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Avicultura

Como a nutrição pode reduzir custo de produção e melhorar performance das aves

Para cada 10% a mais de Índice de Durabilidade do Pellet (PDI) a ave ganha, em média, 18 a 20 calorias de uma energia líquida pelo não gasto de energia por consumo de pó.

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Para colocar o Brasil entre os maiores produtores de carne de frango do mundo, a cadeia produtiva do setor não mede esforços e  investe constantemente para oferecer as melhores condições nutricionais para as aves expressarem todo o seu potencial genético. Mas será que existe uma fórmula nutricional padrão para a alimentação das aves, a fim de garantir uma melhor performance com custo mínimo?

Diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior: “Temos que ter cada vez mais tecnologia na fabricação da ração e precisamos aprimorar a qualidade na peletização” – Foto: Divulgação

De acordo com o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, existe uma série de estratégias nutricionais que são planejadas e ajustadas de acordo com as demandas nutritivas de cada lote para que as aves produzam mais e melhor, em menos tempo. Porém, para fazer a formulação ideal da conversão alimentar ao plantel é preciso considerar vários componentes de variabilidade.

Estudos apresentam que quanto mais pesados os animais aos sete dias de vida maior será a diferença de peso deles com 35 dias ou no momento do abate. Mas como a nutrição pode interferir para, em um mesmo lote, ter animais com 140 gramas ou menos e outros que pesem mais de 180 gramas se a nutrição é igual?

Em busca desta resposta, Penz conta que foi feito um estudo em uma determinada empresa para saber as variáveis que afetavam o peso corporal das aves. Para mensurar as informações dos animais foram usados modelos de variáveis, quando percebeu-se que 43,2% da variabilidade no peso corporal não se sabia a origem, ou seja, metade do que acontecia na variabilidade das aves não sofria interferência ou era de origem desconhecida.

De outro lado, as variáveis conhecidas representavam 56,8%, mostrando que o trabalho do produtor, o tipo de galpão e o suporte técnico equivalia a mais da metade da variabilidade conhecida. Por sua vez, de acordo com o estudo, a nutrição só representava 0,8% da variabilidade conhecida. “O que não quer dizer que não seja importante, mas o que quero expressar é que não há uma única saída para algo que tem uma variabilidade tão complexa, com apenas algumas medições”, enfatiza o diretor global.

Para ter informações cada vez mais precisas, Penz ressalta que os inventários das granjas são indispensáveis, pois sem essas informações não há como estudar que tipo de variável está afetando determinado aviário, destacando que esses dados podem ser muito mais efetivos do que a própria medição.

Fatores que afetam os resultados produtivos

O diretor global da Cargill afirma que o primeiro passo para saber o que afeta os resultados produtivos nas granjas é fazer uma análise dos ingredientes que serão usados na formulação, porém, o índice de tabela adotado pelo produtor, muitas vezes, não coincide com os ingredientes usados em sua propriedade, o que causa um descompasso nutricional, afetando a produtividade das aves.

“Nós temos no nosso laboratório poucas análises para que possamos fazer experiências mais precisas. Mas o que eu vejo é que falta muita interpretação dos resultados. Muitas vezes recebemos análises de várias origens e não trabalhamos esses números para fazer com que as tabelas se tornem mais robustas. Falta tempo para corrigir as matrizes nutricionais e fazer a revisão de fórmulas, que geralmente são de um período muito longo – semanais, quinzenais, mensais – e isso tudo tem um custo significativo naquilo que afeta os resultados produtivos”, avalia Penz.

O profissional diz ainda que é muito comum no Brasil fazer pouco armazenamento dos ingredientes para uso do tipo FIP. “Não temos tempo de fazer o armazenamento na maioria das nossas fábricas, o que permitiria fazer uma análise do produto em busca de uma maior precisão desta formulação para torná-la uma realidade nas granjas”, destaca Penz.

Meio desvio padrão da média

O desvio padrão é uma medida que mostra o grau de dispersão de um conjunto de dados, indicando o quanto é uniforme. Quanto mais próximo de 0 for o desvio padrão mais homogêneo são os dados.

