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Como a nutrição pode reduzir custo de produção e melhorar performance das aves

Para cada 10% a mais de Índice de Durabilidade do Pellet (PDI) a ave ganha, em média, 18 a 20 calorias de uma energia líquida pelo não gasto de energia por consumo de pó.

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Para colocar o Brasil entre os maiores produtores de carne de frango do mundo, a cadeia produtiva do setor não mede esforços e  investe constantemente para oferecer as melhores condições nutricionais para as aves expressarem todo o seu potencial genético. Mas será que existe uma fórmula nutricional padrão para a alimentação das aves, a fim de garantir uma melhor performance com custo mínimo?

Diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior: “Temos que ter cada vez mais tecnologia na fabricação da ração e precisamos aprimorar a qualidade na peletização” – Foto: Divulgação

De acordo com o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, existe uma série de estratégias nutricionais que são planejadas e ajustadas de acordo com as demandas nutritivas de cada lote para que as aves produzam mais e melhor, em menos tempo. Porém, para fazer a formulação ideal da conversão alimentar ao plantel é preciso considerar vários componentes de variabilidade.

Estudos apresentam que quanto mais pesados os animais aos sete dias de vida maior será a diferença de peso deles com 35 dias ou no momento do abate. Mas como a nutrição pode interferir para, em um mesmo lote, ter animais com 140 gramas ou menos e outros que pesem mais de 180 gramas se a nutrição é igual?

Em busca desta resposta, Penz conta que foi feito um estudo em uma determinada empresa para saber as variáveis que afetavam o peso corporal das aves. Para mensurar as informações dos animais foram usados modelos de variáveis, quando percebeu-se que 43,2% da variabilidade no peso corporal não se sabia a origem, ou seja, metade do que acontecia na variabilidade das aves não sofria interferência ou era de origem desconhecida.

De outro lado, as variáveis conhecidas representavam 56,8%, mostrando que o trabalho do produtor, o tipo de galpão e o suporte técnico equivalia a mais da metade da variabilidade conhecida. Por sua vez, de acordo com o estudo, a nutrição só representava 0,8% da variabilidade conhecida. “O que não quer dizer que não seja importante, mas o que quero expressar é que não há uma única saída para algo que tem uma variabilidade tão complexa, com apenas algumas medições”, enfatiza o diretor global.

Para ter informações cada vez mais precisas, Penz ressalta que os inventários das granjas são indispensáveis, pois sem essas informações não há como estudar que tipo de variável está afetando determinado aviário, destacando que esses dados podem ser muito mais efetivos do que a própria medição.

Fatores que afetam os resultados produtivos

O diretor global da Cargill afirma que o primeiro passo para saber o que afeta os resultados produtivos nas granjas é fazer uma análise dos ingredientes que serão usados na formulação, porém, o índice de tabela adotado pelo produtor, muitas vezes, não coincide com os ingredientes usados em sua propriedade, o que causa um descompasso nutricional, afetando a produtividade das aves.

“Nós temos no nosso laboratório poucas análises para que possamos fazer experiências mais precisas. Mas o que eu vejo é que falta muita interpretação dos resultados. Muitas vezes recebemos análises de várias origens e não trabalhamos esses números para fazer com que as tabelas se tornem mais robustas. Falta tempo para corrigir as matrizes nutricionais e fazer a revisão de fórmulas, que geralmente são de um período muito longo – semanais, quinzenais, mensais – e isso tudo tem um custo significativo naquilo que afeta os resultados produtivos”, avalia Penz.

O profissional diz ainda que é muito comum no Brasil fazer pouco armazenamento dos ingredientes para uso do tipo FIP. “Não temos tempo de fazer o armazenamento na maioria das nossas fábricas, o que permitiria fazer uma análise do produto em busca de uma maior precisão desta formulação para torná-la uma realidade nas granjas”, destaca Penz.

