagem e pré-secado com o aproveitamento da cultura do trigo. A novidade é um mixes de cultivares de trigo para silagem e pré-secado que tem em comum algumas particularidades: a ausência de aristas – por isso tem alta palatabilidade, elevada digestibilidade e qualidade nutricional – é fonte rica de proteína e de energia, além de fornecer fibra efetiva.

O mix faz parte do projeto de uma empresa de genética de trigos exclusivos para alimentação animal, criado com objetivo de atender a uma demanda comum entre os pecuaristas: a escassez de alimentação durante períodos de baixa oferta, perdas de produtividade ou seca. Segundo o gerente de nutrição animal da empresa, Tiago de Pauli, dentre as estações do ano, o verão é o período em que se faz o maior volume de alimento conservado, especialmente a silagem de milho, mas na maioria das vezes a sua produção não garante a alimentação no restante do ano e é especialmente no outono, onde ocorre a troca das pastagens de verão e entram as de inverno, que as preocupações aumentam porque essa troca se estende por até 3 meses e logo após com o frio intenso, a umidade e as geadas prejudicam o desenvolvimento das pastagens e a produção de alimentos conservados. “O trigo, além de manter o solo produzindo na entressafra das culturas principais, pode substituir parcial ou totalmente o milho na formulação de dietas balanceadas, com a vantagem de fornecer maior concentração de proteína e ainda aumentar o retorno financeiro”, explica.

A razão que motivou a pesquisa para desenvolver uma planta exclusiva para alimentação animal e diferente dos demais trigos de duplo propósito foi facilitar o consumo por parte dos animais. Através das técnicas de melhoramento genético, foram selecionadas linhagens sem aristas que dificultavam o consumo e até provocavam lesões no trato digestivo por serem resistentes e pontiagudas. Outro problema da arista é o seu alto teor de compostos fenólicos (lignina) que o ruminante não consegue digerir. “Ao se alimentar com as os mixes, o trato digestivo do animal não será ferido, como normalmente seria com um trigo comum”, ressalta Tiago.

Em relação às características agronômicas, Tiago explica que as cultivares possuem ciclo precoce (em torno de 90 a 100 dias para ensilar), podendo liberar a área mais cedo para a próxima cultura (milho, soja, feijão), pois o período de semeadura ideal é idêntico ao zoneamento dos trigos comuns. O pré-secado é produzido entre 65 e 75 dias e a silagem entre 90 a 100 dias pós emergência no período do inverno. Luiz comenta ainda que os materiais possuem um bom pacote fitossanitário e manejo fácil. “As cultivares possuem bons níveis de tolerância às principais doenças, ótima sanidade foliar e boa resistência ao acamamento”, complementa.

Alto valor nutritivo

O zootecnista e supervisor de nutrição animal da empresa, Ederson Luiz Henz, explica que os mixes de cultivares de trigo utilizam a planta inteira na produção de silagem e pré-secado, sendo indicados na alimentação de ovinos, gado de corte, confinados, novilhas, vacas em pré e pós-parto e vacas em lactação. “Quando avaliamos o valor nutricional ou qualidade para silagem, (se mantém) a produção e ainda incrementam em proteína e energia, com produção de 25 a 30 T/ha de MV (Massa Verde) de biomassa, engordando os animais em menos tempo. Também obtivemos índices satisfatórios para um bom funcionamento fisiológico do rúmen, bem como para síntese proteica de tecidos e produtos metabolizados, contribuindo em ótima fonte de energia (silagem) para os ruminantes, oriunda de carboidratos estruturais (celulose, hemicelulose e pectina) e não estruturais (os açúcares e polissacarídeos amiláceos) contidos na cultura”.

Vantagens

  • Ausência de aristas
  • Alta palatabilidade
  • Excelente sanidade foliar
  • Elevada produção
  • Ameniza a sazonalidade da produção de alimento para os animais
  • Tolerância às principais doenças

Benefícios

  • Aumenta a qualidade nutricional da silagem
  • Assegura rendimento de biomassa
  • Corte mais rápido devido ao ciclo curto
  • Equilibra a qualidade nutricional
  • Manejo fitossanitário facilitado

Recomendações

Pré-secado

Excelente opção para vacas de alta produtividade e gado de corte, contribuindo como importantes fontes de proteína e energia, associado a alta digestibilidade, convertendo em leite e/ou carne.