Em uma pesquisa citada pelo palestrante, foram feitas 2.593 análises de farelo de soja, cuja média de desvio padrão foi 46,6%, mas de uma maneira geral, Penz cita que os nutricionistas usam uma pequena margem de segurança e em alguns programas, inclusive, isso está definido como meio desvio padrão da média. “Quando formulo este meio desvio padrão da média abaixo da média esperada fico com todas estas fórmulas com valor acima de proteínas do que o esperado e isso certamente tem um custo significativo”, pondera Penz.

No caso da proteína bruta no farelo de soja, o diretor global da Cargil afirma que é possível ter dois grupos de fornecedores, um que tem uma quantidade de fibra em torno de 3,5% e outro com cerca de 7%, ou seja, vamos ter em uma mesma proteína bruta com diferentes teores de fibra e isso, segundo Penz, tem uma consequência bárbara na nutrição das aves. “Essa fibra em excesso, mesmo que a proteína seja igual, compromete o desempenho dos animais, especialmente nos primeiros 21 dias de vida. Então, nós precisamos ter análises mais robustas, interpretá-las e implementá-las de acordo com aquilo que nós estamos gerando”, menciona o profissional.

Como reduzir custos de produção

Em outro caso apresentado por Penz, a empresa ‘A’ eliminou o meio desvio padrão do milho e do farelo de soja, o que permitiu uma redução de custo de produção de quase R$ 7 milhões por ano, o que corresponde a R$ 26,70 por tonelada de frango produzido. Já na empresa ‘B’, embora fosse menor do que a primeira, o ganho foi de R$ 78,60 por tonelada produzida. “O que nós queremos dizer com isso é que ao usar o desvio padrão da média ou colocar um coeficiente de incerteza naquilo que estamos trabalhando torna o processo muito caro”, aponta.

Em outro estudo, Penz conta que foi considerado o modelo de sustentabilidade da Cargill em uma dieta de frango em crescimento com 1% a menos de proteína, ajustando o teor dos aminoácidos – aqueles que eram possíveis serem utilizados na fórmula sintética. O resultado deste estudo garantiu uma redução de produção de CO2 em quase 7%. “Essas análises não são só importantes do ponto de vista de desempenho, mas a cada dia serão consideradas mais essenciais no processo de produção”, frisa.

Tecnologia alinhada à produção de ração

Penz diz que é necessário adotar processos cada vez mais tecnológicos nas fábricas de rações, como o uso de expander para aumentar a conversão alimentar das aves e condicionadores mais sofisticados. “Temos que ter cada vez mais tecnologia na fabricação da ração e precisamos aprimorar a qualidade na peletização. Lamentavelmente temos ainda pouca automoção em nossas fábricas”, admite Penz.

Foto: Divulgação

As fábricas são projetadas para atender uma quantidade determinada de produto, por exemplo, 30 mil toneladas de ração por hora, no entanto, muitas vezes esse limite é superado após seis meses, passando a produzir um número superior ao previsto no projeto. “Na medida que saímos do valor nominal abrimos mão de algumas coisas, como a qualidade da ração produzida. E posso dizer que percebemos isso com alguma frequência”, afirma o diretor global.

Tamanho de partículas com farelo de soja

Em um trabalho conjunto desenvolvido com a Universidade do Alabama  foi demonstrado que quando se tem dois tipos de partículas com farelo de soja – uma com 1.300 micra grossa e outra com 530 fina – aumentando o teor de antitripsina na dieta representadas por unidades antitripsícas, as dietas com partículas mais grossas de farelo de soja proporcionaram valores maiores de ganho de peso e isso foi extremamente importante. “Quanto maior o teor de antitripsina, ter partículas grossas significa um benefício. Partículas grossas com soja cruzada por pellet aumenta o refluxo do intestino delgado e causa a desativação dos inibidores de tripsina, aumenta a entrada de bile na moela e libera inibidores de tripsina mais corretamente, permitindo que as aves se adaptem a estes inibidores de crescimento”, enfatizou o diretor global.