Meio desvio padrão da média

O desvio padrão é uma medida que mostra o grau de dispersão de um conjunto de dados, indicando o quanto é uniforme. Quanto mais próximo de 0 for o desvio padrão mais homogêneo são os dados.

Em uma pesquisa citada pelo palestrante, foram feitas 2.593 análises de farelo de soja, cuja média de desvio padrão foi 46,6%, mas de uma maneira geral, Penz cita que os nutricionistas usam uma pequena margem de segurança e em alguns programas, inclusive, isso está definido como meio desvio padrão da média. “Quando formulo este meio desvio padrão da média abaixo da média esperada fico com todas estas fórmulas com valor acima de proteínas do que o esperado e isso certamente tem um custo significativo”, pondera Penz.

No caso da proteína bruta no farelo de soja, o diretor global da Cargil afirma que é possível ter dois grupos de fornecedores, um que tem uma quantidade de fibra em torno de 3,5% e outro com cerca de 7%, ou seja, vamos ter em uma mesma proteína bruta com diferentes teores de fibra e isso, segundo Penz, tem uma consequência bárbara na nutrição das aves. “Essa fibra em excesso, mesmo que a proteína seja igual, compromete o desempenho dos animais, especialmente nos primeiros 21 dias de vida. Então, nós precisamos ter análises mais robustas, interpretá-las e implementá-las de acordo com aquilo que nós estamos gerando”, menciona o profissional.

Como reduzir custos de produção

Em outro caso apresentado por Penz, a empresa ‘A’ eliminou o meio desvio padrão do milho e do farelo de soja, o que permitiu uma redução de custo de produção de quase R$ 7 milhões por ano, o que corresponde a R$ 26,70 por tonelada de frango produzido. Já na empresa ‘B’, embora fosse menor do que a primeira, o ganho foi de R$ 78,60 por tonelada produzida. “O que nós queremos dizer com isso é que ao usar o desvio padrão da média ou colocar um coeficiente de incerteza naquilo que estamos trabalhando torna o processo muito caro”, aponta.

Em outro estudo, Penz conta que foi considerado o modelo de sustentabilidade da Cargill em uma dieta de frango em crescimento com 1% a menos de proteína, ajustando o teor dos aminoácidos – aqueles que eram possíveis serem utilizados na fórmula sintética. O resultado deste estudo garantiu uma redução de produção de CO2 em quase 7%. “Essas análises não são só importantes do ponto de vista de desempenho, mas a cada dia serão consideradas mais essenciais no processo de produção”, frisa.

Tecnologia alinhada à produção de ração

Penz diz que é necessário adotar processos cada vez mais tecnológicos nas fábricas de rações, como o uso de expander para aumentar a conversão alimentar das aves e condicionadores mais sofisticados. “Temos que ter cada vez mais tecnologia na fabricação da ração e precisamos aprimorar a qualidade na peletização. Lamentavelmente temos ainda pouca automoção em nossas fábricas”, admite Penz.

Foto: Divulgação

As fábricas são projetadas para atender uma quantidade determinada de produto, por exemplo, 30 mil toneladas de ração por hora, no entanto, muitas vezes esse limite é superado após seis meses, passando a produzir um número superior ao previsto no projeto. “Na medida que saímos do valor nominal abrimos mão de algumas coisas, como a qualidade da ração produzida. E posso dizer que percebemos isso com alguma frequência”, afirma o diretor global.

Tamanho de partículas com farelo de soja

Em um trabalho conjunto desenvolvido com a Universidade do Alabama  foi demonstrado que quando se tem dois tipos de partículas com farelo de soja – uma com 1.300 micra grossa e outra com 530 fina – aumentando o teor de antitripsina na dieta representadas por unidades antitripsícas, as dietas com partículas mais grossas de farelo de soja proporcionaram valores maiores de ganho de peso e isso foi extremamente importante. “Quanto maior o teor de antitripsina, ter partículas grossas significa um benefício. Partículas grossas com soja cruzada por pellet aumenta o refluxo do intestino delgado e causa a desativação dos inibidores de tripsina, aumenta a entrada de bile na moela e libera inibidores de tripsina mais corretamente, permitindo que as aves se adaptem a estes inibidores de crescimento”, enfatizou o diretor global.