O ponto de corte para pré-secado é no final do emborrachamento (60 a 70* dias após a semeadura) onde a planta encontra-se no “ponto de equilíbrio” entre produção de matéria seca e qualidade nutricional. * Os dias podem variar dependendo do ano e da região.

Silagem

Excelente opção de forrageira para gado de corte, novilhas e vacas em pré-parto, podendo ser substituído em até 100% do volumoso da dieta. Para vacas de alta produção substitui até 60% do volumoso da dieta.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

Cenário exigirá agricultura e agricultores de alta performance

Especialistas convidados para evento digital falam sobre riscos e oportunidades para o agronegócio no cenário atual de pandemia

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O professor e consultor Carlos Cogo abriu o primeiro dia da Feira Digital Jacto Com Você, que aconteceu entre os dias 6 e 7 de maio, com uma palestra apresentando os riscos e oportunidades para o agronegócio no cenário atual de pandemia.

Cogo fez uma análise geral do contexto mundial e as consequências da forte queda dos preços do petróleo, das bolsas globais sofrendo fortes baixas, do dólar em patamares recordes no Brasil, da expectativa de queda do PIB global e quais os impactos desses fatores no país.

Também apresentou dados comparativos da evolução dos preços no mercado externo da soja, milho, arroz, trigo, feijão, algodão, café e açúcar, nos primeiros meses de 2020 e as variações que foram percebidas nos últimos 12 meses.

Entre os setores apontados pelo professor e consultor como os que estão passando por maior adversidade estão o açúcar, etanol, algodão, leite, lácteos, frutas, legumes, verduras e floricultura.

“Esses produtos sofrem com o isolamento social porque atuam com a merenda escolar, diminuição dos movimentos em bares e restaurantes e pessoas estão saindo menos de casa para consumir”, explica.

O mercado de grãos, por outro lado, está com safra recorde e se beneficia do isolamento social mundial, uma vez que o Brasil manteve o trabalho no campo normalizado e será capaz de atender tanto o mercado interno, quanto externo. “Toda logística de escoamento no país foi garantida e os produtores rurais não estão tendo dificuldades em adquirir insumos e depois vender os produtos”.

A mensagem geral da palestra foi de otimismo. De acordo com Cogo, os setores que passam por mais dificuldade agora terão forte recuperação em breve. O mercado de máquinas agrícolas estará aquecido no segundo semestre, já que os produtores estão com alta rentabilidade na venda das commodities e estarão com poder de compra, podendo incentivar a aquisição de novas tecnologias.

“Enquanto vários países e blocos têm tido problemas com distribuição e exportação de alimentos, o Brasil tem exportado em níveis recordes. Nosso país se firma como um país confiável no abastecimento global de alimentos e deveremos sair fortalecidos dessa crise mundial”, finaliza o especialista.

“Assim como praticamente todos os países do mundo, o Brasil deve fechar o ano com queda no PIB entre 5 e 8%. Entretanto, estamos com expectativa de crescer o setor do agronegócio brasileiro em 7% melhor do que 2019. O agro é o motor que vai tirar o país da crise e todos nós que fazemos parte desta cadeia temos a obrigação moral de fazermos o melhor a cada dia. Já superamos muitas outras crises ao longo dos anos e vamos sair fortalecidos de mais essa”, comentou Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente da Jacto, que participou da abertura do evento.

Papel da agricultura de alta performance

No segundo dia da Feira Digital, José Luiz Tejon iniciou os trabalhos do dia falando sobre “O papel da agricultura de alta performance em um cenário disruptivo: mudanças, necessidades e oportunidades”.

Tejon comentou sobre o aspecto humano das relações e importância disso em momentos de crise e de superação, como se mostra o atual cenário, fazendo uma analogia entre a agricultura uma Olimpíada, que exige atletas de alto desempenho, sempre em busca de recordes de superação.

“O agricultor é sem dúvida um atleta. Precisa superar marcas, índices, lidar com adversidades, se superar. Hoje estamos numa crise mundial de enfermidade. E mais do que nunca há uma exigência de todos orientados para uma postura de alto desempenho. Com a agricultura não é diferente”, avaliou.