Qualidade do pellet

Conforme Penz relata, para cada 10% a mais de Índice de Durabilidade do Pellet (PDI) a ave ganha, em média, 18 a 20 calorias de uma energia líquida pelo não gasto de energia por consumo de pó.

Por isso, é fundamental controlar a quantidade ideial de ração que chega nos comedouros da granja, sendo possível fazer isso usando instrumentos simples para determinar a quantidade de partículas que estão acima de três milímetros.

Margem conjunta

O profissional explica ainda que quando se tem margem conjunta – milho e soja – dependendo do tamanho da peneira terá mais ou menos proteína, portanto quanto menor o DGM (Diâmetro Geométrico Médio) mais proteína terá na parte mais fina que ficou no pó, o que caracteriza uma dieta com margem conjunta desinforme no comedouro. “Quem come partículas maiores comerá níveis proteicos diferenciados, só que os dominantes comem em lugares diferentes do comedouro e os dominados ficarão com um pó com alta perda de balanceamento entre os nutrientes, por isso que a margem conjunta deve ser extremamente avaliada”, relata Penz.

Outras variáveis

Neste contexto, ainda estão outras variáveis que não são características nutricionais, mas que interferem no resultado e, segundo Penz, se não for dada a devida atenção de nada adianta ter a melhor nutrição. Entre elas estão genética, proposta de produção, sexo, número de fase de produção, idade de abate, intervalo de lotes, densidade de alojamento, tipo de ambiente, estação do ano, qualidade de água e treinamento de pessoal.

Como medir os componentes de variação

O primeiro passo é substituir uma formulação linear por uma não linear, apesar dos poucos modelos disponíveis, o que exigirá da equipe de nutrição mais atenção ao processo de formulação, além de conhecimento de modelagem. “Os modelos são estratégicos e não de rotina de formulação. E, mais do que isso, não existe formulação copy-page, o que o meu concorrente está formulando não interessa, o que precisamos levar em consideração é o que nós estamos formulando para aquilo que nós estamos esperando. Quando nós fizemos com formulação usamos modelos matemáticos mais complexos, não lineares, acrescentamos aos modelos vários indicadores diferentes que permitirão uma determinação de custo de produção com margem da produção. Vários componentes são associados ao componente nutricional para que depois, usando formulações lineares, consigamos chegar na melhor formulação possível”, detalha Penz.

Na sequência, o profissional diz que com o uso das enzimas foi possível diminuir a variabilidade entre certos ingredientes dando maior acessibilidade a vários substratos. “Fomos entendendo que não é uma única enzima e sim que precisamos trabalhar com associações de enzimas e de forma customizada, o que vale para uma empresa não obrigatoriamente vale para outra”, avisa.

Penz também destaca o uso do NIR em linha e de ferramentas que permitam o acompanhamento da produção dos animais em tempo real. “As informações que estamos gerando precisam ser transformadas em análises de dados. No passado não se tinha números, hoje os números estão ocorrendo em tempo real e se não transformarmos essas informações em dados para aplicar no campo também vamos estar perdendo em produtividade e melhores processos de manejo”, comenta.

Robotização

“Cada vez mais estamos caminhando para a robotização, a exemplo de medidores de valores de temperatura, umidade, CO² e utilização de sensores para determinação de consumo em tempo real”. Penz sugere que a inteligência artificial estará cada vez mais presente na atividades do campo, o que poderá diminuir a necessidade de mão de obra.

Por sua vez, o palestrante ressalta que com a alta tecnologia vem a necessidade de pessoas mais capazes e bem treinadas para fazer o manejo das aves. “Hoje temos galpões avícolas em que foram investidos em torno de R$ 2 milhões, que devem ser manejados por pessoas que entendam da tecnologia instalada nestes aviários e não por simples tratadores, que estavam acostumados a galpões convencionais do passado. Temos que treinar as pessoas para essa nova realidade do setor”, salienta.