Qualidade do pellet

Conforme Penz relata, para cada 10% a mais de Índice de Durabilidade do Pellet (PDI) a ave ganha, em média, 18 a 20 calorias de uma energia líquida pelo não gasto de energia por consumo de pó.

Por isso, é fundamental controlar a quantidade ideial de ração que chega nos comedouros da granja, sendo possível fazer isso usando instrumentos simples para determinar a quantidade de partículas que estão acima de três milímetros.

Margem conjunta

O profissional explica ainda que quando se tem margem conjunta – milho e soja – dependendo do tamanho da peneira terá mais ou menos proteína, portanto quanto menor o DGM (Diâmetro Geométrico Médio) mais proteína terá na parte mais fina que ficou no pó, o que caracteriza uma dieta com margem conjunta desinforme no comedouro. “Quem come partículas maiores comerá níveis proteicos diferenciados, só que os dominantes comem em lugares diferentes do comedouro e os dominados ficarão com um pó com alta perda de balanceamento entre os nutrientes, por isso que a margem conjunta deve ser extremamente avaliada”, relata Penz.

Outras variáveis

Neste contexto, ainda estão outras variáveis que não são características nutricionais, mas que interferem no resultado e, segundo Penz, se não for dada a devida atenção de nada adianta ter a melhor nutrição. Entre elas estão genética, proposta de produção, sexo, número de fase de produção, idade de abate, intervalo de lotes, densidade de alojamento, tipo de ambiente, estação do ano, qualidade de água e treinamento de pessoal.

Como medir os componentes de variação

O primeiro passo é substituir uma formulação linear por uma não linear, apesar dos poucos modelos disponíveis, o que exigirá da equipe de nutrição mais atenção ao processo de formulação, além de conhecimento de modelagem. “Os modelos são estratégicos e não de rotina de formulação. E, mais do que isso, não existe formulação copy-page, o que o meu concorrente está formulando não interessa, o que precisamos levar em consideração é o que nós estamos formulando para aquilo que nós estamos esperando. Quando nós fizemos com formulação usamos modelos matemáticos mais complexos, não lineares, acrescentamos aos modelos vários indicadores diferentes que permitirão uma determinação de custo de produção com margem da produção. Vários componentes são associados ao componente nutricional para que depois, usando formulações lineares, consigamos chegar na melhor formulação possível”, detalha Penz.

Na sequência, o profissional diz que com o uso das enzimas foi possível diminuir a variabilidade entre certos ingredientes dando maior acessibilidade a vários substratos. “Fomos entendendo que não é uma única enzima e sim que precisamos trabalhar com associações de enzimas e de forma customizada, o que vale para uma empresa não obrigatoriamente vale para outra”, avisa.

Penz também destaca o uso do NIR em linha e de ferramentas que permitam o acompanhamento da produção dos animais em tempo real. “As informações que estamos gerando precisam ser transformadas em análises de dados. No passado não se tinha números, hoje os números estão ocorrendo em tempo real e se não transformarmos essas informações em dados para aplicar no campo também vamos estar perdendo em produtividade e melhores processos de manejo”, comenta.

Robotização

“Cada vez mais estamos caminhando para a robotização, a exemplo de medidores de valores de temperatura, umidade, CO² e utilização de sensores para determinação de consumo em tempo real”. Penz sugere que a inteligência artificial estará cada vez mais presente na atividades do campo, o que poderá diminuir a necessidade de mão de obra.

Por sua vez, o palestrante ressalta que com a alta tecnologia vem a necessidade de pessoas mais capazes e bem treinadas para fazer o manejo das aves. “Hoje temos galpões avícolas em que foram investidos em torno de R$ 2 milhões, que devem ser manejados por pessoas que entendam da tecnologia instalada nestes aviários e não por simples tratadores, que estavam acostumados a galpões convencionais do passado. Temos que treinar as pessoas para essa nova realidade do setor”, salienta.