Tejon ponderou também sobre a atitude em tempos de crise, refletindo que estes momentos, em última instância, servem para revelar o caráter das pessoas, empresas, países e líderes.

“Durante o dia de ontem vimos aqui as lideranças da Jacto falarem exatamente de mudanças, de desafios, de crise e das dificuldades. Mas vimos também um trabalho orientado diante de um cenário de dificuldade, mas com ações realistas, como o evento digital como forma de superar o momento em que não pode haver uma feira presencial e o próprio lançamento do aplicativo Connect, que vai estar 24 horas por dia ao lado do produtor”, comentou.

O aplicativo mencionado na fala do especialista é um ecossistema digital que tem por objetivo deixar simples o acesso dos clientes a todos os serviços da empresa, sendo um ponto de contato único.

“Através do aplicativo, nossos clientes poderão, por exemplo, solicitar assistência técnica, tirar dúvidas, acessar informações dos nossos produtos, acompanhar informações de telemetria, acessar treinamentos, entre outras possibilidades”, antecipa Guilherme Panes, gerente de desenvolvimento de negócios.

“Com esta plataforma vamos transformar a experiência dos nossos clientes, facilitando a navegação entre os softwares que já estão disponibilizados. Vamos melhorar o fluxo do atendimento, facilitar a comunicação com os usuários e o acesso deles aos nossos serviços. O cliente compra mais do que uma máquina. Ele compra todo um ecossistema de serviços e soluções digitais que melhoram a sua experiência de uso do equipamento”, reforça Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente da Jacto.

Para as máquinas que já contam com o sistema Otmis de agricultura de precisão, o Jacto Connect será capaz disponibilizar informações de telemetria, permitindo que a Jacto faça abertura de chamados quando houver alertas em sua máquina.

Tejon ponderou também sobre a atitude em tempos de crise, refletindo que estes momentos, em última instância, servem para revelar o caráter das pessoas, empresas, países e líderes.

“Numa crise, uma das coisas importante é não ter falsa expectativa. Outra coisa é definir quem vai estar ao nosso lado nesse caminho. Isso vai definir o futuro com maior e melhor probabilidade. Não podemos errar. Hoje as tecnologias digitais da agricultura corrigem o trabalho quando o desvio ocorre e é o que vai levar o nosso produtor a conquistar a condição de alta performance que falamos. Tudo exige um elo, uma estrutura que o cerca também de alta performance. O produtor pós Covid-19 será um profissional de alta performance e precisa de parceiros à sua altura”, completou, afirmando que a agricultura nesse cenário pós-pandemia tem um papel fundamental na saúde: produzir alimentos melhores e de forma sustentável.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Mapa

Estudo prevê crescimento de 27% na produção de grãos do país na próxima década

Segundo estudo do Mapa, o volume de produção de grãos chegará a 318 milhões de toneladas em 2029/2030

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Divulgação/AENPr

Em 28 de julho de 1860, o Imperador D. Pedro II assinou o decreto Nº 1.067, criando a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, hoje denominado Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que  completa nesta terça-feira (28) 160 anos.

Ao longo do Império, a Secretaria procurou regular as questões relativas à agricultura através de diversas medidas de fomento e modernização da produção. A lavoura no período monárquico dividiu-se em duas produções: açucareira no Nordeste e a cafeeira no Centro-Sul. Além disso, havia áreas menores dedicadas ao cultivo de outros produtos, como o algodão no Nordeste, que constituía a base da economia maranhense, o fumo na região de Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e em alguns municípios de Alagoas e Sergipe e também a cultura do cacau no sul da Bahia e em algumas áreas do Pará.

Hoje, a agricultura se expandiu, se modernizou e o Brasil se tornou uma potência agroambiental. O agronegócio é responsável por 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e 20% dos empregos no país. O Brasil exporta para mais de 200 países e 1,5 bilhão de pessoas têm algum alimento no seu prato que vem da nossa agropecuária.