Evitar comparações

Ainda, o diretor global da Cargil enfatiza a importância da cadeia produtiva usar a inteligência artificial para o setor ser mais previsível, aumentando com isso a eficiência da produção, bem como para evitar a comparação dos resultados entre concorrentes. “Vamos deixar de comparar os resultados quando as variabilidades dentro de casa são maiores que as diferenças médias com os outros, por exemplo, o meu concorrente tem 0,03% de conversão melhor que a minha granja, quando eu tenho uma diferença dentro de casa de 2% para 1,64%, então vamos nos preocupar em analisar nossos números, trabalhar com eles, e sermos muito mais previsíveis. Imprevisibilidade é sinônimo de subjetividade, quando eu tenho previsibilidade eu tenho ideias, opiniões, quando eu sou mais previsível eu sou mais objetivo”, pontua Penz, ampliando: “Sinto muito em desapontar vocês, mas se estavam esperando por uma fórmula mágica não há, porque não existe uma saída única, o que nós temos que fazer é voltar nossa atenção para dentro de casa e analisar nossos números, separar diferenças médias dentro da granja para que possamos ajustar a dieta das aves e obter assim melhor produtividade”.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Congresso APA 2026 destaca papel do Brasil na produção global de alimentos

Especialistas analisam mercado de grãos, expansão das exportações de ovos e desafios da segurança alimentar no maior evento da avicultura de postura da América do Sul.

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Foto: Alan Carvalho

A cidade de Limeira (SP) sediou, na segunda-feira (10), a abertura oficial do 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, considerado o maior encontro da avicultura de postura da América do Sul. Realizado no Zarzuela Eventos, o congresso reúne produtores, empresas, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os principais desafios e perspectivas da produção de alimentos no Brasil.

Economista Alexandre Mendonça de Barros: “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles” – Foto: Alan Carvalho

A programação da manhã foi marcada por análises estratégicas sobre economia agrícola, mercado de grãos, exportações e segurança alimentar global. Participaram o economista Alexandre Mendonça de Barros, diretor da MB Agro; o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin; e o ex-ministro Aldo Rebelo, responsável pela palestra magistral da edição de 2026 do Congresso APA.

O encontro abriu oficialmente a programação técnica do evento, que, ao longo de quatro dias, reúne especialistas, empresas e profissionais da cadeia produtiva para debater temas como nutrição, sanidade, sustentabilidade, inovação tecnológica e mercado.

Ciclos agrícolas e impactos sobre a proteína animal

Abrindo a programação da manhã, o economista Alexandre Mendonça de Barros apresentou uma análise sobre os ciclos do mercado agrícola global e seus reflexos nos custos da produção de proteína animal.

Segundo ele, o comportamento dos preços agrícolas está diretamente ligado à dinâmica dos mercados de grãos. “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles”, afirmou.

O economista destacou que eventos recentes, como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia, provocaram forte volatilidade nos preços internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da produção brasileira teve papel determinante na recomposição da oferta global. “Em apenas três anos, o Brasil ampliou em cerca de 50 milhões de toneladas suas exportações de grãos. Costumo dizer que quem derrubou o preço da soja e do milho fomos nós, brasileiros”, ressaltou.

Para Mendonça de Barros, o sistema agrícola internacional passa agora por um momento de transição após um ciclo de forte expansão. “Provavelmente veremos

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico” – Foto: Alan Carvalho

uma recuperação dos preços dos grãos nos próximos anos. Choques geopolíticos ou climáticos podem acelerar esse processo”, enfatizou.

Consumo interno e avanço das exportações

Na sequência da programação, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, apresentou uma análise sobre o cenário atual da produção e do mercado de ovos no Brasil.

Segundo ele, o setor vem consolidando avanços importantes tanto no consumo interno quanto no comércio internacional. “O ovo é um dos alimentos mais completos que existem. É uma concentração extraordinária de proteínas, colina e aminoácidos essenciais”, frisou.