Evitar comparações

Ainda, o diretor global da Cargil enfatiza a importância da cadeia produtiva usar a inteligência artificial para o setor ser mais previsível, aumentando com isso a eficiência da produção, bem como para evitar a comparação dos resultados entre concorrentes. “Vamos deixar de comparar os resultados quando as variabilidades dentro de casa são maiores que as diferenças médias com os outros, por exemplo, o meu concorrente tem 0,03% de conversão melhor que a minha granja, quando eu tenho uma diferença dentro de casa de 2% para 1,64%, então vamos nos preocupar em analisar nossos números, trabalhar com eles, e sermos muito mais previsíveis. Imprevisibilidade é sinônimo de subjetividade, quando eu tenho previsibilidade eu tenho ideias, opiniões, quando eu sou mais previsível eu sou mais objetivo”, pontua Penz, ampliando: “Sinto muito em desapontar vocês, mas se estavam esperando por uma fórmula mágica não há, porque não existe uma saída única, o que nós temos que fazer é voltar nossa atenção para dentro de casa e analisar nossos números, separar diferenças médias dentro da granja para que possamos ajustar a dieta das aves e obter assim melhor produtividade”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

ILP lança nova edição do Relatório Latino-Americano de Carne de Frango com dados consolidados de 2025

Relatório do ILP aponta produção de 31,5 milhões de toneladas em 2025 e reforça protagonismo regional no comércio global da proteína.

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O Instituto Latino-Americano do Frango (ILP), entidade vinculada à Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA), lançou a edição 2026 do Relatório Latino-Americano de Carne de Frango, a principal publicação estatística regional dedicada ao acompanhamento da produção, do comércio e do consumo de carne de frango na América Latina e no Caribe.

O acesso ao relatório em espanhol e inglês pode ser realizado clicando aqui.

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Elaborado anualmente pelo ILP, o relatório consolidou-se como a referência oficial da ALA para a análise dos principais indicadores da cadeia avícola regional, reunindo informações fornecidas pelas associações nacionais afiliadas e complementadas por bases estatísticas e fontes internacionais.

A nova edição apresenta os dados consolidados referentes a 2025 de 25 países da região, incluindo indicadores de produção, exportações, importações, disponibilidade interna, consumo per capita e abate de aves, além de análises comparativas sobre a evolução do setor nos últimos anos.

Segundo o relatório, a América Latina e o Caribe produziram 31,5 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, volume que representa 29,4% da produção mundial e 57,6% de toda a carne de frango produzida nas Américas. O desempenho reafirma a posição da região entre os principais polos mundiais de produção de proteína avícola.

No comércio internacional, os países latino-americanos exportaram 5,74 milhões de toneladas de carne de frango durante 2025, equivalentes a 39,4% das exportações mundiais e a 64,6% dos embarques realizados pelas Américas. O relatório também registra um consumo regional de 27,4 milhões de toneladas, o que representa uma disponibilidade média próxima de 41 quilogramas por habitante ao ano.

A presidente da Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA), Maria del Rosario Penedo de Falla, destacou a importância da publicação para o fortalecimento institucional do setor avícola regional.

Foto: Ari Dias

“O relatório demonstra a dimensão da contribuição da avicultura latino-americana para a segurança alimentar mundial e reafirma a importância da cooperação entre os países da região. Trata-se de uma publicação que reflete, por meio de dados concretos, a relevância econômica, social e alimentar do nosso setor”, afirmou.

Para a diretora-executiva da ALA, Dania Ferrera, a publicação cumpre um papel estratégico para o planejamento e a integração da avicultura regional.

“Mais do que uma consolidação de números, este relatório constitui uma ferramenta de inteligência setorial construída de forma colaborativa pelas entidades que integram a ALA. A publicação permite acompanhar tendências, identificar oportunidades e compreender a evolução da avicultura latino-americana a partir de uma base de dados harmonizada e regional”, destacou.