O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e o principal produtor e exportador de produtos importantes como, açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes. Tudo isso aliado a práticas de sustentabilidade e preservação ambiental, seguindo a exigência mundial para que a demanda por alimentos seja atendida com impacto ambiental mínimo e baixo custo.

Neste dia em que o Mapa completa 160 anos, queremos celebrar  não apenas o passado e o presente, mas também projetar o futuro. Na próxima década, a produção de grãos do Brasil deverá aumentar 27%; a de carne bovina, 16%; a de carne suína, 27%, e a de carne de frango crescerá 28%. Os dados constam das Projeções do Agronegócio, Brasil 2019/20 a 2029/30, atualizado anualmente com base nas informações que abrangem o período de 1994 até maio deste ano. O estudo é realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pelo Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB).

O relatório aponta que a agropecuária brasileira tem um cenário promissor para os próximos dez anos, apesar da ocorrência da pandemia do Covid-19, que afetou a trajetória da economia nacional ao longo deste ano e atingiu algumas atividades agropecuárias, como as das hortaliças, frutas e leite. “A pandemia, entretanto, não afetou a safra de grãos e a produção e distribuição de carnes bovina, suína e de aves”, ressalta José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Política da Informação do ministério e um dos coordenadores das projeções.

Na projeção para a próxima década, o Brasil vai saltar dos atuais 250,9 milhões de toneladas em 2019/20  (de acordo com levantamento da Conab de maio/2020) para 318,3 milhões de toneladas, incremento de 27% à produção nacional. Algodão, milho de segunda safra e soja devem continuar puxando o crescimento da produção de grãos.

A área plantada de grãos deve expandir de 65,5 milhões de hectares para 76,4 milhões de hectares em 2029/30, alta de 16,7%. Levando-se em consideração a área total plantada com as lavouras, incluindo grãos, cana de açúcar, cacau, café, laranja, frutas e mandioca, o país deve passar de 77,7 milhões de hectares (2019/20) para 88,2 milhões (2029/30), alta de 13,5%. A necessidade adicional de áreas pode ser atendida através da substituição de culturas, redução de pastagens e sistema de plantio direto.

Algumas lavouras, como mandioca, café, arroz, laranja e feijão devem perder área, mas a redução será compensada por ganhos de produtividade. As projeções também indicam tendência de redução de área de pastagem nos próximos anos.

O estudo aponta que o desenvolvimento da produção agrícola no Brasil deve continuar ocorrendo com base na produtividade. É projetado um crescimento da Produtividade Total dos Fatores (PTF) de 2,93% ao ano, até 2030. Este valor é resultado da análise das tendências na redução de mão de obra ocupada, redução da área plantada devido aos ganhos de produtividade da terra e aumento do uso de capital.

“A área plantada de grãos vai aumentar 16,7% e a produção deve aumentar 27%. Isso significa que o crescimento vai se dar pelos ganhos de produtividade. Mesmo nas áreas de fronteira, a produtividade vai puxar o crescimento, não a área. Mesmo quando usamos um indicador mais completo para a produtividade, a taxa prevista é elevada”, comenta Gasques.

A expansão da agropecuária exigirá investimentos em infraestrutura, pesquisa e financiamento, assinala o estudo. De acordo com Gasques, a pesquisa tem por objetivo indicar direções de crescimento da agropecuária e fornecer informações aos formuladores de políticas públicas para as tendências dos produtos do agronegócio.

Carnes 

A produção brasileira de carnes (bovina, suína e aves), entre 2019/20 e 2029/30, deverá aumentar em 6,7 milhões de toneladas. O volume total das carnes passará dos atuais 28,2 milhões de toneladas para quase 34,9 milhões de toneladas, o que significa um acréscimo de 23,8% na produção de proteína no Brasil, com destaques para as carnes suína e de frango.

A tendência da pesquisa aponta um salto de 14,1 milhões de toneladas para 18,1 milhões de toneladas de frango para a próxima década. Já a carne suína, de 4,1 milhões de toneladas para 5,2 milhões de toneladas, em 10 anos. A previsão da carne bovina é de sair de 9,8 milhões de toneladas para 11,4 milhões de toneladas.