Santin destacou que o Brasil ampliou significativamente sua presença no mercado externo. “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico”, salientou.

O dirigente também reforçou a necessidade de planejamento na expansão da produção. “A demanda existe, o mercado existe e o ovo tem espaço para crescer. Mas a decisão sobre o quanto produzir continua sendo nossa. Se produzirmos em excesso, o preço cai”, mencionou.

Segurança alimentar e papel estratégico do Brasil

Encerrando a programação da manhã, o ex-ministro Aldo Rebelo conduziu a palestra magistral do Congresso APA 2026, abordando a produção de alimentos sob

Ex-ministro Aldo Rebelo: “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida” – Foto: Alan Carvalho

uma perspectiva histórica, econômica e geopolítica.

Durante sua apresentação, Rebelo destacou que a segurança alimentar permanece como uma das principais agendas globais e que a produção agrícola desempenha papel central nesse cenário. “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida”, salientou.

Segundo ele, o Brasil reúne condições estruturais únicas para ampliar sua contribuição à produção mundial de alimentos. “O Brasil dispõe de recursos naturais, tem produtores empreendedores e possui conhecimento tecnológico. Essa combinação faz do país uma potência capaz de contribuir decisivamente para a segurança alimentar do planeta”, destacou.

O ex-ministro também ressaltou a importância da cadeia produtiva de alimentos para o desenvolvimento econômico e social do país. “A produção de alimentos gera emprego, movimenta a indústria, fortalece a economia e garante proteína acessível à população”, enalteceu.

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Avicultura Em São Paulo

Congresso APA 2026 é aberto em Limeira com foco em sanidade, ciência e expansão das exportações de ovos

Autoridades, lideranças do setor e representantes do governo destacam o papel social da avicultura, a credibilidade sanitária do Brasil e os desafios para o crescimento sustentável da cadeia produtiva.

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Foto: Alan Carvalho

O 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos foi oficialmente aberto na terça-feira (10), em Limeira (SP), reunindo produtores, especialistas, empresas e autoridades para debater os desafios e as oportunidades da avicultura de postura no Brasil. Promovido pela Associação Paulista de Avicultura (APA) e apoio da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Defesa), o encontro destaca temas como biossegurança, inovação tecnológica, sustentabilidade, mercado e exportações.

Presidente da APA, Érico Pozzer: “Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação” – Foto: Alan Carvalho

Na abertura do evento, o presidente da APA, Érico Pozzer, ressaltou a importância econômica e social da avicultura para o País e destacou o papel do setor na oferta de proteínas acessíveis à população. “A nossa atividade é extremamente necessária e desempenha um papel social importante. Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação”, afirmou.

Durante a cerimônia, Rogério Iuspa, mestre de cerimônias e integrante da comissão organizadora, apresentou o médico-veterinário e produtor Josimário Gomes Florêncio, de Caruaru (PE), como presidente de honra desta edição do congresso. Ao agradecer a homenagem, Florêncio destacou a relevância do evento para o fortalecimento técnico da atividade. “Para mim, este é o maior e mais importante palco da avicultura de postura comercial da América Latina. É uma honra representar os produtores de ovos do Brasil neste congresso”, salientou.

Médico-veterinário, avicultor pernambucano e presidente do Congresso APA 2026, Josimário Florêncio: “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade” – Foto: Alan Carvalho

Ele também ressaltou o papel evento para o conhecimento científico no desenvolvimento do setor. “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade”, mencionou, defendendo a ampliação da presença brasileira no mercado internacional. “O Brasil precisa ampliar sua participação nas exportações. A produção brasileira de ovos já não cabe apenas dentro do Brasil”, enfatizou. 

Dando sequência à cerimônia de abertura, foi realizada a entrega de uma placa de homenagem ao professor doutor Evandro de Abreu Fernandes, em reconhecimento ao seu profissionalismo e à dedicação ao desenvolvimento da avicultura brasileira.