O Relatório Latino-Americano de Carne de Frango 2026 está disponível para consulta e download gratuito por meio dos canais oficiais do Instituto Latino-Americano do Frango.

Fonte: Assessoria ILP/ALA
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Avicultura

Paraná conclui ciclo de vigilância sanitária em quase 500 granjas e reforça monitoramento contra Influenza aviária

Resultados das análises irão compor o conjunto de evidências utilizado para manutenção do status sanitário do Estado, condição estratégica para as exportações de carne de frango.

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Foto: Divulgação/Adapar

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) concluiu nesta semana uma das principais etapas do monitoramento sanitário da avicultura estadual ao encaminhar a última remessa de amostras do ciclo 2025/2026 da Vigilância Ativa de Aves para análise laboratorial. O material foi enviado aos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) de Campinas (SP) e Porto Alegre (RS), responsáveis pelos exames que investigam a presença de enfermidades de relevância sanitária, entre elas a Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) e a Doença de Newcastle.

Foto: Divulgação/Adapar

A conclusão do ciclo ocorre em um momento de atenção permanente à biosseguridade avícola mundial. O monitoramento realizado pelo Paraná integra as estratégias nacionais voltadas à detecção precoce de enfermidades e à manutenção das condições sanitárias exigidas pelos mercados consumidores.

Ao longo do ciclo 2025/2026, equipes da Adapar realizaram ações de vigilância em 488 propriedades avícolas distribuídas em diferentes regiões do Estado. Durante as visitas, médicos-veterinários fiscais e assistentes de fiscalização coletaram amostras biológicas e levantaram informações epidemiológicas utilizadas para avaliar a situação sanitária dos plantéis.

O trabalho faz parte do Programa de Sanidade Avícola e tem como objetivo gerar evidências técnicas capazes de demonstrar a ausência de circulação de agentes causadores de doenças que podem comprometer a produção, provocar restrições comerciais e gerar prejuízos econômicos à cadeia produtiva.

Foto: Divulgação/Adapar

Além da coleta de material para exames laboratoriais, as equipes verificaram informações relacionadas ao manejo, às condições de biosseguridade e aos fatores de risco para introdução e disseminação de enfermidades.

Ferramenta estratégica para preservar mercados

A vigilância ativa é considerada uma das principais ferramentas de defesa sanitária porque permite identificar rapidamente alterações no status sanitário dos plantéis e subsidiar medidas de contenção caso haja suspeitas de doenças de notificação obrigatória.

Segundo a chefe da Divisão de Sanidade Avícola (Disav), Pauline Sperka, os dados obtidos durante o monitoramento fortalecem a capacidade de atuação do serviço veterinário oficial. “Além de garantir a segurança sanitária da produção, as ações de vigilância são fundamentais para assegurar a confiança dos mercados consumidores nacionais e internacionais, contribuindo para a manutenção das exportações e da competitividade do setor avícola paranaense”, afirma.

O Paraná lidera a produção e as exportações brasileiras de carne de frango, condição que torna a manutenção do status sanitário um dos pilares da competitividade do setor. A comprovação

Foto: Divulgação/Adapar

contínua da ausência de enfermidades é requisito para acesso e permanência em diversos mercados internacionais.

Resultados passam por análise técnica

Com a conclusão da etapa de campo, os resultados laboratoriais serão consolidados e avaliados pela equipe técnica da Adapar. As informações obtidas integram o conjunto de evidências sanitárias utilizadas para embasar programas de certificação, ações de defesa agropecuária e estratégias de prevenção de doenças.

A Agência destaca que os resultados refletem uma ação conjunta envolvendo equipes técnicas dos escritórios regionais e locais, servidores da sede da instituição, profissionais do Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (CDME) e produtores rurais participantes do programa.

Foto: Divulgação/Adapar

A participação das granjas monitoradas é considerada essencial para ampliar a cobertura da vigilância e fortalecer os mecanismos de prevenção adotados pela cadeia produtiva.