Projeções regionais 

O trabalho apresenta também projeções regionais para o setor rural. Mato Grosso deve continuar liderando a expansão da produção de milho e soja no país.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o estudo indica que os maiores aumentos de produção e de área da cana-de-açúcar devem ocorrer nos estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais. “Mas São Paulo, como maior produtor nacional, também, projeta expansão elevada de produção e de área desse produto”, afirma Gasques.

Matopiba 

A região denominada Matopiba, que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, deverá apresentar aumento da área e da produção de grãos. “É uma região com grande potencial e que merece bastante atenção das políticas públicas para se desenvolver”, prevê o coordenador. As projeções indicam que essa região deve produzir 32,7 milhões de toneladas em uma área de quase 9 milhões de hectares ao final da década estudada.

De acordo com a pesquisa, o crescimento com base na produtividade deverá ocorrer em quase todas as regiões do país, especialmente nas regiões novas, como o Matopiba.

Tendências no comércio internacional 

No contexto internacional, o Brasil deve continuar sendo, junto com os Estados Unidos, um dos maiores produtores e exportadores de alimentos. Considerado grande supridor de alimento com qualidade e com sustentabilidade para o mundo.

Nas carnes, haverá forte pressão do mercado internacional, especialmente de carne bovina e suína, embora o Brasil continue liderando o mercado internacional do frango.

O Brasil deverá participar com quase 52% das exportações mundiais de soja, 35,3% da carne de frango, 23,2% das exportações de milho, 22,7% do algodão e 9,7% das exportações de carne suína.

Entre os produtos com destaque no aumento das exportações na próxima década estão o açúcar, que passará de 15,98 milhões de toneladas em 2019/20 para 25,23 milhões de toneladas em 2029/30 (alta de 57,9%) e o algodão, com aumento de 41,6%. A exportação de milho deve passar de 34,5 milhões de toneladas para 44,5 milhões no período, alta de 29,1%.

A carne de frango deverá ter um incremento de 34,3% nas exportações e a carne suína 36,8%. As frutas também têm destaque, com aumento nas exportações de manga (57,6%), melão (47,6%) e maçã (43,4%).

Agricultura Familiar nas projeções 

Atividades como floricultura e horticultura têm grande destaque na agricultura familiar. Também na produção de carnes, especialmente, suína e de frango, são marcantes nesse segmento agrícola. Outras atividades como o café, leite e frutas, também são atividades de predominância familiar, além de lavouras como o fumo e a mandioca.

Algumas projeções da agricultura familiar na produção do próximo decênio podem chegar a 11,4 milhões de toneladas de mandioca, 24,5 milhões de toneladas de café, 745,2 milhões de toneladas de fumo, 2,69 milhões de toneladas de carne suína, 8,36 milhões de carne de frango, e 20,3 bilhões de litros de leite.

Soja, feijão e milho são as atividades onde a agricultura familiar tem menor participação. Isso pode ocorrer devido à produção em larga escala e ao uso de tecnologia.

Fonte: MAPA
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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra de inverno

Cenário positivo para o trigo é ainda melhor para quem tem grão segregado

Cultivo de trigo melhorador/branqueador segregado, garante maior rentabilidade, aprovação e confiança da indústria moageira. Mas é preciso investir e tratar a cultura mais a sério

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Divulgação/Biotrigo

O cenário está propício para o triticultor. De acordo com a consultoria em agronegócio Cogo, em relatório lançado em maio, a tendência é de alta dos preços internos do trigo, baseada na forte alta do dólar frente ao real e à entressafra no Brasil. A expectativa é que a área dedicada ao cereal nesse inverno seja maior, entre 5 e 10%, com preços que podem ser mais atrativos ao produtor rural. Ainda mais quem planta um cereal “premium”.

Ao contrário de outras culturas, como a soja e o milho, por exemplo, a uniformidade dos lotes de trigo que chegam aos moinhos é um dos critérios mais importantes de análise de qualidade. Não basta que o grão seja fisicamente apto, a entrega de um produto puro e homogêneo é um grande diferencial. Essa é uma das razões pelas quais os projetos de segregação ganham cada vez mais espaço. Além de garantir qualidade na entrega, a identidade preservada beneficia todos os elos da cadeia, do produtor ao consumidor final. Há bons exemplos, como o projeto Trigos Especiais, desenvolvido por uma empresa de genética nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, que nasceu para atender a essas necessidades específicas do mercado.