Natural de Minas Gerais e médico-veterinário de formação, o professor Evandro construiu uma trajetória sólida no setor, com atuação destacada no desenvolvimento da produção avícola. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de liderança, exerceu a função de diretor de produção, contribuindo para o crescimento e a consolidação da atividade no cenário nacional. Atualmente, segue atuando como consultor, compartilhando sua experiência e visão estratégica com o setor avícola.

Representando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o coordenador da Defesa Agropecuária, Luiz

Coordenador da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da SFA-SP, Luiz Henrique Barrochelo: “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade” – Foto: Alan Carvalho

Henrique Barrochelo, destacou a importância do congresso para a difusão de conhecimento técnico e para o fortalecimento da produção agropecuária. “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade. A agricultura brasileira demonstra que é possível produzir com eficiência, qualidade e responsabilidade ambiental”, frisou.

O superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em São Paulo, Estanislau Steck, destacou o compromisso do governo federal em apoiar o produtor e fortalecer a agropecuária brasileira. Segundo ele, a atuação do ministério busca criar condições para que o setor continue se expandindo, especialmente por meio da abertura de novos mercados internacionais. “É importante que o governo esteja ao lado do produtor. Como se costuma dizer no campo, se o governo não atrapalhar, o produtor brasileiro faz acontecer”, mencionou.

A diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Mapa, Juliana Satie Becker de Carvalho Chino, destacou o reconhecimento internacional do sistema sanitário brasileiro. “O Brasil continua sendo uma verdadeira ilha de credibilidade e segurança sanitária. Manter esse status é um grande desafio e só é possível graças ao trabalho integrado do serviço oficial e ao comprometimento do setor produtivo”, enalteceu.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer” – Foto: Alan Carvalho

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também destacou a importância da dedicação das equipes técnicas e do trabalho conjunto entre setor privado e governo. “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer. Nosso segredo é simples: dedicação e trabalho para manter o status sanitário do País”, evidenciou.

Segundo ele, a cadeia representada pela entidade, que abrange os setores de ovos, carne de frango e suínos, envolve cerca de quatro milhões de pessoas direta e indiretamente no País.

Encerrando as manifestações da mesa de abertura, Roberto Betancourt, diretor do Deagro/Fiesp, presidente do Sindirações, da FeedLatina e vice-presidente da IFIF, destacou o potencial do agronegócio brasileiro. “O Brasil tem um potencial extraordinário na produção de alimentos e proteína animal. A avicultura é um setor diferenciado, que cresceu com base em trabalho sério, pesquisa e empreendedorismo”, afirmou.

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Avicultura

Exportações de ovos superam US$ 6 milhões em fevereiro

Resultado reflete o avanço das vendas externas do setor e a ampliação da presença do produto brasileiro em mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, segundo a ABPA.

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As exportações brasileiras de ovos (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 2.939 toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 16,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 2.527 toneladas.

Em receita, o crescimento foi ainda mais expressivo. As vendas internacionais do setor somaram US$ 6,175 milhões, valor 25,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações totalizaram US$ 4,936 milhões.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina” – Foto: Divulgação/Alimenta

No acumulado do primeiro bimestre, as exportações brasileiras de ovos alcançaram 6.025 toneladas, número 23,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 4.884 toneladas. Em receita, o crescimento comparativo chega a 37,9%, com US$ 12,583 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 9,122 milhões no mesmo período do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras de ovos em fevereiro estão Chile, com 767 toneladas (+156,8%), Emirados Árabes Unidos, com 531 toneladas (-3,1%), Japão, com 524 toneladas (+143,5%), e México, com 284 toneladas (+12,7%).

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho das exportações reflete o fortalecimento da presença internacional da cadeia produtiva de ovos brasileira e a ampliação da diversificação de destinos. “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina. A diversificação de destinos e a competitividade do produto brasileiro têm ampliado o espaço da nossa produção no comércio internacional, consolidando gradualmente a cultura exportadora do setor de ovos”, avalia Santin.

Fonte: Assessoria ABPA/ASCOM
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