Vigilância ocorre durante todo o ano

Embora o envio das amostras marque o encerramento do ciclo 2025/2026, o trabalho de vigilância sanitária não é interrompido. A atividade é permanente e integra a rotina da defesa agropecuária paranaense.

Por meio desse sistema, a Adapar acompanha a ocorrência de doenças de notificação obrigatória, fortalece sua capacidade de resposta a emergências sanitárias e produz informações que sustentam as ações de controle e prevenção.

A vigilância também funciona como instrumento de aproximação entre o serviço veterinário oficial e os produtores rurais. Durante as visitas técnicas são reforçadas orientações sobre biosseguridade, reconhecimento de sinais clínicos, comunicação de suspeitas e adoção de boas práticas de produção.

Mais do que gerar dados laboratoriais, o programa busca consolidar uma cultura de prevenção sanitária compartilhada entre produtores, agroindústrias e órgãos oficiais, considerada fundamental para preservar o patrimônio avícola do Paraná e a posição do Estado entre os principais exportadores mundiais de carne de frango.

Fonte: AEN-PR
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Avicultura

Fiscalização apreende 320 ovos embrionados trazidos de Portugal sem autorização sanitária

Material seria utilizado para formação de plantel de galinhas ornamentais em Minas Gerais; entrada irregular acende alerta para riscos de doenças como a Influenza aviária.

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Foto: Divulgação/Mapa

Auditores fiscais federais agropecuários apreenderam cerca de 320 ovos embrionados transportados irregularmente por um passageiro que desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O material havia sido trazido de Portugal sem a documentação sanitária exigida para ingresso no Brasil.

A interceptação foi realizada durante uma ação de rotina da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Parte dos ovos estava acondicionada na bagagem de mão do viajante.

Segundo informações prestadas às autoridades, os ovos seriam destinados à incubação em uma propriedade rural de Minas Gerais para formação de um plantel de galinhas da raça Serama, variedade ornamental criada principalmente para comercialização de aves de pequeno porte.

Risco sanitário

Embora o objetivo declarado fosse a criação de aves ornamentais, a entrada irregular de ovos embrionados é considerada uma das principais preocupações da defesa agropecuária por representar uma possível porta de entrada para doenças de impacto econômico e sanitário.

Entre os riscos está a Influenza aviária, enfermidade que continua sendo registrada em diferentes regiões do mundo e que exige vigilância permanente dos países importadores. O vírus pode ser transportado por aves, ovos e outros materiais de origem animal, o que torna obrigatória a adoção de protocolos sanitários rigorosos para movimentação internacional desses produtos.

A preocupação é ainda maior porque o Brasil possui uma das maiores cadeias avícolas do mundo, responsável por abastecer o mercado interno e exportar para mais de uma centena de países. A introdução de agentes patogênicos pode comprometer a produção, gerar restrições comerciais e provocar prejuízos econômicos significativos ao setor.

Controle nas fronteiras

O caso reforça o papel da fiscalização agropecuária nos aeroportos, portos e postos de fronteira do país. Para importar animais, ovos, material genético, produtos e subprodutos de origem animal, é necessária a apresentação de certificados sanitários emitidos pela autoridade veterinária oficial do país de origem, além do cumprimento das exigências estabelecidas pela legislação brasileira.

As barreiras sanitárias mantidas nos pontos de ingresso são consideradas estratégicas para preservar o status sanitário do país, proteger a produção pecuária nacional e reduzir o risco de introdução de enfermidades exóticas que possam afetar os rebanhos, a fauna silvestre e a saúde pública.

A apreensão ocorre em um momento de atenção redobrada das autoridades sanitárias internacionais diante da circulação global de focos de Influenza aviária em aves domésticas e silvestres, cenário que tem levado diversos países a reforçarem seus sistemas de vigilância e controle de fronteiras.

Fonte: O Presente Rural
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