“Os moinhos querem e pagam por um produto segregado, com identidade, rastreabilidade, qualidade industrial e nenhum outro trigo no mercado tem diferenciais combinados como essa cultivar. Tem alta força de glúten (melhorador); estabilidade alta (acima de 20 min); que produz farinha branqueadora e ainda um desempenho superior na panificação, podendo formar mesclas de farinhas com alta qualidade industrial”, explica o supervisor comercial da Biotrigo e coordenador do projeto Trigos Especiais, Everton Garcia.

Norberto Risson dos Santos, proprietário da corretora Serra Grãos, parceira na comercialização do grão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Paraná, acompanha o projeto desde o começo. “Iniciamos em 2015 e agora 100% da indústria já tem interesse (por esse trigo). Isso porque é um trigo que tem rastreabilidade, o que é essencial. Para a indústria é excelente ter um material com essas especificações para poder melhorar os outros lotes e produzir uma farinha com a qualidade que o mercado exige, além de ser uma opção para substituir trigo importado”, garante.

Bons resultados também no campo

No campo, o desempenho da cultivar também vem agradado os produtores. Jeferson Napoli é médico veterinário e produz trigo em Castro, no Paraná, desde 2016, quando alcançou uma produtividade média de 6.763 kg/ha em um talhão de 23 hectares. Desde então, a cada ano a área semeada só aumentou. “Apresenta um excelente teto produtivo e uma característica importante de ser farinha branqueadora, o que proporciona um ágio de preço no momento da venda”. Para ele, o projeto ajuda a fortalecer a triticultura e a qualidade do trigo nacional. “O produtor não pode mais olhar o trigo como uma cultura de baixo investimento. Precisamos ser cada vez mais profissionais na triticultura”, complementa.

Segundo Everton, a cultivar tem um bom potencial produtivo, o que é um desafio em uma combinação com as características de qualidade. “Exige um bom nível de investimento e monitoramento na lavoura, sendo recomendado para agricultores que estejam dispostos a investir na cultura. Ter um bom rendimento como entrega, e as características tão desejadas pelos moinhos é apenas uma parte do processo. O que faz este movimento ser tão robusto e reconhecido por quem está dentro é o conjunto, desde a segregação até a comercialização. Isso gera tranquilidade para quem planta e para quem compra o grão”, explica.

Qualidade industrial

A grande vantagem para o moinho é receber o material segregado em que se possa realizar testes com garantia total dos resultados finais. É o que explica o gerente do Moinho Rio Azul, de Céu Azul, também no Paraná, Paulo Henrique Zanini. Segundo ele, os trigos de cultivares branqueadoras têm vantagens em certos nichos. Os pães têm uma aparência mais branca e crosta mais crocante e as massas apresentam coloração mais branca e menos amarelada, uma característica exigida pelo mercado. “O grande diferencial é que além de ser uma cultivar branqueadora, é também melhorador, e isso auxilia principalmente na qualidade final do pão, melhorando volume, salto de forno e estabilidade de fermentação”.

Kênia Meneguzzi, supervisora de qualidade industrial da Biotrigo, explica a importância da escolha da cultivar a ser semeada, bem como da recepção e segregação dos lotes colhidos de acordo com a qualidade. “A indústria tem um exigente cliente para atender que somos nós mesmos, consumidores. O planejamento faz toda a diferença em qualquer negócio e na agricultura não é diferente. Precisamos pensar na próxima safra e escolher as melhores cultivares de trigo”, destaca.

Participação por adesão

Já bastante consolidado no Rio Grande do Sul, o projeto ganha um aporte maior também nos estados do Paraná e São Paulo, onde se concentram 50% dos moinhos brasileiros. Everton Garcia explica que é um projeto de exclusividade e por adesão que visa liquidez e remuneração distinta aos produtores. “Entregamos uma tecnologia diferenciada, com credibilidade e que tem a preferência dos moinhos já há alguns anos e, em contrapartida, buscamos a lealdade entre os participantes, o respeito mútuo e o compromisso com a qualidade industrial do produto”, menciona.

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Fonte: O Presente Rural
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